INTERVENÇÃO
de JOSÉ RABAÇA GASPAR
CAMILO
MORTÁGUA – ANDANÇAS PARA A LIBERDADE I
ESFERA
DO CAOS
APRESENTAÇÃO
– prevista para 17 de Abril de 2009 às 18H30
Na
Biblioteca
Museu da Resistência,
Rua Alberto de Sousa,
10 A
1600-002
Lisboa – 217802760

INTRODUÇÃO
Vou
fingir um CONTO de FANTASIA todo elaborado a partir da
IMAGINAÇÃO…
Era uma vez…
um menino que não teve tempo de nascer trazido pelas cegonhas
pois era ainda tempo do frio em que as cegonhas ainda
não tinham chegado e começou logo a andar numa nuvem no
cimo de uma canastra que pairava sobre a cabeça da Maria
Peixeira que até por sinal vendia pão e acomodava o “come-e-cala”
ao lado do pão no meio das toalhas imaculadamente brancas…
o menino cresceu e quase não teve tempo de andar à escola…
mudou uma vez de meio de transporte e em vez da nuvem
era levado no carrinho de mão que era limpo depois de
carregar o estrume… e depois andava aos saltos a sonhar
coisas impossíveis no meio dos arrozais que deixavam uma
comichão de morrer que era o “pó de arroz” daquela região…
e depois foi tirar um curso em Lisboa nos pátios densamente
povoados e servindo copos a bêbados dotados de uma linguagem
singular e expressiva… andou com sacas de farinha de sessenta
quilos às costas quando pesava uns quarenta… e depois
andava com os cestos de pão pelos baços e andares, escadas
acima e abaixo… como não podia ir à escola leu mais de
300 livros que um inesperado amigo lhe emprestava às escondidas
e ia substituindo à medida que passava no exame anterior…
e depois viajou para o outro lado do mundo… foi padeiro
e criado… foi proprietário e protector das “meninas bem
comportadas”… viu muito mais mundo do cimo de montanhas
inacessíveis em cima de uma lambreta… fugiu aos amores…
e ao diabo… foi locutor em cinco estações de rádio… fundou
um jornal para a comunidade… enquanto fazia e distribuía
o pão pelas ruas e pelas casas… fintando o trânsito com
as motos voadoras como a harley… ao mesmo tempo que participava
na revolução contra a ditadura daquele país e apoiava
na do lado… e depois foi pioneiro dos piratas do século
XX… e depois continuou a correr mundo como um “andarilho”
incansável à procura da sua amada LIBERDADE!!!
UFA. Isto é tudo inventado!!! É ficção!!! Afinal este livro
do Camilo ultrapassa toda esta ficção – que eu pensava
que era capaz de inventar num processo de escrita delirante
para impressionar leitores e vender muitos livros…
Para CONCLUIR: é já um LUGAR COMUM (?) «Por vezes somos surpreendidos
pelo “FILME” de uma REALIDADE que ultrapassa a FANTASIA
com que nos brindam os grandes escritores que vendem milhões…»
SAUDAÇÕES
Saudações
aos Amigos e Personalidades da MESA e da SALA…
Desculpem
este desvio.
Compete
começar pelo princípio:
Ex.mos
Senhores:
1.
Director da Biblioteca Museu da República e da Resistência:
João Mário Magalhães…
2.
Professor Doutor Luís Reis Torgal
3.
Editor da Esfera do Caos – Francisco Abreu (pelo livro que justificará o nome – a organização do Caos!!!)
4.
Ilustre economista Sara Rocha...
5.
Presidente da DELOS Constellation, Association Internacional
pour le Devellopement Local Soutenable (1994-2002)
- Presidente da APURE, Association Pour les Universités Rurales Européennes
– APURE - Fondée le 16 mai 1988 (statuts modifiés le 8
mai 2005).
- Grande Oficial
da Ordem da Liberdade da República Portuguesa.
5.
Saudações à Magnífica Assembleia – considerando, sem mais
explicações, que qualquer um dos Presentes, pela sua (maior)
competência e por serem Amigos do Camilo, poderiam e deveriam
porventura estar aqui no meu lugar… em ESPECIAL,
caso esteja presente: uma SAUDAÇÃO a Maria
Peixeira, de nome oficial Maria Soares da Silva, 88
anos bem contados...
(Evocar
a FANTASIA de uma APRESENTAÇÃO, no cenário idílico da
Pateira de Fermentelos!!!)
TEXTO
Não
sei por onde começar.
O
Camilo – “Camilinho” – começou a vida pairando numa “NUVEM”
que era transportada através dos “céus” numa “carroça
de cristal – canastra” por uma fada de nome Maria Peixeira
que vendia pão por aqueles caminhos entre campos frequentemente
alagados pelas cheias dos rios que os tornavam prenhes
de tudo o que a terra e o mar podiam dar!!!
Entretanto eu nascia no fundo dum vale (que curiosamente, como dizia um
célebre discurso de um “Cabeça de Abóbora, que foi presidente
de Portugal: “estranho, estarmos aqui no fundo, rodeados
de montanhas, quando estamos numa das mais altas terras
de Portugal, tão perto dos 1993 metros de altitude”…
e depois (anos 50, 60; 70…) fui voando nas “peneiras”
que uma formação académica exaustiva de catorze anos de
estudo, pensava eu, me tinham dado para enfrentar a vida
com as armas imbatíveis de “saber ler, escrever e contar
(x2)… Andei perdido pela “guerra”… pelos “bairros de palhotas”
em África… e fugido pela Europa, até que a Revolução de
Abril e o Camilo nos foram desafiar na Alemanha e nos
cursos de Alfabetização de Paulo Freire: “que andam aqui
a fazer se a revolução é lá em Portugal?...” - «Que é
que estão para aqui a fazer, quando temos a oportunidade
de realizar os sonhos pelos quais tivemos de fugir de
Portugal que agora nos abre as portas… e é preciso “alfabetizar”,
promover, desenvolver»…
Eu
fui um dos que “pregava” e “desafiava” o Camilo, nos anos
70/80, para escrever “por ele” ou/e “com ele” a SAGA da
sua Vida plena de Aventuras…
Agora
AQUI, perante a competência e autoridade desta MESA e
da SALA que imagino aqui sentada na MESA, sinto-me de
novo APRENDIZ de CONTADOR de ESTÓRIAS e HISTÓRIA… passei
de novo a aluno, depois de anos como professor de Língua
e Literatura!
É
nesta qualidade de APRENDIZ que me atrevo, (quando
disse três vezes NÃO e depois acabei por dizer SIM, não
sabia bem no que me estava a meter…) a trocar CONVOSCO
uma sequência – TRILOGIA - de IDEIAS:
Uma TRILOGIA para reflectir:
A METÁFORA DAS RAÍZES
A MESTRIA NA ARTE DE CONTAR
O MITO das UTOPIAs
Do
gr. oü, «não» + tópos, «lugar», pelo lat. Utopìa-, «utopia,
lugar que não existe»)
…
a partir de uma LEITURA (subjectiva, mas razoavelmente
atenta e empenhada) desta obra “ANDANÇAS PARA A LIBERDADE
- I” onde a “REALIDADE ULTRAPASSA A FANTASIA”… valorizada
com a contextualização de NOMES tão sonantes como Drª
Heloísa Paulo e Professor Doutor Luís Reis Torgal e onde
Francisco Reis terá conseguido “organizar este CAOS” fazendo
jus à editora “Esfera do Caos” proporcionando-nos este
LIVRO “objecto de arte” agradável aos 5 sentidos e, para
além desses, aos sete que passam pela imaginação e a fantasia
até ao milagre de nos dar a chave da “CIRCULATURA DO QUADRADO”
objecto de intensa procura de grandes os SÁBIOS ao longo
da História da Humanidade: a realização da UTOPIA (não
lugar por definição) e apesar de tudo realizável… e logo
que alcançada se abre outra… e outra…
(Este é um LIVRO para “comer” SABOREAR… (fazer
entrar as canastras com pão e livros…)
Atentemos
nesta loucura – andanças para a liberdade de 1936 UL a
1961 Santa Maria Santa Liberdade… e a quantidade de UTOPIAS
ultrapassadas… todas fora do alcance da Personagem que
não teve, não tinha as bases adequadas para feitos dessa
dimensão… Ficamos à espera do Segundo Volume… andanças
ainda para a LIBERDADE… e eu já previ um TERCEIRO – ANDANÇAS
NA LIBERDADE…
- o depois de ABRIL… mas perante esta «rudeza
Düa austera, apagada e vil tristeza» em que nos vemos
na NOSSA DEMOCRACIA e “estado de descrédito MUNDIAL!
Parece que o título terá de se manter… A para
L como a ponta do Arco-íris, afinal inatingível!!!
Mais
uma breve reflexão para desmontar o “descrédito”, “inutilidade”
ou “desperdício” de ser uma pobre perca de tempo o olhar
para o PASSADO que costumam ser os livros de “MEMÓRIAS”
as “AUTO-FOTO-BIO-BIBLIO-GRAFIAS!!!
Estive
para começar por AQUI deixando ao Camilo o Conselho /
Conclusão de Camões…
Começar
(com uma lamúria) com uma reflexão… a mesma com que
tentarei terminar, dentro de 15, 20 minutos: A APRESENTAÇÃO
de um Livro de Memórias, como este, pode querer dizer:
‑
«Estamos a ficar velhos!!! Estamos TODOS a ficar fatalmente
velhos para passarmos o tempo que nos resta a lamber as
feridas dos males que sofremos e/ou nos impuseram e/ou
a enfeitar com floreados as pequenas vitórias individuais
ou do grupinho da nossa roda, que possivelmente tenhamos
conseguido…
Não
é essa a LEITURA, nem minha, nem intenção do AUTOR/es…
Talvez, pela circunstâncias actuais, seja difícil encontrar
um LIVRO que nos fala do PASSADO de uma maneira tão actual
como se estivéssemos a ler o PRESENTE, virado para
o FUTURO, uma vez que teremos e continuar A INVENTAR as
ANDANÇAS para LIBERDADE…
Ou,
como o “passado e o futuro” não existem e só temos o AQUI
e AGORA, este será o livro do AGORA, como estas palavras
escritas, por voltas de 1572 (1ª publicação)!!!
Cito,
para não ser aplicada, mas como desafio, o “princípio”
do final dos Lusíadas:
(David e/ou Fátima para ler…)
Lusíadas - X - 145
«Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira
tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Düa austera, apagada e vil tristeza.»
[Os Lusíadas, X, 145
- acaba na 156!]
Uma TRILOGIA para reflectir:
1
A METÁFORA DAS RAÍZES
(a Força vital da ENERGIA
TELÚRICA…)
(imagem
da árvore sem raízes enfeitada de plásticos)
«Passados
três meses, a árvore não cresceu, não floresceu, nem murchou.»
in http://www.uhull.com.br
2
A MESTRIA NA ARTE DE CONTAR
(Esquema
do modelo Actancial + raiz da Análise Estrutural Sequencial
+ Ferramentas de Enriquecimento Literário: da oralidade
ao visualismo, metáforas e tropos… à intertextualidade…)
3
O MITO das UTOPIAs
(Do
gr. oü, «não» + tópos, «lugar», pelo lat. Utopìa-, «utopia,
lugar que não existe»)
1
A
METÁFORA DAS RAÍZES
«Passados
três meses, a árvore não cresceu, não floresceu, nem murchou.»
in http://www.uhull.com.br
IDEIA
BASE: A partir da uma observação atenta, a partir de certa
altura da minha vida, comecei a sentir uma certa dificuldade
em entender as pessoas que tinham “vencido na vida” –
e as bases culturais que lhe serviam de base!!! …
“Ninguém
é nada na vida sem uma escolaridade sólida… CULTURA!!!
Depois,
deparei-me com uma série de “imbecilidades diplomadas”…
os deslumbrados pelo ensino até ao superior que, devido
ao deslumbramento, cortaram as suas raízes, passaram a
envergonhar-se da família “analfabeta”… dos seus “vizinhos”
que não tiveram oportunidade de “estudar”!!!... da sua
terra perdida nos “cus de Judas”… longe dos “Centro da
civilização” e do “progresso enlatado”!!!
Na
minha falta de “capacidade” para explicar a evidência
aos “iluminados – deslumbrados” (costumo dizer “aos doutores
formatados em cultura feita por outros, sem criatividade”…
passei a fazer um desenho…
Pegam
numa planta… numa flor… numa videira… numa árvore frondosa,
cheia de força, mas selvagem… e, deslumbrados pela “cultura
de plástico”… vamos enxertando uns ramos novos... umas
cores mais sofisticadas… uma casta mais apreciada… uns
ramos mais produtivos… (na língua e na literatura, metemos
um Gil Vicente… um Camões… um Garrett… um Eça… um Pessoa…
e, “deslumbrados” com tanta “beleza” e com estas descobertas…
por distracção ou falta de senso, cortamos-lhe as raízes!!!
… e aí temos o resultado dos “iluminados” que nos são
apresentados para resolver os nossos problemas, (nos diversos
campos… ciência… cultura… política…) … para os resolverem
em “nosso nome”… em vez de nós”… sem o nosso contributo…!!!
Depois, nos momentos que decidiram chamar de “crise” e
passaram a ser “sucessivos” e “infindáveis” apelam enfim
à nossa colaboração… para enfim, aderirmos aos seus “partidos”!!!
Azar!!!
O nome que escolhemos por mimetismo para designar este
expoente “máximo da DEMOCRACIA – “o poder do POVO” ficou
com um nome desastradamente simbólico: PARTIDOS!!!
Afinal,
parece evidente que só INTEIROS, podemos SERVIR para alguma
coisa…!!!
Só
se mantivermos as raízes solidamente agarradas à TERRA
conseguiremos “Gente de Cultura” capazes de INTERVIR e
construir o DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL…
2
A MESTRIA NA ARTE DE CONTAR
(Esquema
do modelo Actancial + raiz da Análise Estrutural Sequencial
+ Ferramentas de Enriquecimento Literário:
da oralidade ao visualismo, metáforas e tropos… à intertextualidade…)
os Instrumentos
de ANÁLISE
MODELO ACTANCIAL / SEQUENCIAL
– Greimass Propp
Só
espero a minha falta de habilidade e arte não vos tenha
tirado a curiosidade, a fome de ler esta (1ª parte) deste
ESPANTO de ESCRITA, onde reina o VISUALISMO, o ENCANTO
de quem escreve com O CORAÇÃO NA BOCA… porque a escrita
do Camilo, rompe, na minha opinião, com todos os padrões
da ESCRITA OFICIAL!!! Creio que lhe posso chamar – A ARTE
SUPREMA, ou simplesmente CONSEGUIDA, para não exagerar,
de passar para a ESCRITA a ARTE de uma ORALIDADE cantante
e fortemente enraizada na ARTE POPULAR, encantatória de
SABER simplesmente CONTAR… Não compete – ao que escreve
– seguir as normas, sujeitar-se aos padrões… Como acontece
com a “Literatura” ORAL TRADICIONAL, compete, sim, aos
que estudam, aos que estabelecem as leis, aos que determinam
padrões, estudar e respeitar os CRIADORES… os que trazem
alguma coisa de novo… os que são capazes de ORIGINALIDADE…
rompendo com a normalidade… os “FAZEDORES DA CULTURA”
que é a “ALMA DUM POVO”!!!
Funções
da comunicação, segundo Jakobson
«Ele
notou que dificilmente uma mensagem possuiria apenas uma
função, mas é possível notar uma função predominante em cada mensagem…
Podemos
verificar:
Função referencial (CONTEXTO) – também chamada de função denotativa ou
cognitiva, é aquela cujo foco é a definição, explicitação,
caracterização de aspectos do contexto da comunicação…
(os dois estudos dos Professores e do próprio autor…)
Função emotiva (EMISSOR / REMETENTE)
– visa expressar a atitude de quem transmite a mensagem.
Ver as EMOÇÕES e dúvidas… riscos em especial da “estranhíssima
trindade: CC + B + ZN = CM…
Função conotativa (DESTINATÁRIO) – ao orientar-se em função do destinatário
(para quem se comunica algo), possui no vocativo e no
modo imperativo sua fórmula padrão: com o visualismo e
a oralidade… interpelações sugeridas… fugindo ao juízo
fácil… à condenação… ao ajuste de contas agressivo… (que
estas obras costumam ser…)
Função fática (CONTACTO/CANAL) – serve
fundamentalmente para prolongar ou interromper a comunicação
ou verificar se o canal funciona. Ver o esforço da linguagem
simples e apelo inicial «com palavras simples…» … a arte
de seduzir…
Função metalinguística (CÓDIGO) – é
quando o código utilizado enfoca o próprio código: ver
até p. 102 – “conversas de alto nível Cultural da Clientela copofónica…”
detentora p. 105 - “do vernáculo vinícola”
Função poética (MENSAGEM) –
neste tipo de função – que não se resume à poesia – a
mensagem, utilizando diferentes recursos de linguagem
(rima, sinestesia, aliteração, metáfora, metonímia etc.),
volta-se, por assim dizer, para ela mesma (ver oralidade
e inovação… expressões populares…). Outra maneira de falar
sobre essa função é dizer que na mensagem em que ela predomina
houve uma projecção do eixo da selecção (paradigma) sobre
o da combinação (sintagma).
Qual a DOMINANTE?
|
Pedro
Exemplos
saborosos:
p.
84 – os sonhos do Batata, vistos pelo Tó Xarela…
Uma
duas passagens do visualismo dramatizado… cinematográfico…
(A
cena do pátio em Lisboa, Alto do Pina (?) com o
funileiro “Chico Porto”…
Exemplos:
p.
102 – “conversas de alto nível Cultural da Clientela
copofónica…”
p.
105 - “do vernáculo vinícola” – “conversas
Ver
tb “Sonhos dialogados com o Tó Xarela… como “narrador”
interlocutor… pag. 84
|
Creio
que podíamos, os que o conhecem melhor do que eu, definir
o Camilo como – o RESISTENTE – um especialista na ARTE
de RESISTIR… com uma FORÇA ALMA… com uma RAIVA CONTIDA…
um DEMOLIDOR CONSTRUTIVO… como a FORÇA DA ÁGUA que nem
com barragens podemos estancar… experimentem uma barreira
a um fio de água sem lhe deixarem uma abertura, uma comporta
para poder ser aberta… quanto maior for o muro, maior
a avalancha que vos irá submergir… arrasar…
Espero
que esta ESCRITA / HOMENAGEM possa ser um incentivo para
uma das vertentes a que tenho tentado empenhar-me, sem
grande êxito: a recolha, estudo, divulgação… dos Valores
Culturais Populares (do Alentejo), em especial os Contos,
as Lendas, a Poesia (as Décimas) …
Muitos
que o tentaram têm dito com o Manuel da Fonseca: “Cada
vez que morre um destes Poetas (Contadores de Istórias)
Populares, é uma Biblioteca que arde!!!” Podemos dizer
agora, aqui, «cada Homem de Valor que morre sem poder
contar a sua história, é uma perda para o nosso Património
Comum!!! A Humanidade fica mais pobre!!!»
Ficamos
à espera, Camilo. Das “ANDANÇAS para a LIBERDADE II e
possivelmente da III Parte: «ANDANÇAS na
LIBERDADE» que tantas vezes nos mostra uma: «…pátria,
(não), que está metida / No gosto da cobiça e na rudeza
/ Düa austera, apagada e vil tristeza.»
…
De
1934 a 1961 vão +- 25/27 anos… mais
25 chegaremos a 86/87… mais 25 e estamos nas BODAS de
OIRO!!!… e enfim na merecida APOSENTAÇÃO… ainda, talvez,
“a acumular” com a Presidência vitalícia da APURE!!!
3
O MITO das UTOPIAs
Do
gr. oü, «não» + tópos, «lugar», pelo lat. Utopìa-, «utopia,
lugar que não existe»)
Final
-
Só me resta APRESENTAR, finalmente, o CAMILO como um Homem
que sabe tirar o IM às UTOPIAS, IMPOSSÍVEIS por definição…
Aí
o LIVRO – o autor o homem das Utopias Possíveis…que nos
anuncia já a II parte… desde o Santa Maria até???
Teremos
aqui algumas pistas que nos permitem pensar em que se
terá inspirado Barak Obama!!! Embora talvez não haja plágio,
mas os direitos de autor do celebrado “Yes We Kan”, é
primeiro do Camilo por ter quase duas gerações mais do
que Obama…
A
N/ Homenagem ao (Magnífico Reitor da APURE) Presidente
do Conselho de Administração da APURE – Associação para
as Universidades Rurais Europeias… o
louco empreendedor do DL – Desenvolvimento Local…
sem os atributos, benesses; e sim com os riscos e “sujeira”
das “politiquices” desta «Dhua austera, apagada e vil tristeza.» Luís de Camões, Os Lusíadas – em que nos vemos
mergulhados…
Minhas
Senhoras e Senhores, aí vos deixo-vos com um LIVRO, que
como o PÃO é para COMER e SABOREAR devagar e com a imagem
do HOMEM…
PEREGRINO
de UTOPIAS (i)REALIZÁVEIS… (im)POSSÍVEIS…
Corroios, 17 de Abril de 2009
José Rabaça Gaspar
(aprendiz de contador de estórias e atento observador
da História)
…
(Como
textos extra a prever um ou dois finais...):
1.
«Estamos TODOS SEQUESTRADOS...» ao contrário
do que aconteceu no Santa Maria - a maior parte dos passageiros
nem deu conta do que se tinha passado... AQUI, fica DECRETADO
que estamos TODOS intimados a embarcar na SANTA LIBERDADE!!!
(Evocar o Thiago de Melo que me foi apresentado pelo Camilo
e pelo Fanhais em 1975 e assinou este quadro em 20 de
Julho de 1975 (meus 37 anos!!!)
Extracto
de - Os Estatutos do Homem - Thiago de Mello
Artigo
Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A
partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
Santiago
do Chile, Abril de 1964
2.
A comemorar 28/29 de Janeiro de 1961, o fim da AVENTURA
com o desembarque no Recife - o 27º aniversário
do autor, com a entrada do BOLO LIVRO... e PARABÉNS
ao AUTOR:
Parabéns
ao autor
P'lo primeiro volume
P'ra escrever o segundo
Tenha muita saúde
Tenha
muita saúde
Pois um LIVRO já tem!
Se vender o primeiro
O segundo já (aí) vem
3.
Se oportuno, citar ainda Fernando Pessoa:
Viajar!
Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não
pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!
Viajar
assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu
Fernando
Pessoa
20-9-1933
"Cancioneiro"
(Cerca
de 4 meses antes do Nascimento do Camilo em 29 de Janeiro
de 1934)