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LENDA LOCAES
(Pedrógão do Alemtejo)
A. Rosa da Silva
III - As Mouras Encantadas
In
Tradição II vol. Anno IV, Nº 4, Abril de
1902, Volume IV, pp. 61
I
- O
Sino de São Lourenço
II - A
Pedra das Bruxas
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]
LENDAS
LOCAES

As
Mouras Encantadas
"Junto
desta aldeia, existe no meio d'um ferragial uma enorme pedra
denominada "Penedo Gordo". Este penedo, de configuração
irregularmente oval, apresenta um aspecto imponente e causa
a admiração dos forasteiros, que pela primeira
vez o vêem. A elle anda tambem ligada a sua lenda, conforme
vamos referir: ´
No
interior do mencionado penedo, habita uma moura encantada,
a qual, já farta d'esperar pelo seu desencantamento,
costuma sahir na noite de São João, em figu-ra
d'uma grande cobra, á procura de quem lhe quebre o
encanto. E como ainda não encontrou ninguem que, em
a vendo, não fugisse, não se sabe em que consiste
o seu encante.
Porisso,
a pobre da moura lá continúa carpindo as suas
maguas dentro do grande pedregulho.
De
mouras encantadas, temos aqui abundancia. Eis os sitios onde
ellas residem:
Figueira
Redonda, Pedras do Texugo, Oliveira da Cobra, Penedo Rachado
e, um pouco mais distante, Figueira da Nevoa. Nada menos de
seis residencias!
Tal
era a tendencia dos meus antigos conterraneos para o maravilhoso,
que em toda a parte viam, ou suppunham ver, coisas sobrenaturaes.
Para
não fatigar o leitor com a descripção
de lendas, que mais ou menos se asse-melham, citarei apenas
um caso, na verdade extraordinario, que ha tempo succe-deu
no Penedo Rachado.
O
dito Penedo fica entre o Pedrogão e o rio Guadiana.
E' um pouco mais pequeno que o Penedo Gordo, e está
lascado d'alto a baixo, em virtude d'uma faisca electrica.
D'ahi lhe vem a designação de - rachado.
Eis
o caso:
Uma
tarde, pelo tempo da ceifa, sumiu-se uma menina de tres annos.
Os paes (que ainda existem) e mais familia, todos em grande
afflicção fizeram as maiores dili-gencias no
resto da tarde e durante a noite inteira para encontrar a
creança, a qual, só na manhã do dia seguinte,
se lhe deparou, dormindo em cima do tal penedo. Até
hoje ainda se não poude explicar como a menina poude
apparecer sobre aquelle rochedo.
A
familia attribue o facto a milagre de Santo Antonio, a quem
tinham encommen-dado a creança;
o leitor attribuil-o-ha ao acaso;
e eu, para romantisar o acontecimento, prefiro attribuil-o
á. Moura!
(Pedrogáo
do Atemtejo).
A.
ROSA DA SILVA.
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