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MOÇAMBIQUE 1968.01 - 1970.03
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| Transcrição do artigo de finais de 1967, onde o Vilano, com os seus conhecimentos do Curso de Sociologia, nos prevenia sobre o que poderíamos ir encontrar... | Foi assim que saiu no 1º Jornal do BATALHÃO - OS LOBOS N.º1 30JAN68 |
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ALGO DA NOSSA MISTERIOSA ÁFRICA Quem não sente curiosidade pelo desconhecido? Pois essa nossa. curiosidade, leva-nos a querer saber sempre um pouco mais do que aquilo que em nós já existe. É essa ânsia de saber que nos impele à descoberta e tantas vezes à glória, de que os portugueses se podem orgulhar. No entanto, muitas vezes, para que se conquiste essa glória, quantas lágrimas se não verteram e vertem constantemente! Por outro lado essas lágrimas que se derramaram de tristeza, transformaram-se depois em lágrimas de alegria graças à certeza de que se honrou a Pátria, e se elevou mais alto o nome deste nosso querido Portugal. A fama dos portugueses espalhou-se por todo o mundo e chegou também à África, essa Afica cheia de mistérios e perigos. A oriente do continente Africano situa-se Moçambique, airoso torrão de 'Portugal. No interior desse:, pedaço de África; vivem indivíduos ainda um pouco atrasados, mas que, graças ao convívio da população europeia, vão evoluindo, vão-se instruindo e civilizando progressivamente. Mas como grande obstáculo a esse progresso, surge um forte complexo de inferioridade que deles se apossa, devido ao seu contacto com uma civilização mais avançada e que perdurará ao longo de bastantes anos. As sua crenças, os seus costumes e sobretudo a enorme dificuldade em se adaptarem a situações novas, são obstáculos difíceis a transpor, são barreiras decisivas para retardar o avanço da civilização. Se continuarmos a mentalizar o indígena do interior que e necessário algo mais, do que alimentar-se para viver, ganharemos meia vitória. Vejamos alguns dos mais arreigados costumes dos indígenas moçambicanos, seu modo de vida, religião, etc. Em geral vivem em palhotas, construídas de cana e capim seco. Um conjunto de palhotas formam uma aldeia e um conjunto de aldeias, uma tribo. O chefe da tribo é o régulo que, além das funções administrativas, tem poderes para resolver problemas de ordem interna, tal como os desentendimentos entre os vários elementos, etc. Alimentam-se de arroz, farinha de milho, mapira e peixe seco. O homem prefere ser empregado nos trabalhos domésticos, enquanto o trabalho do campo é quase exclusivamente executado pela mulher. Esta realiza todos os trabalhos, desde o mais ligeiro ao mais pesado, com o. filho às costas; preso a ela por um pano, atado em torno da cintura. Aí, o pequenito dorme, indiferente ao cansaço da mãe, nem o movimento mais brusco o faz acordar. O descasque da mapira faz parte do trabalho diário e pertence a mulher. Uma certa porção de mapira é colocada num recipiente feito de tronco de árvore e calcada sucessivas vezes até se obter um descasque perfeito. Separados os grãos, procede-se à moagem utilizando duas pedras de superfícies planas. Um homem pode viver na mesma palhota, em perfeita harmonia, casado com duas ou mais mulheres, sem que isso seja sinónimo de bigamia; é antes símbolo de poder e riqueza pois significa mais trabalho no campo, mais produtividade em milho e mapira. No que respeita ao aspecto do vestuário, também o indígena está um pouco em atraso. O homem, vulgarmente, não vai além de umas calças um pouco em desleixo e uma camisa de cor indefinida e também em desordem. A mulher, na generalidade, nua da cinta para cima. Um pano em torno da cintura, caindo até aos joelhos, serve de saia. A sua preferência, vai para as cores berrantes: vermelho e azul vivos. São poucas as manifestações artísticas. Limitam-se a trabalhar em pau preto, pau rosa e marfim. Para alguns é um meio de vida e não porque sintam a necessidade espiritual de criar, pois não há preocupações de maior, desde que a mapira diária esteja garantida. Religião não têm em geral, salvo aqueles poucos que conhecem o catolicismo. Há tribos que têm feiticeiros mas estes não são o símbolo do poder, antes seres indesejáveis, portadores do mal. Acreditam que ales podem entrar dentro de uma palhota sem abrir as portas ou janelas e fazer mal a quem quer que lá se encontre. Feiticeiro é como o diabo. Os casamentos entre os elementos da tribo são motivos para festas: mata-se cabrito, galinhas e corre o vinho em abundância. O noivo precisa comprar a noiva, pagando a importância de cerca de 1.000$00 ao pai desta. Paro rematar a festa, executa-se um batuque em honra dos noivos, dança-se, canta-se e acaba-se extenuado, deitado na poeira. O batuque é uma dança executada pelos indígenas ao som de uma música que os faz viver momentos de alegria intensa, mas que não é mais do que um bater constante e monótono. São motivos de batuque os casamentos, a doença e a morte. No batuque morte de um parente reina também o entusiasmo e a alegria, tudo isto faz parte da dança. Fazem batuque por doença, quando o doente “está com o diabo”. O doente é deitado no chão, coberto com um lençol e à sua volta dança-se durante u noite. É assim que se processa ainda a vida indígena no interior da misteriosa África Portuguesa. D. A. C. M. VILANO |
Os desenhos são do Soldado Monteiro da CCS, que apoiava a Secretaria do Batalhão |
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