Portuguese José d´A Mar
A MAR
Vanguardia
Editorial: Ediciones El Universal
ISBN 950-502-602-5

Como el agua de las fuentes y de los ríos, las VIDAS corren hacia EL MAR… LA MAR… AMAR… En estos poemas con influencia de Camões, Torga y Borges, se proclama una subversión: ¡EL MAR es LA MAR!

Como a água das fontes e dos rios, as VIDAS, correm SEMPRE para O MAR… A MAR… AMAR… Nestes poemas com a influência de Camões, Torga e Borges, é proclamada a subversão: O MAR é A MAR!).

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mar amar a mar

 

a PEDRA de ver A MAR

zé da Serra d'A MAR

 

 

do cimo da minha serra
mais alta de portugal
que tem o nome de estrela
por parecer delas rival
avista-se meio mundo
do reino de Portugal
...
em dias claros sem névoa
quem do alto perscrutar
os lados do ocidente
onde o sol vai mergulhar
pode ver sobre o Bussaco
que faz arco como um dorso
de um fantástico animal
uma fita verde escuro
que é o mar visto de longe
e nós chamamos A MAR
...
quem somos nós que chamamos
tal nome ao que já tem nome
e todos chamam O MAR?
somos nós, são os poetas
os artistas, os amantes
que trocam todos os nomes
que os outros já inventaram
porque o dom de ser poeta
ser artista e ser amante
é um dom que lhes permite
transgredir todas as regras
inventar a realidade
e mostrar que o real
não é real é ficção
é a ficção que eles inventam
e outros chamam ficção
é essa a realidade
que deslumbra e que fascina
a ânsia que o homem tem
de ver mais e mais além
daquilo que os olhos vêem
e os sentidos apreendem
...
mas o comum dos mortais
que chega ao alto da Estrela
um planalto desolado
sem uma planta, uma flor
- a não ser a tão discreta
duma cor quase violeta
a campânula dos hermínios
que chamamos campainha
e ninguém vê nem conhece... -
coberto de rocha dura
que se vai desagregando
exposto ao sol e à chuva
ao calor e frio intenso
aos vendavais temerosos
que varrem tudo o que é vida
ficam a olhar espantados
a Torre de nove metros
que El-Rei D. João o sexto
ali mandou construir
para completar os metros
que faltavam para dois mil
...
como é que a mãe Natureza
se esqueceu de lá chegar
e ficou ali por perto
parando em noventa e um
depois de mil novecentos
mas onde já se mediram
mais dois, os noventa e três
e o último satélite
já avisa que há mais
e passa de três e meio
a atingir noventa e quatro?
...
toca a escalar a pirâmide
com cordas e outros meios
para dizerem aos amigos
que estiveram já mais altos
que todos em Portugal
e subiram dois mil metros
coisa rara nunca vista
que alguém pode alcançar
neste pequeno jardim
plantado à beira mar
...
ou se há neve? então há gelo!
vento e frio de rachar...
então é ver desportistas
pelos barrancos esquiar
com esquis ou sem esquis
com botas ou de sapatos
em pé ou de Cu no chão
rebolar escorregar
com plástico ou numa tábua
ou nos trenós inventados
para as calças não rasgar
...
foi à serra tem direito
a ter diploma a atestar
de ter estado mais alto
que ninguém em Portugal
...
e pode comprar de tudo
queijos presuntos e peles
pão cajados e bengalas
casacos safões garruços
cães da serra com coleira
mil coisas artesanais
das que há em todas as feiras
até já feitas de plástico
que é melhor e dura mais
mesmo sem serem da serra
tudo ali pode comprar
pois já que subiu à Serra
mais alta de Portugal
tem direito a atestar
em todo o tempo e lugar
o privilégio que teve
de ter estado mais alto
e ninguém lhe leva a mal
...
mas há os que vão às Serra
mais alta de Portugal
para se perder nas alturas
e fugir à barafunda
do mundo pobre e vulgar
e então
correm a serra
à procura dos lugares
onde podem descansar
e longe de tudo e todos
podem enfim sós sonhar
e perante a imensidão
ficar mudos e quietos
olhando sem perceber
sem saber descortinar
o que vêem o que sentem
com os seus sete sentidos
porque não podem contar
o que vêem o que sentem
o que ouvem o que cheiram
os mil sabores que lhe chegam
em lufadas de ar leve
e então a fantasia
nas asas do imaginar
vai voando pelo espanto
de tanto belo encontrar
deslumbrado com a grandeza
dos espaços infinitos
que se abrem ao olhar
mas que a vista não alcança
por não poder abarcar
...
dali tu podes voar
até á vizinha Espanha
correr a Cova da Beira
sobrevoar a Gardunha
rodando desde o nascente
seguindo o sol pelo sul
e depois pelo poente
onde o sol vermelho morre
tens a serra da Abuaça
e a outra da Lousã
e por sobre o dorso desta
muito ao longe em dia claro
podes ver se a vista alcança
uma linha verde escuro
que pode ser azul claro
a confundir-se com o céu
que é, quer queiras quer não,
o mar que já banha Espinho
que enche a ria de Aveiro
se espraia pela Figueira
da Foz que é do Mondego
que parte do Mondeguinho
e leva nas suas águas
as alegrias e mágoas
todas as dores e as raivas
das gentes da minha STerra
que bordam as margens do Alva
e do Mondego também
...
dizem os mestres que sabem
que podes, se puderes ver,
as águas que se encapelam
no Sítio da Nazaré
e fizeram o penhasco
onde, segundo o poeta,
a Terra acaba, o Mar começa
e tem a marca o sinal
do cavalo a ferradura
do cavaleiro fogoso
que seguia atrás da caça
e julgava, em seu delírio
que a terra não acabava
...
aí, poetas, artistas,
amantes e sonhadores
deixam os sete sentidos
voar por cima do Mar
e apesar de o Mar ser grande
tão grande que é maior
muito maior do que a Terra
que abraça em toda a roda
...
então poetas artistas
amantes e sonhadores
pobres que têm riquezas
tão grandes que ninguém tem
...
pedem mais, pedem maior,
querem'inda ir mais além
e como o Mar é pequeno
apesar de ser tão grande
transformam O Mar em A MAR
AMAR
e voam no Universo
e pelo Cosmos infinito
à procura do AMOR
que criou as maravilhas
que podemos contemplar
e ainda as outras todas
que só pode imaginar
aquele que vivendo AMOR
é capaz de O criar
e assim tudo criar
porque vive só de AMAR
...
onde podes isto ver
tudo isto imaginar
como se fosse só um sonho
impossível de alcançar?
???
isso é segredo seguro
que não posso revelar
...
ali no alto da SERRA
caminhando devagar
pelas cristas das alturas
sempre andando sem parar
...

vais parando pelas penhas
bebendo a água das fontes
mergulhando nas lagoas
olhando o longe e o perto
saindo daqueles lugares
onde pára a multidão
...
e depois, devagarinho,
sem ninguém o perceber
vais por de certo encontrar
aquele secreto lugar
que é um mirante varanda
que os poetas e artistas
e os pobres e amantes
guardam como um tesouro
com riquezas de encantar
...
se um dia o encontrares
sabes que estás a sonhar
naquele secreto lugar
que ninguém pode encontrar
se não souber procurar
...
é mesmo aí onde estás
A PEDRA DE VER o MAR
A PEDRA DE VER A MAR
PEDRA D'APRENDER A AMAR
!!!
PEDRA DE PRENDER O AMOR
P'RA NUNCA MAIS ACABAR
...
e quem o segredo ouvir
e não o souber guardar
e for a outros contar
tão certo como se diz
lá para os lados da Serra
como p'rás bandas do Mar
por mais que queira fugir
EM PEDRA SE HÁ-DE TORNAR
...
e assim se acaba a história
DA PEDRA DE VER AMAR.
.
assim se acaba este livro
que era p'ra cantar O MAR
passou a cantar A MAR
acaba a cantar
AMAR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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