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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
VIII - "A Zorra e a Cegonha"
Por António ALEXANDRINO
In Tradição I vol. Anno I, Nº 7, Julho de 1899, Série I, pp. 111 e 112
(da Tradição oral - Brinches)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]

A ZORRA E A CEGONHA

"Uma vez, uma zorra que andava muito invejosa pois ouvia dizer em toda a parte que as cegonhas eram muito espertas quis encontrar uma para a enganar…

Nesse dia, encontrou uma cegonha num vale e convidou-a para ir jantar com ela no dia do seu aniversário…

No dia combinado a cegonha apareceu em casa da zorra e ela acabava de tirar umas papas do lume e tiro-as para arrefecer… Logo que arrefeceram deitou-as numa laje e convidou a cegonha a comer dizendo que estava que nem "ginja-marmelo" (o que quer dizer excelentes…)

Puseram-se a comer, mas enquanto a zorra lambia tudo, a cegonha, coitada, só depenicava pois não conseguia apanhar com o bico…

Tendo percebido que tinha sido enganada para a envergonhar, a cegonha, sem se dar por achada, convidou a zorra para o seu aniversário que seria daí a uns dias… até já tinha encomendado em borreguinho para a festa! A zorra ficou logo com água a crescer na boca pois há tempos que não apanhava um cordeiro tenrinho! …

Ora quando a zorra chegou a casa da comadre cegonha, esta tinha preparado um apetitoso brorrego, mas serviu-o em salada, numa "amentolia" (almotolia - muito afunilada em cima e larga em baixo…)… Ora com esta habilidade, a cegonha, com o bico, comeu a carne toda e a zorra que não podia meter a língua na amentolia, ficou a ver navios…

Nem teve tempo para se mostrar zangada pois logo no fim do jantar armou-se uma valente trovoada e como a zorra se queria vingar, perguntou o que era aquilo…
A zorra explicou: aquilo são "vodas del cielo" e eu vou para lá agora pois há sempre comida com fartura. Quer a comadre vir comigo para ver com seus próprios olhos!

A zorra que tinha ficado esfomeada aceitou o convite e lá foi nas costas da cegonha… Quando se viu lá muito alto começou a arrepender-se… Então a cegonha, quando passava por cima de um grande rochedo… fez uma volta mais apertada e a zorra caindo a pique gritava para o rochedo: "Arreda, arreda, rochedo… arreda, arreda, penedo… arreda, rocha que te parto… arreda, pedra que te parto…

(da Tradição oral - Brinches)
António ALEXANDRINO

(Ver em Metáforas infantis;e no Sótão da Inês e Fábulas de La Fontaine - Livro I - Fábula nº 18...)

 

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