CONTOS & LENDAS
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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
III - "A princeza encantáda"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno IV, Nº 9, Setembro de 1902, Volume IV, pp. 141, 142 e 143

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


vivea5.blogspot.com/2008/10/princesa-que-no-sabia-espirrar
Agrupamento Vertical de Escolas Ordem de Sant'Iago - EB1 nº5 de Setúbal

A princeza encantáda


"Havia n'outro tempo um rei e tinha uma filha muito sábia, que d'isso tinha grande ufania.

Um dia disse ella ao rei que mandasse deitar um brado para toda a gente vir a palacio responder ao que ella dissesse.

Assim se fez, mas com a promessa de que, se fosse mulher que respondesse bem, teria uma terça, e se fosse homem casaria com a princeza.

Com tão boa promessa veio toda a gente ao palacio, mas ninguem sabia responder.

Faltava ainda um lavrador, que disse para um creado que apparelhasse a egua, para ir responder á princeza.

O criado que era muito bruto, mas ladino, diz-lhe:
- "O' sr. meu amo, deixe-me ir a mim tâmêm!
- "O' alarve, o que le has de tu responder?
- "Não sei, mas tenho cá uma aquella que hei de le saber responder."

O lavrador riu-se muito, mas disse que sim; e o rapaz foi-se vestir de lavado e pôr o seu fato domingueiro, mas passando por uma méda de lenha tirou uns poucos de paus que metteu no bolso e o mesmo fez a um ovo que uma gallinha acabava de pôr".

Reparando n'isto, o lavrador diz-lhe:
(- Para que serve isso?)
- "Ande lá sr. meu amo que tudo serve."
Montaram-se os dois, cada um em sua egua, e foram caminho do palacio.

O lavrador, no meio do caminho, teve uma necessidade; apeou-se e foi. satisfazel-a. E depois o creado tirou do bolso um lenço de sêda, apanhou tudo e guardou, como tinha feito á lenha, dando a mesma resposta ao amo - "de que tudo servia".

Chegaram, e o lavrador foi o primeiro a ir ouvir a princeza, mas nada soube dizer, e mandou o rapaz, visto que eram admittidas pessôas de todas as classes.

A princeza abriu uma porta e disse:
- "Eu sou um fogo.
- "Asse-me lá este ovo" - disse o rapaz, apresentando-lhe a seguir a lenha e o presente que trazia no lenço."
- "Não tenho lenha."
- "Aqui estão uns pausinhos."
- "Você é um sujo."
- "Aqui tem uma próva."
A princeza ficou desesperada por ser aquelle bruto a unica pessoa que lhe tinha sabido responder; mas como a palavra do rei não voltava atraz, casou com elle.

E quem lá se viu
E' que lá se achou
Beijinhos e abraços
Para quem o contou.

(Elvas) A. THOMAZ PIRES.

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