|



|
É
MAIO
É
MAIO, MEU AMOR!,
onde estás? que te não vejo!
não te oiço
não te sinto
não te encontro!...
É tempo de haver sol e de haver flores!...
dentro em pouco a primavera 'stá a findar!?...
já passou?
inda não veio?
não cresceram as sementes.
não as semearam? Talvez?!
não nasceram...
as flores.
tenho frio.
o sol já não aquece.
ou aquece demais para matar?!
que é feito desse tempo, meu Amor?, em que havia
primavera e verão e outono e inverno!?
deixou de haver a sucessão das estações
sempre certas, sempre regulares?
Ah! já sei.
Foram muitos os anos que passaram
e sempre ela
a PRIMAVERA
a florir
a passar
a rebentar em flores
de mil cores
que deram fruto
aos milhares...
e EU,
sempre ocupado, muito ocupado,
sem tempo de A viver
de A ver passar...
e agora!? já é tarde.
será tarde?
não há mais PRIMAVERA
na vida dos meus anos p'ra viver?!
há ainda talvez o calor do VERÃO?
há ainda os frutos do OUTONO?
as neves, tempestades do INVERNO? que
vão tornar fecunda a terra prenhe
fecundante!?...
e sem INVERNO! como é que havia
de vir a PRIMAVERA? A VIDA?
sem a morte para a fecundar?
é a minha vez, talvez, de ser INVERNO!
de ser MORTE!?, AMOR!?, para haver VIDA,
para chegar a PRIMAVERA colorida
para TI,
AMOR
TE AMAR.
1990/MAIO
Velho poeta
|
|