CONTOS & LENDAS
A ARTE DE enCANTAR
na LITERATURA POPULAR PORTUGUESA

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CONTOS & LENDAS

Serra da Estrela

ALENTEJO
uma TEIA infindável de Contos & Lendas

 

05 - FVMachado - Monografia de Vila Verde de Ficalho, Francisco Valente Machado

01 jogos - 02 poesia - 03 modas (252) - 04 contos - 05 artesanato - 06 adivinhas

ALMA ALENTEJANA – área de Estudos sobre o Alentejo.

LISTA DE AUTORES E OBRAS - notas

 

CONTOS E LENDAS DO ALENTEJO em Diversas Obras e Autores, para estimular a recolha, estudo e divulgação dos Valores Culturais do ALENTEJO –

05 – FVMachado – Monografia de Vila Verde de Ficalho, Francisco Valente Machado

ed. Da Biblioteca Museu de Vila verde de Ficalho, 1980 – um conto como exemplo e o título de mais 15 e mais episódios de tempo de D. João I

 

  JOGOS INFANTIS

JOGOS INFANTIS – lista  31

«A relação de jogos infantis populares que se praticavam em Vila Verde de Ficalho, ainda, há menos de meio século, (1980) é extensa, pois compreende trinta e quatro, que eu saiba.

Porque a descrição de todos eles, embora de grande interesse, se tornaria longa em demasia para a índole deste trabalho, limitei-me a descrever apenas quatro dos mais vulgares, e para que não desapareçam, ao menos os seus nomes, a seguir enumero os restantes:

Ao Aldarejo,
Ao Algurevão,
A Barra,
Ao Bicho,
A Calha (quatro modalidades),
Ao Corno,
A Cabra-Cega,
Ao Chapeuzinho,
A Chapa,
A Corra-à-Rata,
A Covinha,
A Cara ou lar,
Aos Esconderelos,
Ao Empurra-Gatos,
A Fossa,
Ao Funcho,
A Linha Roxa,
A La-Bichinha,
Ao Lencinho Escondido,
Ao Malha
nito,
A Paredinha,
Ao Primeiro Pular sem Travar,
Ao Perra-Canivete,
Aos Pares ou Nunes,
A Pela,
Ao Rabo da Gata,
Ao Risco,
Ao Sol e à Sombra,
Ao Tira-Terra,
Aos Tortos e Direitos, e
à Varinha.»

Página 265

POESIA

Sebastião Dias Machado

 

MODAS- 252

252 MODAS

recolhidas em vila Verde de Ficalho

 

FVMachado - modas 252 (60 carnavalescas acompanhadas com dança…)

«... Estes balhos populares apresentam três modalidades: de roda, ao meio e aos topes. Por ocasião do Carnaval é que se pratica uma coreografia muito abundante, variada e alegre, com uma movimentação mais apressada. Conheço, pelo menos, umas sessenta modas que se cantam especialmente na quadra carnavalesca, acompanhadas de dança específica para cada uma delas. Ao todo consegui reunir duzentas e cinquenta e duas modas cantadas em Vila Verde de Ficalho cujos nomes aqui deixo registados para não se perder a sua lembrança:

  1.  

Ao freixo tirar o ninho

  1.  

Acorda, Maria, acorda

  1.  

Agora, já se não usa

  1.  

Agua leva o regatinho

  1.  

Ai de mim, tanta laranja

  1.  

A Maria Malveira

  1.  

A medronheira no vale

  1.  

Amor, lá vão balas

  1.  

Anda cá, se queres

  1.  

Andorinha andou, andou...

  1.  

Ao passar a ribeirinha

  1.  

Ao romper da bela aurora

  1.  

A partida para os Açores

  1.  

A ponte do Guadiana

  1.  

A Primavera

  1.  

A primeira vez

  1.  

A ribeira quando enche

  1.  

A Rita

  1.  

A roupa do marinheiro

  1.  

A passarada

  1.  

A Primavera tem bonitas flores

  1.  

A vinda do rei a Beja

  1.  

À entrada de Lisboa

  1.  

Aurora tem um menino

  1.  

A ribeira do sol-posto

  1.  

A menina do quarto andar

  1.  

A rolinha

  1.  

Abre-me a porta, minha querida

  1.  

Ai, ai, ai, santinha, santinha

  1.  

Arrabaças, agriões e 'celgas

  1.  

Anda aqui uma «endevida» invídua

  1.  

Aldeia das laranjas

  1.  

Acenda o meu candeeiro

  1.  

Afina a guitarra

  1.  

Ai que festa, ai que função

  1.  

Antonico, tico, tico

  1.  

Adeus cidade de Coimbra

  1.  

Bate as palmas, ó linda dama

  1.  

Brinquinhos a dar, a dar

  1.  

Bem parece um ramo de flores

  1.  

Cabelo entrançado

  1.  

O comboio novo

  1.  

Cesaltina, Cesaltina

  1.  

Camponesa, camponesa

  1.  

Camponês agricultor

  1.  

O caleiro cheira a cal

  1.  

Cigano, lindo cigano

  1.  

Ó ciranda, ó cirandinha

  1.  

Chega à forma, meu bem, chega à forma

  1.  

Capitão Mousinho

  1.  

As cobrinhas de água

  1.  

Com que letras se escreve Maria?

  1.  

O caixeiro

  1.  

Doba, doba, dobadeira, doba

  1.  

Dois rapazes do Barreiro

  1.  

Do Monte da Légua às Pias

  1.  

Donde vens, ó Ana

  1.  

Dá cá um beijo

  1.  

Debaixo do meu baú

  1.  

Era o Bimbas

  1.  

Estava de abalada

  1.  

Eu esta manhã achei

  1.  

A erva-cidreira

  1.  

Chamaste-me extravagante

  1.  

Eu fui a Lourenço Marques

  1.  

Eu hei-de ir colher macela

  1.  

Eu hei-de ir para o Algarve

  1.  

Empresta-me o teu guarda-chuva

  1.  

Estando eu à porta, sentado

  1.  

Eu chorando, linda amor, chorando

  1.  

Esta moda alentejana

  1.  

Eu hei-de ir para o Brasil

  1.  

Eu atrás das pulgas

  1.  

Em dia de noivado

  1.  

Ferreira tem lindas moças

  1.  

Fui ao mar pescar peixinhos

  1.  

A flor que abriu em Maio

  1.  

Foste-te a gabar ao Porto

  1.  

Fui-te ver, estavas lavando

  1.  

Eu debaixo da laranjeira

  1.  

Eu sou o trevo

  1.  

Eu tirei o teu retrato

  1.  

Eu não me importa o vinagre

  1.  

Eu quero, lindo amor

  1.  

Esse teu cabelo

  1.  

Eu fui ao mar à laranja

  1.  

O galo saiu à rua

  1.  

O hidroavião foi feito

  1.  

Joguei com o limão ao ar

  1.  

Já morreu quem me lavava

  1.  

Já se deixa ver

  1.  

Já lá vem o barco à vela

  1.  

lá vem o comboio novo

  1.  

Já morreu o rato

  1.  

Já vi uma noite escura

  1.  

Linda rosa

  1.  

Linda jovem era pastora

  1.  

Lavadeira que lava a roupa

  1.  

Lá vai o balão, lá vai

  1.  

Lindo ramo escuro

  1.  

Li-olé, toma lá pinhões

  1.  

Luisinha bonitinha

  1.  

Lá nos campos, verdes campos

  1.  

Ó ladrão, ladrão, ladrão

  1.  

A lavadeira

  1.  

O loureiro

  1.  

A linha do comboio chega

  1.  

Meu lírio roxo

  1.  

Matilde, levanta a saia

  1.  

Mamã, lá batem à porta

  1.  

Maria da Rocha

  1.  

Marianita és baixinha

  1.  

Menína da saia branca

  1.  

Menina, estás à janela

  1.  

Meu lírio roxo do campo

  1.  

Moreninha

  1.  

Menina da saia branca

  1.  

Menina, estás à janela

  1.  

Meu lírio roxo do campo

  1.  

Moreninha alentejana

  1.  

Menina Florentina

  1.  

Manuel Chiné

  1.  

Manuelzinho, você chora

  1.  

madre mínha mi madre

  1.  

A moda da carinhosa

  1.  

O meu amor é que usa

  1.  

A moda do harmónio

  1.  

A menina da parreira

  1.  

Minha mãe me deu um lenço

  1.  

Menina Amélia

  1.  

Menina Ameliazinha

  1.  

Meus senhores, que rapariga é esta?

  1.  

Morena

  1.  

Meu benzinho sarapateado

  1.  

A mulher do Estrelo

  1.  

Meu amor foi ao mar

  1.  

Meu amor é chapeleiro

  1.  

Minha amora madurinha

  1.  

Moda da azeitona

  1.  

Ó minha mamãzinha

  1.  

Nossa Senhora d'Aires

  1.  

Não olhes para o avental

  1.  

Não quero que vás à monda

  1.  

No alto daquela serra

  1.  

Nem à janela, nem ao postigo

  1.  

Os noivos

  1.  

Nos arcos da Amoreira

  1.  

Na praia de Olhão

  1.  

Ora vá, menina, vá

  1.  

Ó que praias tão lindas

  1.  

Os olhos da Marianita

  1.  

Ó limão, verde limão

  1.  

Oliveirinha da serra

  1.  

Ó loureiro ramalhudo

  1.  

Ó morena, tu não danças?

  1.  

Onde vais, ó Luisinha

  1.  

Ó Rosa, pois tu não danças?

  1.  

Ouvi mil vezes, ouvi

  1.  

Ora ponha aqui o seu pezinho

  1.  

Ó pavão, lindo pavão

  1.  

Olha a laranja da China

  1.  

O sapatinho me aperta

  1.  

Olha a noiva se vai triste

  1.  

Onde passeia a rainha

  1.  

Ó minha caninha verde

  1.  

Ó que chita tão bonita

  1.  

Ó oliveira da serra

  1.  

Os olhos da Marianita

  1.  

Ó moças, façam arquinhos

  1.  

O que leva a garrafinha

  1.  

Ó janota, dá-me um beijo

  1.  

Onde vais, Maria?

  1.  

Ó António, já lanchaste?

  1.  

Ó águia que vais tão alta

  1.  

Ó Gouveia, meu amor

  1.  

Ó vizinha, tem lá lume?

  1.  

Ó Elvas, ó Elvas

  1.  

Ó que de leque, leque sim

  1.  

Pirolito que bate, que bate

  1.  

Ponte nova do Algarve

  1.  

Pó-pó, olaré, pó-pó

  1.  

Ponha aqui a gravatinha

  1.  

Padre Bernardino

  1.  

O preto que não é homem

  1.  

Pediste-me uma laranja

  1.  

Pombinha ligeira

  1.  

Quando eu ouvi esta moda

  1.  

Quem anda no meio

  1.  

Quem há-de, meu bem, quem há-de?

  1.  

Que venha a quarta, que venha a quinta

  1.  

Quando esta moda foi nova

  1.  

Quando abalei da Baia

  1.  

Rosa branca desmaiada

  1.  

Raminho de arruda

  1.  

Rapazes, vamos avante

  1.  

Rufar dos tambores

  1.  

Solidão

  1.  

Se fores à horta

  1.  

Saramago redondinho

  1.  

Senhora vizinha, recolha o seu galo

  1.  

São tantas as pulgas

  1.  

São tão bonitas as cigarreiras

  1.  

Santo Antoninho da Serra

  1.  

São saias, meu bem, são saias

  1.  

Senta-te aqui, António

  1.  

A silva pica, a rosa cheira

  1.  

A silva dá uvas, a parreira amoras

  1.  

Sabes lá a nossa gata

  1.  

Salsinha, olaré salsinha

  1.  

São franceses, são ingleses

  1.  

A sevilhana

  1.  

Silva do bosque

  1.  

Se queres saber quem sou

  1.  

Todos os bens casadinhos

  1.  

Tinhas-me tanta amizade

  1.  

Tenho barcos, tenho remos

  1.  

Tanta silva, tanta amora

  1.  

Tia Anica do Loulé

  1.  

Tem, tem, menina, tem

  1.  

Triste viuvinha

  1.  

Tu é que és, olaré, sim, sim

  1.  

O teu peito tem rendinhas

  1.  

Também queria ser casado

  1.  

Três laranjas num raminho

  1.  

Vai colher a silva

  1.  

Vá de tope, ó menina, vá de tope

  1.  

Volta atrás, meu bem

  1.  

Vamos lá saindo

  1.  

Viva lá, senhora Henriqueta

  1.  

Vamos apanhar a rosa

  1.  

Vila Nova de Ferreira

  1.  

Vá de caracol

  1.  

Voa, pombinha, voa

  1.  

Zás-trás, tiro-liro, olé

  1.  

Zumba na caneca

De todas elas apenas escolho o estribilho da moda chamada A Medronheira no vale para se fazer ideia do que representa e vale esta riqueza cultural do povo da minha terra:

A medronheira no vale
Chora a sua solidão
Já lhe colheram o frito
A rama caiu no chão.

A rama caiu ao chão,
Ninguém a quis apanhar.
Chora a sua solidão
A medronheira no vale.

Por outro lado vão reproduzi das adiante algumas quadras populares que extraí da colecção que organizei na minha terra e que conta cerca de novecentos exemplares. Os bons cantadores e cantadeiras costumavam fixar na memória, um numeroso rol de cantigas que utilizavam a seu belo prazer e nas oportunidades devidas, sendo muito interessante ouvi-los cantar ao despique, diálogos em desafio travados entre dois cantadores de sexos diferentes, com o emprego das cantigas mais apropriadas, se não acontecia preferirem improvisá-las, quando possuíam engenho para tal, aguardando os assistentes, cheios de viva curiosidade, o momento de se saber qual deles tinha ficado vencedor na competição em que tomavam parte. Em geral havia despique entre dois namorados desavindos, através do qual cada um apresentava as suas razões, resultando quase sempre acabar o namoro e só raramente a reconciliação entre ambos. Uma velhota de noventa e dois anos de idade, disse-me em 1976 que, há mais de meio século, tinha ouvido cantar ao desafio, num «balho» de roda, dois namorados cujo namoro havia acabado por iniciativa do rapaz.

Ela cantou, com espírito reconciliador e ainda esperançada na continuação do derrriço, a seguinte cantiga:

Amor vai à minha casa
Que a porta não está fechada
Tem-se visto muito amante
Que faz também retirada.

 CONTOS TRADICIONAIS - 16

Os contos tradicionais alentejanos são de singela descrição, geralmente de notório irrealismo, contudo conquistaram a credubilidade ingénua dos jovens ouvintes de outrora. Há muitos anos recolhi directamente de contadores afamados de Vila Verde de Ficalho os seguintes contos:

 

  1.  

A Princesa do Mar Fundo, atrás transcrito,

  1.  

A Cega e a Manca,

  1.  

O Parte Ferrar, e o Parte Rochas,

  1.  

O Ladrão de Sevilha e o Ladrão de Madrid,

  1.  

O Príncipe Cego,

  1.  

O Nunes e a Enévoa,

  1.  

A Princesa da Áustria e o Príncipe de Portugal,

  1.  

O Príncipe das Brenhas Baixas,

  1.  

A Filha do Sr. Conde de Ferreira,

  1.  

As Três Cidras do Amor,

  1.  

 O Toiro Azul,

  1.  

A Pele de Burro,

  1.  

Os Três Galegos,

  1.  

O Passarinho Verde,

  1.  

A Serpente Encantada e

  1.  

O Era-não-Era

CONTOS TRADICIONAIS - lista

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