CONTOS & LENDAS
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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
V - O LOBO E AS TRÊS FORTUNAS
Por António ALEXANDRINO
In Tradição I vol. Anno I Nº 5, Maio de 1899, Série I, p. 76, 77
(da Tradição oral - Brinches)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]

O LOBO E AS TRÊS FORTUNAS

Um dia, um lobo que já há três dias não conseguia caçar nada para comer, acordou resfriado e deu três espirros… Pensou que seria bom augúrio e disse para consigo:
- Hoje é o meu dia de sorte e parece que vou ter três fortunas…

Logo que se pôs a caminho e deu com dois carneiros guerreando…
Chegou-se a eles sem sentirem e passou-lhes um raspanete:

Que desordem é essa? Aqui já não há rei nem roque?
Ó senhor lobo… bem sabemos que nos mata e come, mas primeiro resolva-nos aqui uma dúvida: este meu amigo que é doutro rebanho diz que esta pastagem é do dono dele e aquela é que é do meu dono, mas eu digo que não… Ora o senhor lobo podia ver se este marco está em endireito com aquele além…
O lobo armado em marcador de extremas, pôs-se a olhar muito atento, até que levou uma valente marrocada que o deixou sem sentidos…

Ao acordar da pancada, lá pensou que as três fortunas seriam mais de azar… mas lá seguiu o seu caminho e logo avistou no meio de um vale uma égua muito velha e magra e uma filha que andavam pastando… - Ora aí estará a minha primeira fortuna. A mãe está velha e magra e a filha é muito nova para me fazer mal… Pediu desculpa á égua e disse que teria de a matar pois há dias que não comia…
Aí a égua até disse que se lhe fizesse primeiro um favor, até lhe dava a filha que seria um melhor petisco… e qual era o favor? Ora é só tirar um cravo ou uma pua que se me cravos na pata e não pára de me incomodar…
- Ora, por tão pouco e tão bom petisco, vamos lá a isso - e mal se armou em alveitar de bestas, levou tamanho coice que lhe escangalhou os queixos e ela e a filha correram para casa do dono…

Ainda atordoado, passado um oiteiro, encontrou uma porca com bacorinhos…
Ando tão dorido e com tanta fome, senhora poça, que tenho de comer os teus porquinhos…
Ó senhor lobo, eu nem me importo, mas ainda não foram baptizados… Se os senhor os baptizar… depois vai-os comendo e vão-lhe fazer melhor proveito… É só subir para cima do bocal daquele poço, eu vou-lhe dando os porquinhos um a um, você deita-lhes a água e pode comê-los…
Mal o apanhou na borda do poço, armado em baptizador de porcos, a porca deu-lhe tal trombada que ele caiu para dentro do poço… Ela fugiu com os filhos e ele teve muita sorte em conseguir sair do poço.

Em seguida encontrou uma vaca e reparou que tinha uma corda atada na pata traseira… - Mas que sorte! Como as três fortunas me saíram mal, eu chego ali, agarro a corda, enleio a vaca, a vaca cai e aí está o meu almoço de três dias!
Agarrou a corda… e mal sentiu, a vaca deitou a correr e levou de arrojo pelo chão a caminho da casa do dono até que a corda se partiu… e ele ficou em mísero estado!!!

Mas ainda disse, lastimando-se:
"Quem te manda lobo ser marcadore de extremas, alveitar de bestas e baptizador de porcos? E, se a corda não se parte, ou o nó não se desata, inda ia morrer a casa do dono da vaca!"

 

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