|
A
FALA - A LINGUAGEM - AS PALAVRAS GERADORAS
- Nomes
Natureza - Portugueses e em diversas línguas
- Serra
da Estrela - Expressões - Toponímia - Nomes e Alcunhas
- Alentejo
- Expressões - Nomes - Alcunhas - 'STRALA
A BOMBA - a Rebêra d'Odvelas
- Seixal
- Dados Estatísticos - Expressões ligadas à
ARTE NAVAL - QUINTAS
- NOVO
VOCABULÁRIO Século XXI (anos 90)
-
PAULO FREIRE - Os 17 fonemas para conquistar a LIBERDADE
NOMES
LIGADOS AO QUOTIDIANO
–
Jogo com a elocução dos nomes dos participantes e em geral relacionados
com a Natureza -
nomes
do quotidiano... (Ver introdução...) e:
- Os ditos "nomes di pau" Oliveira - Ramos - Águas
- Ribeiro - Rio - Cerejeira - Craveiro - Rabaça - Vinha -
Pereira - Macieira - Rosa - Carvalho - Caracol - Lameira - Farinha
- Palma -
- Ver os "novos" Dicionários... os novos Registos...
"O Povo é que faz a Língua"?!!! Os Dialectos...
Os Regionalismos... O Calão... a Gíria... Os erros
comuns como: «Prontos!» - «Já Fostes...
Já Fizestes...» - «Vaia»... Tentativa de
explicações e confusões... Como dizer? - Dê-me
dois (maços de tabaco de marca) VENTIL... ou Dê-me
dois ventis, se faz favor???
0.4
‑ diversos exemplos de Nomes de Pessoas e lugares em diversas
Línguas...
|
Alcaria
Bach
‑ Ribeiro
Bierhof
‑ O
Pátio da Cerveja
Brown
– Castanho?
Boavista
Burgos
Caminha
‑ verbo? ou cama?
Carvalho
Castro
Verde... -
Chateauxbriand
- Castelo ???
Covilhã
– Cova da lã...
Cowboys
-
Cuba
Edite
Estrela
Estrada
– nome de gente e...
Faro
Figo
Guarda
Kaiserslautern
‑ A Candeia do Chefe
Klein
– Pequeno
|
Petit
- Pequeno -
KleinSchmidt (Paris Dakar 2001)
Manteigas
– nome de terra na Serra e no Algarve
Monte
Gordo
Müller
- moleiro
Niederland
- Terras baixas
Números
com as mãos...
Odeleite
?
Odemira
– Rio Mira
Odesseixe
– Rio Seixe?...
Odiana
‑ Rio Ana
Olhão
Oliveira
Paio
Pires
Peixe
Pena
Penedo
Gordo
Pereira
Pinto
Poitiers
- Potes
Portas
|
Portel
Porto
Reguengos
‑ Terras do Rei
Renard
‑ Raposa
Rosas
São
Paio
Sampaio
Schumacher
- Sapateiro
Schwarth’sCopf
- Cabeça de Preto
Schwartzneger
– Preto Negro
Santos
Silva
Serra
Santos
Stein
Stern
Stone
Strauss
– Ramo
Tirinta
e três (médico) 34
Trinte
trois...
Washington
Arbeit...
schnell... Fenetre...
|
1.
– Serra da Estrela–
Léxico da Serra e doutras regiões para comparar...
Com Algumas expressões fortes que dão paladar à fala
como o sal e a pimenta dão à comida...
|
Bem
haja...
no
tem de quê mê senhor..
muito
bem haja para dizer obrigado
a
gente fez caigenada...
somos
mas é vontadeiros
bote
cá a sua bençã...
bom
proveito... que lhe preste...
mas
que grande lavarinto...
era
tudo uma retouça...
aquele
deu um carvalhós
ou
então um bate cu...
que
é dar uma palhaça..
.ficar
de cu pr'o ar...
e
ficou amerzundado...
um
caldudo de cuastuanhas puiluadas,...
cuabo
d’isquuadra...
buocuado
de centueio nuegro
tumuar
tuento
duentes
arrueganhuados
anda
meio agraviado... por ficar esgroviado
isto
é a gente a aldegar... a dizer coisas á toa...
desenferrujar
a língua...
aqui
no cruto da serra
lá
inriba no cimo
demoncres
dos infernosa
andar
sesudo
|
pascer
os animais
calhoada...ou
atão uma tanganhada...
ingrolar
os sentidos...
falar
à polítega comá gente da cidade..
venha
com deus deus o salve
não
se acanhe
não
deite mais que já bonda...
terra
p'r'ámanhar
gado
p'ra guardar para levar a pascer
covilhãen
ou be(é)elmonte -
zei peidro vuai de cabeiça...
uolha
qu'avuantas cuomigo
terra
frrria farrrta e forrrte
alguém
que vem do norte
puorra
cumpadre, carago,
a
nebe
os
bentos
puorra
carago car(v)alho carago...
SshSabugal
- co'a língua
no scéu da boca
Bisjeu
- inconteri o meu amor ai Sjejus que lá vou eu...
as
pessoas leá due nueorte - que trocam os v(ês) por b(ês)
de
lisssboa unde os tius vão pró riu ou p'rá puta qu'i'os pariu...
coimbra
ou ao redor oliveira d'hospital lousã, luso ou mealhada aí
é qui é o falar
atamancadas
e
óspois?
morreram
as vacas e ficaram os bois...
|
Serra
da Estrela
1.2
– Palavras Nomes e Expressões...
1.2.1
– Nominália – ou a Festa dos Nomes – Toponímia - Nomes de Terras
e de Lugares na Serra:
Terras
|
ALDEIA
DA SERRA
ALDEIA
DE MATO
ALDEIA
DO SOUTO
ALDEIA
DO SOUTO
BARROCA
DO ZÊZERE
BELMONTE
CABEÇA
GORDA
CABEÇO
DE EIRAS
COVILHÃ
|
FERRO
FREIXO
DA SERRA
MACEIRA
MANTEIGAS
NABAIS
NESPEREIRA
ORJAIS
PAÚL
PÊRA
BOA
|
POMARES
PORCAS
PRADOS
RABAÇAS
RIO
TORTO
SABUGUEIRO
SALGUEIRAIS
Vide
Entre Vinhas
Vales
do Rio
|
Lugares na Serra
|
ALVERCA
ARCAZES
BARCA DOS HERMÍNIOS
BARROCA DAS LAMEIRA
CABEÇA DO VELHO
CALÇADA DO INFERNO
CANADA
CÂNTARO MAGRO
CARVALHAL
CASA DA FRAGA
CASTANHEIRA
CENTIEIRA
CERRO DA CORUJA
CHÃO DAS BARCAS
CORREDOR DOS MOUROS
CORUTO DE ALFÁTIMA
CORVO
COVA DA MOURA
|
CURRALDO VENTO
EIRAS
EIXOS BRANCOS
ESPINHAÇO DO CÃO DA CANDEEIRA
ESTRELA
FONTE DAS GALINHAS
Fonte dos Perus
FRAGA DA MALHADA DOS TORDOS
FRAGA DO CARVALHO
GARGANTA DOS CÂNTAROS
LAGOA ESCURA
LAMEIRAS
LAPA DOS DINHEIROS
LÍRIO
MADEIRA
NAVE DO TORNA AGOA
NOSSA SENHORADOS VERDES
PEDRA DO URSO
|
PENHA DO GATO
PENHAS DOURADAS
PERDIGUEIRO
POIO DAS ÁGUIAS
POIOS BRANCOS
PRADO
QUEIJEIRAS
QUINTA DOS FREIXOS
RIBEIRA DA RABAÇA
RUA DAS ROSEIRAS
SABUGAL
SAPATEIRO
SEIXALS
VALE DAS ÉGUAS
VALE DE CABRA
VARANDA DOS CARQUEIJAIS
ZEZEREIROS
|
ESTE É O CORO DA
SERRA
DA SERRA DA MINHA
TERRA
QUE SE CHAMA DA ESTRELA
E NOS NOMES QUE ELA
GRITA
POR TANTOS LUGARES
E TERRAS
MUITOS SEGREDOS ENCERRA
A REVELAREM MISTÉRIOS
QUE SE PERDERAM NO
TEMPO
OU QUEM SABE? SÓ
ESPERAM
QUEM OS DESCUBRA
E DECIFRE
E AO LÊ-LOS, QUEM
DIRIA
PODEREMOS DESCOBRIR
QUEM FOMOS E O QUE
SOMOS
O QUE SERÁ O FUTURO
DESTA SERRA, DESTAS
TERRAS
E DA GENTE QUE A
HABITA...
In – Viagem à Minha STerra, NOMINÁLIA I – Toponímia
- de José da Serra do Vale do Zêzere, um deNÓMIO de JRG, com mais
de um milhar de nomes... (Banco de Dados)
1.2.1.2
– Nominália II
|
José Craveiro
ALDEIA
|
Maria
Alexandrina BARRIGA
|
|
Aires Augusto
CAMPOS
|
Sebastião
Massano CARVALHO
|
|
Guilhermino
Melo CASTRO
|
Ernesto
Lucas COELHO
|
|
Antónia
Duarte CRAVEIRO
|
Maria Lurdes
AS ESTRELA
|
|
Alberto
FAZENDA
|
Luís Guilherme
FIADEIRO
|
|
Maria Graça
BM FRAGA
|
João Sarasiva
GRILO
|
|
Albertina
Lucas LEITÃO
|
Francisco
Tavares MATA
|
|
Mª Graça
C NEVES
|
José Silva
PEREIRA
|
|
João Vicente
PIRES
|
Maria Augusta
PS PONTE
|
|
José de
Bastos RABAÇA
|
Alberto
Costa RAMOS
|
|
Aníbal Custódio
RIBEIRO
|
Fernando
Couto ROCHA
|
|
João Abrantes
ROSA
|
João Félix
SABUGUEIRO
|
|
Eduardo
Santos VINAGRE
|
|
– Nomes e Alcunhas
|
A
Ta ESTRELADA
|
ABELHA
|
ABELHINHA
|
|
AFOGA
PITAS
|
ALEGRIA
|
ANDORINHA
|
|
BARACINHA
|
BARRIGA
D'ERVA
|
BATATA
|
|
BEZERRO
|
BICHAS
|
BOIVACA
|
|
BUCHA
|
CAÇADOR
|
CAFÉ
|
|
CAGA
NOTAS
|
CANTONEIRO
|
CARAVELAS
|
|
CARECA
|
CARQUEIJA
|
CARRAÇA
|
|
CASTANHA
PILADA
|
COELHO
MORTO
|
CU
DE PITA
|
|
ENDIREITA
|
ETENTA
|
FERRO
VELHO
|
|
FONTE
SANTA
|
FRANCÊS
|
FRANJA
|
|
GACHO
VERDE
|
GRILO
|
GUITA
|
|
LAMBE
BOTAS
|
LATOEIRO
|
MACABELO
|
|
MATA
RATOS
|
MEIA
BOLHA
|
MESTRE
SERRA
|
|
MIL
BICOS
|
O
Joaquim CUCO
|
O
Sr Joaquim MALAGUETA
|
|
O
Ti FARNHOTE
|
OLHO
DE GRILO
|
PASSARÃO
|
|
PASSIANDA
|
PERDIZ
|
PERNAS
DE ARANHA
|
|
PERNAS
DE GUITA
|
PITA
GORDINHA
|
POLAINAS
|
|
POTE
DAS MIGAS
|
PURA
UVA
|
QUEIJEIRA
|
|
REI
PRETO
|
RUÇOS
|
Ti
Manel das COUVES
|
|
VESTE
SENHORAS
|
VINAGRE
|
|
|
..
queria
saber no final
se
afinal é mal ou bem
e
se o nome verdadeiro
o
nome que nos convém
é
o da pia ou registo
ou
se por arte ou defeito
o
nome que leva ao peito
dado
pelos seus iguais
é
ele que faz afinal
o
seu retrato perfeito
e
aquele retrato inteiro
desta
terra que é a minha
e
revela bem ou mal
|
quem
sou eu ou quem és tu
quem
somos nós afinal
se
dar
o nome é ser senhor
ser
o dono
ter
um nome é aceitar
ser
um servo ou ser um par
quem
somos nós afinal?
quem
és tu?
és
os nomes que tu dás
és
os nomes que te dão
acabou
PONTO
FINAL...
|
In
– Viagem à Minha STerra, NOMINÁLIA II – Toponímia - de José da Serra
do Vale do Zêzere, um deNÓMIO de JRG – (Com mais de meio milhar
de Nomes e Alcunhas, ver Banco de Dados)
1.2.1.3
‑ Nominália III – Expressões...
|
A nominália terceira
tem de ser, está mesmo a ver-se
a festa daquele falar
da gente rude da serra...
pra juntar à dos seus nomes
a nominália de alcunhas
e à nominália dos nomes
que foram dados às pedras
e aos lugares que há na serra
pela gente que a habita
que a canta e a fecunda...
nela nasce e nela morre
gerando outra vez a vida...
pra poder admirar
as belezas que há na serra...
dum belo feio e agreste
diferente doutras belezas...
entre morros e penedos
covões naves e fragões
penhas penas poios pedras
com fragas que guardam pragas
e crutos com seus mirantes
varandas e miradouros
que levam o nosso olhar
até a vista alcançar...
é preciso nomeá-las
com os nomes acertados
que ali lhe foram dados
pelos que lá foram nados...
porque quem nasceu na serra
brotou do ventre da terra
como o pão e como as fontes...
como os corgos e os rios
as ribeiras os ribeiros...
como as ervas e as árvores...
como os animais... as aves...
e sendo assim como irmãos
nascidos da mesma terra
nascidos na mesma serra...
podem, por dom ou condão
alumiar...ou
chamar...
(sem andar a abocanhar...)
os nomes certos que dão
vida, comunicação
às coisas, aos seres e à gente...
e a outra gente que
os ouve
falar daquele jeito
e arte
logo os distingue e
entende
quando ouvem...
ora atão venha com deus...
para dar a salvação...
no tem de quê mê senhor..
para dizer obrigado
ou então. muito bem-haja...
a gente fez caigenada...
dizem a pedir escusa...
somos mas é vontadeiros
que é dar de boa-vontade...
dê lá os nossos recados...
para mandar cumprimentos...
farei presente... bem haja
quem nos traz e quem nos manda...
seja tudo pelas almas
que já lá estão à espera...
bocemecê mê padrinho
bote cá a sua bençã...
cá vai pra que viva..., esta
pinga,
bom proveito... que lhe preste...
mas que grande lavarinto...
toda a gente em movimento
numa grande barafunda...
era tudo uma retouça...
aquele deu um carvalhós,
ou então um bate cu...
que é dar uma palhaça...
e ficar de cu pr'o ar...
ou deu c'o rabo no chão...
porque deu a cambalhota...
e ficou amerzundado...
por ficar um pouco tonto
espera aí um migalho...
para esperar um bom bocado...
anda meio agraviado...
por ficar esgroviado
ou então aparvalhado
isto é a gente a aldegar...
a dizer coisas á toa...
é para dar-à-taramela
desenferrujar a língua...
qu'aqui no cruto da serra
e lá inriba no cimo
é só fragas com as pragas
a meterem medo às gente
com cocas e maus olhados
uns demoncres dos infernos
qu'isto é de andar sesudo
a pascer os animais
e vai uma calhoada...
ou atão uma tanganhada...
pra ingrolar os sentidos...
mas também se você quer
vamos falar à polítega
comá gente da cidade..
...
estas são algumas falas
que a gente da minha terra
e das terras que há na serra
dizem para enunciar
o dia a dia da vida...
|
os nomes que dão às coisas
os nomes que dão à gente
os seus ditos e provérbios
os rifões os seus ditados
a salvação o bom dia
boas tardes boas noites
venha com deus deus o salve
que tudo lhe corra bem
como mo deseja a mim...
vai um copo ou uma pinga
não se acanhe
não deite mais que já bonda...
steja à sua vontade
como estar em casa sua...
e se fala do trabalho.
há a terra p'r'ámanhar
e o gado p'ra guardar
para levar a pascer
p'ra ordenhar recolher
lá no curral ou na corte...
e
todo este falar vem a ser
quem o diria ou sonhara
uma estranha melodia
a formar a sinfonia
de mil sons mil instrumentos
de mil vozes doutras eras
...
mas como as magas estrelas
embora falando claro
como letras luminosas
há muitos que as não entendem
não sabem sua linguagem...
...
assim
este rude falar
que é o bom falar da serra
pode sem querer ir chocar
os ouvidos delicados
dos estranhos viandantes
ou das gentes das cidades
ou até doutros lugares
que ao ouvirem tal falar
logo dizem:
esta gente é lá da serra...
e aqui não se fala bem
como lá nos nossos lados...
pois pudera! são da serra
que não há em outro lado...
..
e se é gente do algarve
ou das terras dalém- tejo
que ali nos ouvem falar
na sua terra que é deles...
dizem logo:
vomecê vem lá do norte
é galego com certeza
e tanto puode suer ele
de mantueigas ou da guarrda
da covilhãen ou be(é)elmonte
ou doutra terra da serra...
que para o sul é galego
dê-lhe lá por onde der...
mas ali tudo é diferente
em cada terra lugar
em cada buraco ou monte
como a serra é toda serra
em cada canto diferente...
de manteigas pode ouvir:
uolha qu'avuantas cuomigo
vue luá buem se tuens cuiduado...
ou uentão na Cuovilhãen
quando fuoi uau futibol
ouviu de cuerto dizzer:
zei peidro vuai de cabeiça...
uou entuão se vai i à guarrda
terra frrria farrrta e forrrte
s'é alguém que vem do norte
de braga ou dali abaixo
diz logo.
puorra cumpadre, carago,
o pior nesta cidade
nem é o frio ou a nebe
o pior aqui - são os bentos
que nem nos deixam falar
e até cortam as orelhas
ou a ponta do nariz
se não metemos o gorro
que chegue mesmo ao pescoço...
puorra carago car(v)alho
nem se pode andar na rua
sem s'isticar ao cumprido
duas ou mais bez(es) por dia...
isto acontece na terras
onde dizer palavrões
aquelas expressões fortes
que dão paladar à fala
como o sal e a pimenta
metem logo dois ou três
pró tempero ser seguro...
para ouvir duas palavras
seguidas e sem tempero
tem de pedir: por favor
ó meu senhor, diga lá
Nossa Senhora
prá gente poder ouvir
duas palavras seguidas
sem um porra e um carago...
mas pode ssser doutro lado
talvez lá do SShSabugal
co'a língua no scéu da boca
bem enrolada a bater
que schega àsss raiasss d'essspanha...
|
ou então é de Bisjeu
vindo eu, vindo eu
lá das bandas de bisjeu
inconteri o meu amor
ai Sjejus que lá vou eu...
isssto sssão terras do demo
do aquilino malhadinhas
por uonde os luobos uibaram
e assim começa a fala
das pessoas leá due nueorte
que trocam os v(ês) por b(ês)
ou não bês que i é assim
que i é fino falar bem
como se fala em Madrid:
arriba franco, biba espanha
isto é qui é o bom falar
que não é o de lisssboa
unde os tius vão pró riu
ou p'rá puta qu'i'os pariu...
mas isto não é assim
em todo o lado afinal
porque em coimbra ou ao redor
oliveira d'hospital
lousã, luso ou mealhada
aí é qui é o falar
padrão do bom português
e quem não falar assim
não é doutor... nem burguês
burro sim...e pode ser
um aldeão ou vilão
ou até bom cidadão
duma cidade qualquer
ou então é montanhês
lá da serra da estrela
terra de conquistadores
de guerreiros viriatos
que disputam sua cova
a cava de viriato
que uns dizem é aqui...
e fazem uma caverna
nos jardins duma cidade
com pedras atamancadas
como dizem em bisjeu
pois ali há sinais claros
das vias largas romanas
que vinham de norte e sul
e corriam para roma
pois como diz o ditado
desde o império romano
tudo aquilo que é caminho
vai dar a roma cidade
à capital do império
maior que já existiu...
...
LENGA-LENGAS,
ANFIGURI?
HISTÓRIAS SEM PÉS NEM CABEÇA?
ou HISTÓRIAS COM PÉS nem CABEÇA?
queres que te conte um conto?
camisa velha tem muito ponto.
e que tal?
arroz de pardal.
stás c'o frio?
embrulha-te na capa do teu
tio
e vai-te deitar ao rio.
e o batismo dos ciganos?
eu te batizo neste ribeiro
para que tenhas olho fino
e pé ligeiro.
à morte ninguém escapa
nem o rei nem o bispo nem
o papa
mas hei-de escapar eu
compro uma panela
que me custa um vintém
meto-me dentro dela
e tapo-me muito bem
vem a morte e diz
hum! aqui não há ninguém
boas noites meus senhores
e passem por cá muito bem.
ra e no era
andava na serra
seu pai era morto
sua mãe por nascer
deitou o arado às costas
e pôs-se a cavar
subiu por uma ladeira abaixo
e foi a correr...
subiu por uma oliveira acima
colheu maças...
era uma vez um rei e um bispo,
acabado o conto,
não sei mais do que isto.
e pronto,
acabou-se o conto.
novelo enrolado
conto acabado
meada dobada
história acabada
e óspois?
morreram as vacas e ficaram
os bois.
já vai longa a hora
acabou-se a história.
|
In
– Viagem à Minha STerra, NOMINÁLIA III – Expressões do Falar - de
José da Serra do Vale do Zêzere, um deNÓMIO de JRG – (Com mais de
um milhar de Recolhas em diversas obras e recolhidas directamnete,
ver Banco de Dados)
ALENTEJO
2. Alentejo
2.1 – O Oral / Escrito... Léxico regional...
Exemplos:
|
Abespras
Canito
|
Chumela
Esbarrunto
|
Escarapantado
Galfárrias
|
Palaio
|
Taçalho
Rouparia/ Lavandaria
|
| TERMO |
origem provável |
CITAÇÃO
/ INFORMAÇÃO / Significado |
OBRA |
PÁG. |
|
abondo
|
lat.
abundu-
v.
avonde e tem avondo tem qu’avonde
|
Abundante;
e Assaz, suficientemente...
|
|
|
|
aceifões
|
ár.
as-saifãn?
|
v.
açafões, safões e ceifões...
|
|
|
|
ajuda
|
de
ajudar
|
Aqui
é o segundo pastor do maioral.
|
EALPA,
CF.
|
145
|
|
alavão
|
ár. al-laban
|
Diz-se
do gado que dá leite.
V.
alabão.No alentejo anda ligado ao rebanho que dá leite para
queijos.
|
EALPA,
CF.
|
151
152
|
|
alcácer
|
ár. al-qaçr
|
“castelo,
palácio”.
|
|
|
|
alcáçova
|
ár. al-qaçabâ
|
“cidadela”.
|
|
|
|
alfeire
|
ár. al-hair
|
“cercado,
horta; cercado onde se guarda o gado”.
|
EALPA,
CF.
|
150
|
|
alfeireiro
|
|
“o
homem de guarda...” ao alfeire
|
EALPA,
CF.
|
150
|
|
alfeiria
|
v.
alfeire
|
Égua
ainda estéril.
|
|
|
|
alfirme
|
de
firme
|
Corda
delgada de esparto. v.rede
|
EALPA,
CF.
|
161
|
|
alforria
|
ár.
al-huriiâ
|
v.
forro e forra
|
|
|
|
algara
|
ár. al-gãra
|
“incursão
de cavaleiros por um território”.
|
|
|
|
aljube
|
ár. al-jubb
|
“cisterna,
poço”.
|
|
|
|
almástica
|
ár. al-masteka
|
Resina
de lentisco...
Al.
sementeira para repovoação.
|
|
|
|
almece
|
ár. al-mis
ou al-miç (DE), al-
mãiç(GDLP).
|
“soro
de queijo” que
desempenhava um papel importante na alimentação das classes
pobres, durante as rouparias... Fevereiro - Páscoa...
Relacionar
com Manteigas, na Serra da Estrela. v. tabefe.
|
EALPA,
CF.
Nº0,
jTC, Nº0, Fev.94.
|
165
|
|
alqueve
|
ár. al-qauã
?
|
“terra
deserta”. terra de pousio...
|
|
|
|
amanhar
|
|
Cultivar
a terra, prepará-la... Amanhar (consertar) um objecto... ossos...
|
|
|
|
avio
|
de
aviar
|
Provisão
de mantimentos...
|
EALPA, CF.
|
158
|
|
avonde
|
lat. abunde-
|
Abundante,
bastante.
|
|
|
|
azado
|
|
Pote
pequeno para onde o leite é coado por panos sobrepostos...
e coalha com cardo...
|
EALPA,
CF.
|
164
|
|
azedo
|
|
O
estado de fermentação do queijo...
|
EALPA,
CF.
|
164
|
|
azenha
|
ár.
as-sãnia
|
“nora,
roda de irrigação...”
|
EALPA,
CF.
|
168
|
|
borra
|
lat.
burra-
|
“burel,
tecido grosseiro de lã”.
|
EALPA,
CF.
|
146
|
|
borrego
|
lat.
burru-
|
“ruço,
encarnado”.
|
EALPA,
CF.
|
146
|
|
borro
|
lat.
burru-
|
“ruço,
encarnado”.
|
EALPA,
CF.
|
146
|
|
calatroia
|
|
Sopa
de azeite e cebola, em uso no Alentejo.
|
EALPA,
CF.
|
159
|
|
çamarro.
|
v.
samarro
|
“...
é diverso do pelico, formado por duas peles, uma maior nas
costas, outra no peito, e sem mangas.”
|
EALPA,
CF.
|
155
|
|
caniçado
|
|
Prateleiras
onde os queijos acabados de fazer, vão fermentar... até ao
azedo...
|
EALPA,
CF.
|
164
|
|
carneiro
|
lat.
carnãriu-
|
“animal
carnudo de boa carne”.
Será
o borro já crescido...
|
EALPA,
CF.
|
147
|
|
chinchos
|
|
Armação
de lata circular para dar forma aos queijos...
|
EALPA,
CF.
|
164
|
|
chumela
|
de
chumaço
|
Pequeno
travesseiro, almofada... Faixa de recém nascido.
|
Ouvido
em conversa, Al.
|
|
|
comedias
|
|
O
pagamento em comida... o avio para a semana...
|
EALPA,
CF.
jTC,
nº0, Fev.94
|
171
|
|
destrajar-se
|
|
Deixar
o fato usual. Vestir-se de máscara; vestir pelo carnaval...
|
GDLP,como
de uso normal e eu só vi usar no Al.
|
|
|
eguariços
|
lat.
equaritiu-
|
div.
tipo de pastores. Relativo a éguas. O que trata de cavalos
e éguas.
|
EALPA,
CF.
|
154
|
|
engradar
|
v.
gradar e engraecer.
|
Criar-se
o grão.
|
|
|
|
engradecer
|
v.
gradar e engraecer.
|
“Aqui
a semente grada mais...” ou “engradece mais...”
Tornar-se
grado.
|
|
|
|
espiche
|
v.
espicho
|
Rolha
feita com pau aguçado.
|
EALPA, CF.
|
160
|
|
farota
|
ár.
kharutâ ?
|
ovelha
velha
|
EALPA,
CF.
|
148
|
|
farropo
|
ár.
kharuf ?
|
“Borrego”.É
uma sugestão do Conde de Ficalho registado mas discutido pelo
DELP.
|
EALPA,
CF.
|
148
|
|
ferrada
|
Prov.
Vasilha para onde se munge o leite...
|
Panela
grande com asa onde se faz comida... e outros usos... (É a
ferrada entre os pastores da Serra da Estrela.
|
EALPA,
CF.
|
159
|
|
funda
|
lat.
funda
|
Laçada
de coura para atirar pedras...
|
EALPA,
CF.
|
156
|
|
gabão
|
|
Espécie
de capote com mangas, capuz e cabeção.
|
jTC,
nº 0 Fev.94
(gabõezito?)
|
|
|
gabinardo
ou gabinarda
|
v.
pelico...
|
Espécie
de capote; gabão...
|
Ouvido
em conversa, Al.
|
|
|
ganadeiros
|
|
div.
tipo de pastores
|
EALPA,
CF.
|
154
|
|
ganhões
|
|
“...
são concertados dia de S. Maria...” os pastores no dia de
S.Pedro...
|
EALPA,
CF.
|
154
|
|
gaspacho
|
v.
vinagrada e caspacho.
|
Iguaria
com pão, água fria, azeite, vinagre, legumes...
|
|
|
|
golpelhas
|
|
Recipiente
para transportar a lã na tosquia...
|
EALPA,
CF.
|
170
|
|
gradar
|
v.
engradar, engradecer e engradecer.
|
“Aqui
a semente grada mais...” ou “engradece mais...”
Tornar-se
grado, crescer.
|
Ouvido
em conversa, S.E..
|
|
|
granito
|
|
-
Grão pequeno
-
Certo tipo de rocha ou pedra.
|
|
|
|
gravato
|
|
Pedaço
de madeira, graveto, garavato.
|
jTC,
nº 0 Fev.94
|
|
|
legras
|
|
canivete
de folha curva...
|
EALPA,
CF.
|
160
|
|
maioral
|
de
maior
|
Pastor
de um rebanho subordinado ao Rabadão.
|
EALPA,
CF.
|
145
|
|
mangação
|
pop.
|
Caçoado,
zombaria, escárnio, troça, mofa.
|
|
|
|
margaça
|
|
planta
forraginosa, diferente da marcela...
|
|
|
|
moenda
|
v.
moenga
|
Conjunto
de peças que servam para moer...
|
|
|
|
moenga
|
v.
moenda
|
Conjunto
de peças que servam para moer...
|
|
|
|
nora
|
ár.
na’aura
|
|
O
EALPA, CF.
|
144
|
|
olheiro
|
|
o
que vigia certos trabalhos...
Al.
Curioso, metediço...
|
|
|
|
pegulhal
|
|
As
ovelhas do pastor, como parceria com o patrão...
|
EALPA,
CF.
|
171
|
|
pelico
|
|
“...grande
jaqueta de peles que os pastores usam...” Prov. Al. Fato de
pastor feito de de peles de carneiro.
|
EALPA,
CF.
|
155
|
|
plaineta
|
???
|
(Úma
das palavras que não encontrei no GDLP).
“Puxou
duma plaineta...” cigarro de mortalha...
|
ouvido
em conversa, Al.
|
|
|
rabadão
|
ár. rabb aD-Dãn; ou rabb ad-han.
|
“dono
de carneiros” - No Alentejo é o pastor chefe...
|
EALPA,
CF.
|
144
|
|
rabeja
|
v.
tosquia
|
Tosquia
da lã suja que possa estorvar a ordenha...
|
EALPA,
CF.
|
163
|
|
rabo
de gato
|
erva
|
Nome
de ervas dados pelos pastores...
|
jTC,
nº 0 Fev.94
|
|
|
ronha
|
|
Doença
das ovelhas... tratada com mera...
|
EALPA,
CF.
|
170
|
|
roupeiro
|
|
Pessoa
que faz queijos...
|
EALPA,
CF.
|
153
|
|
safões
|
ár.
as-saifãn?
|
v.
açafões e aceifões...
|
|
|
|
tarracear
ou terracear?
|
???
|
“‘Stão
p’rali tarraceando...”
(Uma
das palavras que não encontrei no GDLP).
|
ouvido
em conversa, Al..
|
|
|
tarro
|
|
Al.
Marmita de cortiça...
|
|
|
|
trasfegar
|
v.
tresfegar
|
Passar
de uma vasilha para a outra... Ant. Lidar.
|
|
|
|
vinagrada
|
v.
gaspacho
|
Iguaria
com pão, água fria, azeite, vinagre, legumes...
|
EALPA,
CF.
|
159
|
|
zagal
|
ár.
az-zagal
|
“pessoa
animosa e forte; mancebo”; vt. azagal
|
EALPA,
CF.
|
145
|
|
zambujo
|
mq.
zambujeiro
|
Espécie
de oliveira brava...
Cacete
feito dessa árvore.
|
|
|
|
zarapatusco
|
isqueiro???
|
“Puxou
do zarapatusco e acendeu a plaineta...”
(Uma
das palavras que não encontrei no GDLP.)
|
ouvido
em conversa, Al.
|
joraga2000
|
1
- EALPA, CF. - Significa
a obra do Senhor Conde de Ficalho: “O ELEMENTO ÁRABE NA LINGUAGEM
DOS PASTORES ALENTEJANOS. A paginação que se encontra neste quadro
refere-se, não ao trabalho que saíu em A TRADIÇÃO, mas ao livro
publicado em Lisboa, 1979, edição provavelmente da família: NOTAS HISTÓRICAS
ACERCA DE SERPA e O ELEMENTO ÁRABE NA LINGUAGEM DOS PASTORES ALENTEJANOS
que nessa obra vai da página 141 a 173.
2 - Os dicionários usados para tirar dúvidas, verificar
significados e se existiam, foram: o GRANDE DICIONÁRIO DA LÍNGUA
PORTUGUESA, (GDLP) I
-XII volumes, coordenação de José Pedro Machado, 1981, Amigos do
Livro Editores;
3
- O outro trabalho a que resolvemos recorrer, e assinalamos com
(jTC Nº0, Fev.94), trata-se
do Jornal TERRAS DO CANTE, Nº 0, de Fevereiro de 1994, trabalhos
de J.M. Monarca Pinheiro, “e
os PASTORES de alentejo eram...” e “apregoava
almece e RECHINA” só a título de exemplo do imenso trabalho
que seria preciso fazer para um levantamento do vocabulário usado
entre PASTORES e PREGOEIROS... e os outros?!!! E o resto? Há um
imenso trabalho a fazer que não pode esperar, e não podemos esperar
que outros, venham fazer por nós.
4 - Por comodidade, e falta de tempo, sempre
que há a origem assinalada e o significado entre parêntesis, trata-se
do significado do Dicionário Etimológico. Quando houver dúvidas,
qualquer estudioso as pode tirar.
5
- Nalgumas palavras, além do significado do dicionário, tentamos
dar o significado que tem na obra do Senhor Conde de Ficalho ou
no Alentejo, mesmo que não esteja devidamente assinalado
In: A/s LENDA/s DA MOURA – A MOURA – AMOR – A
MORTE, A MAGIA OU A UTOPIA DA CONVIVÊNCIA (IM)POSSÍVEL, um inédito
de JRG, Beja, 1994, publicado parcialmente na Revista Arquivo de
Beja, vol. VI, série III, de Dezembro de 97, com o título MOURA
– 10 LENDAS – UMA LENDA – A MAGIA OU A UTOPIA DA CONVIVÊNCIA (IM)POSSÍVEL.
ALENTEJO
NOMES E ALCUNHAS
2.3.4 – Uma LISTA de
NOMES de registo numa Escola em Beja
1987/88,
F. Fanahis e Alcunhas de Dr. Fancisco Martins Ramos de Évora
Uma lista aleatória de Nomes Próprios:
|
Afonso
Pequeno
Agulhas
Aiveca
Alfaiate
Curva
Alhinho
Aresta
Branco
Bagio
Caramba
Batista
Bate
Batoque
Bexiga
Borracha
Bravo
Vilão
Brincheiro
Burrica
Ramos
Cachita
Calça
Calceteira
Caldeirinha
Calhegos
Calhordo
Candeias
|
Canudo
Caracóis
Cardador
Carocinho
Carocinho
Carocinho
Cabrito
Carraça
Carrujo
Caramba
Carulo
Casadinho
Zambujo
Cascalheira
Cascalheira
Cascarrinho
Chapita
Conduto
Corte
Negra
Crujo
Aldeias
Curva
Ameixa
Élcio
Estradas
Faleiro
Lindeza
|
Galama
Bicho
Galiado
Goinhas
G. Peladinho Gonçalve Engrossa
Gonçalves
Peta
Grazina
Ratinho
Lindeza
Maceta
Manguito
Mário
ZAmbujal
Massapina
Mauzinhos
Menicha
Mestre
Tareco
Moita
Flores
Mourato
Monge
Muacho
Restolho
Nifrário
Portas
Ninhos
Montezo
Olho
Azul Guerreiro
Ourives
Arromba
|
Paixão
Velhuco
Pão
Branco
Pão
Mole
Parrinha
Raminhos
Passinhas
Pau
Preto Careca
Pernicha
Piçarra
Ameixa
Pimentinha
Ramos
Pires
Patolo
Pirrolas
Queixinhas
Quinta
Queimada Lampreia
Ramos
Brilhos
Ranos
Amante
Razina
Remexido
Freitas
Rosa
Dias
Tira
Picos
Trincalhetas
Soeiro
Vinha
Borges
Zambujo
|
ALCUNHAS ALENTEJANAS,
de Dr. Fancisco Martins Ramos de Évora, Monsaraz, 1993.
|
Abala
Matos
Amendoeira
Adelino
da Charca
Águia
Real
Aguarrás
Aguardente
Ai
Nina
Aivecas
Alcagoita
(Amendoim)
Alegria
dos Funerais
Alhinhos
Alicate
Andante
Alicate
de Pontas
Azeiteira
Vaidevolta
Barricas
Banana
Barbaças
Barbas
de Aço
Barriga
d’... Aço... Almece...
Batardo
(ave)
Bento
Boneco / Tripa
Bernardo
das Vacas
Bicha
Bezerro
Bicho
da Boleta
Bidom
Boga
Crua
Bogango
de regadio
Bolo
finto
Borda
d’Água
Borrego
Embarbelado
Cabaça
Velha
|
Cabeça
d’... Asno... Gato...Negra...
Cabeçana
Cabreira
Cabrinha
Cação
Cachorro
Caga
... Cheques... Libras...
Caga
na ...
Cágado
Branco
Calitro
Canetas
Capitão
Nalguinhas
Cara...
d’Aço...
Caracol
Carago
Carapau...
Carpinteiro
Carrajola
Cartaxanas
Casadinho
Chaparro
Engravatado
Corta
Rabos
Chaparro
Engravatado
Corta
Rabos Dez Reis
Dezoito
Dente
d’Alho
Desinquieto
Égua
de Madeira
Erva
Cidreira
Ervilhana
(Amendoim)
Espragana
(Pragana)
Évora
Faísca
/ o
|
Farelos
Farnheira
Fato
...
Fava
...
Ferra
o Bico
Ferrador
Ferreirinho
Ferreiro
Ferrinho
Ferrinho
de Engomar
Ferro
Eléctrico
Ferro
Velho
Ferros
de Charrua
Ferrolho
Figo
Inchado
Figo
Lampo
Fio
de Azeite
Formiga
Furão
Gadelha(s)
Furão
Gadelha(s)
Gago
Galinha(s)
Galo
Ganhão
Garrafa
Giesta
Gila
Há
Lá Lobos
Horta
Inverno
Implica
Já
Basta
|
Javardo
José
dos Passarinhos
Kid
Carcaça
Lã
Branca
Lagarta
Laranjal
Lobo
Má Bicho
Má
Cabelo
Manta
Mata
Burros
Mil
Homens
Nabo
Nariz
de Alfinete
Natibó
Nota
de Vinte
Ó
Mãezinha
Olho
Azul
Orelhas
Osga
Pá
da Ova
Palhinhas
Perna
de Coelho
Quadrado
Queimado
Rã
Ralha
Rat(s)
Sabonete
Sapateiro
Tablete
Texugo
Uva
Vacas
– Xora – Zangão...
|
Com mais de 6 anos de recolhas etnográficas e
mais de 6.000 alcunhas recolhidas...
IN (Alcunhas
Alentejanas - o Livro
de Francisco Ramos)
O
alentejano e as festas.
ESTRALA
A BOMBA
E O FOGUETE VAI NO AR.
ARREBENTA, FICA TUDO QUEIMADO...
NO HÁ NINGUÉM, QUE BALHE MAIS BEM
C'AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO...
E AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO É QUE Éi
LAVRAM A TERRA C'AS UNHAS DOS PÉiS...
E AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO SAN COM'AS OVELHAS
TÊM CARRAPATOS ATRÁS DAS ORELHAS!!!
(Cantada
pelas alunas que tiravam o curso de Educadoras na escola do Magistério
Primário, Beja, em 1985... Fica como registo de linguagem
fortemente agarrada à terra...)
A
PONTE DA REBÊRA D'ODEVELAS
Graças
a Deus que já tem
Odevelas sua ponte
Cuma estalage de fronte
pruparada
pra quem vier de jornada
nela poder pernoitar,
sem o prigo de s'afogare
da rebêra
O
mestre c'afez
capetão d'ingenharia
fêzia toda em mármre
e àvenaria!
OBRA
PRUFÊTA!!!
SEIXAL - ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS - TERMOS
NÁUTICOS
3. Seixal –Amora –
Fogueteiro...
Ver: Retalhos daMinha Terra – Monografia do Concelho
do Seixal, de Manuel Oliveira Rebelo, Câmara Municipal do Seixal,
2ª edição, 1990.
3.1 – Alguns Dados sobre o Seixal – o Enraizamento
e a Construção de uma Nova Cultura, numa sociedade construída por
Gentes oriundas de diversas Culturas...
in Breves apontamentos:
Concelho do Seixal – Área: 81,92 Km2
de superfície. Distrito de Setúbal.
Freguesias: Seixal,
Arrentela, Paio Pires, amora e Coroios.
Situado a 10 Km ao
Sul de Lisboa, na Margem Esquerda do Estuário do Tejo, onde desagua
o Rio Judeu.
Dados
de 1950: Existiam:
Famílias - 4.645
Habitantes: 15.937
(8.107 homens, 7.830 mulheres – com 61 estrangeiros).
Analfabetos – havia
cerca de 40%.
Evolução do Concelho –
Possivelmente desde os anos 40
Uma breve estatística
como exemplo do que há para estudar:
|
Ano
|
Localidade
|
Fogos / Famílias
|
Habitantes / Moradores
|
Notas
|
|
1500
|
Seixal
|
|
30 pessoas
|
|
|
1527
|
Amora
|
|
21 moradores
|
|
|
1527
|
Almada
|
|
1.812 (Todo o termo de Almada...
|
|
|
1620
|
Amora
|
60 fogos
|
250 habitantes
|
1993 /46.213
|
|
|
Arrentela
|
350 fogos
|
890 habitantes
|
|
|
|
Corroios
|
65 fogos
|
180? habitantes
|
1993 / 40.000
|
|
1707 a 1723
|
Seixal
|
|
400 habitantes
|
|
Alguns dados para ver a evolução do concelho
|
1758
|
|
|
3.874
|
|
|
1890
|
|
|
5.398
|
|
|
1900
|
|
|
6.794
|
|
|
1950
|
|
|
15.937
|
|
|
1960
|
|
|
20.470
|
|
|
1970
|
|
|
38.090
|
|
|
1980
|
|
|
89.169
|
|
|
1981
|
|
|
87.344
|
|
|
1987
|
|
|
(v.
cadernos eleitoriais)116.615
|
*135.085
|
|
1991
|
|
|
123.542
|
|
*Estimativa feita com
base nos contadores de água instalados pela Câmara.
Estes dados foram recolhidos
só como amostra e não para um estudo rigoroso, do Guia do Munícipe
– Seixal – Câmara Municipal do Seixal, 1993.
Sabemos que, até aos anos
sessenta, “a população do concelho sofreu acréscimos regulares,
com uma dinâmica demográfica semelhante em todas as freguesias”
(Estudos do INE) e, com o surto migratório do Alentejo, esta zona,
não tinha perdido as suas características de espaço rural recheado
de muitas e agradáveis quintas.
(Seria
oportuno um ou dois exemplos das belas Quintas desta zona)
3.3 – Glosário e Características
marcantes... Margem Sul... (Uma amostra)
(Ver:
História do concelho do Seixal – património industrial – MOINHOS
DE MARÉ, de António J. C. Maia Nabais – Câmara Municipal do Seixal,
1986.pp. 142 – 144).
|
Abra
|
Bafa,
ancoradouro.
|
|
Adufa
|
Dique,
represa para conter as águas.
|
|
Alavadouro ou aliviadouro
|
Peça
de madeira que permite regular o afastamento das pedras da
mó.
|
|
Betume para Cantaria
|
É
uma substância feita de boa cal com pó de pedra, escórias
vulcânicas, ou outra qualquer matéria> amassada algumas
vezes com óleo, para se guarnecerem,
ou tomarem as juntas das cantarias quando têm de ser
banhadas pela água.
|
|
Cadelo
|
Cruzeta
de pau, presa ao tegão e agitada pela mó em movimento, que
permite a queda do grão no olho da mó.
|
|
Cambeiro
|
Anteparo
das mós de chapa de metal ou de madeira colocada à frente
da mó para que a farinha não se espalhe.
|
|
Cimentos Hidráulicos
|
São
os que têm as mesmas propriedades dos outros cimentos e além
desta propriedade tem, a, de fazerem pega debaixo de água
só por si. Os cimentas comuns não têm esta propriedade.
|
|
Comporta
|
A
porta de madeira que sustem as águas da caldeira dos moinhos
de maré. A água entra na caldeira através da comporta que
abre e fecha automaticamente, conforme a maré sobe ou desce.
|
|
Embasamento
|
Base
contínua que serve para sustentar um edifício Espécie de pedestal
contínuo na base dum edifício.
|
|
Engrenagem
|
Jogo
de rodas dentadas para transmissão de movimento. Nos moinhos
a engrenagem de ferro fundido substituiu o sistema de rodas
dentadas de madeira A engrenagem utilizada é a
commumente chamada coroa
|
|
Esteiro
|
Braço
de rio ou de mar que
se estende pela terra.
|
|
Ferida
|
–
Lugar por onde a água, nas caldeiras,
sai para os rodízios do moinho.
|
|
Fezes
|
Escória
de metais O melhor secante para toda a cor branca fina, era
o composto de fezes de oiro de óleo de nozes.
|
|
Lobeto
|
Peça
de ferro que faz parte do aparelho do moinho que está ligado
ao veio e encaixa no rodízio.
|
|
Maquia
|
–
É a parte que para si tomam os moleiros, da farinha que fabricam
para outrem, como remuneração do seu trabalho. – Antiga medida
de cereais, que equivalia a dois celamins.
|
|
Marés
|
Os
movimentos regulares e periódicos das águas dos oceanos,
as quais sobem e descem duas vezes por dia, chamam
O movimento ascensional das águas, durante cerca de seis horas,
entre a baixa mar e a preia. O fenómeno das marés é
devido à atracção exercida sobre o globo terrestre pela Lua
e pelo Sol.
|
|
Medidas
|
l
Polegada = 0,0275 do metro : l Braça = 2,2 metros
|
|
Moega
|
Vasilha
de madeira em forma piramidal, que tem o vértice para baixo
e nele uma abertura por onde sai o grão a pouco e pouco para
cair entre as mós do moinho a fim de ser reduzido a farinha.
|
|
Moinho
|
Engenho
que serve para moer trigo, cevada, etc. Consta de roda, rodízio,
penas, pouso, corredoura, aguilhão,
segurelha, lobeto, rela, viela, veio, quelha ou calha,
etc.
|
|
Pela
|
A
parte mais grossa da haste ou árvore onde se inserem as penas
do rodízio.
|
|
Pejadouro
|
Aparelho
feito de madeira para fazer parar o moinho,
ou, regular o andamento das mós,
cortando a água. Nalgumas regiões portuguesas significa
c mesmo que adufa.
|
|
Pena
|
Cada
uma das asas do rodízio do moinho, nas quais bate a água que
o move (c.f.). As penas também recebiam o nome de pás.
|
|
Picadeira
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Ferro
com que se picam as mós.
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Picão
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Instrumento
de ferro agudo de ambas as partes que o moleiro utiliza para
picar as mós.
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Quelha
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Peça
de madeira. que forma ângulo reentrante,
por onde o grão que sai da tremonha corre para o olho
da mó, nos moinhos de cereais.
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Segurelha
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É
um ferro que tem as extremidades mais largas e vai diminuindo
para o meio, no qual tem uma abertura onde entra o ferro que
faz andar a pedra de cima.
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Setia
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Canal
que conduz a água das caldeiras que faz mover os rodízios.
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Taleiga
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Saco,
pequeno e largo, destinado à condução de cereais para os moinhos
e das farinhas que neles se fabrica.
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Tegão ou Têgão
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O
mesmo que tremonha. Peça do moinho, de madeira, com a forma
de uma pirâmide quadrangular invertida, onde se lança o grão
que vai ser moído, também chamada canoira, dorneira, moega
e tolda.
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Tremoia
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O
mesmo que tremonha.
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Tremonha
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Peça
do moinho. em forma de pirâmide quadrada e invertida, por
cuja extremidade inferior passa o grão que vai ser moído.
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Veio
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Barra
de ferro em torno da qual gira o eixo. Peça que fica na parte
superior do rodízio.
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Verga
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Nas
portas e janelas são as cantarias, lavradas ou singelas, que
se apoiam sobre as ombreiras. O lado oposto às vergas, nas
portas chama se soleira ou limiar, e nas janelas peitoril.
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António J. C. Maia Nabais
3.4
‑ A LADAÍNHA DAS QUINTAS
NO CONCELHO DO SEIXAL MARGEM A SUL DO TEJO
“Estou nas minhas sete quintas” e
outras histórias. Vide (Exposição e Escola Jardim, M. Lima em Setembro
de 1996 ). Só a partir destes nomes, quantas histórias e lendas
se podem des/encantar?
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Quinta
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Nome
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Localização
/Notas
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Quinta
do
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Antelmo
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1.
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Quinta
da
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Água
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2.
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Quinta da
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Argena
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3.
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