Para ler as LETRAS que foram adaptadas a algumas CANÇÕES mais em voga na época

entre
1967
&
1973

joraga.dos1001deNÓMIOS
apresenta in
aminhaTEIAinterminávelnaREDEilimitada

Uma colectânea de CANÇÕES adaptadas que estiveram em voga entre os militares que estiveram no Norte de MOÇAMBIQUE nas décadas de 60 - 70 do Século XX

Para ouvir algumas das músicas que foi possível recuperar, em especial, as gravadas na Rádio Metangula da Marinha em 1970

contacto © joraga.net ® - 2002.09 aminhaTEIAnaREDE - início 2000.05 - joraga2000 - apoio: M. Cruz

Cancioneiro II
(a seguir em breve)

Cancioneiro III
(a seguir em breve)

 

CANCIONEIRO DO NIASSA

07 - HINO DO LUNHO

Para ouvir gravação das introduções e o Fado na voz de João Peneque
Rádio Metangula 1969

Carregue na música...

Da qualidade da gravação pedimos compreensão pelas deficiências da cassete de origem...

o HINO DO LUNHO, necessitaria de muita explicação. Para os que acompanharam a época, ele é um desabafo, sem qualquer ideia subversiva, embora algumas das suas quadras sejam violentas e possam parecer conterem algo mais reprovável. Diremos, no entanto, que não. A nota predominante é o protesto, mas em que, como sempre, a crítica vem ao de cima. O LUNHO, povoação do NIASSA OCIDENTAL, é duro de roer para quem lá esteve e está, às vezes, por mais de um ano.


Ponte destruída na picada do Lunho,
in O BATALHÃO,
Revista do Batalhão de Caçadores 1891, coordenação de Manuel Pedro Dias

VAMPIROS

Zeca Afonso 

No céu cinzento, sob o astro mudo,

Batendo as asas p’la noite calada,

Vêm em bandos, com pés de veludo,

Chupar o sangue fresco da manada.

 

Se alguém se engana com seu ar sisudo

E lhes franqueia as portas, à chegada:

Eles comem tudo, Eles comem tudo,

Eles comem tudo e não deixam nada.

A toda a parte chegam os vampiros,

Poisam nos tectos, poisam nas calçadas...

Trazem no ventre despojos antigos

E nada os prende às vidas acabadas.

Eles comem tudo, Eles comem tudo,

Eles comem tudo e não deixam nada.

No chão do medo, tombam os vencidos,

Ouvem-se os gritos, na noite abafada,

Jazem nos fossos vítimas de um credo

E não se esgota o sangue da manada.

Se alguém s engana com seu ar sisudo

e lhes franqueia as potas à chegada!

Eles comem tudo, Eles comem tudo,

Eles comem tudo e não deixam nada.

No céu cinzento, sob o astro mudo
Batem as hélices na tarde esquentada,
Vêm em bandos, com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada.

Se alguém se engana com o seu sorrir
E lhes franqueia as portas, à chegada:
Só mandam vir, só mandam vir,
Só mandam vir e não fazem nada.

A toda a parte chegam helicópteros,
(Vêm em bandos)
Poisam nos tandos, poisam nas picadas...

Trazem no ventre “os cabeças d’ouro”
Que de guerrilhas não percebem nada.

São os reizinhos do Niassa todo.
Senhores por escolha, mandadores sem punho,
Aceitam cunhas e dizem que não,
Passam a ronda sobre os céus do Lunho.

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,
Só mandam vir e não fazem nada.

Quantos “mercedes”, senhor capitão,
Até agora foram fornicadas?!
Eu bem lhe disse que pusesse os homens
Detectando minas, fazendo emboscadas.

Lendo os papéis, lá na sua ZAC,
Gritam p’ra nós, mui enfurecidos:
- Foi de propósito, foi de propósito,
Foi de propósito que ela foi estoirada.

No chão do medo tombam os vencidos,
Ouvem-se os tiros (gritos) na noite abafada,
Jazem nos fossos vítimas d’um credo
E não se esgota o sangue da manada.

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,
Só mandam vir e não fazem nada.
Comem cabrito, comem cabrito,
Comem cabrito e n´s feijoada.

Fazendo a estrada sobre um chão de greda
Fazem-se aterros, pontes e pontões,
Ouvem-se os tiros lá na emboscada
Aqui no Lunho é que há leões!!! (colchões!)

Ouve-se um estrondo, todo o chão tremendo,
Saltam as chispas com grande estupor,
Soam as tubas: - O que terá sido?
- Mudou o chefe deste sector.

Acaba a guerra, eu cá sou bom
Sou candeeiro e também fogão! (fogom!)

 NOTA:(O novo comandante era qualquer coisa com HIPÓLITO!)

- Só quero feridos à segunda-feira!...
- Não quero mais evacuações!...
- O inimigo deve conhecer-se,
Vamos chamá-lo para as inspecções.

Agora queriam arrasar o LUNHO,
Deixar a estrada e largar a pista!
...Ele é que é bom, já ninguém duvida,
Deixa contente qualquer terrorista.

Encher o peito de metal brilhante,
É essa a sua aspiração.
Por isso deixa os turras sózinhos
Dentro a linha de contenção.

- Deixem crescê-los,organizar-se,
Depois eu deito-lhes a mão!

Tremem as paredes de qualquer quartel,
Falam militares, anda tudo à bulha!...
Ri-se o capitão, ri-se o coronel,
Com esta merda (moda) da mini-patrulha!

Estranha maneira de tratar o cancro,
Que se propaga por nossa nação!...
Ele será leigo ou talvez ceifeiro.
Mas nunca médico cirurgião.

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,
Só mandam vir e não fazem nada.

Senhor comandante de batalhão,
Invente mais uma operação
E distribua mais uma ração,
Mais quatro noites a dormir no chão...

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,
Só mandam vir e não fazem nada.

Por uma ponte sem terminação,
O nosso sangue foi sacrificado,
Mas aleluia!, não será lembrada,
Pelos cabeças de ar condicionado.

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,
Só mandam vir e não fazem nada.

Se alguém se engana com o seu sorrir
E lhes franqueia as portas, à chegada:
Só mandam vir, só mandam vir,
Só mandam vir e não fazem nada.

‘Stou farto deles, ‘stou farto deles,
Só mandam vir e não fazem nada.

 

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