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Textos
Curtos
utilizados para ilustrar o vocabulário organizado na tabela…
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Mais
do que uma simples caricatura - o "FALAR", o modo
como comumicas é que define a tua identidade
"As "Pessoas" e as "coisas", à
partida, não têm "NOME". Somos nós
que damos "NOME" às "Pessoas" e
às "coisas".
Ou antes, nós é que somos aquilo que chamamos
à "Pessoas" e às "coisas"!"
Porquê? Porque, como dizia Epictecto (50 - 158 pC.):
"O que perturba e alarma o Homem não são
as "Pessoas" ou as "coisas", mas as suas
opniões e fantasias acerca das "Pessoas"
ou das "coisas"."
Foi
o Homem que deu os Nomes às coisas
(Ver Gen.
2,19):
"Tendo pois, o Senhor Deus formado da terra todos os
animais ds campos e todos os pássaros do céu,
levou-os ao Homem para ver como ele os havia de chamar. E,
todo o NOME, que o HOMEM pôs aos animais vivos, esse
é o seu verdadeira NOME."
joraga
- 2011 - Abril
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1.
|
Uma
CANTIGA popular: Strala
a Bomba...
Meninas
da R’bera do Sado…
|
Alunas
do Magistério, Beja, 1985
e Adiafa 2000?
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2.
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Uma
curta ESTÓRIA versada: No
Ressio enfio...
|
Uma
professora em Mértola, 1984/85
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3.
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A anedota... da CORTIÇA
|
Alunas
do Magistério, Beja, 1985
|
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4.
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Carta dum pastor
ao Compadre Fialho de Almeida
|
Dita
pelo Prf. Manuel Pedro, Beja, 1980
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5.
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Pinto Basto (canta)
Mestre
Alentejano de J.
de Vasconcellos e Sá
Saramago
de J.
de Vasconcellos e Sá
Mestre
Alentejano 2, de Rosa Dias
|
J.
de Vasconcellos e Sá
Canta:
Pinto Basto (neto)
Rosa
Dias / Pinto Basto
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6.
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A Ponte da R’bêra d’Odivelas
|
Enviada
por João Honrado
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7.
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DESPIQUE
FALAR ALENTEJANO
M'nina
que tá à j'nela...
|
in
À DESCOBERTA DE POTUGAL - Rider's Digest - 1982
|
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8.
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Uma
DÉCIMA (Mote e 40)
No teu Giro Sol Brilhante...
|
Inocêncio
de Brito, S. Matias, Beja, 1856 - 1938
|
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9.
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Crónicas de Manuel Loendrero
1.
O de Lisboa - in
A PLANÍCIE, 15/02/83
2 A
Pega
- in
A PLANÍCIE, 15/06/83
3.
Tornêo em Lesboa 3
- in A PLANÍCIE, data ilegível
4 A
Excursão
5 A
Escola
|
Eng.º
Luís
Eduardo Perfeito Santa Maria
|
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10.
|
AMARELEJA
Rumo à
sua História
1.
EPISÓDIO
da vida no Campo – com Glossário
2.
Breves diálogos…
3.
“Gente Possante”
|
Padre
João Rodrigues LOBATO, 1961,
pp. 179
a 193
Poema
de De
D. Maria da Paz Barreto
Martins
|
|
11.
|
O
ELEMENTO ÁRABE NA LINGUAGEM DOS PASTORES ALENTEJANOS
- (EALPA) (CFicalho).
|
Conde
de Ficalho – in TRADIÇÃO – Serpa,
a
partir do ANNO I - N° 6, Junho de 1899
|
|
12.
|
RIQUEZA
DOS FALARES REGIONAIS
(um
conjunto de vários (7)Textos com saborosas (h)istórias no
fim das quais o autor faz um levantamento vocabular...) -
Daqui peço as devidas desculpas e autorizações, para, dentro
das minhas limitadas possibilidades, ir arquitectando uma
AMOSTRA do FALARe do ALENTEJO...
(Ver tabela do Glossário,
nesta obra)
|
Manuel
João da Silva - Ed. Câmara Municipal de Santiago do Cacém
e Sines - 1985
|
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13.
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BARRANQUENHAS
/ BARRANQUENHADAS
(frase
barranquenha)
Um
conto Barranquenho – Belhita
|
Contado
por Angelina Silvestre, in Filologia Barranquenha, de J. L.
Vasconcelos, IN-CM – 1955 - 1981
|
|
14.
|
Algumas ligações – vídeos – gravações…
|
|
1
Uma
CANTIGA popular:
Strala
a Bomba
ou As meninas da R'bêra
do Sado...
|
Uma CANTIGA
POPULAR - O alentejano e as festas
ESTRALA
A BOMBA
E o FOGUETE VAI NO AR.
ARREBENTA, FICA TUDO QUEIMADO...
NO HÁ NINGUÉM, QUE BALHE MAIS BEM
C'AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO...
E AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO É QUE Éi
LAVRAM A TERRA C'AS UNHAS DOS PÉiS...
E AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO SAN COM'AS OVELHAS
TÊM CARRAPATOS ATRÁS DAS ORELHAS!!!
(Cantada
pelas alunas que tiravam o curso de Educadoras na escola do
Magistério Primário, Seja, em 1985... Fica como
registo de linguagem fortemente agarrada à terra...)
Em 2002
teve grande impacto a divulgação de uma versão
cantada por um Grupo de Seja - ADIAFA
Letra
pelos ADIAFA:
Estrala a bomba
E o foguete vai no ar
Arrebenta e fica todo queimado
Não há ninguém que baile mais bem
Que as meninas da ribeira do Sado
As meninas
da ribeira do Sado é que é
Lavram na terra com as unhas dos pés
As meninas da ribeira do Sado
São como as ovelhas
Têm carrapatos atrás das orelhas
Era um
daqueles dias bem chalados
Em que o sol batia forte nas cabeças
As meninas viram que eu estava apanhado
E disseram nunca mais cá apareças
Mas não
fui e entretive-me a bailar com três
Queriam que eu fosse atrás no convés
Mas não fui e mandei-as irem daar banho ao meu canário
Que bateu as botas com dores num ovário
Estala
a bomba
E o foguete vai no ar
Arrebenta e fica todo queimado
Não há ninguém que baile mais bem
Que as meninas da ribeira do Sado
As meninas
da ribeira do Sado é que é
Lavram na terra com as unhas dos pés
As meninas da ribeira do Sado
São como as ovelhas
Têm carrapatos atrás das orelhas
Têm
carrapatos, têm carrapatos, têm carrapatos, têm
carrapatos,
têm carrapatos, têm carrapatos, têm carrapatos,
têm carrapatos,
têm carrapatos, têm carrapatos, têm carrapatos,
têm carrapatos,
têm carrapatos atrás das orelhas!
Para ver
/ ouvir uma interpretação http://www.youtube.com/watch?v=xbcWoIE9i8o
http://www.youtube.com/user/CantarDeAmigos
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2.
Uma curta ESTÓRIA versada: No Ressio enfio
dito por uma professora em Mértola, 1984/85
|
Um alentejano
que chega a Lisboa
desembarcado do vapor que passa o Tejo sai-se com esta
lengalenga:
NO RESSIO,
ENFIO
CUM DESIMBARAÇO;
LOGO ME PRANTI
NO TERREIRO DO PAÇO
FOI ATÂO QUE VI
E QUE PUDE OBSERVÁ-LO
UM HOME DE CHUMBO
EM RIBA DUM CAVALO!
(Contada
por uma Professora em Mértola, em 1985.
Mais uma
moda popular alentejana que tem várias versões...
Eu hei-de
ir até Lisboa
Eu hei-de ir até até lá
à procura duma vida boa
que eu procuro e não encontro cá.
Cheguei
a Beja embarquei no comboio
que assoprava pela linha
Às vezes penso comigo e digo:
triste sorte que é a minha.
E depois
de chegar ao Barreiro
embarquei no vapor que passa o Tejo
Chora por mim, que eu choro pr ti \\
Já deixei o Alentejo. \\ bis
|
3
A Anedota... da CORTIÇA
|
UM ALENTEJANO
EM LISBOA com o DINHEIRO da CORTIÇA:
Um alentejano,
que tinha e vendia cortiça, resolve um dia mandar o
filho depositar o dinheiro, no banco, a Lisboa.
Este, pega num taçalho de pão com linguiça,
monta no seu burro e lá vai para Lisboa.
Chegando a Lisboa, visto estar cheio de fome, senta-se, na
relva, junto do Marquês de Pombal, a comer o seu taçalho
de pão.
Por ali, andavam dois ardinas a vender jornais e apregoavam:
- óóólhó sééééééclo
(Olha o Século)...
- é u diáááário d'notíííííííícias
(É o Diário de Notícias)...
O nosso bom alentejano, mal ouve isto,
pega nas suas coisa monta-se no burro e lá vem ele
a caminho do Alentejo.
Quando chega a casa, o pai pergunta-lhe:
- 'tão filho! porque foste tão depressa? O banco
'tava fechado?
- cal banco! cal quê? atão um home vai a Lisboa,
assenta-se a comer o seu taçalho de pão cum
linguiça, muto descansado, vêm logo dois homes
e gritam:
- óólhó, cerquem-no... óóólhó
céérquem-no ...é o d'nheiro da cortiça...
ele tem o dinheiro da cortiça...
|
4
CARTA
de um Pastor a Fialho de Almeida
contada por Manuel Pedro em Beja (1980)
| CARTA de
um Pastor a Fialho de Almeida contada por Manuel Pedro em Beja
(1980)
Carta
de um Pastor Alentejano, de Vila de Frades, ao seu amigo Fialho
d'Almeida:
Mê
caro Zé Valentim:
Nô
ôtro dia 'tava ê ali à bêra do maticuenho
de palaio,
ali memo onde o barranco bate c'oa semeada...
'Tava
assim a modos qu'esmorraçando...
Ajitei-me
dentro do gabinardo e assenti-me no marco.
Enroli
um cigarro e
cando ia a puxar do zarapatusco de modo a acender,
di c'os olhos numa velhaca...
Era um
rego cheio de carne, Ó cumpadre!!!
Imaparelhê-me
cum ela e meti o ferro à !cara...
Fiz-le
dois fogachos, mas a manga na foi-se-me'imbora mais a p. que
a pariu!!!
Texto
ditado pelo professor Manuel Pedro, num café, em Beja,
1981
|
ATÃO
CUMPADRE, PRA QUIÉQUE VOMC STÁQUI CONTANDO TANTA
ANEDOTA que são nossas?
- Oressa! Desta e doutras vou ê pedir CopyRaites... |
5
Mestre
Alentejano e Saramago
| CANÇÕES
com intervenção erudita: Saramago e Mestre Alentejano,
de Vascocellos e Sá & A. Pinto Basto
MESTRES
ALENTEJANOS (mais duas mostras do falar alentejano).
MESTRE
ALENTEJANO
Terra
de grandes barrigas,
Onde há tanta gente gorda,
Às sopas chamam açorda
E à açorda chamam-lhe migas;
Às razões (canções) chamam cantigas,
Milhaduras são gorjetas,
Maleitas dizem malêtas,
Em vez de encostas, chapadas,
Em vez de açoites, nalgadas
E as bolotas são boletas.
Terra
mole é atasquêro,
Ir embora é abalári,
Deitar fora é aventári,
Fita de couro é apero;
Vaso com planta é cravêro,
Carpinteiro é abegão,
A choupana é cabanão
E às hortas chamam hortejos
Os cestos são cabanejos
E ao trigo chama-se pão.
No resto
de Portugáli
Ninguém diz palavras tais;
As terras baixas são vais
Monte de feno é frascáli
Vestir bem parece máli
À aveia chamam cevada
Ao bofetão orelhada
Alcofa grande é gorpelha
Égua lazã é vermelha
Poldra "isabel" é melada.
Quando
um tipo está doente
Logo dizem que está morto.
A todo o vau chamam porto
Chamam gajo a toda a gente
Vestir safões é corrente
Por acaso é por adrego,
Ao saco chamam talego
E, até nas classes mais ricas
Ser janota é ser maricas
Ser beirão é ser galego.
Os porcos
medem-se às varas,
O peixe vende-se aos quilos
E a gente pasma de ouvi-los
Usar maneiras tão raras;
Chamam relvas às searas
Às vezes, não sei porquê
E tratam por vomecê
Pessoas a quem venero;
"não quero" diz-se "nã quero"
"eu não sei" diz-se "ê nã
sê"!
de António
Pinto Basto, Rosa Branca
Letra: J. De Vasconcelos e Sá (o avô de António
Pinto Basto, segundo José Gonçalez).
Música: fado corrido.
http://www.youtube.com/watch?v=Yher-plFsbE
http://www.youtube.com/user/rvccgerinho
|
| SARAMAGO
canta:
António Pinto Basto
letra e música de J. de Vascocellos e Sá
Olha,
amor, toma lá este raminho. Ai! Ai!
É do monte, é do monte e cheira bem!
Quem lá for, e não traga um bocadinho, Ai! Ai!
Ai não tem, não tem amor a ninguém!
ele
Vai crescendo o saramago
Embaraçado no trigo
Eu queria ser saramago
Para abraçar-me contigo!
ela
Mesmo assim, de brincadeira,
Tua sorte era infeliz;
Minha mãe é mondadeira,
Punha-te ao sol a raiz!
Amanhas com todo o jeito
As terras do malhadio
Só este amor no meu peito
Deixas ficar em bravio!
ele
Quem no teu peito semeia
Tem de colher com certeza
Só três sementes e meia,
Nem sequer paga a despesa!
Já por ti não dou um passo,
Atrás de ti já não vou;
Antes seguir o retraço
Por onde a vara passou!
ela
Meu amor, tem bom amanho,
Tudo arranja a sua escolha;
Tem polvilhal o rebanho
E a seara vai na folha!
ele
Tem besunho o polvilhal
E a seara vai ruim!?
Minha riqueza, afinal,
Está mesmo em frente de mim!
ele e
ela
Minha riqueza, afinal,
Está mesmo em frente de mim!!!
http://www.youtube.com/watch?v=NWu3bkM5fM8
http://www.youtube.com/user/mariadoalentejo
|
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MESTRE
ALENTEJANO II - por Rosa Dias
DITOS
DO ALENTEJO OU MESTRE ALENTEJANO (II) - de Rosa Dias
Assim
já cantei um dia
Pois no Alentejo nasci
Ali amei e sofri
E ao meu povo eu entendia
Pastel de grão é azevia
Massa frita é brinhol
Piolho cata-se ao sol
À lenha chamam molheta
O zangado diz punheta
Sapateiro usa serol
A frigideira
é sartém
Uma tigela plangana
Mulher de graça é magana
Falar mal é coisa vã
Cama de molas divã
E quem dança está balhando
Chover pouco é muginando
A gasosa é um pirulito
Qualquer cão é um canito
Chorar baixo é chomingando
Ao leite
chamam-lhe lête
Um bacio é um penico
Um desmaio é um fanico
Um canteiro é alegrete
O soutien é um colete
Do pão dur(o) fazem-se migas
São saias quaisquer cantigas
Grão cozido é gravançada
Qualquer pessoa é coitada
E as amantes são amigas
Emprestar
é repassar
Mentiroso é trapacêro
Amolador é um gatêro
Ir a mondar é escardar
Chatear é amolar
Do pobre diz-se infeliz
A igreja é uma matriz
Cafeteira é choclatêra
Coisa torta é pernêra
E é o povo que assim diz
Um barril
é um porrão
E a garagem é cochêra
Chouriço preto é cacholêra
Preguiçoso é lazerão
Homem do campo é ganhão
Chama-se fosso a um val
Almofariz é um gral
Sopas frias é gaspacho
Viver bem é ter um tacho
/ VIVE BEM QUEM VIVEU MAL (correcção da autora)
E assim fala Portugal
Autora
da letra: Rosa Dias (poeta popular de Campo Maior).
Música: fado corrido.
Cantam: José Gonçalez e António Pinto
Basto.
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6
A
PONTE DA REBÊRA D'ODEVELAS
|
Curto
RELATO versado A PONTE DA REBÊRA D'ODEVELAS in Guadiana
- Boletim Municipal - MÉRTOLA - Out. Nov. 2000
|
|
A PONTE
DA R'BÊRA D'ODEVELAS
Graças a Deus que já tem
Odevelas sua ponte.
Com uma estalage de fronte
pruparada
pra quem vier de jornada
nela poder pernoitar,
sem o prigo de s'afogar
da rebêra.
O Mestre c'afez
capetão d'engenharia
= inginheiro
fêze-a toda em mármre
e ávenaria
Obra Prufêta
|
A PONTE
DA RIBEIRA DE ODiVELAS
Graças
a Deus que já tem
Odivelas sua ponte.
Com uma estalagem em frente
preparada
pra quem vier de jornada
nela poder pernoitar,
sem o perigo de se afogar
na ribeira.
O Mestre que a fez
capitão de engenharia
= engenheiro
fê-la toda em mármore
e alvenaria
Obra perfeita.
|
7
M'nina
que tá à j'nela...
|
DESPIQUE
FALAR ALENTEJANO in À DESCOBERTA DE PORTUGAL - Rider's
Digest - M'nina que tá à j'nela... 1982
M'nina que tá à j'nela
M'nina
que tá à j'nela
Regand'o lind'caravêro
Ó há-de ser para mim
Ó p'ró mê rico pracêro.
Ê
nã sô p'ra vocêi
Nê (ein)p'ró sê rico pracêro
Que me tá mê pai criendo
P'ró más lind'o sapatêro.
Ó
m'nina, ê sô sapatêro
Hê-d'ir p'rá sapataria
Hê-d'le fazer uns sapatos
C'a maior galantaria.
Ê
nã quer'os sês sapatos
Dê-os lá a quê(ein) qu'séra
Qu'o marot' que tal diz
Nã merec' uma mulhéra.
Entes
qu'ria ser carnêro
Enxertado na raiz
E nã qu'ria ser marido
Da magana que tal diz.
Entes
ê qu'ria ser porco
Que fossasse num valado
E nã qu'ria ser ispôsa
Dum tã frac'namorado.
Nota: A cantiga que aqui é transcrita foi recolhida numa
das aldeias do termo de Beja e, apesar de uma ou outra característica
local, pode ser considerada representativa dos falares do grupo
alentejano - uma das variantes do português meridional.
Entre
os traços fonéticos destes falares, podem destacar-se
como mais característicos
- a monotongação
generalizada do ditongo ei (cravêro, parcêro)
- a redução
de outros ditongos em situação de próclise
(mê rico, nã
quero, quê (ein) qu'séra)
- o alongamento
das sílabas tónicas finais (vocêi, mulhéra)
- e, de
vez em quando, a alteração do timbre de algumas
vogais tónicas nasais (neste caso, por palatalização:
(criendo, entes).
A velocidade
de elocução produz nos falares do Sul, mais
do que nos do norte, a elisão das vogais átonas
(j'nela, qu'sera).
No léxico
encontram-se, de onde em onde, termos como mangana, que, para
ouvidos habituados à norma de outras regiões,
podem surgir como formas de calão.
Aliás
este facto é corrente em quase todos os falares regionais.
|
8
No
teu Giro Sol Brilhante... uma DÉCIMA
de Inocêncio de Brito
| Uma DÉCIMA
(Mote e 40) No teu Giro Sol Brilhante... Inocêncio de
Brito, S. Matias, Beja, 1856 - 1938
NO TEU
GIRO SÓL BRILHANTE - mn
No teu
giro sol brilhante
Teu explendor vai e vem
Trás-me nóvas dos meus filhos
Recomenda-me a meu pai
Quando
tu sól aparéces
Dourando o cume da serra
Com teu giro em mar e terra
Consôlo restabeléces
Assim como os entristéces
Se deixas de ser constante
Sem tua luz radiante
Tão tristes que são os dias
E tudo alegras se alumias
No teu giro sól brilhânte
Teus raios
são consoladôres
São os mantos purpurinos
Que cóbrem os perigrinos
Mitigam-lhe as suas dôres
És o rei dos benfeitôres
Moderador de tanto ai
Quando o teu vigôr descai
Vão-se alegrias perdendo
Alegrando e entristecendo
Teu esplendôr vem e vai
Luz Divina
de ahi vêm
As campinas prateando
Saudosas nóvas dando
Dáme-as cá a mim tamêm
Dá-me notícias de quêm
Tenho afetos mas escondi-lhos
Em meos olhos não há brilhos
Os dias que os não avisto
E tu sol atendendo a isto
Trás-me nóvas dos meos filhos
E à
tarde ao declinares
Fita a vista atencioso
Num ancião muito idoso
Mas nóta que me dê ares
É êsse sem duvidares
Quem me estima e não me envai!
Aqui ninguém me distraí
E tu sól se por mim te interéssas
Rei dos astros não te esquéças
Recomenda-me a meu pai
Nota:
Ortografia conferida pelo manuscrito.
Tem assinatura:
Inocêncio de Brito
Esta interpelação
ao SOL como mensageiro das missivas que o Poeta na solidão
precisava urgentemente de enviar para os familiares, será
uma das PROSOPOPEIAS mais conseguidas do Poeta. Depois das
apóstrofes em que elogia o SOL, o Poeta transforma-o
em seu interlocutor e parceiro para lhe trazer e levar as
suas mensagens importantes!
|
9
MEMÓRIAS
DE MANUEL LOENDRÊRO
|
9.1
MEMÓRIAS
DE MANUEL LOENDRÊRO 1 - in A PLANÍCIE, 15/02/83
1. O
de Lisboa - in A PLANÍCIE,
15/02/83
Vinha
ê uma vez pá vila a cavalo no burro pa fazê
o avio, condo óvi atrás de mim um altemoven
de esgalha bordão por a estrada adiente.
Passô
por mim ca força toda... Tamein si nã passassi
más valia uma botas e condo começô a subiri
a barrêra do ôto lado da estrada, dê um
estralo e começô às panderêtas até
que se parô. "olhó! - pensi eu - já
está escangalhado". Fui lá ó pei
pa vê o que tinha acontecido. Tava o home olhando pa
um pineu. Prigunti-lhe donde ele era e disse quera de Lisboa.
Pá,
tá tudo dito - pensi eu. Vinha-me imbora condo o vi
priparado pa mudá o pineu mas volti pa trás,
porque vi o baboso, que nã tinha gêto ninhum
páquilo.
Dexi-me
do burro, desviio e comeci a mudar a roda, mas vi logo caquilo
nã era só do pineu. Espoji-me no chão
e espreti pa debaxo do carro pa vê o qué caquela
moenga tinha e vi o enxo e a jente, tudo entrotado.
Condo
ia alivantar-me vi o home mexendo num ninho d'abêsporas.
- Que
bichos são estes? - preguntou eli.
- Nã
mexa nisso! Nã as trilhe! - Griti-lhe eu. Tá
bem dexa!
Foi mêmo
o quele foi fazeri. As abêsporas alivanteram voio e
hôve uma que le deu uma nicada nos bêços
cu fez dar um berro, ôtra foi-se ó burro. O burro
assim cas viu zunindo de roda das orelhas, escarampatô-se
e esgalhô fugindo por a chapada arriba. Ê rasgui
fugindo atrás deli pó apanhari. Daí a
podaço condo volti todo esbrazeado, tava o ôtro
cum lenço nos bêços quêxando-se.
- Vocei
é mesmo enchaparrado - Disse-leu. - Atã vocei
nã sabe que na se pode mexeri num ninho d'asbesporas?
E vá lá teve sorti, porque se fossem tarantas...
Ati o
burro a uma arve e fui veri so home tinha os beços
munto enchados. Hei mãe! Tava com umas beçoletas
que pareciom o bebrum dum penico! Atão o bocana nã
queria pôr pomada naquilo?! Lá o convenci a pori
lama nos bêços porque pá picada na há
melhori. Condo tava cos beços enlameados, disse-le
cu melhor era vir com migo à vila à busca dum
mecânico. Montô-se, em cima do burro e lá
fomos. O engraçado é que condo chigámos
e me desmonti, olhi pa trás e ele nã estava
lá. Devi ter escorregado da albarda, porque eles sabem
andari de cu tremido, mas de burro, anda cá se queres...
Já não volti pa trás, porque tinha de
fazê o avio à minha Bia e despois fechavam as
loges. Tóoouuuu!
M.L.
Nota:
O mau estado das fotocópias que me foram fornecidas
para a transcrição destas "Memórias",
muitas vezes não me permitiram, possivelmente, uma
transcrição correcta dos termos usados e grafados
pelo autor, do que peço desculpa, e estou pronto para
qualquer emenda a qualquer momento, esperando entretanto que
o autor se decida apresentá-las ele próprio
e sob a sua vigilância. Pela autorização
verbal, que me concedeu de as poder usar nest' aminhaTEIAnaREDE,
os meus melhores agradecimentos. JoRaGa.
|
|
9.2
MEMÓRIAS
DE MANUEL LOENDRÊRO 2 - in A PLANÍCIE, 15/06/83
2 A
Pega - in A PLANÍCIE, 15/06/83
Um demingo,
lá no Taquale havia movemento que nunca más
acabava: O Grupo de agarradores lá do monti ia pegar
à aldêa. Ê eró cabo dêlis
pa gandes aflições da minha bia, mas êle
a mim pôco m'empotava qu'ela tivesse mêdo ô
não, porqueê cá nã tinha mêdo
nunhum. Ó despois de se termos trajado, lá formos
agenti a caminho da aldêa. Nós, os agarradores,
todos com grandis patilhâmes e alguns de bigote; Távamos
tôdos munto calmos: só nos tremiom os joêlhos,
as mãos, o coração dava saltos que nem
um coelho bravo prendido poruma pata, e távamos fumando
que nem umas bêstas, mas távamos calmos. Távamos
era desejando pulare p'ra cima dos cornos dos bichos. Távamos
comé que se diz?... Xitados. É isso conho!
Chigámos l'á à aldêa, e dexi-me
da relota e fui veri sus bichos já tinhom chigado.
- Já! - Arrespondê-me o campino - Tã aleim!
Fui lá a esprêt'á-los, e condo os vi tã
prêtos até os cabêlos do pêto se
me puseron brancos. Ma nã foi mêdo. Fiqui foi
admirado co ma côr dêlis. Até luziom! Traziom
terra no lombo e tudo.
- Olhem rapazis! - dissê òs do mê grupo
- Os bichos, é tudo prêto que nem caravão!
- Ê que maaaus! Mas assim é qué boum!
- Tão com mêdo? - Virámes-se tôdos,
e démos de trombas co grupo de Val Picote que tamein
vinha pegari.
- O mêdo ga genti teim é o que le sobra a vocêis!
- Dissê fechando os olhos uma migalhimha.
- Atão mas tu julgas c'agenti têmos tante mêdo
c'até nos sobra?
- Nã julgo! Tenho a certeza!
Boum, êle já tava atabafado comigo, ê tamein
já nã o podia vêri e nã tardô
munto cos dôs grupos não tivessem enleados à
pazada.
Boum, ma lá começô a corrida e cabedô
à genti fazere a premêra pega. Abri-se a porta
do curro e de lá saíu uma vaca mertolenga.
- Ah mas isto é qu'ei? é isto que voceis vã
pegari? - Diziom os de Val Picote no gôzo, é
que tinha havido um engano e tinhom soltado um cabresto em
vez dum boi. Por fim lá soltarom o bicho qu'era, e
condo os de Val Picote o virom começarom a gozari dezendo
qu'era dos encarnados que nã faziom mal ninhum. Mas
condo o bicho dê ali umas corridas e le saíu
o póu do lombo e ficô aleim prêto, calô-se
tudo.
- Levom gande sova! - Deziom os ôtros. E a genti calados.
O cavalêro levô aleim fazendo o trabalho deli
e condo chigô ó fim pediu más um ferro.
- Sai daí piolhoso! - Gritames-le a genti - Pôste
feio tanchando ferros no bicho!
Boum, o cavalêro saíu e a seguiri vêi o
capinha armado em boum.
- Vô-me aí a ti patei-te tôdo! - Gritô-le
o Zei Alacrau. atei que chegô a altura d'agenti se meter-mos
lá drento. O nosso grupo era case tôdo fêto
por jogadoris do Taquale. Chigui ó mêi do relvado
do terreno... carafo! Chigui ó mêi d'arena e
brindi ó pessoali que tava na bancada. Aperalti-me
todo e lá fui ê derêto ó bicho.
- Eh prêêêto! Eh biiicho! - continui fazendo
barulho mas o boi ná'via mêi de se voltari. até
quê lá ia ó mêi da praça
cond'êli me viu e vei drêto a mim que parcia mêmo
um'altometôra.
(Continua
no próximo número)
|
|
9.3
MEMÓRIAS
DE MANUEL LOENDRÊRO 3 - in A PLANÍCIE, sem data
legível - 1983?
3. Tornêo
em Lesboa 3 - in A PLANÍCIE,
data ilegível
Uma vez,
chigô ò Taquali um gajo com um jornali, onde
vinha dezendo que s'ia fazeri em Lesboa, um tornêo entre
piquenos clubis, pa ver se descobriom novos jogadoris.
- Já
tá - Disseu - Sagenti já formos ficamos todos
convocados.
Começamos
atão a tratari das coisas pá viage. Premêro
viémos a moira pa alugari uma carrêra e condo
iamos chigando à parage das caminetes queim éi
ca gente vêi? A enquipa dos Trigues do Alvarrão,
que tinhom ganhado a taça à genti com uma manchêa
de ciganices.
- Qué
que vêim fazeri? - Préguntamos.
- o cagente
queri. Porquêi?
- Porque
sim! Vá!!!
- Boum.
Já que querem saberi - disse o capitã delis
em ar de gozo - viémos alugari uma caminete pa irmos
a Lesboa.
- Ê
o quêi? Quem vai é a genti!
Boum,
começamos a lavrari d'atravessado, até que s'alançámos
uns ós ôtros pôs antão. Condo acabámos
com aquilo, fomos a falari cu home das caminetes e ele podiu
munto denhêro pá viage. Ora nem a genti nem os
do Alvarrão podiamos pagari a nã ser que se
juntássomos. Mas coma genti na se chupava, teve mau
pa se decedir. Até que resolvemos ir mêmo com
elis que nã tinhamos ôtro remédio. Condo
se montámos na caminete dêxámos o lado
da soalhêra pó dos Alvarrão. Forom à
esturrêra o caminho entêro. Condo chigámos
ó Cento Destágio ô lá ó
quer aquilo iom esbrazeados até má não!
e a gente rinde-se. O pió foi que nã criom receber
a genti, porque nã le tinhômos dito nada antis.
De manêras que tivémos de dromir na caminete
nessa nôte, e só no ôtro dia é c'arranjarom
cartos à genti. O Cento D'estágio, foi o sítio
onde ê comi a comida más mal fêta da minha
vida! De manheim, em vez de nos darem pã com lenguiça
ô tôchinho e uma punicada de cafêi, derom-nos
lête e pã torrado com marmelada. A genti nem
le tocámos. Ò almoço quisemos açorda,
derom-nos pêxe. Ò jantari, quisémos uns
fêjanitos com orelha de porco, derom-nos frango com
batatas. Boum, lá comêmos porque tinhômos
passado o dia entêro em fraqueza ripando umas laricas
que já nem le viômos o rêgo. Tevémos
lá uma semana e todos s'admirarom munto cagente porquem
vez de se peorcuparmos com trênos e o tornêo,
passássemos os dias entêros espojados debaxo
das arves fumando, e bobendo vinho. Até porqu'iamos
jogari com uma enquipa alemôa, quêles tinhom trazido
pa jogari com as enquipas todas, e a que tivesse jogadores
milhores, é qu'ia jogari contró Benfica e o
Sport. Chigô o dia do jôgo, e nunca más
m'esqueço daquilo que senti, condo pisi a premêra
vez um campo arrelvadu, era cá uma macieza nos péis!
ê dantes só tinha jogado em campos cheios de
bajôlos - foi atão que repairi cu Cara de Cinoira,
tava arrancando a erva pra brento dum saco, pa dá òs
coelhos lá no monti. Condo eli acabô, lá
se preparámos todos, ia começá o jôgo.
|
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9.4
MEMÓRIAS
DE MANUEL LOENDRÊRO 3 - in A PLANÍCIE (data -
1983?)
4 A
Excursão
Uma vez
lá no Taquali alembrasmos-se de fazê uma eiscursão.
- Vamos a Lisboa ver os Giròlmos! - Disse o Abel Tengirina.
- Nã sinhoira. Vamos ó Algarvi! - Disse o Zéi
Alacrau.
- E porquê ó Algarvi e nã ós Girólmos?
- Porque no Algarvi podes banhari e nos Girólmos nã
podes.
Fomos atão ó Algarvi. Pensámos em iri
no tractori do Cara de Cinoira mas levava munto tempo. De
manêras c'acabámos por alugari uma Carrera, que
sempre era melhó estamporte. Por o caminho fomes-se
todos devertindo menos a minha Bia, que se farto de gumitari.
- Tu vês más algueim gumitari? - Prêgunti-leu
- Ês mêmo charrôca! Fomos ralhando os dois
o caminho todo.
Por fim chigámos à praia ô lá o
quera aquilo. Ê fiqui parvo! Ê sabia cu mari era
uma rebéra grandi, mas assim tamém não!
Atã e aqueli podaço d'arali? E arêa boa!
O Cara de Cinoira até enche uma saca pa fazê
um raboco lá pá malhada dos porcos. Atã
e o gentio? E os altemóvens? Erom por demais.
Lá se despimos até ficarmos só com as
calças, e fomos a enterrar um agarrafão do Cartaxo
lá adiente, drento d'água.
Foi atão que vimos uns bocanas a jogari à bola.
Fizemos uma enquipa contra elis pa mostra como se joga. Eles
olhavam pá gente e riom-se, nã sê porquêi.
Sairom elis. Hôve um que fintô o Zei Alacrau,
e já eli ia atrás deli pa lhe dá uma
foêrada, condo ê le dissi:
- Dêxó comigo Zéi! - O ôtro, julgava
que mia fintari, mas ê di-le uma pupinda nas canelas
cu fiz dá 2 voltas no ari. Parcia um piã d'Alvito.
-Se calha, cuidavas que passavas não? - Disse-leu.
Daí a podaço numa jogada dagenti o guardaredis
delis ia a sairi ós peis do Cara de Cinoira, e eli
fez-le um truqui dos deli: Dêtô-le um punhado
d'arêa pós olhos e marco o golo. Elis disserom
logo que já nã criom joga mais.
- Voceis nã querem jogar e a gente vamos pa drento
d'água.
- Bora! - Gritámos fugindo.
Mal entrámos n'água diz o Zéi:
- Eh! A água é salgada!
- Ah! Éi agora!
- Não? Atã porvem lá. Pusemes-se tôdos
a provari a água.
- Qué lá saberi! Banho na mêma.
Mal tínhamos começado a banhari aparece um gajo
a dizeri:
- Os senhores nã podem tomar banho hoji. Nã
vêem a bandêra virmelhe?
- Atã e condo é que se podi?
- Condo estiver verde.
- Atã prantem lá uma bandêra verdi! Essa
é boa!
- Ê banho memo porque quero - Disse o Cara de Cinoira
e abalô lá mais pó mei do pego.
Ora enleô-se nas ondas, tiveram cu ir vescar de barco.
E éli banhava beim. Despois tiverem cu fazê gumitá
a água e arrespiração bocaboca, com o
salva vidas dando-le bêjos nos bêços. Aquilo
era memo nojento, carafo!
A minha Bia e as ôtras, andarom até horas d'almoço
mulhando-se inté às curvas das pernas. Despois
almoçámos, bobemos uns escolates valentis e
tivemos a tarde entêra cantando à alentejana
na praia até o soli se pôri é que se viemos
imbora.
O pió desse dia é candámos todos uma
mancheia de tempo com as costas e o pêto empolados até
más não.
|
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9.5
MEMÓRIAS
DE MANUEL LOENDRÊRO 3 - in A PLANÍCIE (data -
1983?)
5 A
Escola
Conde
era rapazinho p'aí com uns 7 ò 8 anos, a minha
mãe disse-me quê tinha d'ir pà escola
aprende a ler e a escreveri.
-Nã quero!- Griti eu - Se me chegom a tanchar na escola
fujo de casa!
Com'a minha mãe pa estas coisas era mais má
c'uma dôr de barriga, dê-me um estramelo nas ventas
que me fez ver as estrelas 3 dias pa lá do solposto.
De manêras que na ganhi nada com a torada que fiz e
acabarom por me pôri na escola da Dfesa. Lá ia
ê todos dias mais os ôtos do mê tamanho
a péi até à escola. E erom uns quilómetros
valentis! E ódespois tinhamos que passar a ponte do
Ardile adonde ficávamos banhando o maior parte das
vezis. Encontê andi à escola, nã hôve
nem um dia (nem um diazinho sequer), quê chigasse a
horas. Todos dias levava uma carga de estoiro e nã
me desmanginava. O pió de tudo era a passage da ponti:
ó iamos pescar à lapa ó íamos
banhari, e escola... visteza! A pressôra préguntava
ondé ca gente tinha andado e a gente dezia sempri:
-Fomos ós ninhos, m'sôra!
No fim ela dava dez réguadas a cada um, e mandava-nos
pó canto de castigo. Êramos sempe os mesmos:
ê, o Zéi Alacrou e o Cara de Cinoira. Desde piquininos
c'andámos sempe juntos!
Uma vez, esta nunca mais me esqueci), no entervalo armámos
uma garreia, e condo a pressôra foi lá ròbámos
o sino leváme-so ò Ardile e tanchámos
com eli no fundo do Pego dos Marmelêros. Ódespois
abalámos cada um pa sê chêral lá
pa longi; de manêras que condo a perssôra quis
meter a genti na sala teve c'andar fugindo por aquelis cabeços,
chamando a genti. Eh que torada! Já nã hôve
escola nesse dia qu'ela nã conseguiu apanhar nengueim.
O pió foi no dia a seguiri quela dê uma sova
de réguadas na gente todos, e ódespois fez preguntas.
Condo chigô a minha vez, quis saber quem é que
tinha sido o premêro Rei de Portugali.
-Sê lá eu! Algum pante-minêro!
-Levas dez réguadas!
-Qu'é lá saberi! Nã me doiem!
-Batê-me ca força toda e passô ò
Cara de Cinoira.
-D. Dinis! - Responde eli. Mái estoiro, A seguir foi
o Zéi Alacrau.
-Ê cá nã fui!
Eh! A pressôra chamô-le tudo! Dê-le uma
mã cheia de réguadas co Zéi até
arroto a pirum seco ódespois fez-nos um ditado. Condo
o corregiu, disse quê era o que linha tido menos erros.
Fiquei todo babado.
- Atã e contos tive msõra?
-14!
-Sóu?! Eh! A última vez que fizemos o ditado,
tive alguns dezanovi. Tô a ficá boum!
Levi quatr'anos pa fazè a sigunda classi, e dezia sempe
ó mê pai que passava, todos os anos de manêras
quele julgava quê já andava na quarta.
-Atâ e este ano? Passas? - Préguntô-me
eli.
-Tá um becado malote!
-Tá um becado malote? Atã mas que conversa é
essa? Tarei quir a falar ca pressôra ?
Ei céu! Esconfique até as unhas dos péis
se me puserom brancas! O mê pai chigô lá
à escola e préguntô que tal ia eu. A pressôra
disse quê nã era munto mau, mas naqueli ano não
devia passari.
-Tameim! A 4ª classi é uma migalhinha puxada!
Quarta classi? Condo ela lhe dissi quê só andava
na sigunda, ele dê um pulo até às nuves.
Parecia que le tinha picado um atabão! Picô o
burro drêto ô Taquali com vontadis de me esfolar
vivo, ma condo lá chigô, já ê tinha
fugido. Ora Boum! Andi fugido alguns dois dias, ma memo assim
nã me livri da sova. E foi por casa destas capeias
que só acabi a 4ª classi com alguns dezassete
anos.
|
10
in
AMARELEJA Rumo à sua História
|
10. 1
AMARELEJA
Rumo à sua História,
de Padre João Rodrigues LOBATO, 1961, pp. 179 a 193
EPISÓDIO
da vida no Campo - com Glossário
Desde
o começo da minha vida de pároco que adoptei
o costume de dar, de vez em quando, uma volta pelo campo e
aportar a este ou àquele monte, a, esta ou àquela
courela, onde se encontram pessoas trabalhando.
Eu acredito
verdadeiramente e os meus mestres me ensinaram que o campo
é o melhor tónico, para recuperar forças
que se vão desgastando no emprego diário das
faculdades ao cumprimento do dever.
Em geral
são essas voltinhas pelos montes aproveitadas numa
conversa com um camponês ou num convívio mais
íntimo com Deus na reza do meu Breviário ou
do meu Terço.
Ora de
uma vez em lindo dia de sol, dei pelos arredores, uma destas
voltas que aproveitei para fazer a meditação.
Os campos pareciam já um jardim; milhões de
flores de todas as qualidades exalavam perfumes variados,
que uma leve aragem dispersava na celeste claridade da atmosfera.
Tomei para terna da meditação esta frase escrita
no salmo 18 pelo Santo Rei David: OS CÉUS PUBLICAM
A Glória DE DEUS, E O FIRMAMENTO ANUNCIA AS OBRAS DAS
SUAS MÃOS...
Caminhando
nesta contemplação a sós com Deus e a
natureza, fui porém interrompido com o que passo a
descrever:
Parara
na estrada um automóvel. Momentos depois saía
do carro um engenheiro, já meu conhecido. Cumprimentámo-nos
e falámos um pouco dos seus trabalhos no estudo da
electrificação da aldeia.
Acompanhava-o
um rapazote que tirava, do carro vários objectos, entre
eles uma enorme régua numerada e traçada a cores.
Caminhámos
todos pela extrema de uma rica seara de trigo com umas courelas
de favas em flor povoadas de insectos. Numa pequena elevação
de terreno, montaram o taqueómetro.
O rapaz
afastou-se com a régua na mão enquanto o engenheiro
começava a espreitar pelo aparelho e dar ordens ao
rapaz, para que empinasse aqui ou empinasse acolá.
Estavam os dois nesta ocupação, quando, numa
vereda orlada de ervas exuberantes, surge um velhote alquebrado
pelos anos, de golpelha ao ombro esquerdo, tocando com um
pé de burrico duas vacas leiteiras que seguiam ronceiramente
abocanhando nas ervas. Um tanto curioso bom do velhote aproximou-se
do engenheiro que tomava uns apontamentos, e disparou a usual
saudação:
- Bom
dia cá d'ó péi!
- Bom dia! Respondi eu e o engenheiro, este sem levantar os
olhos. -
- Mas
então vossemecê, quem vem a ser? E o que é
que estão tarraceando? Que anda esse piquenalho fazendo
com aquela tábua, de oiteiro em oiteiro e correndo
esses alcanchais?
O engenheiro
deixou de escrevinhar, espreitou pelo aparelho, e ordenou
ao rapaz que colocasse a régua noutro lugar.
- Não
pises as favas ao homem, paiolo! - exclamou o velhote. Sempre
ouvi dizer aos intigos que quem não tem que fazer,
faz colheres. E o tempo é para quem vai bom.
- Ó
homem! Não seja parvo, não vê que sou
engenheiro! Estou a estudar o lançamento das linhas
para vir a luz eléctrica cá para a aldeia!
- Ah!...
Eu de taronjo nunca tive nada, agora o que nam posso é
ad'vinhar, poi'sorte!
- Então
já fica sabendo!
- Ore
essa! Mas voltando cá ainda à conversa. Luz
hai ele aí, hai que Janeros... Era eu soldado em Estremores,
e no ano seguinte fomos p'rá guerra da França.
Se haverai anos! Foi inté um espanhol que fez a fábrica,
essa que é agora do Sr. Calros Ravasco!
- Pois
esta luz agora é melhor!
- Sará!
Mas Vossemecê põe luz aí nesses favais?
- Não!
É para passarem às linhas que vêm do Castelo
de Bode, lá de ao pé de Tomar.
- Bá,á...
Al será que isso ategue. Na ponta sará como
a estrada de Barrancos, que já nam tem conta os anos
que aí levam empatando. Nam passa de um atasqueiro
que nem uma carrinha de estevas se pode trazer lá dos
Castelos... Que ele hoje já num hai quem dei um molho
de ramalhos para fazer um caldo de toicinho...
- Pois
olhe que desta vez vão ter luz, boas estradas, uma
Casa do Povo nova, mais ruas calcetadas, água canalizada...
- Já
me fizeram essa conversa, mas tenho cá p'ra mim que
nam sará nenhum esbarrunto. Isso assim mal acomparado,
vai ser com'ós poços da água qu'abriram
ali no Carapetal e onde a Junta gastou uma fortuna. Por fim
os engenhe'ros - vossemecê deve saber, talvez fosse
vossemecê, quem sabe - enregaram a dizer que nam valia
a pena, que o nascente era munt'endebles, que a traziam do
Ardila... Imagine... Por fim, a bebermos água da Ribeira,
p'ra onde corre toda a porcaria!
- Mas
nesse caso seria filtrada e preparada!
- Deixe
lá home, só aí da aldeia, tem que ver
as carradas de murraça que as primeiras águas
do oitono levam p'rá Ribeira... Pois se ele no Verão
é aí um chamusco por essas travessas... ora,
e quando não hai chamusco, hai com cada barrancada
de lama qu'eu num vi...
- Não
desanime, pois as coisas têm que ir pouco a pouco.
- Lá
isso é verdade, sim senhor. Isto o que é preciso
é que a searinha não vá faltando, mas
os anos têm vindo mum ruins. Lá se vão
as malsoadas das vacas embora. Olhe aquela que vê além,
bichinho como aquele nam hai fac'lmenrte. Pró mês
de S. João deve ter outra cria... Mas vossemecê
nam tem por aí uma verga d'água? Está
mai'bem calor hoje. Isto no campo é como calha a estar.
Às vezes frio, e d'i calor e d'i vento e d'i chuva;
dá'mas fezes mum grandes a labuta do campo. Desde que
se dêta mão a semear, até que se enrega
levá-lo pró celeiro, Jasus que é Deus,
o que é preciso dar às galfárrias. Por
fim se o ano não ajuda, adiós quinim! O tempo
às vezes estrompalha tudo, até parece que é
por rebendita.
- Você
tem seara e essas vaquinhas, não?
- Ora
'poi'sorte, tem que a gente ir formigando para arranjar o
avio. Tenho lá dois netos, que quase nam me deixam
fazer nada e o pouco que vou fazendo, ainda é p'ra
eles. Nam sei por quê, parece que me sinto mais carançudo
p'ros netos do que me senti p'ros filhos. Um nam passa de
um chinchilha, mas o outro lava-se com uma bochecha de água...
Estava
o nosso campónio nesta conversa com o seu interlocutor,
quando o engenheiro começava a preparar-se para se
mudar para outro ponto.
As duas
vacas iam também entrando por uma seara e tudo se conjugou
para que a conversa tomasse outro rumo e o bom do velhote
se afastasse, ralhando com as vacas e, despedindo-se de nós,
lá seguiu o seu caminho. Mas o que é certo é
que achei graça a certos termos que ele empregou e
que mais vezes eu ouvira a outras pessoas, sobretudo às
mais idosas. Mais um bocado de conversa entre mim e o engenheiro
sobre futuras realizações de futuros progressos
na freguesia e cada um foi à sua vida. De regresso
a casa, fiz o propósito de compilar para as gerações
que vierem, alguns termos que hoje dão à conversação
amarelejense um certo cunho típico e de bastante originalidade.
Peguei no lápis e no papel e com a ajuda dos amigos
arquivei as seguintes palavras e frases mais usuais.
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10. 2
AMARELEJA
Rumo à sua História,
de Padre João Rodrigues LOBATO, 1961
BREVEs
DIÁLOGOs POPULARes:
- Prim'Maria
que tem tu'menina?
- Ora!
Q'havera de sêri!... Uma 'bechana d'asa vermelha que
faz zunga e faz meli que'le picou!...
- Então
foi uma aboilha que'le picou...
- Um'aboilha,
sim! Prim'Maria, uma aboilha...
---------------------------------------------------------------
Certa
mulher foi consultar o médico por causa de uma filhinha
ainda de peito:
- Sr. Doutôri, venho mostràri a'mnha Menina!
Tem tado mun màli!
- Então
que lhe deu de comer? (pergunta o médico)"
- Cumpri
dá'reis d'açucri, mastugui-lo e di-lo!...
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10. 3
AMARELEJA
Rumo à sua História,
de Padre João Rodrigues LOBATO, 1961
(De D.
Maria da Paz Barreto Martins.)
NÃO
ME TROCO POR NINGUÉM
Nam m'envergonho dezer,
Diante de toda a gente,
C'aqui o Chico Valente,
Ó seja, eu arrepresentado,
Sou homem sério e honrado
E nam me troco por ninguém.
E mesmo
sem ter vintém
Nam invejo os grandes senhores,
Embora sejam dotores,
Ó lavradores abastados.
'Stam'te mê'dia detados,
Dormindo nos bons colchões,
E comem os bons gimões.
'Stam à grande regalados!
Mas cá
o Chico Valentão,
É homem doutra condição!
Boto os safões e o pelico
E mais airoso qu'a um rico
Saio logo de madrugada.
Pranto ao ombro a enxada
E vou p'ró campo trabalhari...
E é que nada me faz mali.
Nam faltando
o tabaquinho,
Mais a Pinguinha d'e vinho, M
ais o mê burro jarico,
Sô mais feliz qu'a um rico!...
Tenho
a saúde de ferro
E trabalho porque quero!
E nam me envaio em cantigas.
Poi'quem sabe fazer migas,
Dar-le volta e comê-las,
Esse sabe merecê-las.
P'ra lavrari
e sameari
Nam dou a drêta a ninguém...
S'aparece p'r'aí alguém
Qu'a mim me quera ganhar,
Té sou capaz d'o tombar!...
Ele aqui está que se veja
Se alguém, drento d'Amareleja,
Comigo quer apostar
Se é capaz de me igualar,
Nas coisas da ingricultura,
Qu'a verdade... logo se apura!
Mas...
cá me veio ao sentido...
Quando eu estava subido,
Em riba duma olivera,
E falou desta manera
Um engenheiro de fora"
Qu'ap'raceu naquela hora
E pôs-se o corte a mirar...
- Homem,
eu queriló ensinar,
Se você tem paciência,
De aprender esta ciência,
P'lra ,saber podar ,mais bem.
- Cá a mim nam me ensina ninguém...
S'o senhor tem essa ciência
Eu tenho munta 'spirência...
Ó despois lá me convenceu.
E o resultado vi eu
No óutro ano a seguir
E agora digo eu a rir,
Já tudo nos vem às modas.
Até na quistão das podas.
Taremos
de dar razão
Ao engenheiro Mira Galvão.
Que ele é o que sabe mais,
Os dedos nam são iguais
E foi estudar em boa hora
Lá p'r'ó estrangeiro de fora.
Temos
cá outro entendido,
Que emprega munto o sentido,
E também está na altura
Nas coisas da ingricultura
Dá leções com munto jêto.
E o senhor Ongenio Barreto.
S'um dia
tenho paciência
Vou fazer uma spirência!...
Enxerto uma azinhera
Com'mas puas d'olivera.
E s'isto der resultado
Já eu estou amanhado.
Vai o caso p'r'ó jornal.
Muita fama hei-de eu ganhar,
E depois serei premeado
Com alguns dinheros do Estado.
Mas dá-me
na gana dezer
Que 'sou um homem valente!...
E nunca fiz mal a ninguém.
Trabalho, mas sei por 'spirência...
Outros terão a ciência!...
Há no mundo munta gente
Mais cá o Chico Valente
Nam se troca por ninguém.
De D.
Maria da Paz Barreto Martins.
|
11
O
ELEMENTO ÁRABE NA LINGUAGEM DOS PASTORES ALENTEJANOS
(EALPA) (Conde de Ficalho).
| Conde de
Ficalho - Notas para elucidar
In
Conde de Ficalho
O ELEMENTO ÁRABE NA LINGUAGEM DOS PASTORES ALENTEJANOS
In NOTAS
ACERCA DE SERPA
A maioria dos termos que aqui registamos é a partir
de O ELEMENTO ÁRABE NA LINGUAGEM DOS PASTORES ALENTEJANOS,
que também tinha sido publicado in A TRADiÇÃO,
de Serpa, a partir do ANNO I - N° 6, Junho de 1899, p.
81, ver 97, 113 e 129.
Nota:
A lista de (outras) palavras e expressões que fomos
encontrando no decorrer do trabalho e podem contribuir para
o enriquecimento do vocabulário. Por estar ligado às
NOTAS ACERCA DE SERPA, a maioria dos termos que aqui registamos
é a partir de O ELEMENTO ÁRABE NA LINGUAGEM
DOS PASTORES ALENTEJANOS, que também tinha sido publicado
in A TRADiÇÃO, de Serpa, a partir do ANNO I
- N° 6, Junho de 1899, p. 81, ver 97, 113 e 129.
É
de salientar aqui, três aspectos importantes realçados
pelo Senhor Conde em outros estudos:
1º
- A ocupação árabe, sobretudo no Sul,
a primeira a ser ocupada e a última a ser libertada,
estende-se por quase quatro séculos e meio, cinco.
Tarik, de 710 até 1249, a tomada de Faro por D. Afonso
III, tendo deixado profundas influências e marcas.
2°-
Entretanto, se ficaram marcas profundas e grande influência
quanto aos hábitos e indústrias locais e até
no vocabulário, isso não aconteceu quanto à
transformação da língua, nem da religião.
A índole e estrutura das duas línguas eram muito
diferentes; a religião, não respondia aos anseios
e maneira de ser mais profunda.
3º
- Apesar de encontrarmos numerosas palavras e nomes de origem
árabe, estas são nomes de terras ou palavras
para designar objectos concretos, instrumentos de trabalho,
e como se vê, são raríssimas as palavras
de origem árabe para traduzir algo de abstracto, sentimentos
ou paixões. O pensamento e o sonho, parece que ficaram
sempre fora da influência da língua! Será
verdade? Da língua terão ficado mas do sonho?
O imaginário oriental e o fascínio de Córdova,
Sevilha, Toledo, Silves... Moura, talvez seja, aqui, o que
nos fascina, ali, ao alcance da mão!!!
|
12
RIQUEZA
DOS FALARES REGIONAIS
|
(um
conjunto de vários (7)Textos com saborosas (h)istórias no
fim das quais o autor faz um levantamento vocabular...) -
Daqui peço as devidas desculpas e autorizações, para, dentro
das minhas limitadas possibilidades, ir arquitectando uma
AMOSTRA do FALARe do ALENTEJO...
Riqueza dos Falares Regionais, Manuel João
da Silva,
Ed. Câmara Municipal de Santiago do Cacém, 1ª
ed. 1985
(Recolha feita nos Concelhos de Santiago do Cacém e
Sines)
Uma colectânea
de 7 contos;
- José
Francisco foi a Lisboa
- cá onde canta a zorra
- O Namoro do Jorze e da Dlaida
- Do nascer do Sol ao fim do Serão
- As Falas eram diferentes
- Camponeses - Pobres e Ricos - Marcos na Terra
e nos
Homens (diálogos curtos
)
- A Ti Jacinta de Vale da Garça
(Cada
conto é seguido de um levantamento vocabular, em que
o autor privilegia as expressões mais características
e expressivas, mas deixando nos textos um manancial imenso
daquelas que são consideradas corruptelas da linguagem
oficial
Começando com o Alentejo em Lisboa
e com os de Lisboa no Alentejo, vai avançando para
as cenas mais típicas e expressivas, mostrando-nos
que, afinal, o Falar Alentejano é muito diversificado
de zona para zona, como aliás mostram os outros trabalhos,
como o da amareleja e Serpa
"Nada existe que identifique
melhor a população de um determinado lugar que
a sua fala." (MJS). Neste trabalho organizámos
o vocabulário completo por ordem alfabética
com indicação do conto a que se refere
incentivando a leitura da obra completa
JRG, Corroios,
2011, Abril)
|
GLOSSÁRIO ALENTEJANO
In Riquezas dos Falares Regionais, de Manuel João
da silva
(Santiago do Cacém – Sines -
1985)
|
TERMO
/ expressão
|
origem
|
CITAÇÃO/INFORMAÇÃO
/Significado
|
OBRA
|
Pag
|
|
ABALAM
DESENGAITERADOS
|
|
Abalam
a correr
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ABALAR
DE ESCALHO TAPADO
|
|
Abalar
à pressa sem dizer nada a ninguém
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ABALAR
DE RABO RIPADO
|
|
Abalar
à pressa e envergonhado, de qualquer lugar por ter
sido expulso ou por ter medo.
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ABALOU
DE RABO RIPADO
|
|
Abalou
à pressa e envergonhado por ter levado uma descompostura
ou uma tarefa
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ABAXAR
O FACHO
|
|
A
pessoa calar-se ou começar a falar menos, durante
uma discussão.
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ABÊSPRA
|
|
Vespa.
Pessoa que se zanga rápida e violentamente
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ABROGOAR
|
|
Acabar
uma tarefa nos trabalhos agrícolas. Guardar alfaias
e produtos colhidos
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ACABEDOU-ME
|
|
Pertenceu-me
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ACAREAR
|
|
Juntar
bens materiais, produzir, angariar
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
ACÊRAR
|
|
Andar
a observar disfarçadamente uma pessoa ou coisa
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ACERTAR
NA MUJA
|
|
Pôr
uma bala, uma malha, etc., no ponto central dum
alvo
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
ACILHAR
|
|
Assentar,
permanecer
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ADARNANDO
|
|
Pessoa
que caminha com dificuldade debaixo duma grande
carga (Será corruptela de adernar)
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
AFIAMBRAR
|
|
Diz-se
quando várias pessoas fazem qualquer actividade
em competição e cada um faz o melhor que sabe
|
MJdaSilva
|
|
|
AGORA
É QUE VOCEIA ME PARTIU
|
|
Deixou
atrapalhado
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
AGUENTAR
O PUXO
|
|
Aguentar
o trabalho ao desafio com outra pessoa
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
AH!
AGORA CÁ
|
|
Nada
disso!
|
MJdaSilva
|
C1
|
|
AI
QUE ME DERRETO TODA...
|
|
Dito
com que se pretende ridicularizar uma pessoa presumida,
que fala de maneira afectada com intenção de se
tomar muito simpática ou fazer-se passar por pessoa
culta
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
AINIM
|
|
Ferimento,
estrago causado por qualquer objecto
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
AJUNTAR
|
|
Trabalho
geralmente feito por mulheres, que consistia em
juntar as paveias em braçados que eram colocados
sobre os atilhos, para fazer os molhos, que os homens,
como mais possantes, apertavam e enrolavam as pontas
para não se desatarem
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ALARGAR
OS COSES DAS CALÇAS
|
|
Como
o trabalho é muito violento, as pessoas emagrecem
e as calças ficam largas
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
ALBARDAS
ISSO (TU)?
|
|
Tu
consentes ou admites ofensas?
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ALBORCADA
|
|
Tacho
ou prato com grande quantidade de comida
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
ALCRAPOCHAR-SE
|
|
Zangar-se,
tomar atitudes agressivas
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ALCURSAR
|
|
Conseguir
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
ALDEAGAR
|
|
Conversa
que uma pessoa faz para se defender ou justificar,
mas sem convencer ninguém
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ALFAQUE
|
|
Cova
na estrada, geralmente causada pela água da chuva
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
ALGOSO
|
|
Egoísta,
pessoa que quer tudo para si
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
ALICATES
|
|
Os
dedos
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ALOA
|
|
Falatório
numa localidade, escândalo motivado por uma má acção
praticada
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ALOMBAR
|
|
Pôr
às costas
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
AMEZIAR
|
|
Denunciar
uma pessoa à autoridade por qualquer infracção que
tenha cometido
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
ANDAR
A ASSOMBRAR
|
|
Andar
a exercer influência sobre uma pessoa ou coisa
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
ANDAR
A CARREGAR PEDRAS
|
|
Diz-se
do rapaz que vai visitar a namorada
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ANDAR
COM AS VENTAS NO AR
|
|
Andar
- dum lado para o outro de cabeça n ar, conquistando
as raparigas
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ANDAR
GRUNDANDO
|
|
Animal
que anda entretido a procurar alimento, em liberdade
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
ANDAR
NA AMANSIA
|
|
Dizia-se
das crianças quando começavam a trabalhar à jorna,
em comparação com os bezerros ou outros animais
domésticos quando começavam a ajudar o homem nos
trabalhos campestres
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
ANDAR
ÔS TIRAPUXOS
|
|
Puxar
e empurrar violentamente alguém. Lutar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ANDEM
AQUI DE TIRA VIRÃ
|
|
Quando
uma pessoa provoca outra continuamente, aproveitando
todas as ocasiões para a ofender
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ANDI
PEGADA A PATROA
|
|
Andei
a lutar corpo a corpo
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
APANHAR
O PAU
|
|
Chegar
tarde ao trabalho
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
APANHAR
UMA CHARAMBUTADA
|
|
Apanhar
uma repreensão de forma violenta e rápida
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
APANHAR
UMA CHARUTADA
|
|
Apanhar
uma repreensão no trabalho dado pelo patrão ou pelo
encarregado
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
APANHAR
UMA PESSOA ONDE SÓ 4 OLHOS VEJAM
|
|
Diz-se
quando se ameaça de agressão uma pessoa quando se
encontra só
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
APORREAR
|
|
Provocar
com palavras ofensivas ou sarcásticas
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
APRACER
ASSIM
|
|
Aparecer
grávida
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
APRACER
EM CASA O GAJO DA BOTA
FINA OU APRACER O GASPAR
|
|
Acabar-se
a alimentação ou haver dificuldades em casa do pequeno
agricultor
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
APRACEREM
A UMA ILHA DE CORNOS
|
|
Geralmente
quando uma pessoa se zangava com outra mandava-a
«ap'racer a esta ilha». Era uma frase ofensiva
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
APRACEREM
COM OS SALÊROS EM BAIXO
|
|
Aparecerem
com os cornos partidos (cabeça partida) Salêros
- Espécie de caixas feitas em chifre de boi onde
os trabalhadores usavam o sal
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
APRELAITADA
|
|
Que
apresenta modos e vestuário de pessoa fina
(Cremos ser corruptela de «aperaltada»)
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
APUS
DELA
|
|
Ir
em sua perseguição
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ARARA
|
|
Pessoa
fraca
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ARMANHA
|
|
Grande
volume
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ARRAMADA
|
|
Casa
onde os bois dormem e se alimentam durante a noite
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
ARREPARTIR
A CEIA
|
|
Pôr
a comida na mesa
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ARROMBAR
|
|
Deslocar
os ossos ou os músculos por causa de um grande esforço
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ARROTI-LE
|
|
Respondeu
à letra, a alguém mostrando não ter medo. Ameaçar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ASTICIOSOS
|
|
Artistas.
Mas neste caso tinha a sentido contrário
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ASTÓIRO
DE FAMILA
|
|
Muita
gente junta a ouvir uma discussão, a ver uma zaragata,
um espectáculo (Cremos que este termo é corruptela
de auditório)
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ATABANITO
|
|
Espiga
de trigo pequena e enfezada, quase sem grão
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ATAR
|
|
Na
ceifa manual, o trigo é atado em molhos com atilhos
feitos com os caules do trigo ceifado
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ÁTÉ
TENHO RESCUNHO
|
|
Até
tenho nojo, aborrecimento
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ATÉI
É PENA ANDAR À SEMANA
|
|
Comentário
e crítica que se faz a uma pessoa com pretensões
a ser «gente fina» mas que tem que trabalhar nos
serviços rudes do campo
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ATIÇAR
|
|
Incitar
uma pessoa a fazer mal a outrem
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ATINGÉINO
|
|
Discussão
acalorada, escândalo
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ATRÁS
DAS ESTEVAS
|
|
No
campo, no monte
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
BACAISO
|
|
Tiro
de espingarda
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
BALDEADO
|
|
Individuo
«aéreo», sem orientação de vida
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
BALSA
|
|
Espécie
de alcofa de palma, com tampa e uma faixa para trazer
ao ombro
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
BARROSOS,
LAIMAS
|
|
Pés
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
BASTA
QUE SIM
|
|
Expressão
que significa que a pessoa desconhecia o que ouviu
dizer ou para mostrar atenção à pessoa que fala
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
BATATAS
BALHADAS
|
|
Batatas
sem qualquer outro alimento a acompanhar
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
BATER
AS COLHERES
|
|
Morrer
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
BATUCALHO
|
|
Ataque
epiléptico
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
BELO
TRABALHO PARA FAZER MACACO
|
|
Fazer
dor nas costas por se andar curvado muito tempo
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
BENZE-TE
|
|
Não
apanhas nada, não tens sorte nenhuma
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
BILHARDÊRA
|
|
Mulher
pouco asseada
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
BILHARÊTA
|
|
Malandrice,
má acção
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
BISCAINHA
|
|
Mulher
má, que gosta de ver as pessoas em desordem
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
BOI
CAPADO NÃO
SE DESCAPA
|
|
Não
se pode desfazer aquilo que foi feito
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
BORNICOS
|
|
Pequenos
galhos secos que caem dos sobreiros, com ao cortiça
por fora e a madeira apodrecida por dentro
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
BORRALHADA
|
|
Tiro
de espingarda caçadeira
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
BORRASÊRO
|
|
Chuva
miudinha
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
BORREFA
|
|
Pessoa
modesta, exageradamente vaidosa, que se julga importante
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
BRIGAR
|
|
Esforçar-se,
teimar até conseguir o que pretende
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
BUFÊRO
|
|
Cu
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
CACAISOS
|
|
Copos
de vinho na taberna
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
CAGÁ
SENTENÇAS
|
|
Só
a mandar os outros trabalhar, ou dar opiniões descabidas
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CAGANIFÃINÇA
|
|
Pequena
quantidade ou coisa sem importância
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CAGOU
CAROCHO
|
|
Nada,
nunca, de modo nenhum. Ex: A respeito de pagar o
que deve, cagou carocho
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
CAGUFE
|
|
Medo
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
CAIR
DA BURRA ABAXO
|
|
Compreender
de momento, uma situação que desconhecia
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
CALATRÓIA
|
|
Refeição
cozinhada à pressa, geralmente feita no campo
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CALHOU
A COTA COM A PERDIGOTA
|
|
Diz-se
quando se juntam duas coisas más ou com os mesmos
defeitos
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
CANORÇA
|
|
Termo
para exprimir uma mulher desajeitada no falar e
no vestir
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
CARA
DE ESCÁRNE
|
|
De
modo escarninho
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CARAS
ALTAS QUE ANDA A FORTUNA A RÉS 00 CHÃO
|
|
Expressão
que as pessoas usam para se avisarem umas às outras
quando alguém deita gases malcheirosos
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
CARCACHADA
|
|
Gargalhada
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
CARGUIO
|
|
Carga
grande
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
CARPINTINA
|
|
Barulho
que uma pessoa faz quando está zangada, ou se lamenta
por muito tempo em voz alta
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
CARRIÇOS
|
|
Sobreiros
pequenos que nascem debaixo dos outros maiores e
têm que ser desbastados
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
CARROLÊRA
|
|
Caminho
feito pelas rodas das carroças, através dos campos
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
CARROLÊRO
|
|
Copo
de vinho (na taberna)
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
CASA
NÃO PRECISA DE MOIRÕES (A)
|
|
Isto
dizem os pais das raparigas para afastar os rapazes
que se vão encostar às paredes da casa para as namorar
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
CASCOS
|
|
Pinhas
secas para queimar
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
CASÊRO
|
|
Porco
de engorda, do pequeno agricultor
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
CASMARROS
|
|
Pequenos
sobreiros que se arrancam quando é preciso desbastar
o montado
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CAVAR
MILHO
|
|
Sachar
milho
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
CELIMA
|
|
Cinema
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CHALDABALDA
|
|
Diz-se
quando se queima qualquer coisa em que o fogo faz
grandes labaredas mas de pouca duração
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
CHEGAR
A ALBARDA P'RA DIANTE A ALGUÉM
|
|
Agredir,
bater em alguém
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
CHEGAR
O VINAGRE AS VENTAS
|
|
Arreliar-se,
começar a zangar-se
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
CHEIA
DE NOVE HORAS À MEIA NÔTE
|
|
Diz-se
com ar de crítica quando uma pessoa se apresenta
com luxo exagerado
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CHÊRANDO
MANTUROS
|
|
Um
rapaz andar de casa em casa à procura de raparigas
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
CHUPÃO
|
|
Pequena
chaminé só para fazer lume e aspirar o fumo
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
CILHA
DE TERRA
|
|
Terreno
bastante comprido e estreito
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
COCA
ou COQUEIRA
|
|
Cozinheira
que no campo faz a comida para os trabalhadores
rurais
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
COCARIA
|
|
Lugar
onde os trabalhadores dum grupo, fazem o comer e
dormem, isto nos trabalhos do campo, conjuntamente
com os utensllios de cozinha e roupa
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
COM
A BUTANA APEGADA AO CHÃO
|
|
Sentada
com o rabo no chão sem se levantar, nem incomodar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
COMEÇOU
A COZER ABOBRA
|
|
Mudar
de atitude por medo das consequências, arrepender
de ter tomado uma decisão
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
COMO
QUEM PISOU UM SACO DE ALACRARAS (LACRAUS)
|
|
neste
«dito» pretende-se comparar as pessoas más com os
lacraus quando são provocados
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
COMO
QUEM PRANTOU PITROL NO LUME
|
|
Quer
dizer que uma pessoa se zangou rápida e violentamente
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CONDO
O RELÃO TUFA QUE FARÁ. O PÓ
|
|
Aqui
cita-se o rolão (farinha grosseira) e o pó (farinha
fina) para significar que se uma pessoa é vaidosa
sendo pobre, o que faria se fosse rica. Tufa cresce,
incha
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CONTARÊLOS
|
|
Alcovitices,
mentiras
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CORNO
(O)
|
|
O
saleiro. Os trabalhadores rurais usavam geralmente
o sal dentro dum chifre de boi cortado e ralhado
nas duas extremidades
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
CU
P'LOS TORRÕES (O)
|
|
Pessoa
baixa
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
CUDE
NAS SUAS OVELHAS QUE OS MÊS CARNÊROS ANDAM À SOLTA
|
|
Esta
expressão é dita pelas mães que têm filhos às que
têm filhas
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
DAR
ÀS HORAS
|
|
Fazer
cumprir o horário de trabalho num grupo de trabalhadores
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DAR
UM MALHÃO
|
|
Cair,
dar uma queda (Serra E. – deu um carvalhós…)
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
DAR
UMA REMALHA
|
|
Dar
uma tareia
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
DAR
UMA TUNA
|
|
Dar
uma tareia
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DAR
VIVAS À QUESTINA
|
|
Lamentar-se
uma pessoa ou protestar violentamente por qualquer
coisa que lhe desagradou
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
DE
RAMOTÃO
|
|
De
mau modo. Com brutalidade
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DEIXAR
FURAR A MANTA
|
|
Diz-se
quando o pastor deixa o gado fazer estragos nas
searas ou outras plantas
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
DEIXARAM
O CAPOTE EMPENHADO
|
|
Expressão
que significa que num rancho de pessoas a ceifar,
os atadores não conseguem ao mesmo tempo, atar em
molhos, todo o trigo que os companheiros ceifam
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DELADOIRO
|
|
Desordem,
desarrumação de objectos, casa desarrumada
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
DELANÊRO
|
|
Luta,
zaragata
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DERREMUNHO
|
|
Remoinho
de vento. Diz-se de uma pessoa que dá muitas voltas,
rapidamente, na dança, principalmente
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DESABAGACHADAS
|
|
Com
o fato desabotoado
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DESCOSER-SE
A MANTA
|
|
Descobrir-se
um segredo
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
DESEMBOGAR
|
|
Dar
a primeira lavagem à roupa ou à loiça para lhe tirar
a maior quantidade de sujidade
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
DESEMBOGAR
A LOIÇA
|
|
Dar-lhe
a primeira lavagem para uma vez com mais tempo lavar
convenientemente
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DESPADIR
|
|
Partir
a correr
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
DESSEM
QUE FAZER
|
|
Admitissem
no trabalho, empregassem
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DESTAQUES
|
|
Palavras
descabidas ou inconvenientes
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DÊTAR
OS BOFES PELA BOCA
|
|
Estar
muito cansada
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DÊTO-LE
OS CABOS
|
|
Agarrei-a
com as mãos
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
DEVE
SER MAIS OUTRA PELE
|
|
É
uma expressão que se diz quando se ouve uma pessoa
ameaçar outra e se pretende ridicularizar a pessoa
que ameaça, fazendo crer que vai matar a outra e
tirar-lhe a pele, para juntar a outras que já tem
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
DIABO
CAGOU PEDRAS (O)
|
|
Diz-se
dum lugar onde há muitas pedras ou outras coisas
prejudiciais
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
É
CAJADIÇO
|
|
Tendência
para Ex.: é cajadiço a adoecer
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
É
COMO A BICHA, TEM QUE PICAR TRÊS VEZES O DIA
|
|
Segundo
a crença popular nalgumas regiões, a bicha (víbora)
tem que picar seja no que for, três vezes por dia.
Comparava-se então com este animal, à pessoa má
ou «neurótica» que tem de ofender os outros mesmo
sem motivo justificado
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
É
COMO LAVAR A CABEÇA A UM BURRO E MANDÁ-LO P'RÓ ESPOJÊRO
|
|
Usa-se
esta expressão quando se aconselha uma pessoa para
o bem e ela procede ao contrário
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
É
POETA
|
|
É
esperto, desembaraçado, artista
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
EMBÊRADA
|
|
Bocado
de terra húmida onde se cultivam produtos de hortejo
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
EMPESTADA
|
|
Ofendida,
zangada
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
EMPINADELAS
|
|
Discussões
acaloradas
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
EMPINAR
AS AIVECAS
|
|
Morrer
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ENCABECIONAR
|
|
Manter
uma ideia fixa, apaixonar-se
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ENCHER
A MALVADA
|
|
Encher
a barriga
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
ENCHER
A MULA
|
|
Encher
a barriga
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
ENFUSTO
COM ELA
|
|
Invisto
com ela, empurrei-a violentamente
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ENGRENÇO
|
|
Criança
de tenra idade ou ainda por nascer
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ENREGAR
A PESCAR
|
|
Começar
a cabecear com sono
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ENSAMPADO
|
|
Muito
admirado
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ERA
FÊTA DE CHÊXOS BRANCOS
|
|
Calhaus
de quartzo
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ERA
UMA BOA FÔCE
|
|
Era
uma boa ceifeira
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ESBORNICOU-SE
|
|
Partiu-se,
estragou-se
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
ESCOPAITA
|
|
Pessoa
que quer as coisas muito perfeitas e geralmente
põe defeitos em tudo quanto os outros fazem
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
ESMANGRITAR-SE
|
|
Desfazer-se,
encangalhar-se
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ESPALAIADA
|
|
Mulher
que usa de modos e amabilidades exageradas. Afectada
na maneira de falar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ESPERNEGO-TE
|
|
Mato-te,
dou cabo de ti
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ESPOJÊRO
DUM BURRO
|
|
Pequena
courela
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ESTABERNEQUIAVA
|
|
Som
produzido pela mulher que lava a louça, arruma os
móveis, mexe em objectos..
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ESTAFOREIA
|
|
Lida
agitada, trabalho feito à pressa
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
ESTAR
DELAINHO
|
|
Diz-se
do tempo quando está muito chuvoso, ou duma pessoa
que está bem disposta e fala muito
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
ESTAR
NA MÓ DE BAIXO
|
|
Estar
numa posição inferior em relação a outra pessoa
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
ESTARRABAGIDA
|
|
Termo
onomatopaico. Significa o som produzido por
um carro que trava repentinamente, um animal que
escorrega com as ferraduras
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ESTENDER
A APÊRAJA
|
|
Cair.
Ficar estendido no chão
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ESTICÃO
|
|
Grande
caminhada
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
ESTRAFANÁIRA
|
|
Estouvada,
«aérea», pouco cuidadosa
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
ESTRELAIO
-
|
|
Coisa
mal apresentada por desmazelo, desarrumação
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
FALAR
A POLÍTICA
|
|
Falar
na linguagem das pessoas cultas
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
FALE
BEM QUE JÁ TEM DENTES
|
|
Era
uma forma suave de repreender uma pessoa pelas palavras
indecentes ou ofensivas que proferia
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FANGUÊROS
(120)
|
|
120
escudos
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FARRAJO
DE PÃO
|
|
Naco
de pão
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FARRAMACHOS
DE ANO SECO
|
|
Diz-se
quando uma pessoa se mostra muito zangada e faz
muito barulho, mas por fim tudo fica em nada. Grande aparato
que não corresponde à realidade. Coisa aparatosa
que se desfaz em nada.
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
FAZ
O TRABALHO POR CIMA DA BURRA
|
|
Faz
o trabalho imperfeito por desmazelo, falta de cuidado
ou má intenção
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FAZER
A ATADA ASSIM À CACHAMÔRRA
|
|
Fazer
propositadamente como vingança um serviço imperfeito
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FAZER
BORRÊGOS
|
|
Em
grande parte dos casos, os lavradores eram avarentos
para as suas mulheres, ao ponto de algumas terem
sérias dificuldades para comprarem quaisquer objectos
para uso doméstico ou mesmo roupa para si e para
os filhos. Então vendiam produtos da propriedade
(feijão, trigo, milho, etc.) às escondidas dos maridos,
a pessoas da sua confiança. Estes produtos eram
vendidos mais baratos que o preço corrente para
os compradores guardarem segredo. Era fazer um «borrego»
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FAZER
CARDENHOS
|
|
Roubar
géneros de pouco valor, pequeno roubo
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FAZER
FIO DE PORCA MAGRA
|
|
Andar
apressadamente em qualquer direcção sem atender
nem reparar no que fica ao lado
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
FAZER
GOVERNO
|
|
Casar
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
FAZER
QUERENA
|
|
Fazer
um gesto de quem quer praticar qualquer acção
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
FAZER
UMAS RUAS
|
|
Fazer
uns aceiros
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FAZEREM
UM CALCO
|
|
Fazerem
uma ideia. Avaliar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FERROLHO
|
|
Espingarda
velha
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
FÊTA
À FACA
|
|
Feita
à pressa e de forma imperfeita
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FÊTA
NUMA MIRRA
|
|
Múmia.
Cadáver que se disseca sem entrar em putrefacção,
ficando só a pele e os ossos
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FICAR
NO CARRINHO
|
|
Ser
ultrapassado, no trabalho da ceifa, pelos companheiros
mais desembaraçados
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
FROXÉIS
|
|
Roupa
interior de senhora
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
FURAR
A GAMELA
|
|
Comer
toda a comida que se apresentou para a refeição
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
FUSCATONA
|
|
Mulher
apresentável
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
GAIFONAS
|
|
Carinhos
fingidos, modos muito graciosos com o fim de conquistar
alguém
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
GAITINHAS
|
|
Centeio.
Chama-se assim porque os garotos fazem gaitas com
os caules deste cereal
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
GALGUÊRA
|
|
Tarimba,
cama improvisada
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
GALHAPANÇO
|
|
Gaiato,
rapazote
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
GANHANHA
|
|
Pessoa
desajeitada e preguiçosa
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
GANHAR
O CORNO DA MERDA
|
|
Dizia-se
quando um trabalhador prejudicava os companheiros
a favor do patrão para ganhar as «boas graças» dele
ou pequenos favores como recompensa
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
GARREAR
COM OS CÃJE DOS LAVARDORES
|
|
Como
uma desgraça nunca vem só, os cães odiavam e perseguiam
os mendigos, certamente pelos andrajos que traziam,
o alforge e os sacos com farrapos para improvisarem
uma cama onde pernoitavam. Se chegasse uma pessoa
bem vestida a casa do lavrador, os cães geralmente
não ladravam
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
GARROADA
|
|
Aguaceiro,
bátega
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
GARROCHADA
|
|
Aperto
de mão
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
GASGUÊRO
|
|
Chapéu
velho
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
GIMBRAR
(A)
|
|
A
trabalhar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
GOUCHA
|
|
Pequena
extensão de terreno coberta de mato
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
GOZEAR
|
|
O
grunhir aflitivo dos porcos quando os estão matando.
Neste caso significa sofrer
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
GRAMIÇO
|
|
Pescoço
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
HAVER
CHAPUZ COM COUVE
|
|
Haver
zaragatas, conflitos violentos
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
HORTA
-
|
|
Seara
de milho
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
HORTALIÇO
|
|
Meeiro
que cultiva uma seara de milho a meias com o dono
da terra, em que este semeia o milho e o outro parceiro
faz todos os trabalhos da cultura e da colheita
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
IA
DEZENDO UMA BRABURA
|
|
Ia
dizendo uma palavra indecente
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
IGREJA
|
|
Taberna,
venda
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
IR
A ESCOLA
|
|
Ir
ao mato buscar um feixe de lenha às costas
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
IR
A FALCA
|
|
Ir
à esmola
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
IR
A MATO
|
|
Ir
evacuar
|
MJdaSilva
|
C1
|
|
IR
ABAXAR-SE
|
|
Ir
evacuar
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
IR
DE ESGALHARÊTA
|
|
Ir
apressadamente aos trambolhões
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
IR
LEVAR AS ALCOFINHAS
|
|
Ir
contar a outras pessoas, tudo o que sabe a respeito
de terceiros, com o fim de os prejudicar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
IR
PARA A CAGAMANCHA
|
|
Ir
para a cadeia
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
IR
RABOLINDO
|
|
Sair
apressadamente dum lugar, donde se foi expulso
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ISSO
QUE ZUNA!
|
|
Incitar
alguém a trabalhar depressa
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ISTO
ATÉ ME DÁ FERNICOQUES
|
|
Expressão
que se usa quando qualquer coisa faz enervar uma
pessoa e esta não pode desabafar
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
JÁ
TAR PASSAGÊRO
|
|
Já
estar esquecido ou ter perturbações mentais devido
à idade
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
JA
VISTE O CU DA JUILA?
|
|
Esta
frase emprega-se em atenção à pessoa que concordou
com as nossas ideias
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
JAGÁS
|
|
Burro
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
JANEIRINHA
|
|
Cevada
que se semeia em Janeiro
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
JARDO
|
|
Terreno
onde foi queimado o mato existente
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
JOGO
DE LOBOS
|
|
Diz-se
quando a casa se encontra desarrumada, balbúrdia
de objectos
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
JOGO
DE MARJAS -
|
|
O
número de margens que cada ceifeiro ceifava duma
vez. As mulheres ceifavam 2 margens e os homens
3.
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
LÁ
ESTÃO ELES NO SURRADOIRO
|
|
Diz-se
dos namorados quando estão a falar muito juntos
um ao outro
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
LÁ
NOS SITOS ONDE A ZORRA CANTA
|
|
Nos
campos, nos montes
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
LABORDA
|
|
Desarranjo
e porcaria
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
LAMBANA
|
|
Comida
mal confeccionada e de sabor desagradável por falta
de substâncias nutritivas (temperos)
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
LANCE
COM A FÔCE
|
|
Cada
vez que se mete a foice à seara e se corta uma mão
cheia de caules de trigo
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
LANÊTA
|
|
Coelho
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
LASÊRO
|
|
Aberta
entre duas chuvadas
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
LAVOR
|
|
Melancial
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
LEVANTAR-SE
COM A ESTRELA COM QUE O BOI MÓSCA
|
|
É
com o Sol que aparecem as moscas que apoquentam
os bois
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
LEVAR
COM A TÁVUA NO CU
|
|
Dizia-se
quando um patrão despedia um trabalhador e cortava
relações com ele, de forma a nunca mais ser admitido
em qualquer trabalho nessa casa
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
LEVAR
UM CAMAÇO
|
|
Levar
uma tareia
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
LEVAS
UM ENXUGO
|
|
Levas
uma tareia
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
LEVAS
UM ENXUGO
|
|
Levas
uma tareia
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
LEVAS
UMA REMALHA
|
|
Levas
uma tareia
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
LINHO
(NINHO)
|
|
Cama
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
LOMBERÃO
|
|
Preguiçoso
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
LOMBÊRONA
|
|
Preguiçosa
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
LUGARÊRO
QUE NA PAGA LUGUEL, FORA COM ELE
|
|
Esta
expressão era usada pelas pessoas, querendo dizer
que as coisas inúteis (neste caso os «gases») deviam
ser expulsos como o inquilino que não paga renda
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
LUMES
FUGIDOS
|
|
Incêndios
no campo
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
MACHOCHINHO
|
|
Pequena
porção de qualquer coisa, coisa de pouco valor
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MANDAR
NA FAMILA
|
|
Orientar
e vigiar um grupo de trabalhadores. Serviço de manajeiro
ou capataz
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
MANGÔRRA
|
|
Preguiça,
falta de vontade para trabalhar
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MÃO
DE TERRA
|
|
Faixa
de terreno com cerca de 10 metros de largura,
entre dois regos. «Enregava-se» assim a terra quando
o trabalho da sementeira e adubação era manual
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MÃO
LAVA A OUTRA E AS DUAS LAVAM O ROSTO (UMA)
|
|
Quer
isto dizer que devemos retribuir às pessoas que
nos fazem favores
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
MARJA
|
|
Cordão
de cereal entre dois regos. Margem
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MASCAVLA
|
|
Defeito,
ferida, aleijão
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
MEDIR
UNS COPOS
|
|
Encher
copos de vinho ao balcão
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MÊS
DA FÊRA DA ABELA
|
|
Mês
de Outubro
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MÊS
DA FÊRA DE GARVÃO
|
|
Maio
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MÊS
DE ÊRAS
|
|
Julho.
Quando se faz o trabalho de debulha nas eiras
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MÊS
DE S. JOÃO
|
|
Junho
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MÊS
DO BANHO DO 29 OU DE S. ROMAO
|
|
Mês
de Agosto
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MÊS
DO NATAL
|
|
Dezembro
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MÊS
DOS SANTOS
|
|
Novembro
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MILHARADA
TA NA BARRIGA DUMA TRAVOADA (UMA)
|
|
Esta
expressão teve origem no facto de chover no Verão
quase só quando há trovoadas o que vai beneficiar
as searas de milho que se cultivam nesta época
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MILHO
SAI ARRABOLÃO (O)
|
|
Isto
passa-se nas eiras onde vários meeiros punham o
milho a secar. Alguns menos honestos faziam rebolar
as maçarocas das «pélas» dos outros para as suas
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MOÊRA
|
|
Mangual,
utensílio para malhar cereais
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
MULHER
POMBINHA
|
|
Mulher
que só vive para se enfeitar
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
MUNTO
CEGO ÉI QUE(n)iM N A VÊi POR UMA REDE DE OVELHAS
|
|
Frase
que se diz para manifestar o desagrado pela ingratidão
ou incompreensão duma pessoa
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
NÃ
QUERIA DAR CRÉTO
|
|
Ofereceu
resistência. Não se queria deixar dominar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
NÃ
QUERO AQUI PATEFARIAS
|
|
Nã
quero aqui palavras ofensivas ou atitudes provocadoras
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
NÃ
QUERO CÁ BACROS COM GUIZO
|
|
Não
quero situações duvidosas ou que as pessoas possam
censurar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
NÃ
TEM OS CINCO ALQUEIRES BEM MEDIDOS
|
|
Não
regula bem da cabeça
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
NÃO
CONHECER UMA LETRA DO TAMANHO DUM BURRO
|
|
Ser
analfabeto
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
NÃO
É CAPAZ DE DEITAR UMA ZORRA FORA DUM VALE
|
|
Pessoa
sem préstimo nem actividade
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
NÃO
HÁ MÉ NEM MEIO MÉ
|
|
Não
há nada a fazer
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
NÃO
QUERO CHOCOS
|
|
Não
quero namoros demorados
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
NÃO
SE DAR JUNTO DENTRO DUMA ALCOFA VELHA
|
|
Expressão
usada quando doem os músculos todos, motivado pelo
esforço do trabalho
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
NEGÓIÇQ
DA POÊRA
|
|
Era
a expressão usada pelos mendigos para designar a
esmola que apanhavam - geralmente uma tigelinha
de farinha de milho. Farinhas = pó, poeira
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
NEM
UMA BALA ME PASSAVA
|
|
Expressão
usada para significar que a pessoa está muito zangada
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
O
QUE NÃ VAI A ÊRA V AI À FÊRA
|
|
Que
dizer que o cereal que não se aproveitou na ceifa,
se não ia para a eira, era comido pelo gado que
se vendia na feira. Deste modo pouco se perdia
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ONDA
MARINHÊRA
|
|
Diz-se
quando num momento a pessoa per de a cabeça e pratica
uma acção violenta
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
PANDÊRÃO
|
|
Homem
corpulento mas sem actividede. Indolente
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
PANINHO
DE ARMAR
|
|
Rapaz
pobre e pouco trabalhador mas que gosta de andar
bem vestido. (Esta expressão vem dos panos vistosos
com que se armavam as barracas nas feiras, festas,
etc.)
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
PAPELOTE
|
|
Espectáculo.
Ridículo que provoca riso
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
PARA
NÃO ME ENCHER DE CABELOS NEM QUERO A BURRA
|
|
Diz-se
quando se prescinde de qualquer favor ou conveniência,
sabendo de antemão que isso nos trará aborrecimentos
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
PARDO
LAMBARDO
|
|
Ao
anoitecer, lusco-fusco
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
PASSAR
DA BONECA
|
|
Endoidecer
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
PASSAR
O MILHO À PÁ
|
|
Trabalho
nas eiras em que se lança o cereal ao ar para que
o vento leve as impurezas
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
PATACA
|
|
Espécie
de caixa de cabedal com tampa, própria para guardar
tabaco, que se usava no bolso
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
PATINHAS
DO MÊ GATO (AH!)-
|
|
Deitei
a correr
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
PEGA
TUDO
|
|
Começámos
a luta
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
PEL
D'IRÓ
|
|
Termo
depreciativo geralmente usado pelo marido, em relação
à companheira
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
PÊLA
|
|
Camada
de maçarocas de milho que se estende na eira para
secar
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
PELADIÇO
|
|
Extensão
de terreno limpo no meio do matagal
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
PELGAZONA
|
|
Termo
depreciativo que significa mulher que não merece
consideração. Mulher forte e desajeitada
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
PERDIZES
|
|
Papas
de milho
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
PÉS
DA MULHER (OS)
|
|
Assim
se chama aos animais (geralmente burros) em que
as donas de casa do campo ou as ciganas, se deslocam
nas suas viagens
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
PESPENÊGA
|
|
Velhaca,
mulher mal intencionada
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
P'LAS
CANDEIAS
|
|
Na
época da Senhora das Candeias que se festeja em
2 de Fevereiro
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
PÔR
A ARREATA EM CIMA
|
|
Expressão
usada quando uma pessoa pretende educar outra, ou
tenta chamá-la ao bom caminho e depois de ver que
não consegue o que pretende, a abandona deixando-a
fazer tolices à vontade
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
POR
AQUELES CHARALDOS AFORA
|
|
Por
matos e charnecas, nos descampados
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
PÔR
O CACIFRE A TRABALHAR
|
|
Pôr
a frigideira ao lume para fazer um petisco
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
PÔR
O PENÊRO NOS OLHOS DE ALGUÉM
|
|
Enganar
alguém por grande espaço de tempo sem que este se
aperceba que está a ser enganado
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
PÔR
PITAFE
|
|
Pôr
defeito
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
PÔR-SE
EM SÊ PÉ E
EM SÊ TRAPO
|
|
Resolver-se
a abalar ou a fazer qualquer coisa depois
de hesitações e dificuldades
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
PÔS-LHE
AS PERAS A OITO
|
|
Repreender
asperamente e mandar embora uma pessoa que nos quer
prejudicar
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
PRESUNTOS
|
|
Pés
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
QUARTA
(medida)
|
|
Infusa,
vasilha de barro para a água
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
QUE
Só COM UM CORNO
|
|
Diz-se
quando a terra está muito dura em que se torna muito
difícil o trabalho agrícola
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
QUEM
ACOSTUMA BURROS A ASSOVALHOS, TEM DOBRADOS OS TRABALHOS
|
|
Isto
quer dizer que quando se trata demasiadamente bem
as pessoas ou animais, estes tornam-se mais exigentes
e de difícil convivência, ou seja mais impertinentes
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
QUEM
MUNTO SE ABAXA O CU L'APARECE
|
|
Quando
alguém se mostra muito tolerante, geralmente é prejudicado
e ofendido pelas pessoas más
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
QUEM
NÃ TEM PANELA NÃ PRESTA
|
|
Quem
não tem «panela» (aqui significa vaidade e brio)
não presta por ser uma pessoa desmazelada
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
QUÊMOU-SE
LOGO
|
|
Deu-se
sinal de ter sido atingida
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
RABACÊRO
|
|
Namoradeiro,
perseguidor de mulheres
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
RAIVENTA
|
|
Pessoa
feia e sem qualquer simpatia
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
REPUXOU
|
|
Deu,
fez sair com força
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
RESMORDER
|
|
Criticar,
repreender, resmungar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
RETALHÊRA
|
|
Lebre
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
REZÃO
|
|
Palavra,
expressão
|
|
|
|
RUA
É DOS CÃES (A)
|
|
A
rua é livre. Ninguém pode mandar alguém embora quando
está na rua
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
SABUGO
|
|
Maçaroca
de milho, pequena, que não se criou devidamente
por falta de condições para se desenvolver
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
SAINONA
|
|
Pessoa
imbecil e pouco activa
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
SAIR
FORA 00 CORTE DE TRABALHO
|
|
Sair
fora do local onde trabalha para fazer qualquer
necessidade
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
SALTA
P'RA TERRÊRO
|
|
Expressão
que se usa quando se desafia alguém para medir forças
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
SALVAR
A JORNA
|
|
Trabalhar
no campo por conta própria e ganhar tanto como se
trabalhasse à jorna
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
SAMEAR
BUANO (GUANO)
|
|
Adubar
as terras espalhando adubo com a mão
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
SAPELGA,..
SAPELGA... A SALAMANQUEAR
|
|
Diz-se
quando um coxo ou uma pessoa trôpega vai andando
depressa
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
SARMOCINA
|
|
Repreensão
ou discussão monótona e continua
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
SEM
CAJÃO
|
|
Sem
haver prejuízo, sem nada de mal
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
SER
O ESFREGÃO
|
|
Ser
uma pessoa que sofre debaixo do domínio de outra
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
SEREMONIANOO
Cerimomiando
|
|
Cantarolando
em voz baixa
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
SERENA
|
|
Gás
mal cheiroso que sai sem ruído pelo ânus
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
SINGELÊIRO
|
|
Homem
que tem como meio de vida uma carroça puxada por
uma parelha ou junta de bois
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
SÓ
O MESTÉIRO QUE TEM
|
|
Só
o valor que tem
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
SOL
COELHÊRO NÃ ENGANA CABRÊRO
|
|
Diz-se
quando em épocas de chuva o sol aparece descoberto
e muito brilhante de manhã
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
SORTE
DE CÃO CAPADO, ATÉ AS CADELAS LE MORDEM
|
|
Expressão
usada quando as coisas correm mal a uma pessoa
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
SOVADA
AVEIA
|
|
Aveia
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
SOVADA
BRANCA
|
|
Cevada
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
SURRADOIRO
|
|
Namoro
«muito chegado»
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
TÁ
QUÊTA BIA!
|
|
Nem
pensar nisso!
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
TAMÊRA
|
|
Espécie
de cabana improvisada com ramos para os caçadores
se esconderem quando esperam caça
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
TAPAR
O VELHO
|
|
Ir
a favor, defender
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
TAS
AÍ FÊTA CADELA
|
|
Estás
a ofender ou tratar mal alguém
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
TASGANA
|
|
Foice
de ceifar
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
TEMPO
REMOLGOU (O)
|
|
Diz-se
quando depois de um período de bom tempo, aparecem
sinais de chuva
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
TENHO
A BARRIGA APEGADA AS COSTAS
|
|
Frase
usada pela pessoa que está cheia de fome e sente
a desagradável sensação de vazio no estômago
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
TENHO
VISTO MUNTOS OLHOS PRETOS, AGORA ASSIM CARA E TUDO
NA É FÁCEL
|
|
Comentário
que se faz quando se observa qualquer acção menos
correcta que choca as pessoas
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
TER
A BURRA NAS COUVES
|
|
Isto
diz-se a qualquer pessoa quando as coisas não correm
bem
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
TER
LETRAS
|
|
Ter
estudos, saber ler
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
TER
O RABO ENTALADO
|
|
Ter
cometido qualquer acção que não lhe interessava
que fosse divulgada
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
TERRA
CRÊRA
|
|
Terra
com xisto e saibro, argila
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
TESTUGÓES
|
|
Apertões,
pressão feita com os punhos
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
TIÇQS
|
|
Bocados
de lenha meio queimada (Tição)
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
TODA
ARREGOUGADA
|
|
Espevitada,
com ares de pessoa importante
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
TODO
DE CODILHO
|
|
Todo
duma só vez sem descansar
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
TODO
ENTRANQUILHADO
|
|
Todo
trôpego, caminhar com dificuldade e passo incerto,
motivado pelas dores e velhice
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
TODO
PARTIDO
|
|
Moído
de trabalho
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
TOMOS
NAS CANDEIAS
|
|
Estamos
a 2 de Fevereiro (dia da Senhora das Candeias)
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
TOU
A SERVIR DE ESPARRAGIL
|
|
Estou
a servir de objecto de vexames, de escárnio, de
«gozo»
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
TOUQUEMÔCHO
|
|
Pessoa
taciturna e atrasada
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
TUDO
NUM FRAGUME
|
|
Muita
gente a trabalhar apressadamente, cada um no seu
trabalho
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
ULA-ULA
|
|
Diz-se
quando o trabalho é feito à pressa e sem cuidado
na sua perfeição.
|
MJdaSilva
|
C6
|
|
UMA
ZORRA TEM SETE MANHAS E ELA TEM MANHAS DE SETE ZORRAS
|
|
Ditado
que se emprega quando se pretende denunciar as más
qualidades de uma mulher
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
VAI
ABAXAR-TE
|
|
Vai
fazer as necessidades, evacuar
|
MJdaSilva
|
C4
|
|
VERGONHA
NELE É COMO MANTÊGA EM FOCINHO DE CÃO
|
|
Não
tem vergonha nenhuma
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
VIR
COM A LUA BRABA
|
|
Vir
de mau humor ou com a «neura». Pessoa que se apresenta
conflituosa em certos dias
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
VIR
P'LO BURRO, VOLTAR P'LA ALBARDA
|
|
Ir
a um lugar em vão, sem realizar o que pretendia
|
MJdaSilva
|
C5
|
|
VOLTA
AS TRUQUESES
|
|
Morde
com as mandíbulas, defende-se
|
MJdaSilva
|
C7
|
|
VOLTAR
ALGUÉM DO AVESSO
|
|
Dominar
alguém pela força física sem que o outro possa replicar
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
VOLTAR
UM ANIMAL
|
|
Enxotá-lo
de qualquer cultura onde esteja a fazer dano
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ZAMBURINO
|
|
Bordão,
cacete
|
MJdaSilva
|
C3
|
|
ZÉ
ANTÓINO AGARROU-SE A RODA DO CARRO
|
|
O
carro ficou atascado ou caiu numa cova donde é difícil
tirá-lo
|
MJdaSilva
|
C2
|
|
13
|
BARRANQUENHAS
/ BARRANQUENHADAS
(frase
barranquenha)
Um
conto Barranquenho – Belhita
|
|
14
Algumas
ligações para ver e ouvir textos,
vídeos, gravações…
|
|