CAMILO MORTÁGUA
ANDANÇAS para a LIBERDADE -
VOLUME I 1934 - 1961


uma APRESENTAÇÃO por JORAGA
um Cigano Castanho vindo da Serra da Estrela

 

contacto © joraga ®

INTERVENÇÃO de JOSÉ RABAÇA GASPAR

CAMILO MORTÁGUA – ANDANÇAS PARA A LIBERDADE I

ESFERA DO CAOS

APRESENTAÇÃO – prevista para 17 de Abril de 2009 às 18H30

Na Biblioteca Museu da Resistência,
Rua Alberto de Sousa, 10 A

1600-002 Lisboa – 217802760


INTRODUÇÃO

Vou fingir um CONTO de FANTASIA todo elaborado a partir da IMAGINAÇÃO…

Era uma vez…

um menino que não teve tempo de nascer trazido pelas cegonhas pois era ainda tempo do frio em que as cegonhas ainda não tinham chegado e começou logo a andar numa nuvem no cimo de uma canastra que pairava sobre a cabeça da Maria Peixeira que até por sinal vendia pão e acomodava o “come-e-cala” ao lado do pão no meio das toalhas imaculadamente brancas… o menino cresceu e quase não teve tempo de andar à escola… mudou uma vez de meio de transporte e em vez da nuvem era levado no carrinho de mão que era limpo depois de carregar o estrume… e depois andava aos saltos a sonhar coisas impossíveis no meio dos arrozais que deixavam uma comichão de morrer que era o “pó de arroz” daquela região… e depois foi tirar um curso em Lisboa nos pátios densamente povoados e servindo copos a bêbados dotados de uma linguagem singular e expressiva… andou com sacas de farinha de sessenta quilos às costas quando pesava uns quarenta… e depois andava com os cestos de pão pelos baços e andares, escadas acima e abaixo… como não podia ir à escola leu mais de 300 livros que um inesperado amigo lhe emprestava às escondidas e ia substituindo à medida que passava no exame anterior… e depois viajou para o outro lado do mundo… foi padeiro e criado… foi proprietário e protector das “meninas bem comportadas”… viu muito mais mundo do cimo de montanhas inacessíveis em cima de uma lambreta… fugiu aos amores… e ao diabo… foi locutor em cinco estações de rádio… fundou um jornal para a comunidade… enquanto fazia e distribuía o pão pelas ruas e pelas casas… fintando o trânsito com as motos voadoras como a harley… ao mesmo tempo que participava na revolução contra a ditadura daquele país e apoiava na do lado… e depois foi pioneiro dos piratas do século XX… e depois continuou a correr mundo como um “andarilho” incansável à procura da sua amada LIBERDADE!!!

 

UFA. Isto é tudo inventado!!! É ficção!!! Afinal este livro do Camilo ultrapassa toda esta ficção – que eu pensava que era capaz de inventar num processo de escrita delirante para impressionar leitores e vender muitos livros…

 

Para CONCLUIR: é já um LUGAR COMUM (?) «Por vezes somos surpreendidos pelo “FILME” de uma REALIDADE que ultrapassa a FANTASIA com que nos brindam os grandes escritores que vendem milhões…»

SAUDAÇÕES

Saudações aos Amigos e Personalidades da MESA e da SALA…

Desculpem este desvio.

Compete começar pelo princípio:

Ex.mos Senhores:

1. Director da Biblioteca Museu da República e da Resistência: João Mário Magalhães…

2. Professor Doutor Luís Reis Torgal

3. Editor da Esfera do Caos – Francisco Abreu (pelo livro que justificará o nome – a organização do Caos!!!)

4. Ilustre economista Sara Rocha...

5. Presidente da DELOS Constellation, Association Internacional pour le Devellopement Local Soutenable (1994-2002)

- Presidente da APURE, Association Pour les Universités Rurales Européennes – APURE - Fondée le 16 mai 1988 (statuts modifiés le 8 mai 2005).

- Grande Oficial da Ordem da Liberdade da República Portuguesa.

 

5. Saudações à Magnífica Assembleia – considerando, sem mais explicações, que qualquer um dos Presentes, pela sua (maior) competência e por serem Amigos do Camilo, poderiam e deveriam porventura estar aqui no meu lugar… em ESPECIAL, caso esteja presente: uma SAUDAÇÃO a Maria Peixeira, de nome oficial Maria Soares da Silva, 88 anos bem contados...


(Evocar a FANTASIA de uma APRESENTAÇÃO, no cenário idílico da Pateira de Fermentelos!!!)

 

 

 

 

TEXTO

Não sei por onde começar.

O Camilo – “Camilinho” – começou a vida pairando numa “NUVEM” que era transportada através dos “céus” numa “carroça de cristal – canastra” por uma fada de nome Maria Peixeira que vendia pão por aqueles caminhos entre campos frequentemente alagados pelas cheias dos rios que os tornavam prenhes de tudo o que a terra e o mar podiam dar!!!

Entretanto eu nascia no fundo dum vale (que curiosamente, como dizia um célebre discurso de um “Cabeça de Abóbora, que foi presidente de Portugal: “estranho, estarmos aqui no fundo, rodeados de montanhas, quando estamos numa das mais altas terras de Portugal, tão perto dos 1993 metros de altitude”… e depois (anos 50, 60; 70…) fui voando nas “peneiras” que uma formação académica exaustiva de catorze anos de estudo, pensava eu, me tinham dado para enfrentar a vida com as armas imbatíveis de “saber ler, escrever e contar (x2)… Andei perdido pela “guerra”… pelos “bairros de palhotas” em África… e fugido pela Europa, até que a Revolução de Abril e o Camilo nos foram desafiar na Alemanha e nos cursos de Alfabetização de Paulo Freire: “que andam aqui a fazer se a revolução é lá em Portugal?...” - «Que é que estão para aqui a fazer, quando temos a oportunidade de realizar os sonhos pelos quais tivemos de fugir de Portugal que agora nos abre as portas… e é preciso “alfabetizar”, promover, desenvolver»…

Eu fui um dos que “pregava” e “desafiava” o Camilo, nos anos 70/80, para escrever “por ele” ou/e “com ele” a SAGA da sua Vida plena de Aventuras…

Agora AQUI, perante a competência e autoridade desta MESA e da SALA que imagino aqui sentada na MESA, sinto-me de novo APRENDIZ de CONTADOR de ESTÓRIAS e HISTÓRIA… passei de novo a aluno, depois de anos como professor de Língua e Literatura!

É nesta qualidade de APRENDIZ que me atrevo, (quando disse três vezes NÃO e depois acabei por dizer SIM, não sabia bem no que me estava a meter…) a trocar CONVOSCO uma sequência – TRILOGIA - de IDEIAS:

 

Uma TRILOGIA para reflectir:

A METÁFORA DAS RAÍZES

A MESTRIA NA ARTE DE CONTAR

O MITO das UTOPIAs

Do gr. oü, «não» + tópos, «lugar», pelo lat. Utopìa-, «utopia, lugar que não existe»)

 

 

… a partir de uma LEITURA (subjectiva, mas razoavelmente atenta e empenhada) desta obra “ANDANÇAS PARA A LIBERDADE - I” onde a “REALIDADE ULTRAPASSA A FANTASIA”… valorizada com a contextualização de NOMES tão sonantes como Drª Heloísa Paulo e Professor Doutor Luís Reis Torgal e onde Francisco Reis terá conseguido “organizar este CAOS” fazendo jus à editora “Esfera do Caos” proporcionando-nos este LIVRO “objecto de arte” agradável aos 5 sentidos e, para além desses, aos sete que passam pela imaginação e a fantasia até ao milagre de nos dar a chave da “CIRCULATURA DO QUADRADO” objecto de intensa procura de grandes os SÁBIOS ao longo da História da Humanidade: a realização da UTOPIA (não lugar por definição) e apesar de tudo realizável… e logo que alcançada se abre outra… e outra…

(Este é um LIVRO para “comer” SABOREAR… (fazer entrar as canastras com pão e livros…)

Atentemos nesta loucura – andanças para a liberdade de 1936 UL a 1961 Santa Maria Santa Liberdade… e a quantidade de UTOPIAS ultrapassadas… todas fora do alcance da Personagem que não teve, não tinha as bases adequadas para feitos dessa dimensão… Ficamos à espera do Segundo Volume… andanças ainda para a LIBERDADE… e eu já previ um TERCEIRO – ANDANÇAS NA LIBERDADE… - o depois de ABRIL… mas perante esta «rudeza Düa austera, apagada e vil tristeza» em que nos vemos na NOSSA DEMOCRACIA e “estado de descrédito MUNDIAL!  Parece que o título terá de se manter… A para L como a ponta do Arco-íris, afinal inatingível!!!

Mais uma breve reflexão para desmontar o “descrédito”, “inutilidade” ou “desperdício” de ser uma pobre perca de tempo o olhar para o PASSADO que costumam ser os livros de “MEMÓRIAS” as “AUTO-FOTO-BIO-BIBLIO-GRAFIAS!!!

Estive para começar por AQUI deixando ao Camilo o Conselho / Conclusão de Camões…

Começar (com uma lamúria) com uma reflexão… a mesma com que tentarei terminar, dentro de 15, 20 minutos: A APRESENTAÇÃO de um Livro de Memórias, como este, pode querer dizer:

‑ «Estamos a ficar velhos!!! Estamos TODOS a ficar fatalmente velhos para passarmos o tempo que nos resta a lamber as feridas dos males que sofremos e/ou nos impuseram e/ou a enfeitar com floreados as pequenas vitórias individuais ou do grupinho da nossa roda, que possivelmente tenhamos conseguido…

Não é essa a LEITURA, nem minha, nem intenção do AUTOR/es… Talvez, pela circunstâncias actuais, seja difícil encontrar um LIVRO que nos fala do PASSADO de uma maneira tão actual como se estivéssemos a ler o PRESENTE, virado para o FUTURO, uma vez que teremos e continuar A INVENTAR as ANDANÇAS para LIBERDADE

Ou, como o “passado e o futuro” não existem e só temos o AQUI e AGORA, este será o livro do AGORA, como estas palavras escritas, por voltas de 1572 (1ª publicação)!!!

Cito, para não ser aplicada, mas como desafio, o “princípio” do final dos Lusíadas:

(David e/ou Fátima para ler…)

Lusíadas - X - 145

«Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho

Destemperada e a voz enrouquecida,

E não do canto, mas de ver que venho

Cantar a gente surda e endurecida.

O favor com que mais se acende o engenho

Não no dá a pátria, não, que está metida

No gosto da cobiça e na rudeza

Düa austera, apagada e vil tristeza.»

[Os Lusíadas, X, 145 - acaba na 156!]


 

Uma TRILOGIA para reflectir:

 

1
A METÁFORA DAS RAÍZES

(a Força vital da ENERGIA TELÚRICA…)

(imagem da árvore sem raízes enfeitada de plásticos)

«Passados três meses, a árvore não cresceu, não floresceu, nem murchou.» in http://www.uhull.com.br

 

2
A MESTRIA NA ARTE DE CONTAR

(Esquema do modelo Actancial + raiz da Análise Estrutural Sequencial + Ferramentas de Enriquecimento Literário: da oralidade ao visualismo, metáforas e tropos… à intertextualidade…)

 

3
O MITO das UTOPIAs

(Do gr. oü, «não» + tópos, «lugar», pelo lat. Utopìa-, «utopia, lugar que não existe»)

 


1

A METÁFORA DAS RAÍZES

«Passados três meses, a árvore não cresceu, não floresceu, nem murchou.» in http://www.uhull.com.br

 

IDEIA BASE: A partir da uma observação atenta, a partir de certa altura da minha vida, comecei a sentir uma certa dificuldade em entender as pessoas que tinham “vencido na vida” – e as bases culturais que lhe serviam de base!!! …

“Ninguém é nada na vida sem uma escolaridade sólida… CULTURA!!!

Depois, deparei-me com uma série de “imbecilidades diplomadas”… os deslumbrados pelo ensino até ao superior que, devido ao deslumbramento, cortaram as suas raízes, passaram a envergonhar-se da família “analfabeta”… dos seus “vizinhos” que não tiveram oportunidade de “estudar”!!!... da sua terra perdida nos “cus de Judas”… longe dos “Centro da civilização” e do “progresso enlatado”!!!

Na minha falta de “capacidade” para explicar a evidência aos “iluminados – deslumbrados” (costumo dizer “aos doutores formatados em cultura feita por outros, sem criatividade”… passei a fazer um desenho…

Pegam numa planta… numa flor… numa videira… numa árvore frondosa, cheia de força, mas selvagem… e, deslumbrados pela “cultura de plástico”… vamos enxertando uns ramos novos... umas cores mais sofisticadas… uma casta mais apreciada… uns ramos mais produtivos… (na língua e na literatura, metemos um Gil Vicente… um Camões… um Garrett… um Eça… um Pessoa… e, “deslumbrados” com tanta “beleza” e com estas descobertas… por distracção ou falta de senso, cortamos-lhe as raízes!!! … e aí temos o resultado dos “iluminados” que nos são apresentados para resolver os nossos problemas, (nos diversos campos… ciência… cultura… política…) … para os resolverem em “nosso nome”… em vez de nós”… sem o nosso contributo…!!! Depois, nos momentos que decidiram chamar de “crise” e passaram a ser “sucessivos” e “infindáveis” apelam enfim à nossa colaboração… para enfim, aderirmos aos seus “partidos”!!!

Azar!!! O nome que escolhemos por mimetismo para designar este expoente “máximo da DEMOCRACIA – “o poder do POVO” ficou com um nome desastradamente simbólico: PARTIDOS!!!

Afinal, parece evidente que só INTEIROS, podemos SERVIR para alguma coisa…!!!

Só se mantivermos as raízes solidamente agarradas à TERRA conseguiremos “Gente de Cultura” capazes de INTERVIR e construir o DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL…


2

A MESTRIA NA ARTE DE CONTAR

(Esquema do modelo Actancial + raiz da Análise Estrutural Sequencial + Ferramentas de Enriquecimento Literário: da oralidade ao visualismo, metáforas e tropos… à intertextualidade…) os Instrumentos de ANÁLISE

MODELO ACTANCIAL / SEQUENCIAL – Greimass Propp

 

Só espero a minha falta de habilidade e arte não vos tenha tirado a curiosidade, a fome de ler esta (1ª parte) deste ESPANTO de ESCRITA, onde reina o VISUALISMO, o ENCANTO de quem escreve com O CORAÇÃO NA BOCA… porque a escrita do Camilo, rompe, na minha opinião, com todos os padrões da ESCRITA OFICIAL!!! Creio que lhe posso chamar – A ARTE SUPREMA, ou simplesmente CONSEGUIDA, para não exagerar, de passar para a ESCRITA a ARTE de uma ORALIDADE cantante e fortemente enraizada na ARTE POPULAR, encantatória de SABER simplesmente CONTAR… Não compete – ao que escreve – seguir as normas, sujeitar-se aos padrões… Como acontece com a “Literatura” ORAL TRADICIONAL, compete, sim, aos que estudam, aos que estabelecem as leis, aos que determinam padrões, estudar e respeitar os CRIADORES… os que trazem alguma coisa de novo… os que são capazes de ORIGINALIDADE… rompendo com a normalidade… os “FAZEDORES DA CULTURA” que é a “ALMA DUM POVO”!!!

 

Funções da comunicação, segundo Jakobson

«Ele notou que dificilmente uma mensagem possuiria apenas uma função, mas é possível notar uma função predominante em cada mensagem

 

Podemos verificar:

Função referencial (CONTEXTO) – também chamada de função denotativa ou cognitiva, é aquela cujo foco é a definição, explicitação, caracterização de aspectos do contexto da comunicação… (os dois estudos dos Professores e do próprio autor…)

Função emotiva (EMISSOR / REMETENTE) – visa expressar a atitude de quem transmite a mensagem. Ver as EMOÇÕES e dúvidas… riscos em especial da “estranhíssima trindade: CC + B + ZN = CM…

Função conotativa (DESTINATÁRIO) – ao orientar-se em função do destinatário (para quem se comunica algo), possui no vocativo e no modo imperativo sua fórmula padrão: com o visualismo e a oralidade… interpelações sugeridas… fugindo ao juízo fácil… à condenação… ao ajuste de contas agressivo… (que estas obras costumam ser…)

Função fática (CONTACTO/CANAL) – serve fundamentalmente para prolongar ou interromper a comunicação ou verificar se o canal funciona. Ver o esforço da linguagem simples e apelo inicial «com palavras simples…» … a arte de seduzir…

Função metalinguística (CÓDIGO) – é quando o código utilizado enfoca o próprio código: ver até p. 102 – “conversas de alto nível Cultural da Clientela copofónica…” detentora p. 105 - “do vernáculo vinícola”

Função poética (MENSAGEM) – neste tipo de função – que não se resume à poesia – a mensagem, utilizando diferentes recursos de linguagem (rima, sinestesia, aliteração, metáfora, metonímia etc.), volta-se, por assim dizer, para ela mesma (ver oralidade e inovação… expressões populares…). Outra maneira de falar sobre essa função é dizer que na mensagem em que ela predomina houve uma projecção do eixo da selecção (paradigma) sobre o da combinação (sintagma).

Qual a DOMINANTE?

Pedro 

Exemplos saborosos:

p. 84 – os sonhos do Batata, vistos pelo Tó Xarela…

Uma duas passagens do visualismo dramatizado… cinematográfico…

(A cena do pátio em Lisboa, Alto do Pina (?) com o funileiro “Chico Porto”…

Exemplos:

p. 102 – “conversas de alto nível Cultural da Clientela copofónica…”

p. 105 - “do vernáculo vinícola” – “conversas

Ver tb “Sonhos dialogados com o Tó Xarela… como “narrador” interlocutor… pag. 84

Creio que podíamos, os que o conhecem melhor do que eu, definir o Camilo como – o RESISTENTE – um especialista na ARTE de RESISTIR… com uma FORÇA ALMA… com uma RAIVA CONTIDA… um DEMOLIDOR CONSTRUTIVO… como a FORÇA DA ÁGUA que nem com barragens podemos estancar… experimentem uma barreira a um fio de água sem lhe deixarem uma abertura, uma comporta para poder ser aberta… quanto maior for o muro, maior a avalancha que vos irá submergir… arrasar…

Espero que esta ESCRITA / HOMENAGEM possa ser um incentivo para uma das vertentes a que tenho tentado empenhar-me, sem grande êxito: a recolha, estudo, divulgação… dos Valores Culturais Populares (do Alentejo), em especial os Contos, as Lendas, a Poesia (as Décimas) …

Muitos que o tentaram têm dito com o Manuel da Fonseca: “Cada vez que morre um destes Poetas (Contadores de Istórias) Populares, é uma Biblioteca que arde!!!” Podemos dizer agora, aqui, «cada Homem de Valor que morre sem poder contar a sua história, é uma perda para o nosso Património Comum!!! A Humanidade fica mais pobre!!!»

Ficamos à espera, Camilo. Das “ANDANÇAS para a LIBERDADE II e possivelmente da III Parte: «ANDANÇAS na LIBERDADE» que tantas vezes nos mostra uma: «…pátria, (não), que está metida / No gosto da cobiça e na rudeza / Düa austera, apagada e vil tristeza.»

… De 1934 a 1961 vão +- 25/27 anos… mais 25 chegaremos a 86/87… mais 25 e estamos nas BODAS de OIRO!!!… e enfim na merecida APOSENTAÇÃO… ainda, talvez, “a acumular” com a Presidência vitalícia da APURE!!!


3

O MITO das UTOPIAs

Do gr. oü, «não» + tópos, «lugar», pelo lat. Utopìa-, «utopia, lugar que não existe»)

 

 

Final

- Só me resta APRESENTAR, finalmente, o CAMILO como um Homem que sabe tirar o IM às UTOPIAS, IMPOSSÍVEIS por definição…

Aí o LIVRO – o autor o homem das Utopias Possíveis…que nos anuncia já a II parte… desde o Santa Maria até???

Teremos aqui algumas pistas que nos permitem pensar em que se terá inspirado Barak Obama!!! Embora talvez não haja plágio, mas os direitos de autor do celebrado “Yes We Kan”, é primeiro do Camilo por ter quase duas gerações mais do que Obama…

A N/ Homenagem ao (Magnífico Reitor da APURE) Presidente do Conselho de Administração da APURE – Associação para as Universidades Rurais Europeias… o louco empreendedor do DL – Desenvolvimento Local… sem os atributos, benesses; e sim com os riscos e “sujeira” das “politiquices” desta «Dhua austera, apagada e vil tristeza.» Luís de Camões, Os Lusíadas – em que nos vemos mergulhados…

Minhas Senhoras e Senhores, aí vos deixo-vos com um LIVRO, que como o PÃO é para COMER e SABOREAR devagar e com a imagem do HOMEM…

PEREGRINO de UTOPIAS (i)REALIZÁVEIS… (im)POSSÍVEIS…

Corroios, 17 de Abril de 2009 

José Rabaça Gaspar

(aprendiz de contador de estórias e atento observador da História)

(Como textos extra a prever um ou dois finais...):

 

1. «Estamos TODOS SEQUESTRADOS...» ao contrário do que aconteceu no Santa Maria - a maior parte dos passageiros nem deu conta do que se tinha passado... AQUI, fica DECRETADO que estamos TODOS intimados a embarcar na SANTA LIBERDADE!!! (Evocar o Thiago de Melo que me foi apresentado pelo Camilo e pelo Fanhais em 1975 e assinou este quadro em 20 de Julho de 1975 (meus 37 anos!!!)

Extracto de - Os Estatutos do Homem - Thiago de Mello

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.

A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Santiago do Chile, Abril de 1964

2. A comemorar 28/29 de Janeiro de 1961, o fim da AVENTURA com o desembarque no Recife - o 27º aniversário do autor, com a entrada do BOLO LIVRO... e PARABÉNS ao AUTOR:

Parabéns ao autor
P'lo primeiro volume
P'ra escrever o segundo
Tenha muita saúde

Tenha muita saúde
Pois um LIVRO já tem!
Se vender o primeiro
O segundo já (aí) vem…

3. Se oportuno, citar ainda Fernando Pessoa:

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu

Fernando Pessoa
20-9-1933
"Cancioneiro"

(Cerca de 4 meses antes do Nascimento do Camilo em 29 de Janeiro de 1934)

 

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