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AS
VOZES E OS GESTOS
PREGÕES
In
Cancioneiro Popular Português, Michel Giacometti com a colaboração
de Fernando Lopes Graça, Circulo de Leitores, 1981, pp.
225 a 231.
AS
VOZES E
OS GESTOS
Do pregão
dos vendilhões à loa dos autos sacros, a sociedade rural segregou
outros tantos meios de comunicação a romper barreiras físicas, sociais
ou psicológicas, de acordo com a sentida necessidade de quebrar
silêncios impostos na solidão colectiva.
Os impulsos
de aproximação tomaram, assim, feições que são reconhecíveis ainda
no apregoar de uma mercadoria ou de um acontecimento, no toque festivo
de uma alvorada, na difusão por montes e vales de mensagens orais,
na disputa de cantadores ao desafio, na lamúria dialogada de cegos
pedintes, na palavra entoada em autos e ritos, por ruas, praças
e palcos improvisados.
Que o
fim em vista tivesse sido mercantil ou de comunicação utilitária,
de natureza competitiva ou histriónica, de carácter lúdico ou didáctico,
o transporte à distância da voz, através dos obstáculos que se lhe
deparavam, constitui um salto qualitativo sem preço nas relações
dos homens do campo.
Neste
sentido, importa relevar a virtude de simples entoações e gestos
sacralizados, de gritos e chamamentos telúricos, de expressões vocais
elementares, inalteradas pelos tempos, na tentativa sempre recomeçada
de aproximar as distâncias (e com elas os destinos) do homem para
com o homem.
Cancioneiro
Popular Português, Michel Giocometti com a colaboração de Fernando
Lopes Graça, Circulo de Leitores, 1981, p. 225.
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1.
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171.
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Ó
VIVA DA COSTA!
Pregão
da sardinha
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T.
Borba, Lisboa, 1º quartel s. XX
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226
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Ó
VIVA DA COSTA!
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2.
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172.
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Ó
BURRIÉ, BURRIÉ!
Pregão
do mexilhão
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T.
Borba, Lisboa, 1º quartel s. XX
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226
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Ó
BURRIÉ, BURRIÉ, BURRIÉ, BURRIÉ, MEXILHÃO!
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3.
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173.
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MERCA
O CABAZ DE MORANGOS!
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T.
Borba, Lisboa, 1º quartel s. XX
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226
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MERCA
O CABAZ DE MORANGOS!
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4.
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174.
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OLHA
O RAMO ALTO!
Pregão
da laranja
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J.
Cortesão, Lisboa, ant. 1942
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226
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OLHA
DO RAMO ALTO! OLHA A LARANJA BOA!
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5.
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175.
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QUEM
QUER FIGOS?
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T.
Borba, Lisboa, 1º quartel s. XX
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227
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QUEM
QUER FIGOS, QUEM QUER ALMOÇAR'
Ó
FIGUINHOS DE CAPA ROTA!
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6.
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176.
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MERCA
MELÕES DE COIMBRA!
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C.
das Neves e G. de Campos, Coimbra (?) 1870 – 1898
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227
|

MERCA
MELÕES DE COIMBRA TÃO BONS!
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7.
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177.
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A
DEZ REIS O SELAMIM
Pregão
das azeitonas
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L.
de Freitas Branco, Lisboa, ant. 1955
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227
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A
DEZ REIS O SELAMIM,
QUEM
QUER AZEITONAS NOVAS?
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8.
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178.
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CASTANHA
COZIDA
|
C.
das Neves e G. de Campos, Coimbra (?) 1879-1898
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227
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CASTANHA
COZIDA.
QUEM
AS QUER QUENTINHAS D'ERVA DOCE?
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9.
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179.
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OLHA
OS BONS PÊROS ASSADOS!
|
L.
de Freitas Branco, Lisboa, ant. 1955
|
227
|

OLHA
OS BONS PÊROS
ASSADOS
NO FORNO!
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10.
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180.
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UM
AH!
Pregão
de caramelos
|
A.
Tomás Pires, Elvas, 1906 (?)
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228
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UM
AH! AH CRAMÉ! AH TATARRÁ!
AH
TRICICI! AGUINHA DA CISTERNA.
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11.
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181.
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QUEM
QUER COMPRAR BOM VINHO TINTO?
|
A.
Tomás Pires, Elvas, 1906 (?)
|
228
|

QUEM
QUER COMPRAR BOM VINHO TINTO
A
TRÊS VINTENS O LITRO
VÁ
AO ROCIO, À VENDA DO CACHUDO
QUE
LÁ SE VENDE.
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12.
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182.
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Ó
FREGUESA LÁ DO PRIMEIRO – Pregão do Leite
|
L.
de Freitas Branco, Lisboa, ant. 1955
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228
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Ó
FREGUESA LÁ DO PRIMEIRO,
VENHA
À VAQUINHA, CÁ ESTÁ O LEITEIRO.
CHEGA
LÁ PARA BAIXO, CHEGA.
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13.
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183.
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COMPRA
«FRÓSFES»
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M.
de Sampaio Ribeiro, Lisboa, Ant. 1965
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228
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COMPRA
FRÓSFRES AO CEGUINHO,
QUATRO
CAIXAS SÃO DEZ REIS!
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14.
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184.
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OH
PETROLINE
|
L.
de Freitas Branco, Lisboa, ant. 1955
|
229
|

OH,
PETROLINE!
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15.
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185.
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PELES
DE CHIBO
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A.
Tomás
Pires, Elvas, 1906 (?)
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229
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PELES
DE CHIBO, COELHO, LEBRE, OU DE BORREGO.
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16.
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186.
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QUEM
COMPRA SAPATOS
|
T.
Borba, Porto, 1º quartel s. XX
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230
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QUEM
COMPRA SAPATOS,
QUEM
COMPRA BOTINHAS!
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17.
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187.
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LOIÇA
E FOLHA BARATA!
|
C.
das Neves e G. de Campos, Coimbra (?) 1870 – 1898
|
230
|

LOIÇA
DE FOLHA BARATA!
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18.
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188.
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MIL
TREZENT’S E VINTE E UM!
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R.
Gasllop, Lisboa, 1932 – 1933
|
230
|

MIL
TREZENT'S E VINTE E UM!
MIL
TREZENT'S E VINTE E UM!
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19.
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189.
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AMOLAR
TIXOIRAS
|
A.
Tomás
Pires, Elvas, 1906 (?)
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230
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AMOLAR
TIXOIRAS, FACAS, CANIVETES,
NAVALHAS
DE BARBA.
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20.
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190.
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OLHEM!
QUEM QUER COMPRAR LAGOSTA!
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[M.
V. Soares Onofre] Ericeira / Mafra, Lisboa, 1957
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231
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OLHEM!
QUEM QUER COMPRAR LAGOSTA!
E
LINGUADO! E PREGADO!
E
RAIAS E MAIS COLIDADS DE PEIXE!
BÃO
À PRAIA! BAI C'M'ÇAR A LOTA!
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21.
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191.
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AH!
EU, ABIS’EST POBO
Aviso
de pregoeiro
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[M.
V. Soares Onofre] Ericeira / Mafra, Lisboa, 1957
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231
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AH!
EU ABIS'ESTE POBO
QUE
SE R'ALIZA HOJ'UM GRANDIOSO BAILHO
NO
SALÃO MODERNO!
OLHEM
C'O TOCADOR É O MAN'EL CASTIÇO
QU'É
MUNT'BOM!
OLHEM
QUE JÁ TEM TOCAD'EM MUNTOS SIT'OS
C'OMEÇ'AS
DEZ HORAS!
(BAI
QUEM QUER!)
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22.
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192.
|
OH
DEVOTOS E DEVOTAS
Peditório
de trovoadas
|
A.
Tomás Pires, Elvas / Portalegre, 1906 (?)
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231
|
OH
DEVOTOSE DEVOTAS
DE
SANTA BARB'RA BENDITA!
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