BART 2838CART 2326
MOÇAMBIQUE 1968.01 - 1970.03

O JORNAL «O 26» da CART 2326

(Pode voltar ao início de «O 26»

(Os que tiverem CASOS para CONTAR devem contactar o mais rapidamente possível
para que apareça TUDO o que tenha verdadeiro interesse.)

De VIANA do Castelo a

MANIAMBA / BANDECE / CANXIXE / TAMBARA / SONE

e volta…

Episódios da CART2326, contados por Domingos Estanislau.

INTRODUÇÃO

Incumbiram-me de escrever algo acerca da nossa passagem por Moçambique. Não é uma tarefa fácil, sobretudo, por razões que se prendem com uma certa nostalgia que em cada um de nós existe quando falamos de um acontecimento de há 35/36 anos. Para mim, ter que recuar no tempo e concentrar-me em acontecimentos vividos naquela altura constitui efectivamente uma situação de grande sufoco emocional. Recordar escrevendo não é a mesma coisa que se essa recordação fosse vivida em grupo, ou seja, cada um de nós contasse as suas histórias, mesmo dramáticas que fossem, mas não se interioriza tanto como sucede neste momento comigo, que falo para o computador e este recebe tudo o que digo, sem retorquir ou contestar, é por assim dizer um diálogo surdo/mudo, doloroso, obviamente, porque não consigo abstrair-me das realidades vividas, algumas amargas e poucas de grande exaltação ou satisfação.

Á medida que vou carregando nas teclas o meu pensamento está a esvoaçar para outros acontecimentos e naturalmente assaltam-me à ideia “milhentas” coisas que naquele território todos nós vivemos. Vêm-me ao pensamento nomes, acontecimentos, figuras e tudo isto se mistura com outras ideias, como sejam por exemplo, o que estarão os meus camaradas de armas que comigo estiveram naquele território neste momento a fazer? Como vivem? Serão felizes nas suas vidas privadas e familiares? Depois também me interrogo, mas porquê estes pensamentos se eu só conheci aqueles indivíduos na tropa? Não se trata de egoísmo, cinismo ou mistificação e encontro a resposta também de seguida, porque na minha cabeça fervilham ideias, interrogações e também muitas convicções, como sejam o facto de haver justificação em todos nós para que haja – e penso que este sentimento é apanágio de todos nós – fraternidade entre todos. Conviver durante cerca de três anos, por vezes de forma dramática, trouxe a todos nós um espírito de convivência familiar que apertou de forma muito singular os laços de amizade, que hoje e a esta distância já longínqua ainda existe. Não é fácil esquecer aqueles que connosco conviveram e que já partiram, mesmo depois de terem regressado ao burgo; os outros os que ficaram por lá também continuam no pensamento de todos nós que tivemos a felicidade de regressar ao seio das nossas famílias. Mas a vida é assim mesmo e com estes traumas e dramas vamos todos ter que viver até ao fim das nossas vidas. O importante é que nunca, os que cá continuam, esqueçam aqueles que fizeram parte da nossa comunidade, daquela que foi a nossa família durante largos meses. Houve sentimento, houve preocupação, houve fraternidade. Todos nós vivíamos momentos de grande tensão quando um pelotão regressava do mato e corríamos para a “parada” para saber notícias acerca do que tinha acontecido e ficávamos felizes quando nada de especial tinha sucedido, isto é, quando todos os nossos familiares (esta é a expressão ideal) continuavam a fazer parte daqueles 166 membros (salvo erro ou omissão era este o número daquela comunidade da CART 2326). Não é preciso ter uma sensibilidade muito apurada para perceber isto, basta que se perceba que estávamos numa guerra, que qualquer coisa de dramático em qualquer altura ou momento podia acontecer. Éramos todos jovens, tínhamos uma vida pela frente para ser vivida. Alguns percebiam que não tínhamos nada a ver com aquilo para que nos “empurraram”, outros, tinham um sentimento pátrio mais exacerbado por uma questão cultural, por uma questão de obscurantismo, mas era exactamente neste caldear de sentimentos ou de pensamentos que residia a nossa grande unidade em torno de uma questão central que era o regresso à Pátria com vida e com saúde. Esse era efectivamente o maior desejo, o grande desígnio de todos nós.

 

VIANA DO CASTELO

Viana do Castelo foi o encontro de todos nós. Juntámo-nos naquela bela cidade nos primeiros dias de Novembro de 1967. Refiro-me a Viana do Castelo com carinho porque tinha tido uma experiência pouco agradável em Leiria onde os militares eram hostilizados. Senti isso na pele. Viana do Castelo tinha outro encanto, pessoas mais próximas de nós. Era habitual contactarem-nos na rua perguntando se necessitávamos de alguma coisa, nomeadamente, no tratamento da roupa.

Todavia, dois factos marcaram de forma negativa a nossa passagem por Viana de Castelo:

O DESASTRE EM CIMA DA PONTE

E O CASO DO ALIPIO COM O HOMEM DA MARISQUEIRA.

Assim:

Depois de termos gozado 10 dias de férias de acordo com as normas para nos despedirmos da família, regressamos a Viana do Castelo e o Soares não se apresentou. Surge uma informação na Companhia de que o Soares se encontrava em Darque e essa informação pela boca do 2º Comandante do Batalhão – o Major Leal – é transmitida na Secretaria da Companhia, já noite dentro, ao nosso Capitão Viegas e ao 1º Sargento Cabaço. Na falta de transporte militar para deslocação a Darque, o 1º Sargento Cabaço ofereceu-se para se deslocar àquela povoação, na sua viatura, e eis que rapidamente se organiza ali uma “escolta” composta, portanto, pelo 1º Cabaço, 2º Sargento Silveirinha, o Furriel Nunes e eu próprio. Dirigimo-nos rumo a Darque de imediato. A ponte de Viana do Castelo, faz, como todos sabem, um ângulo recto,, quase à entrada da mesma, da parte de Viana. Obviamente, que isto constitui uma autêntica ratoeira para quem está pouco habituado a circular por aquelas zonas e por isso em determinada altura, o 2º sargento Silveirinha grita “MEU PRIMEIRO A VEDAÇÃO!...” o 1º Cabaço num gesto de destreza consegue evitar o embate no gradeamento e para evitar o 2ºgradeamento virou rapidamente em sentido contrário tendo as rodas traseiras do Triumfh (carro do 1º sargento) embatido no passeio, ficando o mesmo inclinado a meio do passeio e foi pelo pára-brisas que todos saímos. Recebemos tratamento no Hospital de Viana do Castelo. Claro que um acidente destes, naquela época, com militares de partida para o Ultramar, gerou um grande movimento de solidariedade e as forças vivas da cidade marcaram presença nessa noite no Hospital. Devo dizer que de todos os ocupantes do carro o que sofreu menos fui eu e portanto assisti a uma situação algo caricata. Estava completamente consciente, aliás, era o único dos ocupantes do veículo nessa situação e, portanto, a minha capacidade de observação, acerca de tudo o que se passava naquele estabelecimento hospitalar, era total. Daí o facto e compreendendo naturalmente o estado de espírito emocional dos outros, digamos assim, mas com a máxima sinceridade e sem pôr em causa o quer que seja, houve efectivamente comportamentos anedóticos, perdoem-me a expressão. A caracterização das situações é extremamente difícil transportar para o papel mas de facto não consegui abstrair-me delas e de tal forma foram significativas que ainda me lembro perfeitamente de tudo o que sucedeu, por isso sem qualquer intenção jocosa relato aqui os acontecimentos sem qualquer espírito crítico, apenas e só tem por objectivo demonstrar o que se passou e do que somos capazes de fazer quando o nosso estado psíquico não é o melhor, neste caso, devido ao acidente que provocou em todos nós uma alteração de comportamentos. A atitude do Nunes que havia estreado um fato, ao mesmo tempo que gritava com dores nos ferimentos, preocupava-se também com o estado do seu fato. O 1º Cabaço que havia ficado no local do acidente com o fito de “apanhar” o Soares acabou por conseguir a sua recuperação uma vez que este foi atraído aquele local exactamente por força do sucedido, levando assim por diante os seus intentos. Dando por fim a sua missão, o 1º Cabaço dirigiu-se de seguida para o Hospital, onde ainda nos encontrávamos os três a receber tratamento e é quando o 1º Cabaço entra todo altivo, naquele estabelecimento, que o sargento Silveirinha, num gesto rápido, fixa um dos braços nos peitos de uma das médicas e num gesto todo ele militar, pergunta: MEU PRIMEIRO ESTÁ TUDO BEM? Claro que, estando eu perfeitamente consciente, achei aquela cena um tanto ou quanto caricata e não me contive disfarçando o riso que se apoderou de mim, dirigindo-me para um espelho, de costas para os presentes mexendo no queixo fazendo menção de que procurava disfarçar a dor.

 

O HOMEM DA MARISQUEIRA marcou-me pela negativa. O soldado Alípio apresentou-se em VIANA DO CASTELO, levando consigo uma nota de 1.000$00 (mil escudos). Era muito dinheiro para a época. O Alípio com o seu ar simples e digamos um pouco fora da realidade, foi fazendo umas “flores” com aquele dinheiro. Nas suas extravagâncias nos pratos que mandava fazer para as suas refeições pretendia demonstrar que era um homem com algumas possibilidades económicas e por isso manjava à rica e à francesa e fazia jus às suas fantasias pagando algumas despesas a outros elementos. Era uma forma de demonstrar riqueza. Como o dinheiro não faz criação é claro que os tais mil escudos desapareceram. Contudo, enquanto houve dinheiro não se fez rogado para os seus apetites de ocasião e ao mesmo tempo que ia gastando também ia dizendo que quando fosse à Terra trazia mais dinheiro. Claro que o homem da Marisqueira (não me recordo o nome) foi fiando ao Alípio tudo o que ele queria e consequentemente a divida foi aumentando. O Alípio era e naturalmente ainda é, bom homem, mas de facto, incrédulo, ingénuo e acima de tudo um aldeão. Deixou-se “embebedar” pela cortesia do homem da Marisqueira, que se aproveitou, da sua condição para o explorar, pensando que ele era um homem ou pelo menos a família, pessoas endinheiradas. Quando o Alípio regressou dos tais 10 dias para nos despedirmos da família, é claro que o Alípio não tinha trazido dinheiro para pagar a dívida entretanto contraída na Marisqueira. Em face desta situação, o tal indivíduo da Marisqueira, um ou dois dias antes da nossa saída de Viana de Castelo, dirigiu-se à Companhia, à noite, e foi falar com o Capitão Viegas. E aqui vivi uma cena impensável, ou seja, nunca pela minha cabeça tinha passado a ideia que um indivíduo que todos os dias se dirigia para a igreja de missal debaixo do braço, seria capaz de pronunciar um desejo tão horrendo como: - “só desejo que tenhas a morte mais horrenda do mundo. Que não se aproveite um pouco de ti.” Isto depois do Capitão Viegas ter chamado o Alípio à sua presença e este ter confirmado que de facto tinha contraído aquela divida, dando assim instruções ao 1º Sargento Cabaço para pagar a dívida e descontar no pré em Moçambique. Com toda a firmeza e indignação o Capitão Viegas reagiu energicamente e ao agarrar num braço do homem da Marisqueira expulsou-o da sala em que nos encontrávamos dizendo-lhe que se não lhe tivesse entregue o dinheiro que já não recebia. Foi efectivamente uma cena lamentável e indigna da parte do senhor da Marisqueira, que com rancor vomitou ódio e pôs em evidência a sua formação moral.

O dia 30 de Janeiro, foi o último dia de Viana do Castelo.

Não esqueço este dia. Desfilámos pelas ruas em direcção ao comboio que nos trouxe para Lisboa para embarcarmos no Vera Cruz. Não sei se toda a população saiu à Rua para nos saudar, sei isso sim, que a multidão era imensa por todo o trajecto que tivemos que percorrer, foi efectivamente uma noite de emoções fortes e calorosas. O calor humano foi extraordinário. Só os heróis são assim saudades e é natural que em muitos de nós houvesse um sentido enorme de patriotismo, de grande honra em ir servir a Pátria numa missão que se adivinhava complicada e difícil.

No dia 31 de Janeiro, chegámos a Lisboa. Parámos nalgumas estações, onde éramos saudados efusivamente por familiares que esperavam na gare dessas estações. Cada vez que o comboio parava era o delírio.

Depois no desfile na Rocha Conde de Óbidos, mais manifestações de despedida. Eram os gritos, os choros, os desmaios, tudo isso, emocionante. Mas todos nós, que me lembre, mantínhamos uma calma extraordinária, não dando o flanco para que os familiares não sofressem com a despedida. E foi assim que entre grandes emoções lá fomos embarcando, acomodando-nos, no VERA CRUZ, cada um procurando o melhor sítio para vislumbrar os familiares, muitos deles empunhando cartazes com os nossos nomes. E à medida que o VERA CRUZ se afastava e deixávamos de ver terra, lá nos íamos habituando à ideia que só daqui a uns dias pisaríamos novamente terra.

Poderei dizer, pelo menos senti isso, que nos habituámos àquela nova “casa” e lá fomos encontrando motivos de distracção, jogando às cartas, conversando ou, no convés do barco, admirando a magnifica paisagem que o Oceano nos proporcionava.

A descontracção que entretanto de todos nós já se tinha apoderado é quebrada com a notícia de que o Guedes (o condutor) estava com um problema de saúde e a ser observado pelos médicos.

O Guedes sofria de asma e tinha bebido uns “copos”, concretamente bagaço, que tinha trazido da sua terra. Isto provocou-lhe problemas de respiração e esteve na iminência de ser operado em plena viagem. Tudo se resolveu a bem e não foi necessário a intervenção cirúrgica. Mal sabíamos todos nós que o Guedes viria a falecer já em Maniamba, não por esta razão.

 

CHEGADA A LUANDA 

No dia 7 de Fevereiro (salvo erro) chegámos a Luanda. Foi o primeiro contacto com África. No Porto de Luanda senti o primeiro impacto com a guerra, ou melhor, deparámos, como era natural, com grupos de nativos que por ali andavam e senti no olhar deles hostilidade. Para mim tornava-se compreensível a atitude daqueles homens: nós éramos o inimigo, que ali estava, e portanto não podiam ter para connosco uma atitude de amizade ou de boas vindas.

O desejo de conhecer Luanda levou-nos a passear pelas bonitas artérias de que esta bela cidade dispunha. Foi uma primeira adaptação a terras africanas. Fomos conhecendo algumas sensibilidades. Fomos percebendo o clima que iríamos encontrar em Moçambique, pensávamos nós naquela altura. A realidade seria bem diferente. Para quem desconhecia por completo a situação que iríamos encontrar em Moçambique, esta passagem por Luanda era importante. Mas a verdade é que Angola não era Moçambique, nem Luanda tinha nada a ver com Maniamba que era afinal o nosso destino. De qualquer modo foi importante para nós. Estávamos num teatro de guerra, víamos helicópteros, aviões, muitos carros militares e também muitos militares. Também, ao falarmos com outros militares, que encontrávamos nas ruas, íamos sabendo de algumas coisas da guerra de Angola. Enfim… cheirava a pólvora, a guerra, a mortes…

Lembro-me que numa rua de Luanda, éramos aí uns quatro ou cinco, não me lembro dos nomes, passámos por um grupo de raparigas que vinham do Liceu e um de nós dirigiu uma chalaça, não ofensiva, e recebemos como resposta: Vai para a tua terra. Não nos matou, mas desmoralizou-nos. Não sei se isto reflectia o sentimento geral da população, mas a resposta continha algo de significativo que pelo menos a mim fez-me pensar, ou seja, “O que é que eu fazia ali?”. Nunca me esqueci disto. São pormenores, importantes ou não para a nossa história, isso não sei. O que sei é que nos deixou magoados e ficámos com a impressão que éramos uns intrusos.

No dia seguinte, suponho, tenho dúvidas se não foi na noite do dia 7, partimos rumo a LOURENÇO MARQUES.

 

CHEGADA A LOURENÇO MARQUES      

Já habituados a viajar no alto mar lá partimos rumo a Lourenço Marques.

Na costa da Africa do Sul, lembro-me do navio ter parado durante a noite por um tempo, mais ou menos prolongado e logo surgiram os boatos. Dizia-se que os motores tinham avariado e também me lembro de ter constado a bordo que se tratava de um acto de sabotagem. É claro que nada disto se verificou. Num cenário como aquele, em que nos encontrávamos, era natural que surgissem os mais díspares boatos.

A chegada a Lourenço Marques, era por mim aguardada com grande emoção. Sabia que os meus tios e as minhas primas me esperavam. Já não os via há muitos anos e era natural o meu estado de ansiedade.

E assim chegámos a LOURENÇO MARQUES no dia 16 de Fevereiro, onde nos aguardava também uma boa recepção. Eram muitas as pessoas no cais que nos esperavam. Familiares naturalmente e eu lá tinha os meus tios e as minhas primas. Recordo ainda hoje com emoção aquele reencontro. É uma situação particular, mas não podia deixar de relatar.   

Chegada a Lourenço Marques a 16/2/68 

Nacala 19/2/68

 

NAMPULA ESPLANADA DO CAFÉ

A nossa chegada a Nampula, marcou o fim de um percurso calmo, sem preocupações de ordem militar. A partir dali a viagem fez-se já debaixo de alguma pressão. Para nós que havíamos chegado, éramos os “checas”, como eram designados os que chegavam à Província, começava o pesadelo da guerra.

Nampula, era a última hipótese para nós para comermos uma refeição quente, até chegarmos ao destino, isto é, até Maniamba, estávamos abonados de ração de combate, por isso houve quem aproveitasse a paragem do comboio em Nampula para comer num Restaurante. Fui um daqueles que aproveitei aquela paragem para me dirigir a uma esplanada e comer algo (não me recordo o quê). Sentados, numa esplanada, da bonita Nampula, eu e mais quatro ou cinco camaradas, também não me lembro quem estava comigo, fomos abordados por um sujeito que nos perguntou para onde íamos (o camuflado novinho indicava que tínhamos chegado à Região) e um de nós respondeu que íamos para o Norte e ao que sabíamos para o Niassa. O referido sujeito lá nos foi adiantando pormenores da guerra e dizendo que o NIASSA era muito grande e portanto isso dizia-lhe pouco. A conversa prolongou-se, até porque o sujeito em causa se mostrou extremamente simpático para connosco e, de entre algumas coisas que nos foi dizendo, recordo que à laia de pergunta, nos disse: “Vocês sabem porque razão estão aqui? “. Claro que de forma unânime todos nós dissemos que era pelo facto de haver guerra. Retorquiu o nosso interlocutor: Não… Não… A razão da vossa estada aqui tem a ver com Cantineiros e Administradores de Posto!... Todos nós desconhecíamos que funções eram aquelas e manifestámos a nossa ignorância acerca das mesmas. Naturalmente que, perante o nosso desconhecimento, aquele sujeito foi-nos explicando o comportamento dos Cantineiros e dos Administradores de Posto em relação aos nativos. Fixei e nunca mais me esqueci do que ouvi da boca daquele transeunte afável, simpático e que mais parecia alguém que ali estava para nos dar as boas vindas e ao mesmo tempo prestar informações e aconselhar-nos quanto ao futuro. Dizia eu que nunca mais me esqueci do que ouvi: “Os Cantineiros e os Administradores de Posto eram os verdadeiros culpados da guerra pelo facto destes serem uns autênticos exploradores dos autóctones o que levou estes a revoltarem-se”. Estas palavras acompanharam-me durante a minha estada em Moçambique, onde, aliás, constatei esses factos, isto é, a exploração miserável a que estavam sujeitos os indígenas Mais à frente contarei um episódio quando da passagem por Maniamba do Tenente-coronel Melo Egídio e do Governador-geral de Moçambique Baltazar Rebelo de Sousa que confirma em absoluto as afirmações ouvidas da boca daquele sujeito em Nampula.

Catur  a 22/2/68

Maniamba a 23/268

 

A NOSSA ESTADA EM MOÇAMBIQUE

Os projectos da vida futura, após o regresso, era o tema dominante nas tertúlias que fazíamos ou quando reuníamos e falávamos do futuro, sonhávamos e ambicionávamos por uma vida em paz e estabilizada, tratava-se naturalmente de um desejo comum

 

MONTEIRO o barbeiro da Companhia, ofereceu-se…

 

Condutor destacado

 

REVES da Acção Psico – Furriel Foto Cine – Filme Um lugar ao Sol (um mês depois da nossa chegada), Preso pela PIDE

 

9/4/68 – 2º Pelotão caiu numa emboscada armas encravadas

 

11/4/68 – O Alferes Ralha Ramos da CCS sofreu acidente na desmontagem de uma mina e ficou sem uma perna

 

Morte do Guedes 28/4/68

 

13/8/68 Bandece foi atacado

O Chilra, recebeu uma encomenda / Aguardente de cana, estava de serviço e por volta das 2/3 horas da manhã desata aos tiros dizendo que eles vêm lá.

 

16/8/68 O alferes Rodrigues – Bandece/Maniamba, levantou uma mina a 3 Km de Maniamba com o livro de instruções na mão…

 

29/8/68 – O 3º Pelotão estava no Bandece, aguardava que o 2º Pelotão, procedente de Vila Cabral os levasse de regresso a Maniamba. Sorte, para a coluna porque o 3º pelotão resolveu pôr-se a caminho de Maniamba detectando uma mina

 

3/10/68 – Ataque à Serra Gessi envolvendo várias companhias entre as quais a nossa. Ataque de abelhas, evacuação de helicóptero

 

5/10/68 – Melo Egídio/Rebelo de Sousa/Fardas

 

1969/ Lista das Eleições

 

Deixámos Maniamba a 19/5/69

 

Ataque a Maniamba

 

Deixei Maniamba a 25/5/69

 

Nacala

 

Sone/Tambara/Canxixe

Oliveira bebeu o vinho todo do barril

Batelão virou, morreram 146 militares

 

Intervenção em Tete

Faleceu o Jaime/ O Neves ficou deficiente

 

 

O Dia em que tivemos conhecimento da partida do Vera Cruz de Lisboa para o nosso regresso

 

3/3/70 – Embarcámos na Beira

 

Despedida em Lourenço Marques

 

21/3/70 -CHEGADA A LISBOA

 

… e as histórias que ficam para contar…

 

 

E-Mail: mailto:joraga@netcabo.pt  e joraga@netc.pt e joraga2000@gmail.com

pelo telefone 212553223 ou pelos Telmv. 91 977 77 14 e 91 763 25 24

e pelo CORREIO: Rua Almada Negreiros, 48 - 2855-405 CORROIOS.