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1
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A
Expedição
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5
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2
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Fundação
de Serpa
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8
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3
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Agora
GÊS: - Pax Júlia à vista – Beja actual
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11
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4
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Uma
aliança com os Fenícios – nasce Mírtilis
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12
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5
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O
Castelo das Loendreiras
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14
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6
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Sonho
de Amor
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18
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7
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O
Primeiro Assalto
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22
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8
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A
Derrota
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26
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9
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O
CONSÓRCIO
Ocidente
e Oriente de Mãos Dadas
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28
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10
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O
ADEUS
Entre
os europeus e a Ásia
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30
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A
Expedição – (Primeiros parágrafos que anunciam como nasceu
SERPA…)
«-
Além... Além... - exclamou uma graciosa voz de mulher de
olhos castanhos, cabelos louros e faces rosadas como pétalas
da mais esquisita flor.
-
Além... Além, naquela zona verde e de reconfortante frescura,
enquanto com o braço delicado apontava um morro de mediana
altitude a emergir de entre árvores frondosas dum verde
cínzeo e rochedos plúmbeos.
-
Alto!... Ficamos aqui... gritou uma voz potente de homem
que parecia ser o chefe da expedição.
-
Serpínia agradou-se do lugar, a terra parece fértil em água
e fecunda em produtividade.
-
Alto!... Ficamos aqui... clamaram outras vozes secundando
a do chefe. A caravana parou envolvida numa densa nuvem
de poeira levantada pelo trotear dos cavalos. Todos levantaram
os olhos cansados da caminhada e notaram que, de facto,
a região agradava e estava bem localizada quer para o povoamento,
quer para a defesa.
-
Ficamos então aqui.
Os
cavalos parados relinchavam, escavavam a terra vermelha
com as patas grossas enquanto alguns, de cabeça baixa, tasquinhavam
nos pequenos arbustos nascidos à beira do caminho.
O
cavaleiro que dera a primeira ordem, corpo agigantado, barba
espessa e hirsuta, músculos de atleta, tornou a imperar:
-
Cargas ao chão, comecemos o acampamento antes que anoiteça.
Num zape, todos se apearam com ligeireza homens, mulheres
e crianças.
O
chefe, nada menos que o general Cófilas, rei dos Túrdelos,
explicou:
-
Serpínia, minha dilecta filha e vossa muito linda e amada
princesa achou lindo este local e muito apropriado para
a construção da nova capital túrdela. A terra tem muita
água, basta vegetação, matagais densos e um clima aprazível,
um céu azul como não vimos outro na Ibéria. Ficaremos, pois
aqui e amanhã iniciaremos já a construção da nova cidade
a qual, em honra de Serpínia, que escolhera o local, será
chamada Serpe (Serpa).
-
Viva Serpínia!...Viva Serpe a nova capital da Turdetânia
- exclamou um coro de vozes.
E
o eco repetia-se pelas quebradas dos montes até diluir-se
e perder-se ao longe através duma planície que parecia intérmina:
- Serpínia... ínia... ínia! Serpe... erpe... erpe!...
(Quase
no final…)
O CONSÓRCIO
Ocidente e Oriente de mãos dadas
Polípio, o príncipe fenício de olhos azuis, barba ruiva e
tez morena fizera boa estreia para conquistar definitivamente
Serpínia. Era um amor e um herói. Sabia amar, lutar e combater.
Herói no mar e na terra, ia ser também herói nos segredos
do amor. Serpínia, a mulher mais linda que até ali havia
visto, estava-lhe destinada. Túrdelos e Fenícios podiam
regozijar-se com a estrondosa vitória, ocidente e oriente
podiam dar as mãos num simbolismo histórico que os séculos
futuros haviam de registar como predomínio do ocidente sobre
toda a face do globo. O Castelo das Loendreiras fora eterna
testemunha da dupla vitória duma mulher singular: acabar
com o pesadelo dum monstro apaixonado que fazia tremer as
pedras e conquistar um amor que enlaçava duas nações, unia
dois continentes. Serpínia ficava uma heroína para a história.
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