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Palavras do COMANDANTE
o Ex.mo Senhor Coronel
Henrique Viegas da Silva
Estas
breves palavras são dedicadas aos militares da CART
2326, que serviram em Moçambique de 1968 a 1970. Já lá vão mais
de trinta anos…
Pediram-me para escrever umas palavras de abertura na página da Unidade. É com
muito gosto que o faço e tanta coisa haveria para dizer: dos bons e dos maus
momentos (certamente mais maus que bons), dos sucessos e insucessos (felizmente
mais sucessos que insucessos), ou das ocasiões de felicidade e tristeza, de
solidão e de animação que encheram os nossos dias nesses dois anos de
afastamento!
Como não quero repetir dissertações ou discursos de ocasião, vou apenas resumir
o que neste momento – a trinta anos de distância – guardo na alma.
É na adversidade que se forjam as pessoas e duma forma ou de outra, a nossa
comissão em Moçambique a todos terá marcado, sobretudo porque foi numa altura
da vida em que a juventude e a generosidade estão abertas a absorver tudo o que
nos acontece.
Éramos oriundos de todo o Portugal, do Minho ao Algarve, de Trás os Montes aos
Açores e à Madeira. Partimos como conhecidos e apenas de fresca data. Regressámos
como amigos, com uma amizade que ultrapassa as distâncias, sejam elas geográficas,
sociais ou políticas.
Daí o verdadeiro valor que acrescentámos ao nosso ego:
para além da satisfação do dever cumprido, o valor de uma camaradagem cujos
laços se transformaram em verdadeira amizade.
Rico é o homem capaz de afirmar que tem amigos. Não será riqueza material, mas é
sem dúvida uma riqueza que nos conforta e anima. E nisto incluo não só
os militares mas também os civis que nos acolheram ou nos acompanharam a dado
passo da nossa estadia, como é o caso do Administrador João Dantas Martins, a
quem muito devemos e a quem quero aqui deixar uma palavra amiga de
reconhecimento em nome da companhia e muito em especial em meu nome pessoal.
Poderíamos ter-nos afastado e ter seguido cada um o seu caminho. Não o fizemos
e hoje somos mais do que amigos, somos uma família!
Muitos farão por esquecer. Nós gostamos de nos lembrar e com isso temos renovado
todos os anos a nossa memória num almoço de confraternização ao qual chegam a
vir os que entretanto emigraram e não residem sequer em Portugal. Então
recordamos todos juntos tanta coisa, inclusive os que entretanto, infelizmente,
já faleceram e não podem comparecer à chamada, mas que
continuam presentes nos momentos vivos da nossa memória.
Que saibamos continuar a ser verdadeiros e leais e a cultivar os princípios que
nortearam a nossa Unidade como exemplo para os nossos descendentes, e poderemos
afirmar que não foram dois anos perdidos, mas apenas dois anos difíceis, que não
devemos nem queremos esquecer.
Bem hajam a todos e um forte abraço do vosso Comandante,
Henrique
Viegas da Silva
Março de 2003
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Convívio dos 25 anos do Regresso,
em 1995, Vila Nova de Gaia - com os familiares

Convívio dos 25 anos do Regresso,
em 1995, Vila Nova de Gaia
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