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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
II - O Lobo e a Zorra
Por António ALEXANDRINO
In Tradição I vol. Anno I, Nº 2, Fevereiro de 1899, Série I, p. 45-47
(da Tradição oral - Brinches)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]

O Lobo e a Zorra

"Era uma vez uma zorra… um dia, ao passar por um monturo encontrou umas botas velhas e enfiou-as nas mãos para não se enlamear… depois de muito andar sem encontrar nada meteu-se no mato e encontrou o compadre lobo…

- Ó comadre zorra, onde comprou essas botas?
- Fui eu que as fiz!
- Quanto custariam umas para mim?
-As minhas custaram três carneiros, duas ovelhas e quatro borregos… para o compadre, poderiam custar um boi, quatro carneiros, três ovelhas e uns cinco ou seis carneiros…
- OH, isso é muito caro…
- Como as patas do compadre são muito grandes precisam de mais cabedal!...

O lobo pensando que as botas o livrariam de alguma pua que o impedisse de caçar, aceitou e foi à procura das referidas cabeças de gado…

… Logo que conseguiu foi entregá-los à zorra e combinaram a entrega…

- uns quinze dias, - respondeu a zorra…

Passados os quinze dias o lobo foi à procura da comadre, mas não a encontrou… Voltou ao outro dia e mais outro… e começou a desconfiar que fora enganado… e jurou vingar-se…

"Andando a pensar no engano, um dia, por acaso, encontrou a comadre:

- Então maldita comadre, as minhas botas?
- Não se zangue compadre. É que a pele do boi é muito rija e precisa de mais uns dias para a cortimenta. - respondeu ela com muita doçura!!!

O lobo não acreditou e ameaçou-a. Ela deitou a fugir e meteu-se num buraco, mas com tanta pressa que deixou o rabanzoilo de fora. O lobo apanhou-lho e gritou:

- Agora não me escapas. Ficas assinalada.

Ao sair do buraco, a zorra aflita tenta descobrir como havia ela de se confundir com as outras. Subiu a um outeiro e deu dois regougos e apareceram todas as zorras daqueles sítios… Ela apresentou-se… disse que era nova naqueles sítios e que lhes queria ensinar uma dança muito divertida que tinha aprendido num país donde acabava de vir… Para aprender a dança elas teria de atar todas os rabos umas à outras… e logo que as viu atadas, a matreira da zorra gritou:

- Hoje já não posso ensinar mais que em além uma jolda (quadrilha) de caçadores com uma matilha de podengos… Salve-se quem ouder!!!

Deitaram todas a correr e, na carreira desordenada foram arrancando os rabos umas às outras que era o que ela queria…

Um outro dia o lobo encontra-a e grita:

- agora é que não me escapas… és tu a única sem rabo que eu arranquei.
- Eu, compadre lobo?!!! Eu sou nova aqui e donde eu venho nenhuma zorra tem rabo e as daqui também… quer ver? - E convidou o compadre para ir ao tal outeiro… onde deu dois regougos… e o lobo pode ver então que era moda as zorras não usarem rabo…

E aí o lobo lá se convenceu que não era aquela que o tinha enganado!!!

 

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