CONTOS & LENDAS
A ARTE DE enCANTAR
na LITERATURA POPULAR PORTUGUESA

por JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros mais de 1001 deNÓMIOS...

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CONTOS & LENDAS

Serra da Estrela

ALENTEJO
uma TEIA infindável de Contos & Lendas

A FALA - A LINGUAGEM - AS PALAVRAS GERADORAS

- Nomes Natureza - Portugueses e em diversas línguas

- Serra da Estrela - Expressões - Toponímia - Nomes e Alcunhas

- Alentejo - Expressões - Nomes - Alcunhas - 'STRALA A BOMBA - a Rebêra d'Odvelas

- Seixal - Dados Estatísticos - Expressões ligadas à ARTE NAVAL - QUINTAS

- NOVO VOCABULÁRIO Século XXI (anos 90)

- PAULO FREIRE - Os 17 fonemas para conquistar a LIBERDADE

 

NOMES LIGADOS AO QUOTIDIANO

– Jogo com a elocução dos nomes dos participantes e em geral relacionados com a Natureza -
nomes do quotidiano... (Ver introdução...) e:
- Os ditos "nomes di pau" Oliveira - Ramos - Águas - Ribeiro - Rio - Cerejeira - Craveiro - Rabaça - Vinha - Pereira - Macieira - Rosa - Carvalho - Caracol - Lameira - Farinha - Palma -
- Ver os "novos" Dicionários... os novos Registos... "O Povo é que faz a Língua"?!!! Os Dialectos... Os Regionalismos... O Calão... a Gíria... Os erros comuns como: «Prontos!» - «Já Fostes... Já Fizestes...» - «Vaia»... Tentativa de explicações e confusões... Como dizer? - Dê-me dois (maços de tabaco de marca) VENTIL... ou Dê-me dois ventis, se faz favor???

 

0.4 ‑ diversos exemplos de Nomes de Pessoas e lugares em diversas Línguas...

 

Alcaria

Bach ‑ Ribeiro

Bierhof ‑ O Pátio da Cerveja

Brown – Castanho?

Boavista

Burgos

Caminha ‑ verbo? ou cama?

Carvalho

Castro Verde... -

Chateauxbriand - Castelo ???

Covilhã – Cova da lã...

Cowboys -

Cuba

Edite Estrela

Estrada – nome de gente e...

Faro

Figo

Guarda

Kaiserslautern ‑ A Candeia do Chefe

Klein – Pequeno

Petit - Pequeno -
KleinSchmidt
(Paris Dakar 2001)

Manteigas – nome de terra na Serra e no Algarve

Monte Gordo

Müller - moleiro

Niederland - Terras baixas

Números com as mãos...

Odeleite ?

Odemira – Rio Mira

Odesseixe – Rio Seixe?...

Odiana ‑ Rio Ana

Olhão

Oliveira

Paio Pires

Peixe

Pena

Penedo Gordo

Pereira

Pinto

Poitiers - Potes

Portas

Portel Porto

Reguengos ‑ Terras do Rei

Renard ‑ Raposa

Rosas

São Paio

Sampaio

Schumacher - Sapateiro

Schwarth’sCopf - Cabeça de Preto

Schwartzneger – Preto Negro

Santos Silva

Serra Santos

Stein

Stern

Stone

Strauss – Ramo

Tirinta e três (médico) 34

Trinte trois...

Washington

Arbeit... schnell... Fenetre...

 

1. – Serra da Estrela– Léxico da Serra e doutras regiões para comparar...

 

Com Algumas expressões fortes que dão paladar à fala como o sal e a pimenta dão à comida...

 

Bem haja...

no tem de quê mê senhor..

muito bem haja para dizer obrigado

a gente fez caigenada...

somos mas é vontadeiros

bote cá a sua bençã...

bom proveito... que lhe preste...

mas que grande lavarinto...

era tudo uma retouça...

aquele deu um carvalhós

ou então um bate cu...

que é dar uma palhaça..

.ficar de cu pr'o ar...

e ficou amerzundado...

um caldudo de cuastuanhas puiluadas,...

cuabo d’isquuadra...

buocuado de centueio nuegro

tumuar tuento

duentes arrueganhuados

anda meio agraviado... por ficar esgroviado

isto é a gente a aldegar... a dizer coisas á toa...

desenferrujar a língua...

aqui no cruto da serra

lá inriba no cimo

demoncres dos infernosa

andar sesudo

pascer os animais

calhoada...ou atão uma tanganhada...

ingrolar os sentidos...

falar à polítega comá gente da cidade..

venha com deus deus o salve

não se acanhe

não deite mais que já bonda...

terra p'r'ámanhar

gado p'ra guardar para levar a pascer

covilhãen ou be(é)elmonte  - zei peidro vuai de cabeiça...

uolha qu'avuantas cuomigo

terra frrria farrrta e forrrte

alguém que vem do norte

puorra cumpadre, carago,

a nebe

os bentos

puorra carago car(v)alho carago...

SshSabugal -  co'a língua no scéu da boca

Bisjeu - inconteri o meu amor ai Sjejus que lá vou eu...

as pessoas leá due nueorte - que trocam os v(ês) por b(ês)

de lisssboa unde os tius vão pró riu ou p'rá puta qu'i'os pariu...

coimbra ou ao redor oliveira d'hospital lousã, luso ou mealhada aí é qui é o falar

atamancadas

e óspois?

morreram as vacas e ficaram os bois...

 

Serra da Estrela

1.2 – Palavras Nomes e Expressões...

1.2.1 – Nominália – ou a Festa dos Nomes – Toponímia - Nomes de Terras e de Lugares na Serra:

  Terras

ALDEIA DA SERRA

ALDEIA DE MATO

ALDEIA DO SOUTO

ALDEIA DO SOUTO

BARROCA DO ZÊZERE

BELMONTE

CABEÇA GORDA

CABEÇO DE EIRAS

COVILHÃ

FERRO

FREIXO DA SERRA

MACEIRA

MANTEIGAS

NABAIS

NESPEREIRA

ORJAIS

PAÚL

PÊRA BOA

POMARES

PORCAS

PRADOS

RABAÇAS

RIO TORTO

SABUGUEIRO

SALGUEIRAIS

Vide Entre Vinhas

Vales do Rio

 

Lugares na Serra

ALVERCA

ARCAZES

BARCA DOS HERMÍNIOS

BARROCA DAS LAMEIRA

CABEÇA DO VELHO

CALÇADA DO INFERNO

CANADA

CÂNTARO MAGRO

CARVALHAL

CASA DA FRAGA

CASTANHEIRA

CENTIEIRA

CERRO DA CORUJA

CHÃO DAS BARCAS

CORREDOR DOS MOUROS

CORUTO DE ALFÁTIMA

CORVO

COVA DA MOURA

CURRALDO VENTO

EIRAS

EIXOS BRANCOS

ESPINHAÇO DO CÃO DA CANDEEIRA

ESTRELA

FONTE DAS GALINHAS

Fonte dos Perus

FRAGA DA MALHADA DOS TORDOS

FRAGA DO CARVALHO

GARGANTA DOS CÂNTAROS

LAGOA ESCURA

LAMEIRAS

LAPA DOS DINHEIROS

LÍRIO

MADEIRA

NAVE DO TORNA AGOA

NOSSA SENHORADOS VERDES

PEDRA DO URSO

PENHA DO GATO

PENHAS DOURADAS

PERDIGUEIRO

POIO DAS ÁGUIAS

POIOS BRANCOS

PRADO

QUEIJEIRAS

QUINTA DOS FREIXOS

RIBEIRA DA RABAÇA

RUA DAS ROSEIRAS

SABUGAL

SAPATEIRO

SEIXALS

VALE DAS ÉGUAS

VALE DE CABRA

VARANDA DOS CARQUEIJAIS

ZEZEREIROS

 

ESTE É O CORO DA SERRA

DA SERRA DA MINHA TERRA

QUE SE CHAMA DA ESTRELA

E NOS NOMES QUE ELA GRITA

POR TANTOS LUGARES E TERRAS

MUITOS SEGREDOS ENCERRA

A REVELAREM MISTÉRIOS

QUE SE PERDERAM NO TEMPO

OU QUEM SABE? SÓ ESPERAM

QUEM OS DESCUBRA E DECIFRE

E AO LÊ-LOS, QUEM DIRIA

PODEREMOS DESCOBRIR

QUEM FOMOS E O QUE SOMOS

O QUE SERÁ O FUTURO

DESTA SERRA, DESTAS TERRAS

E DA GENTE QUE A HABITA...

 

In – Viagem à Minha STerra, NOMINÁLIA I – Toponímia - de José da Serra do Vale do Zêzere, um deNÓMIO de JRG, com mais de um milhar de nomes... (Banco de Dados)


1.2.1.2 – Nominália II

 

José Craveiro ALDEIA

Maria Alexandrina BARRIGA

Aires Augusto CAMPOS

Sebastião Massano CARVALHO

Guilhermino Melo CASTRO

Ernesto Lucas COELHO

Antónia Duarte CRAVEIRO

Maria Lurdes AS ESTRELA

Alberto FAZENDA

Luís Guilherme FIADEIRO

Maria Graça BM FRAGA

João Sarasiva GRILO

Albertina Lucas LEITÃO

Francisco Tavares MATA

Mª Graça C NEVES

José Silva PEREIRA

João Vicente PIRES

Maria Augusta PS PONTE

José de Bastos RABAÇA

Alberto Costa RAMOS

Aníbal Custódio RIBEIRO

Fernando Couto ROCHA

João Abrantes ROSA

João Félix SABUGUEIRO

Eduardo Santos VINAGRE

 

  – Nomes e Alcunhas

A Ta ESTRELADA

ABELHA

ABELHINHA

AFOGA PITAS

ALEGRIA

ANDORINHA

BARACINHA

BARRIGA D'ERVA

BATATA

BEZERRO

BICHAS

BOIVACA

BUCHA

CAÇADOR

CAFÉ

CAGA NOTAS

CANTONEIRO

CARAVELAS

CARECA

CARQUEIJA

CARRAÇA

CASTANHA PILADA

COELHO MORTO

CU DE PITA

ENDIREITA

ETENTA

FERRO VELHO

FONTE SANTA

FRANCÊS

FRANJA

GACHO VERDE

GRILO

GUITA

LAMBE BOTAS

LATOEIRO

MACABELO

MATA RATOS

MEIA BOLHA

MESTRE SERRA

MIL BICOS

O Joaquim CUCO

O Sr Joaquim MALAGUETA

O Ti FARNHOTE

OLHO DE GRILO

PASSARÃO

PASSIANDA

PERDIZ

PERNAS DE ARANHA

PERNAS DE GUITA

PITA GORDINHA

POLAINAS

POTE DAS MIGAS

PURA UVA

QUEIJEIRA

REI PRETO

RUÇOS

Ti Manel das COUVES

VESTE SENHORAS

VINAGRE

 

 

..

queria saber no final

se afinal é mal ou bem

e se o nome verdadeiro

o nome que nos convém

é o da pia ou registo

ou se por arte ou defeito

o nome que leva ao peito

dado pelos seus iguais

é ele que faz afinal

o seu retrato perfeito

e aquele retrato inteiro

desta terra que é a minha

e revela bem ou mal

 

quem sou eu ou quem és tu

quem somos nós afinal

se

dar o nome é ser senhor

ser o dono

ter um nome é aceitar

ser um servo ou ser um par

quem somos nós afinal?

quem és tu?

és os nomes que tu dás

és os nomes que te dão

acabou

PONTO FINAL...

 

In – Viagem à Minha STerra, NOMINÁLIA II – Toponímia - de José da Serra do Vale do Zêzere, um deNÓMIO de JRG – (Com mais de meio milhar de Nomes e Alcunhas, ver Banco de Dados)
1.2.1.3  ‑ Nominália III – Expressões...

A nominália terceira

tem de ser, está mesmo a ver-se

a festa daquele falar

da gente rude da serra...

pra juntar à dos seus nomes

a nominália de alcunhas

e à nominália dos nomes

que foram dados às pedras

e aos lugares que há na serra

pela gente que a habita

que a canta e a fecunda...

nela nasce e nela morre

gerando outra vez a vida...

 

pra poder admirar

as belezas que há na serra...

dum belo feio e agreste

diferente doutras belezas...

entre morros e penedos

covões naves e fragões

penhas penas poios pedras

com fragas que guardam pragas

e crutos com seus mirantes

varandas e miradouros

que levam o nosso olhar

até a vista alcançar...

 

é preciso nomeá-las

com os nomes acertados

que ali lhe foram dados

pelos que lá foram nados...

porque quem nasceu na serra

brotou do ventre da terra

como o pão e como as fontes...

como os corgos e os rios

as ribeiras os ribeiros...

como as ervas e as árvores...

 

como os animais... as aves...

 

e sendo assim como irmãos

nascidos da mesma terra

nascidos na mesma serra...

podem, por dom ou condão

alumiar...ou  chamar...

(sem andar a abocanhar...)

os nomes certos que dão

vida, comunicação

às coisas, aos seres e à gente...

 

e a outra gente que os ouve

falar daquele jeito e arte

logo os distingue e entende

quando ouvem...

 

ora atão venha com deus...

para dar a salvação...

no tem de quê mê senhor..

para dizer obrigado

ou então. muito bem-haja...

a gente fez caigenada...

dizem a pedir escusa...

somos mas é vontadeiros

que é dar de boa-vontade...

dê lá os nossos recados...

para mandar cumprimentos...

farei presente... bem haja

quem nos traz e quem nos manda...

seja tudo pelas almas

que já lá estão à espera...

bocemecê mê padrinho

bote cá a sua bençã...

cá vai pra que viva..., esta pinga,

bom proveito... que lhe preste...

mas que grande lavarinto...

toda a gente em movimento

numa grande barafunda...

era tudo uma retouça...

aquele deu um carvalhós,

ou então um bate cu...

que é dar uma palhaça...

e ficar de cu pr'o ar...

ou deu c'o rabo no chão...

porque deu a cambalhota...

e ficou amerzundado...

por ficar um pouco tonto

espera aí um migalho...

para esperar um bom bocado...

anda meio agraviado...

por ficar esgroviado

ou então aparvalhado

isto é a gente a aldegar...

a dizer coisas á toa...

é para dar-à-taramela

desenferrujar a língua...

qu'aqui no cruto da serra

e lá inriba no cimo

é só fragas com as pragas

a meterem medo às gente

com cocas e maus olhados

uns demoncres dos infernos

qu'isto é de andar sesudo

a pascer os animais

e vai uma calhoada...

ou atão uma tanganhada...

pra ingrolar os sentidos...

mas também se você quer

vamos falar à polítega

comá gente da cidade..

...

estas são algumas falas

que a gente da minha terra

e das terras que há na serra

dizem para enunciar

o dia a dia da vida...

os nomes que dão às coisas

os nomes que dão à gente

os seus ditos e provérbios

os rifões os seus ditados

a salvação o bom dia

boas tardes boas noites

venha com deus deus o salve

que tudo lhe corra bem

como mo deseja a mim...

vai um copo ou uma pinga

não se acanhe

não deite mais que já bonda...

steja à sua vontade

como estar em casa sua...

e se fala do trabalho.

há a terra p'r'ámanhar

e o gado p'ra guardar

para levar a pascer

p'ra ordenhar recolher

lá no curral ou na corte...

 

e

todo este falar vem a ser

quem o diria ou sonhara

uma estranha melodia

a formar a sinfonia

de mil sons mil instrumentos

de mil vozes doutras eras

...

mas como as magas estrelas

embora falando claro

como letras luminosas

há muitos que as não entendem

não sabem sua linguagem...

...

assim

este rude falar

que é o bom falar da serra

pode sem querer ir chocar

os ouvidos delicados

dos estranhos viandantes

ou das gentes das cidades

ou até doutros lugares

que ao ouvirem tal falar

logo dizem:

esta gente é lá da serra...

e aqui não se fala bem

como lá nos nossos lados...

pois pudera! são da serra

que não há em outro lado...

..

e se é gente do algarve

ou das terras dalém- tejo

que ali nos ouvem falar

na sua terra que é deles...

dizem logo:

vomecê vem lá do norte

é galego com certeza

e tanto puode suer ele

de mantueigas ou da guarrda

da covilhãen ou be(é)elmonte

ou doutra terra da serra...

que para o sul é galego

dê-lhe lá por onde der...

mas ali tudo é diferente

em cada terra lugar

em cada buraco ou monte

como a serra é toda serra

em cada canto diferente...

de manteigas pode ouvir:

uolha qu'avuantas cuomigo

vue luá buem se tuens cuiduado...

ou uentão na Cuovilhãen

quando fuoi uau futibol

ouviu de cuerto dizzer:

zei peidro vuai de cabeiça...

uou entuão se vai i à guarrda

terra frrria farrrta e forrrte

s'é alguém que vem do norte

de braga ou dali abaixo

diz logo.

puorra cumpadre, carago,

o pior nesta cidade

nem é o frio ou a nebe

o pior aqui - são os bentos

que nem nos deixam falar

e até cortam as orelhas

ou a ponta do nariz

se não metemos o gorro

que chegue mesmo ao pescoço...

puorra carago car(v)alho

nem se pode andar na rua

sem s'isticar ao cumprido

duas ou mais bez(es) por dia...

isto acontece na terras

onde dizer palavrões

aquelas expressões fortes

que dão paladar à fala

como o sal e a pimenta

metem logo dois ou três

pró tempero ser seguro...

para ouvir duas palavras

seguidas e sem tempero

tem de pedir: por favor

ó meu senhor, diga lá

Nossa Senhora

prá gente poder ouvir

duas palavras seguidas

sem um porra e um carago...

 

mas pode ssser doutro lado

talvez lá do SShSabugal

co'a língua no scéu da boca

bem enrolada a bater

que schega àsss raiasss d'essspanha...

ou então é de Bisjeu

vindo eu, vindo eu

lá das bandas de bisjeu

inconteri o meu amor

ai Sjejus que lá vou eu...

isssto sssão terras do demo

do aquilino malhadinhas

por uonde os luobos uibaram

e assim começa a fala

das pessoas leá due nueorte

que trocam os v(ês) por b(ês)

ou não bês que i é assim

que i é fino falar bem

como se fala em Madrid:

arriba franco, biba espanha

isto é qui é o bom falar

que não é o de lisssboa

unde os tius vão pró riu

ou p'rá puta qu'i'os pariu...

 

mas isto não é assim

em todo o lado afinal

porque em coimbra ou ao redor

oliveira d'hospital

lousã, luso ou mealhada

aí é qui é o falar

padrão do bom português

e quem não falar assim

não é doutor... nem burguês

burro sim...e pode ser

um aldeão ou vilão

ou até bom cidadão

duma cidade qualquer

ou então é montanhês

lá da serra da estrela

terra de conquistadores

de guerreiros viriatos

que disputam sua cova

a cava de viriato

que uns dizem é aqui...

e fazem uma caverna

nos jardins duma cidade

com pedras atamancadas

como dizem em bisjeu

pois ali há sinais claros

das vias largas romanas

que vinham de norte e sul

e corriam para roma

pois como diz o ditado

desde o império romano

tudo aquilo que é caminho

vai dar a roma cidade

à capital do império

maior que já existiu...

...

LENGA-LENGAS, ANFIGURI?

HISTÓRIAS SEM PÉS NEM CABEÇA?

ou HISTÓRIAS COM PÉS nem CABEÇA?

 

queres que te conte um conto?

camisa velha tem muito ponto.

e que tal?

arroz de pardal.

stás c'o frio?

embrulha-te na capa do teu tio

e vai-te deitar ao rio.

e o batismo dos ciganos?

eu te batizo neste ribeiro

para que tenhas olho fino e pé ligeiro.

 

à morte ninguém escapa

nem o rei nem o bispo nem o papa

mas hei-de escapar eu

compro uma panela

que me custa um vintém

meto-me dentro dela

e tapo-me muito bem

vem a morte e diz

hum! aqui não há ninguém

boas noites meus senhores

e passem por cá muito bem.

ra e no era

andava na serra

seu pai era morto

sua mãe por nascer

deitou o arado às costas

e pôs-se a cavar

subiu por uma ladeira abaixo

e foi a correr...

subiu por uma oliveira acima

colheu maças...

era uma vez um rei e um bispo,

acabado o conto,

não sei mais do que isto.

e pronto,

acabou-se o conto.

novelo enrolado

conto acabado

meada dobada

história acabada

e óspois?

morreram as vacas e ficaram os bois.

já vai longa a hora

acabou-se a história.

In – Viagem à Minha STerra, NOMINÁLIA III – Expressões do Falar - de José da Serra do Vale do Zêzere, um deNÓMIO de JRG – (Com mais de um milhar de Recolhas em diversas obras e recolhidas directamnete, ver Banco de Dados)

ALENTEJO

2. Alentejo

2.1 – O Oral / Escrito... Léxico regional...

Exemplos:

Abespras

Canito

Chumela

Esbarrunto

Escarapantado

Galfárrias

Palaio

Panito /canito

Taçalho

Rouparia/ Lavandaria

TERMO origem provável CITAÇÃO / INFORMAÇÃO / Significado OBRA PÁG.

abondo

lat. abundu-

v. avonde e tem avondo tem qu’avonde

Abundante; e Assaz, suficientemente...

 

 

aceifões

ár. as-saifãn?

v. açafões, safões e ceifões...

 

 

ajuda

de ajudar

Aqui é o segundo pastor do maioral.

EALPA, CF.

145

alavão

ár. al-laban

Diz-se do gado que dá leite.

V. alabão.No alentejo anda ligado ao rebanho que dá leite para queijos.

EALPA, CF.

151

152

alcácer

ár. al-qaçr

“castelo, palácio”.

 

 

alcáçova

ár. al-qaçabâ

“cidadela”.

 

 

alfeire

ár. al-hair

“cercado, horta; cercado onde se guarda o gado”.

EALPA, CF.

150

alfeireiro

 

“o homem de guarda...” ao alfeire

EALPA, CF.

150

alfeiria

v. alfeire

Égua ainda estéril.

 

 

alfirme

de firme

Corda delgada de esparto. v.rede

EALPA, CF.

161

alforria

ár. al-huriiâ

v. forro e forra

 

 

algara

ár. al-gãra

“incursão de cavaleiros por um território”.

 

 

aljube

ár. al-jubb

“cisterna, poço”.

 

 

almástica

ár. al-masteka

Resina de lentisco...

Al. sementeira para repovoação.

 

 

almece

ár. al-mis ou al-miç (DE), al- mãiç(GDLP).

“soro de queijo” que desempenhava um papel importante na alimentação das classes pobres, durante as rouparias... Fevereiro - Páscoa...

Relacionar com Manteigas, na Serra da Estrela. v. tabefe.

EALPA, CF.

Nº0, jTC, Nº0, Fev.94.

165

alqueve

ár. al-qauã ?

“terra deserta”. terra de pousio...

 

 

amanhar

 

Cultivar a terra, prepará-la... Amanhar (consertar) um objecto... ossos...

 

 

avio

de aviar

Provisão de mantimentos...

EALPA, CF.

158

avonde

lat. abunde-

Abundante, bastante.

 

 

azado

 

Pote pequeno para onde o leite é coado por panos sobrepostos... e coalha com cardo...

EALPA, CF.

164

azedo

 

O estado de fermentação do queijo...

EALPA, CF.

164

azenha

ár. as-sãnia

“nora, roda de irrigação...”

EALPA, CF.

168

borra

lat. burra-

“burel, tecido grosseiro de lã”.

EALPA, CF.

146

borrego

lat. burru-

“ruço, encarnado”.

EALPA, CF.

146

borro

lat. burru-

“ruço, encarnado”.

EALPA, CF.

146

calatroia

 

Sopa de azeite e cebola, em uso no Alentejo.

EALPA, CF.

159

çamarro.

v. samarro

“... é diverso do pelico, formado por duas peles, uma maior nas costas, outra no peito, e sem mangas.”

EALPA, CF.

155

caniçado

 

Prateleiras onde os queijos acabados de fazer, vão fermentar... até ao azedo...

EALPA, CF.

164

carneiro

lat. carnãriu-

“animal carnudo de boa carne”.

Será o borro já crescido...

EALPA, CF.

147

chinchos

 

Armação de lata circular para dar forma aos queijos...

EALPA, CF.

164

chumela

de chumaço

Pequeno travesseiro, almofada... Faixa de recém nascido.

Ouvido em conversa, Al.

 

comedias

 

O pagamento em comida... o avio para a semana...

EALPA, CF.

jTC, nº0, Fev.94

171

destrajar-se

 

Deixar o fato usual. Vestir-se de máscara; vestir pelo carnaval...

GDLP,como de uso normal e eu só vi usar no Al.

 

eguariços

lat. equaritiu-

div. tipo de pastores. Relativo a éguas. O que trata de cavalos e éguas.

EALPA, CF.

154

engradar

v. gradar e engraecer.

Criar-se o grão.

 

 

engradecer

v. gradar e engraecer.

“Aqui a semente grada mais...” ou “engradece mais...”

Tornar-se grado.

 

 

espiche

v. espicho

Rolha feita com pau aguçado.

EALPA, CF.

160

farota

ár. kharutâ ?

ovelha velha

EALPA, CF.

148

farropo

ár. kharuf ?

“Borrego”.É uma sugestão do Conde de Ficalho registado mas discutido pelo DELP.

EALPA, CF.

148

ferrada

Prov. Vasilha para onde se munge o leite...

Panela grande com asa onde se faz comida... e outros usos... (É a ferrada entre os pastores da Serra da Estrela.

EALPA, CF.

159

funda

lat. funda

Laçada de coura para atirar pedras...

EALPA, CF.

156

gabão

 

Espécie de capote com mangas, capuz e cabeção.

jTC, nº 0 Fev.94

(gabõezito?)

 

gabinardo ou gabinarda

v. pelico...

Espécie de capote; gabão...

Ouvido em conversa, Al.

 

ganadeiros

 

div. tipo de pastores

EALPA, CF.

154

ganhões

 

“... são concertados dia de S. Maria...” os pastores no dia de S.Pedro...

EALPA, CF.

154

gaspacho

v. vinagrada e caspacho.

Iguaria com pão, água fria, azeite, vinagre, legumes...

 

 

golpelhas

 

Recipiente para transportar a lã na tosquia...

EALPA, CF.

170

gradar

v. engradar, engradecer e engradecer.

“Aqui a semente grada mais...” ou “engradece mais...”

Tornar-se grado, crescer.

Ouvido em conversa, S.E..

 

granito

 

- Grão pequeno

- Certo tipo de rocha ou pedra.

 

 

gravato

 

Pedaço de madeira, graveto, garavato.

jTC, nº 0 Fev.94

 

legras

 

canivete de folha curva...

EALPA, CF.

160

maioral

de maior

Pastor de um rebanho subordinado ao Rabadão.

EALPA, CF.

145

mangação

pop.

Caçoado, zombaria, escárnio, troça, mofa.

 

 

margaça

 

planta forraginosa, diferente da marcela...

 

 

moenda

v. moenga

Conjunto de peças que servam para moer...

 

 

moenga

v. moenda

Conjunto de peças que servam para moer...

 

 

nora

ár. na’aura

 

O EALPA, CF.

144

olheiro

 

o que vigia certos trabalhos...

Al. Curioso, metediço...

 

 

pegulhal

 

As ovelhas do pastor, como parceria com o patrão...

EALPA, CF.

171

pelico

 

“...grande jaqueta de peles que os pastores usam...” Prov. Al. Fato de pastor feito de de peles de carneiro.

EALPA, CF.

155

plaineta

???

(Úma das palavras que não encontrei no GDLP).

“Puxou duma plaineta...” cigarro de mortalha...

ouvido em conversa, Al.

 

rabadão

ár. rabb aD-Dãn; ou rabb ad-han.

“dono de carneiros” - No Alentejo é o pastor chefe...

EALPA, CF.

144

rabeja

v. tosquia

Tosquia da lã suja que possa estorvar a ordenha...

EALPA, CF.

163

rabo de gato

erva

Nome de ervas dados pelos pastores...

jTC, nº 0 Fev.94

 

ronha

 

Doença das ovelhas... tratada com mera...

EALPA, CF.

170

roupeiro

 

Pessoa que faz queijos...

EALPA, CF.

153

safões

ár. as-saifãn?

v. açafões e aceifões...

 

 

tarracear ou terracear?

???

“‘Stão p’rali tarraceando...”

(Uma das palavras que não encontrei no GDLP).

ouvido em conversa, Al..

 

tarro

 

Al. Marmita de cortiça...

 

 

trasfegar

v. tresfegar

Passar de uma vasilha para a outra... Ant. Lidar.

 

 

vinagrada

v. gaspacho

Iguaria com pão, água fria, azeite, vinagre, legumes...

EALPA, CF.

159

zagal

ár. az-zagal

“pessoa animosa e forte; mancebo”; vt. azagal

EALPA, CF.

145

zambujo

mq. zambujeiro

Espécie de oliveira brava...

Cacete feito dessa árvore.

 

 

zarapatusco

isqueiro???

“Puxou do zarapatusco e acendeu a plaineta...”

(Uma das palavras que não encontrei no GDLP.)

ouvido em conversa, Al.

joraga2000

 

1 - EALPA, CF. - Significa a obra do Senhor Conde de Ficalho: “O ELEMENTO ÁRABE NA LINGUAGEM DOS PASTORES ALENTEJANOS. A paginação que se encontra neste quadro refere-se, não ao trabalho que saíu em A TRADIÇÃO, mas ao livro publicado em Lisboa, 1979, edição provavelmente da família: NOTAS HISTÓRICAS ACERCA DE SERPA e O ELEMENTO ÁRABE NA LINGUAGEM DOS PASTORES ALENTEJANOS que nessa obra vai da página 141 a 173.

2 - Os dicionários usados para tirar dúvidas, verificar significados e se existiam, foram: o GRANDE DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA, (GDLP) I -XII volumes, coordenação de José Pedro Machado, 1981, Amigos do Livro Editores;

3 - O outro trabalho a que resolvemos recorrer, e assinalamos com (jTC Nº0, Fev.94), trata-se do Jornal TERRAS DO CANTE, Nº 0, de Fevereiro de 1994, trabalhos de J.M. Monarca Pinheiro, “e os PASTORES de alentejo eram...” e “apregoava almece e RECHINA” só a título de exemplo do imenso trabalho que seria preciso fazer para um levantamento do vocabulário usado entre PASTORES e PREGOEIROS... e os outros?!!! E o resto? Há um imenso trabalho a fazer que não pode esperar, e não podemos esperar que outros, venham fazer por nós.

4 - Por comodidade, e falta de tempo, sempre que há a origem assinalada e o significado entre parêntesis, trata-se do significado do Dicionário Etimológico. Quando houver dúvidas, qualquer estudioso as pode tirar.

5 - Nalgumas palavras, além do significado do dicionário, tentamos dar o significado que tem na obra do Senhor Conde de Ficalho ou no Alentejo, mesmo que não esteja devidamente assinalado

In: A/s LENDA/s DA MOURA – A MOURA – AMOR – A MORTE, A MAGIA OU A UTOPIA DA CONVIVÊNCIA (IM)POSSÍVEL, um inédito de JRG, Beja, 1994, publicado parcialmente na Revista Arquivo de Beja, vol. VI, série III, de Dezembro de 97, com o título MOURA – 10 LENDAS – UMA LENDA – A MAGIA OU A UTOPIA DA CONVIVÊNCIA (IM)POSSÍVEL.

ALENTEJO

NOMES E ALCUNHAS

2.3.4 – Uma LISTA de NOMES de registo numa Escola em Beja

 1987/88, F. Fanahis e Alcunhas de Dr. Fancisco Martins Ramos de Évora

 

Uma lista aleatória de Nomes Próprios:

Afonso Pequeno

Agulhas

Aiveca

Alfaiate Curva

Alhinho

Aresta Branco

Bagio Caramba

Batista Bate

Batoque

Bexiga

Borracha

Bravo Vilão

Brincheiro

Burrica Ramos

Cachita

Calça

Calceteira

Caldeirinha

Calhegos

Calhordo

Candeias

Canudo

Caracóis

Cardador

Carocinho

Carocinho

Carocinho Cabrito

Carraça

Carrujo Caramba

Carulo

Casadinho Zambujo

Cascalheira

Cascalheira

Cascarrinho

Chapita

Conduto

Corte Negra

Crujo Aldeias

Curva Ameixa

Élcio

Estradas

Faleiro Lindeza

Galama Bicho

Galiado

Goinhas G. Peladinho Gonçalve Engrossa

Gonçalves Peta

Grazina Ratinho

Lindeza

Maceta

Manguito

Mário ZAmbujal

Massapina

Mauzinhos

Menicha

Mestre Tareco

Moita Flores

Mourato Monge

Muacho Restolho

Nifrário Portas

Ninhos Montezo

Olho Azul Guerreiro

Ourives Arromba

Paixão Velhuco

Pão Branco

Pão Mole

Parrinha Raminhos

Passinhas

Pau Preto Careca

Pernicha

Piçarra Ameixa

Pimentinha Ramos

Pires Patolo

Pirrolas

Queixinhas

Quinta Queimada Lampreia

Ramos Brilhos

Ranos Amante

Razina

Remexido Freitas

Rosa Dias

Tira Picos

Trincalhetas Soeiro

Vinha Borges

Zambujo

 

ALCUNHAS ALENTEJANAS, de Dr. Fancisco Martins Ramos de Évora, Monsaraz, 1993.

 

Abala Matos

Amendoeira

Adelino da Charca

Águia Real

Aguarrás

Aguardente

Ai Nina

Aivecas

Alcagoita (Amendoim)

Alegria dos Funerais

Alhinhos

Alicate Andante

Alicate de Pontas

Azeiteira

Vaidevolta

Barricas

Banana

Barbaças

Barbas de Aço

Barriga d’... Aço... Almece...

Batardo (ave)

Bento Boneco / Tripa

Bernardo das Vacas

Bicha

Bezerro

Bicho da Boleta

Bidom

Boga Crua

Bogango de regadio

Bolo finto

Borda d’Água

Borrego Embarbelado

Cabaça Velha

Cabeça d’... Asno... Gato...Negra...

Cabeçana

Cabreira

Cabrinha

Cação

Cachorro

Caga ... Cheques... Libras...

Caga na ...

Cágado Branco

Calitro

Canetas

Capitão Nalguinhas

Cara... d’Aço...

Caracol

Carago

Carapau...

Carpinteiro

Carrajola

Cartaxanas

Casadinho

Chaparro Engravatado

Corta Rabos

Chaparro Engravatado

Corta Rabos Dez Reis

Dezoito

Dente d’Alho

Desinquieto

Égua de Madeira

Erva Cidreira

Ervilhana (Amendoim)

Espragana (Pragana)

Évora

Faísca / o

Farelos

Farnheira

Fato ...

Fava ...

Ferra o Bico

Ferrador

Ferreirinho

Ferreiro

Ferrinho

Ferrinho de Engomar

Ferro Eléctrico

Ferro Velho

Ferros de Charrua

Ferrolho

Figo Inchado

Figo Lampo

Fio de Azeite

Formiga

Furão

Gadelha(s)

Furão

Gadelha(s)

Gago

Galinha(s)

Galo

Ganhão

Garrafa

Giesta

Gila

Há Lá Lobos

Horta

Inverno

Implica

Já Basta

Javardo

José dos Passarinhos

Kid Carcaça

Lã Branca

Lagarta

Laranjal

Lobo

Má Bicho

Má Cabelo

Manta

Mata Burros

Mil Homens

Nabo

Nariz de Alfinete

Natibó

Nota de Vinte

Ó Mãezinha

Olho Azul

Orelhas

Osga

Pá da Ova

Palhinhas

Perna de Coelho

Quadrado

Queimado

Ralha

Rat(s)

Sabonete

Sapateiro

Tablete

Texugo

Uva

Vacas – Xora – Zangão...

Com mais de 6 anos de recolhas etnográficas e mais de 6.000 alcunhas recolhidas...

IN (Alcunhas Alentejanas -  o Livro de Francisco Ramos)

O alentejano e as festas.

ESTRALA A BOMBA
E O FOGUETE VAI NO AR.
ARREBENTA, FICA TUDO QUEIMADO...
NO HÁ NINGUÉM, QUE BALHE MAIS BEM
C'AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO...
E AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO É QUE Éi
LAVRAM A TERRA C'AS UNHAS DOS PÉiS...
E AS MENINAS DA RIBEIRA DO SADO SAN COM'AS OVELHAS
TÊM CARRAPATOS ATRÁS DAS ORELHAS!!!

(Cantada pelas alunas que tiravam o curso de Educadoras na escola do Magistério Primário, Beja, em 1985... Fica como registo de linguagem fortemente agarrada à terra...)

A PONTE DA REBÊRA D'ODEVELAS

Graças a Deus que já tem
Odevelas sua ponte
Cuma estalage de fronte
pruparada
pra quem vier de jornada
nela poder pernoitar,
sem o prigo de s'afogare
da rebêra

O mestre c'afez
capetão d'ingenharia
fêzia toda em mármre
e àvenaria!

OBRA PRUFÊTA!!!

SEIXAL - ALGUNS DADOS ESTATÍSTICOS - TERMOS NÁUTICOS

 

3. Seixal –Amora – Fogueteiro...

Ver: Retalhos daMinha Terra – Monografia do Concelho do Seixal, de Manuel Oliveira Rebelo, Câmara Municipal do Seixal, 2ª edição, 1990.

3.1 – Alguns Dados sobre o Seixal – o Enraizamento e a Construção de uma Nova Cultura, numa sociedade construída por Gentes oriundas de diversas Culturas...

 

in Breves apontamentos:

Concelho do Seixal – Área: 81,92 Km2 de superfície. Distrito de Setúbal.

Freguesias: Seixal, Arrentela, Paio Pires, amora e Coroios.

Situado a 10 Km ao Sul de Lisboa, na Margem Esquerda do Estuário do Tejo, onde desagua o Rio Judeu.

Dados de 1950: Existiam:

Famílias - 4.645

Habitantes: 15.937 (8.107 homens, 7.830 mulheres – com 61 estrangeiros).

Analfabetos – havia cerca de 40%.

Evolução do Concelho – Possivelmente desde os anos 40

 

Uma breve estatística como exemplo do que há para estudar:

Ano

Localidade

Fogos / Famílias

Habitantes / Moradores

Notas

1500

Seixal

 

30 pessoas

 

1527

Amora

 

21 moradores

 

1527

Almada

 

1.812 (Todo o termo de Almada...

 

1620

Amora

60 fogos

250 habitantes

1993 /46.213

 

Arrentela

350 fogos

890 habitantes

 

 

Corroios

65 fogos

180? habitantes

1993 / 40.000

1707 a 1723

Seixal

 

400 habitantes

 

 

Alguns dados para ver a evolução do concelho

1758

 

 

3.874

 

1890

 

 

5.398

 

1900

 

 

6.794

 

1950

 

 

15.937

 

1960

 

 

20.470

 

1970

 

 

38.090

 

1980

 

 

89.169

 

1981

 

 

87.344

 

1987

 

 

(v. cadernos eleitoriais)116.615

*135.085

1991

 

 

123.542

 

*Estimativa feita com base nos contadores de água instalados pela Câmara.

Estes dados foram recolhidos só como amostra e não para um estudo rigoroso, do Guia do Munícipe – Seixal – Câmara Municipal do Seixal, 1993.

 

Sabemos que, até aos anos sessenta, “a população do concelho sofreu acréscimos regulares, com uma dinâmica demográfica semelhante em todas as freguesias” (Estudos do INE) e, com o surto migratório do Alentejo, esta zona, não tinha perdido as suas características de espaço rural recheado de muitas e agradáveis quintas.

 

(Seria oportuno um ou dois exemplos das belas Quintas desta zona)

3.3 – Glosário e Características marcantes... Margem Sul... (Uma amostra)

(Ver: História do concelho do Seixal – património industrial – MOINHOS DE MARÉ, de António J. C. Maia Nabais – Câmara Municipal do Seixal, 1986.pp. 142 – 144).

 

Abra

 Bafa, ancoradouro.

Adufa

 Dique, represa para conter as águas.

Alavadouro ou aliviadouro

 Peça de madeira que permite regular o afastamento das pedras da mó.

Betume para Cantaria

 É uma substância feita de boa cal com pó de pedra, escórias vulcânicas, ou outra qualquer matéria> amassada algumas vezes com óleo, para se guarnecerem,  ou tomarem as juntas das cantarias quando têm de ser banhadas pela água.

Cadelo

 Cruzeta de pau, presa ao tegão e agitada pela mó em movimento, que permite a queda do grão no olho da mó.

Cambeiro

 Anteparo das mós de chapa de metal ou de madeira colocada à frente da mó para que a farinha não se espalhe.

Cimentos Hidráulicos

 São os que têm as mesmas propriedades dos outros cimentos e além desta propriedade tem, a, de fazerem pega debaixo de água só por si. Os cimentas comuns não têm esta propriedade.

Comporta

 A porta de madeira que sustem as águas da caldeira dos moinhos de maré. A água entra na caldeira através da comporta que abre e fecha automaticamente, conforme a maré sobe ou desce.

Embasamento

 Base contínua que serve para sustentar um edifício Espécie de pedestal contínuo na base dum edifício.

Engrenagem

 Jogo de rodas dentadas para transmissão de movimento. Nos moinhos a engrenagem de ferro fundido substituiu o sistema de rodas dentadas de madeira A engrenagem utilizada é a  commumente chamada coroa

Esteiro

 Braço de rio ou de mar  que se estende pela terra.

Ferida

– Lugar por onde a água, nas caldeiras,  sai para os rodízios do moinho.

Fezes

Escória de metais O melhor secante para toda a cor branca fina, era o composto de fezes de oiro de óleo de nozes.

Lobeto

Peça de ferro que faz parte do aparelho do moinho que está ligado ao veio e encaixa no rodízio.

Maquia

– É a parte que para si tomam os moleiros, da farinha que fabricam para outrem, como remuneração do seu trabalho. – Antiga medida de cereais, que equivalia a dois celamins.

Marés

 Os movimentos regulares e periódicos das águas dos oceanos,  as quais sobem e descem duas vezes por dia, chamam O movimento ascensional das águas, durante cerca de seis horas,  entre a baixa mar e a preia. O fenómeno das marés é devido à atracção exercida sobre o globo terrestre pela Lua e pelo Sol.

Medidas

 l Polegada = 0,0275 do metro : l Braça = 2,2 metros

Moega

 Vasilha de madeira em forma piramidal, que tem o vértice para baixo e nele uma abertura por onde sai o grão a pouco e pouco para cair entre as mós do moinho a fim de ser reduzido a farinha.

Moinho

 Engenho que serve para moer trigo, cevada, etc. Consta de roda, rodízio, penas, pouso, corredoura, aguilhão,  segurelha, lobeto, rela, viela, veio, quelha ou calha, etc.

Pela

 A parte mais grossa da haste ou árvore onde se inserem as penas do rodízio.

Pejadouro

 Aparelho feito de madeira para fazer parar o moinho,  ou, regular o andamento das mós,  cortando a água. Nalgumas regiões portuguesas significa c mesmo que adufa.

Pena

 Cada uma das asas do rodízio do moinho, nas quais bate a água que o move (c.f.). As penas também recebiam o nome de pás.

Picadeira

 Ferro com que se picam as mós.

Picão

 Instrumento de ferro agudo de ambas as partes que o moleiro utiliza para picar as mós.

Quelha

 Peça de madeira. que forma ângulo reentrante,  por onde o grão que sai da tremonha corre para o olho da mó, nos moinhos de cereais.

Segurelha

 É um ferro que tem as extremidades mais largas e vai diminuindo para o meio, no qual tem uma abertura onde entra o ferro que faz andar a pedra de cima.

Setia

 Canal que conduz a água das caldeiras que faz mover os rodízios.

Taleiga

 Saco, pequeno e largo, destinado à condução de cereais para os moinhos e das farinhas que neles se fabrica.

Tegão ou Têgão

 O mesmo que tremonha. Peça do moinho, de madeira, com a forma de uma pirâmide quadrangular invertida, onde se lança o grão que vai ser moído, também chamada canoira, dorneira, moega e tolda.

Tremoia

 O mesmo que tremonha.

Tremonha

 Peça do moinho. em forma de pirâmide quadrada e invertida, por cuja extremidade inferior passa o grão que vai ser moído.

Veio

 Barra de ferro em torno da qual gira o eixo. Peça que fica na parte superior do rodízio.

Verga

 Nas portas e janelas são as cantarias, lavradas ou singelas, que se apoiam sobre as ombreiras. O lado oposto às vergas, nas portas chama se soleira ou limiar, e nas janelas peitoril.

António J. C. Maia Nabais


3.4 ‑ A LADAÍNHA DAS QUINTAS

NO CONCELHO DO SEIXAL MARGEM A SUL DO TEJO

 

“Estou nas minhas sete quintas” e outras histórias. Vide (Exposição e Escola Jardim, M. Lima em Setembro de 1996 ). Só a partir destes nomes, quantas histórias e lendas se podem des/encantar?

 

Quinta

Nome

Localização /Notas

 

 

Quinta do

Antelmo

 

1.    

 

Quinta da

Água

 

2.    

 

Quinta da

Argena

 

3.