MOÇAMBIQUE
1968 - 1970
Batalhão de Artilharia 2838

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História
CONTEXTO

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O CONTEXTO Nacional e Internacional

BATALHÃO DE ARTILHARIA 2838

1967 formação - MOÇAMBIQUE - 1968 - 1970

"OS LOBOS - FORTES E ASTUTOS"

CCS
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METANGULA
MAÚA
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N. COIMBRA
RIBAUÉ
LUNHO
ENTRE RIOS
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SONE
CANXIXE
TAMBARA

PODE VER, ainda O CANCIONEIRO DO NIASSA

Campanha em MOÇAMBIQUE - 1968.01 - 1970.03

Acontecimentos relevantes na época a nível Nacional e Internacional

Anos 1967 - 1970

 PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS que nos permitem contextualizar o período desde a formação do Batalhão, Setembro / Outubro de 1967, à estadia em África, Moçambique desde Fevereiro de 1968, até ao regresso e desmobilização em Março de 1970...

 In A GUERRA DE ÁFRICA 1961 – 1974, de José Freire Antunes, Grandes Temas da nossa História, Círculo de Leitores, Setembro de 1995

 

1967  

1967

Fevereiro 13

O cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira convida Paulo VI a visitar Fátima por ocasião do 50º aniversário das aparições.
Segue-se um drama diplomático em que intervém o embaixador António Leite de Faria: o Papa aceita ou não? 

1967

Fevereiro 27

Portugal reforça a sua posição na NATO com a decisão de localizar em Lisboa a sede do Comando da Área Ibero-Atlântica. Vão passados seis anos de resistência militar em África e os aliados não vêem consequências disruptivas na política de um membro ideologicamente incómodo mas seguro de si. 

1967

Abril 8

Pieter W. Botha, ministro da Defesa da África do Sul, avista-se em Lisboa com Salazar, Franco Nogueira e Gomes de Araújo. São discutidos problemas de segurança na África Austral e forjam-se meios de colaboração efectiva. 

1967

Maio 13

Paulo VI preside às cerimónias de Fátima, mas não se avista com governantes em Lisboa. É o compromisso entre a legitimação do regime que um encontro com Salazar significaria e a responsabilidade do Vaticano em relação aos milhões de crentes.

1967

Maio 17

Assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz por um comando da recém-criada Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR). O assalto rende dezenas de milhar de contos e é comandado por Hermínio da Palma Inácio. Outras acções se seguirão. 

1967

Maio-Novembro

A província do Briafra separa-se da Nigéria e proclama a independência. Lisboa toma-se uma base dos secessionistas do Biafra. Em Lagos, é apreendido um carregamento de armamento para o Biafra, com origem em Lisboa. Salazar está também empenhado na desestabilização do Zaire. Os mercenários do coronel Jean Schramme invadem o Zaire, a partir do Catanga, são derrotados e refugiam-se em Angola. O Conselho I de Segurança das Nações Unidas condena Portugal por permitir o trânsito dos mercenários para o Zaire.

1967

Novembro

Notas adicionais:

o BART 2838 com a CCS e as CART 2324 – 2325 e 2326, que se formou no RAP 2 em Gaia, Porto, muda para preparativos de embarque para Viana do Castelo

 

1967

Novembro 26

As cheias do Vale do Tejo que atingem a zona de Lisboa, Ribatejo e Alenquer, impedem as comunicações e atrasam o regresso de muitos militares do Batalhão que tinham ido passar as férias de licença antes da partida e, apesar de a maioria do contingente ser do Norte, a viagem de embarque vai ser adiada.

 

1968

 

Notas adicionais

o BART 2838
Janeiro- Fevereiro
– O batalhão sai de Viana, embarca em Lisboa, atravessa o Equador, pára em Luanda e Lourenço Marques... desembarca em Nacala e segue para Metangula, a sede da Comando e outros destinos, de comboio e coluna militar...

Dá-se a Primavera de Praga...

1968

Março-Abril

Criadas as Áreas Militares em Angola, onde a autoridade civil é substituída pela militar. O MPLA ataca o quartel de Caripande, no saliente de Cazombo. As acções civis e militares em Angola estão a ser coordenadas pela Estrutura de Contra-Subversão. 

1968

Maio 2

O brigadeiro António de Spínola é nomeado governador e comandante-chefe da Guiné, em substituição de Arnaldo Shultz. É uma medida de emergência quando a situação se deteriora ante a eficácia da «guerra em movimento» dirigida por Cabral. A liderança de Spínola vai restaurar o ânimo combatente. 

1968

Maio 3

Tem início, em França, o movimento de contestação conhecido como Maio de 68.

Movimento anarquista, com profundas repercussões em todo o Ocidente, lança o caos em Paris e outras cidades.

1968

Maio 13

Começam em Paris as conversações de paz entre os Estados Unidos e o Vietname do Norte. Vai ser um muito longo entretém, com avanços e recuos no campo de batalha.

1968

Junho 6

Robert Kennedy, o mais forte candidato à Casa Branca, morre assassinado num hotel de Los Angeles. Salazar escreve a que terá sido a sua última carta a Caetano:

«O mundo está a viver em permanente desvario: as massas caminham através da anarquia para ditaduras ferozes, e os homens públicos parece julgarem que podem defender o supremo bem dos povos - a ordem - com o seu liberalismo.»

Eis o testamento político ajustado ao dilema interior de Caetano.

1968

Julho

A Gulf Gil americana inicia a extracção de petróleo em Cabinda. É um novo factor a considerar na cena angolana. Os interesses da Gulf Gil não deixam de influenciar os decisores políticos em Washington a favor da continuidade da abstenção americana.

1968

Julho 10

O Conselho de Ministros decide a adjudicação provisória das obras de construção da barragem de Cahora Bassa, em Moçambique, um gigantesco empreendimento. Silva Cunha é, desde 1965, um grande entusiasta do projecto. Foi a última decisão substantiva sob Salazar.

1968

Agosto 3

Salazar cai de uma cadeira de lona, no Forte de Santo António, em São João do Estoril. As consequências do acidente só se farão sentir cerca de um mês depois. 

1968

Agosto 19

 

Entram para o Governo

Gonçalves Rapazote (Interior),

o almirante Manuel Pereira Crespo (Marinha),

o brigadeiro Bethencourt Rodrigues (Exército),

José Hermano Saraiva (Educação),

João Dias Rosas (Finanças),

José Canto Moniz (Comunicações)

Joaquim de Jesus Santos (Saúde).

João Dias Rosas acha o projecto de Cahora Bassa muito acima da capacidade de realização de Portugal e defende uma maior participação financeira da África do Sul.

1968

Agosto 20

 

Tropas soviéticas invadem a Checoslováquia e esmagam o movimento democratizante liderado por Alexandre Dubcek. É o fim trágico da Primavera de Praga. O português Cunhal está na primeira linha dos que aplaudem a decisão do Kremlin.

 

1968

Setembro 6-7

Revelada publicamente a doença de Salazar, submetido a uma intervenção cirúrgica a um hematoma. A sua incapacitação física cria uma hipestesia nos círculos do poder. Dominam a tensão, a intriga e, sobre- tudo, um sentido de orfandade.

1968

Setembro 16

O estado de saúde de Salazar é considerado irreversível. Sofre uma trombose cerebral e entra em coma. Tomás fica no centro de decisão do Estado e, pela primeira vez em dez anos de figuração mais ou menos ornamental, tem de agir sem caução prévia do seu tutor político.

1968

Setembro 17

Tomás convoca de emergência uma reunião do Conselho de Estado e expõe a necessidade de medidas imediatas.

Estão presentes
Mário de Figueiredo,
Luís Supico Pinto,
Albino dos Reis,
Marcello Caetano,
João Leite Lumbrales,
Fernando Santos Costa,
Manuel Ortins de Bettencourt,
Pedro Theotónio Pereira,
José Soares da Fonseca,
João Antunes Varela e
José Osório.

Alguns conselheiros defendem a nomeação de um substituto provisório até existir um diagnóstico inequívoco da doença de Salazar. Outros consideram desvantajosa a solução da interinidade. Mas todos delegam em Tomás a decisão final.

1968

Setembro 17-26

Feita uma ronda pelos chefes militares, ministros e demais figuras da abóbada institucional,
Tomás convida Caetano para suceder a Salazar.
Exige-lhe que mantenha a política africana.
Caetano diz que quer sufragá-la nas eleições de 1969.
Tomás interrompe: se o resultado for negativo, as Forças Armadas intervirão.

1968

Setembro 27

Caetano toma posse e elege como prioridade a defesa de África. Mas continua autonomista e, no rascunho do discurso, tinha introduziu a expressão «novos Brasis»; Franco Nogueira pediu-lhe que a retiras-se. Caetano assim fez. É o mau prenúncio de tarefas ciclópicas: ter poder efectivo sobre a elite política, que Salazar controlou com um braço draconiano, mandar nos generais de África, manter o apoio da Igreja Católica e dos grupos económico-financeiros. Portugal tem nas três frentes africanas cerca de 120000 soldados e os gastos de guerra ascendem a 51,9 por cento das despesas públicas. 

1968

Novembro 5

Richard Nixon é eleito presidente dos Estados Unidos. Quebra-se um ciclo de oito anos de hegemonia democrata. Mas Nixon torna-se o primeiro presidente desde 1849 a governar o país com o Partido Republicano em minoria nas duas câmaras do Congresso. Henry Kissinger, um professor de Harvard, é a sua alma gémea. Ambos impõem à política externa - de Saigão a Atenas, de Pequim a Santiago do Chile - os ritmos espectaculares de um novo globalismo. 

1969 

Janeiro 1

Um grupo de católicos ocupa a Igreja de São Domingos, em Lisboa, e faz uma vigília contra a política africana. Sectores da Igreja Católica, movidos pelo pacifismo, aumentam a contestação à guerra.

Caetano inicia na televisão as «Conversas em Família», que se tomam um meio importante de popularização da sua imagem, em contraste com o eremítico Salazar.

1969

Janeiro 6

É enviada uma nota oficial ao Governo dos Estados Unidos a solicitar a revisão do estatuto das Lajes. Caetano e Franco Nogueira, numa mutação estratégica, reactivam a questão dos Açores como uma arma política para arrancar concessões políticas.

Desde 1963 que os Estados Unidos estão nos Açores numa base ad hoc, isto é, podiam ter de sair mediante um pré-aviso de seis meses.

 

1969

O fenómeno Zip-Zip que apareceu em Janeiro de 1969...

1969

Fevereiro 3

 

Mondlane, o pai histórico da Frelimo, é assassinado em Dares-Salaam pela explosão de um livro-bomba.

Subsiste o mistério sobre quem o matou.

Um triunvirato
(Uria Simango,
Marcelino dos Santos e
Samora Machel
passa a dirigir a enfraquecida organização.

1969

Fevereiro 4

Os Estados Unidos indicam a vontade de negociar as Lajes quando as propostas portuguesas fossem entregues e consideradas.

A imprensa internacional dá conta do desejo português: 200 milhões de dólares.

1969

Fevereiro 9-11

O PAIGC conquista o campo fortificado de Madina do Boé.

Senghor apresenta um plano de paz para a Guiné, que propõe a independência no quadro de uma Comunidade Luso-Africana.

1969

Março 21

P. W. Botha visita Lisboa para conversações com Caetano. A ideia de um eixo branco funcional Lisboa-Pretória-Salisbúria esbarra no prurido português de se identificar publicamente com dois regimes segregacionistas. Mas estreita-se a cooperação entre os militares e os serviços secretos dos três países.

1969

Março 30

Caetano reúne em Washington com Nixon, por ocasião dos funerais de Eisenhower. O tom intimista da conversa e a substância parecem ao Departamento de Estado excessivamente amigáveis para com os portugueses.

A trágica ironia das relações luso-americanas é que Kennedy, o reformador anticolonialista, encontrou pela frente um Salazar inabalável; e Caetano, o autonomista, tem como interlocutor um Nixon superestrutural para quem África é uma região periférica.

1969

Abril 3

Lázaro Kavandame, um líder maconde, disside da Frelimo e entrega-se às autoridades portuguesas em Moçambique. É um troféu político para Caetano. Mas os seus efeitos são sobreestimados e não afectam a guerrilha do comandante Machel.

1969

Abril 6

O presidente Nixon garante a Franco Nogueira mudar a política quanto a Portugal:
«Pois é, eu penso que os Estados Unidos têm sido injustos com Portugal. Mas olhe que as coisas agora vão mudar [...] Eu nunca farei a Portugal o que John Kennedy fez.» As promessas que animam Caetano e prenunciam um crédito estratégico à sua política africana.

1969

Abril 8

Caetano inicia viagens a Angola, Moçambique e Guiné. É um périplo triunfal. O presidente do Conselho quer inspirar confiança às tropas em combate e reforçar os vínculos entre as comunidades de origem europeia e a face revitalizada do poder central. A sua estratégia aponta em três direcções:

I) Dinamização orgânica das forças militares e aumento da eficácia no terreno.
2) Descentralização da burocracia e maior participação dos autóctones na gestão pública, substanciando o conceito de Estado multirracial.
3) Crescimento económico e atracção dos investimentos estrangeiros.
Ao medo dos integracionistas, Caetano contrapõe a exaltação semântica do portuguesismo.

1969

Abril 17

Eclode a crise académica de Coimbra. As universidades de Lisboa, Porto e Coimbra convertem-se daí em diante no chão onde floresce o radicalismo. A nova geração estudantil afasta-se do PCP e é tocada pela cultura do Maio de 1968 e pelo ascenso do maoismo.

 

O incidente, a 17 de Abril de 1969, entre os dirigentes da Academia de Coimbra e altas figuras do regime fascista desencadeou uma crise que fez mossas irrecuperáveis no regime. Coimbra vai recordar esses tempos.


O 17 de Abril de 1969, data associada a um incidente protocolar aquando da inauguração do departamento de Matemática da Universidade de Coimbra (UC) que despoletou a crise académica de 1969 e abalou o regime fascista, vai este ano (2004) ter um dos maiores programas de comemorações de sempre.

Um dos pontos altos será o debate sobre este momento, a realizar no próximo sábado, e que vai juntar, 35 anos depois, alguns dos protagonistas daquele dia. É o caso de Alberto Martins, presidente naquele ano da Associação Académica de Coimbra (AAC), a quem o poder político recusou a palavra na cerimónia em que estavam presentes o historiador José Hermano Saraiva, então ministro da Educação, e o presidente da República, Américo Thomaz. Logo após este episódio, os estudantes de Coimbra sublevaram-se, Alberto Martins foi parar às celas da Pide e foi decretado o luto académico, com greve aos exames.

1969

Maio 15-18

 

Segundo Congresso Republicano, em Aveiro. Reclama-se o debate livre sobre a guerra de África e a formação de partidos políticos. A abertura de Caetano gera um surto participativo.

1969

Junho 21

Entre Eles há 5 do nosso Batalhão:

da CCS
Eduardo Marques de Carvalho
José dos Santos Moreira
Fernando da Silva Sampaio

da 2324
Joaquim Bessa Ferreira

da 2325:
Manuel José Ferreira

 

Cento e um militares portugueses morrem no afundamento de um batelão no rio Zambeze, em Moçambique. É o maior acidente verificado nas três frentes da guerra de África.

1969

Julho 17

 

D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto no exílio há dez anos, por causa de uma carta a Salazar, é autorizado a regressar a Portugal. Assume-se como um dos mais poderosos líderes de opinião e lidera dentro da Igreja a ideologia da revolta. 

 

1969

Julho 17-25

Reúnem-se em Lisboa os chefes militares e dos serviços secretos de Portugal, Rodésia e África do Sul. Reforça-se a cooperação entre os três Estados brancos da África Austral.

 

1969

Julho 19 20...

 

O 1º homem na LUA

 

1969

Setembro 6

O jornal francês L'Aurore publica uma entrevista com Salazar, que pensa ser ainda presidente do Conselho e lamenta que Caetano se recuse a entrar no Governo. Amparado por figuras íntimas, Salazar vive na ilusão de ainda mandar, oscilando entre depressões fundas e laivos de lucidez.

1969

Setembro 11

Abre a campanha eleitoral. Caetano está na mira das Forças Armadas, verdadeiro sucessor de Salazar, e quer legitimidade:

«É preciso que fique bem claro, cá dentro e lá fora, se o povo português é pelo abandono do Ultramar ou está com o Governo na sua política de progressivo desenvolvimento e crescente autonomia;»

O problema africano vai ser discutido com uma sonoridade sem precedentes. Mas a televisão está interdita à oposição.

1969

Setembro 19

Assinatura do contrato para a construção da barragem de Cahora Bassa. É uma viragem na guerra em Moçambique.

 

As obras da barragem tomam-se o pólo decisivo em que se empenham a Frelimo e as Forças Armadas portuguesas.

1969

Outubro 2

A concepção de autonomia progressiva e participada suscita a desconfiança dos chefes militares. O CEMGFA, Venâncio Deslandes, transmite as suas reservas a Tomás. Caetano está sob vigia e resolve descentralizar os processos de decisão. Passa a convocar o Conselho Superior de Defesa Nacional, paralisado sob Salazar.

1969

Outubro 26

Eleições para a Assembleia Nacional. Entre os deputados novos está gente renovadora:
José Pedro Pinto Leite,
Francisco Sá Carneiro,
Francisco Pinto Balsemão,
José Miller Guerra,
Joaquim Magalhães Mota.

A oposição concorre dividida entre a CDE e a CEUD. A primeira defende negociações com os movimentos africanos. A segunda diz não à guerra e ao abandono.

O PCP é supervisionado e financiado através da Checoslováquia, recebeu dois milhões de coroas (335 000 dólares) em 1963 e, desde então, quatro milhões de coroas anualmente. 

1969

Novembro-Dezembro

É capturado na Guiné o capitão Pedro Peralta, um dos cubanos que presta ajuda ao PAIGC. O eixo Moscovo-Havana é crucial para o movimento de Cabral. O Conselho de Segurança das Nações Unidas condena Portugal pelo bombardeamento de localidades no Senegal.

1970

Janeiro 15

Remodelação governamental. Caetano afasta os críticos Franco Nogueira, um dos herdeiros do espírito salazarista, e Correia de Oliveira, fazendo entrar
Rui Patrício (Negócios Estrangeiros),
José Veiga Simão (Educação) e
Baltasar Rebelo de Sousa (Corporações).
Os «tecnocratas»
Xavier Pintado,
João Salgueiro e
Rogério Martins
dão sinal de aproximação à Europa, contra o afrocentrismo. 

1970

Janeiro 28

Nixon fura o embargo de Kennedy e autoriza o fornecimento a Portugal de equipamento militar «não letal» para uso em África. Aprova também uma recomendação de Kissinger para que se evitem pressões políticas sobre Portugal.

É a viragem pró-branca da política americana.

1970

Fevereiro 23

 

Spínola concita admiração. Mantém o moral das tropas, forma uma elite de peso, e evidencia-se pelo destemor pessoal.
Pedro Theotónio Pereira faz-se eco: «
OUÇO que o Spínola, governador da Guiné, mandou em certos postos avançados colocar o dispositivo de segurança à frente do arame farpado
Prossegue a «revolução social» e explora as rivalidades étnicas.

1970

Fevereiro 25

Cento e quarenta e sete figuras de perfil «liberal», entre as quais
Xavier Pintado e
Rogério Martins, secretários de Estado, pedem a legalização da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES).
A maioria dos peticionários são técnicos, incluindo 22 engenheiros e 15 economistas, e da lista só fazem parte 14 advogados, dominantes por tradição na política portuguesa.
A SEDES é pensada como um instrumento de apoio ao Governo e um pólo agregador do «centro político», mas toma-se depois um grupo crítico e distanciado.

1970

Março

REGRESSO do
BART 2838

Notas adicionais

– o BART 2838 e companhias 2324 – 2325 e 2326, embarcam em Nacala e a desmobilização é em 20 de Março de 1970...

1970

Março 31

 

Kaúlza de Arriaga assume o cargo de comandante-chefe de Moçambique, em substituição de Augusto dos Santos. Está disposto a aniquilar a Frelimo. Revê concepções e logísticas e prepara operações de envergadura.

1970

Abril 20

Três majores do Exército são atraídos a uma emboscada pelo PAIGC e mortos. É o fim trágico da Operação Chão Manjaco, lançada por Spínola como meio de paz, e que previa a integração da guerrilha nas Forças Armadas portuguesas.

1970

Abril 21

 

Sá Carneiro e Pinto Balsemão apresentam um projecto de Lei de Imprensa em que se prevê o fim da Censura Prévia. Os liberais embalam-se na luta pela democratização, mas a guerra condiciona tudo. Caetano acha que José Guilherme Melo e Castro, ao seleccionar gente como Sá Carneiro para as listas da UN, depois Acção Nacional Popular (ANP), tinha ido longe de mais.

Costa Gomes, um dos rebeldes de Abril de 1961, é nomeado comandante-chefe de Angola. A sua acção vai abalar profundamente o MPLA.

1970

Maio 10

Machel torna-se presidente da Frelimo, Simango é afastado. Desvanecem-se os traços pró-ocidentais da organização e crescem os radicalismos pró-soviético e pró-chinês.

Cahora Bassa é o ponto focal da guerrilha e o teste à capacidade portuguesa.

1970

É assinado em Madrid o terceiro protocolo adicional ao Tratado de Amizade e Não Agressão entre Portugal e a Espanha, com revalidação por dez anos. As relações com Madrid merecem o empenho de Caetano...

1970

Junho 10

 

 

 

 

É atribuída a CRUZ de GUERRA a um oficial do nosso BATALHÃO o BART 2838:

o Senhor Alferes

BENJAMIM FERREIRA PIRES

Portaria de 24.02.1970
OE Nº5 2ª série 03.03.1970

As fotografias, na sua maior parte são do Livro PORTUGAL SÉCULO XX – Crónica em Imagens – 1960 - 1970, de Joaquim Vieira, Círculo de Leitores, Junho de 2000. A de Maio de 68 e as da 1ª chegada do Homem à Lua são da Enciclopédia LAROUSSE Jovem, vol. 5, Publicações Alfa, 1994.

 

E-Mail: joraga@netcabo.pt

Um ESPAÇO NET DOS MILITARES que pertenceram a este BATALHÃO, FAMILIARES e AMIGOSpoderem ir Vendo, Convivendo e partilhando as suas MEMÓRIAS e VIVêNCIAS...
- uma realização de José Rabaça Gaspar com a colaboração técnica de M. Cruz e M. Aleixo.

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