CONTOS & LENDAS
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uma TEIA infindável de Contos & Lendas

 

12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 


CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
III - Dois gallegos encontrando-se (*)
Por António ALEXANDRINO
In Tradição I vol. Anno I, Nº 2, Fevereiro de 1899, Série I, p. 47
(da Tradição oral - Brinches)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]

*Como é que os ALENTEJANOS chamam e ouvem os BEIRÕES…
(Cópia e adaptação para manter a grafia da pornúncia por joraga, para Alma Alentejana - Área Cultural - 2009.09)

Dois gallegos encontrando-se

"Era uma vez dois gallegos que marchavam no mesmo caminho, em direcção opposta. Esbarrando um no outro, diz um delles:

- "O' xeu diabo! bóxê é txégo ou não entxêrga?"

- "Entxêrga é prima irmã da albarda!" respondeu o outro zangado.

- "Albarda xerá boxê!"-diz o primeiro ainda mais zangado "xe não fôxe porquê já lh'eu cascaba!..."

- "Xe não fôxe porquê, já eu cascaba em bóxê!... Ó xeu diabo! quem é bóxê?"

- "Eu xou filho da Biubinha e neto do Carcabian, que nan conhexe o bem que lhe fájem nem o pan que lhe dan.)

- "Oh! diabo! xeremos nós irmão,.,?!

- "Pois xeremos."

- "Então que notixias me dás do nóxo pae?"

-"O nóxo pae morreu;" - diz seccamente o gallego "caiu d'um coibal abaixo e fez trinta réis de despeja.

- " E então a nóxa burra?"

- "A nóxa burra tambem morreu"- respondeu o gallego chorando.

- Oh! diabo! então choras por nóxa burra, e nan choras por nóxo pae?!"

- A nóxa burra lebaba a gente a cabailo, e nóxo pae não; e a burra custou dinheiro, e o pae não."

- Bem, n'êxe cájo: adeus, adeus! e até á oitra bista."


Da tradição oral Brinches)
ANTONIO ALEXANDRINO.


(*) Os laboriosos habitantes das nossas provincias da Beira, são conhecidos, injustamente, no Alemtejo pelo nome de gallegos. L.P.

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Ver tb:in blogdaruanove

De Fernando Namora - Retalhos da Vida de um Médico, transcrevem-se os dois primeiros parágrafos do conto Um Homem do Norte:

"O homem do Norte é, para o alentejano, o galego. O galego que veio de longe, com a sua iniciativa e a sua miséria, desbravar as desoladas charnecas do Sul. as vilas e as herdades cresceram com a ajuda desses emigrantes, e o alentejano, lento, inviolável, não esquece mais o melindre de ter sido empurrado pela perseverança dessa gente que veio de lugares onde um homem, de pernas alargadas, assenta um pé em cada courela. São galegos. Galegos que vieram comer o pão e colher alguns dos frutos da planície imensa, das distâncias sem limites, onde os olhos se dilatam de horizonte e a melancolia cresce como os lagos trigo. Os alentejanos têm na memória os matos que chegavam à soleira da porta, os minguados farrejiais que ninguém pensava em alargar, mas não perdoam que outros tenham colaborado na conquista da terra. Ainda hoje, quando chegam os ranchos do norte, já raros, chegam como inimigos: o camponês alentejano encara-os como competidores do salário, o comerciante aborrece esses miseráveis que disputam um centavo, contentando-se com broa e saramagos, que se assustam com a vizinhança de cafés e cinemas; e até o lavrador, que deles precisa e os chamou, vê neles uma raça de servos.

O médico, que é quase sempre do Norte, o professor, e sobretudo o que veio nos tempos da conquista da planície e se fixou, gozando uma posição à custa de nervos e economia, encontraram nos mais inesperados momentos um insulto que representa uma nódoa desgraçada: galegos!"

 

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