CONTOS & LENDAS
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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 


CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XIV - "Faze tu bem Não cates a quem."

Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 2, Serpa, Fevereiro de 1903, Volume V, pp. 31 e 32

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


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"Faze tu bem Não cates a quem."

"Era uma vez um homem muito rico e não se assentava á mesa sem lá ter um pobre. Um dia não apparecia nenhum pobre e o diabo côxo do inferno foi bater á porta e pediu uma esmola.

- O' pobresinho, veio a boa hora, entre.

E para se seguir o costume da casa, o criado foi lavar os pés ao pobre; viu que elle tinha os pés redondos, e disse para o amo - que visse com quem se assentava à mesa, pois que o pobresinho tinha pés de cabra.

O amo disse: - "Deixa, faze tu bem, não cates a quem."

Veio o pobresinho, comeu muito bem e depois de acabar de jantar disse:

- "Sempre lhe quero dizer que em se vendo n'alguma afflição brade pelo diabo côxo do inferno."

Houve depois muitas guerras e prenderam o homem; esteve na prizão muitos annos, e lembrando se do tempo em que fazia tanto bem aos pobres, recordou-se do diabo côxo do inferno. Bradou por elle e appareceu-lhe logo, dizendo:

- "Então ainda agora é que te lembraste de mim? Monta-te ás minhas costas e dize: anda diabo para diante, que eu te livro da prizão."

E assim foi.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.

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Universidade Católica Portuguesa
ucp.pt/site/resources/documents/CEPCEP/coleccao11

Contos Populares Alentejanos recolhidos da tradição oral, António
Thomaz Pires. Colectânea, edição crítica e introdução de Mário F. Lages
2ª edição aumentada, Lisboa, 2004, 198 p. (Estudos e Documentos, 11)
ISBN 972-9045-01-1


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Uma ideia de 1641 - VER:
Sinopse
Nesta obra, o estudante Cléofas descobre um Diabo Coxo encerrado na redoma de um mágico e o liberta. Agradecido, o diabinho leva seu libertador pelos ares, parando em muitas cidades espanholas e mostrando o que ocorre em cada uma delas. A ação ocorre toda em território espanhol, embora o autor evoque também deuses da mitologia greco-romana.

Datado de 1641, O Diabo Coxo (El Diablo Cojuelo), escrito por Luis Vélez de Guevara (1579-1644) é um texto cômico à primeira vista. Parece uma grande sátira contra a sociedade da época. Na verdade, pode até sê-lo, mas é antes de tudo uma crítica irônica e mordaz contra os costumes sedimentados e estagnados pela falsidade e hipocrisia de uma sociedade que não admite aberturas, que cerceia novas experiências e saltos pioneiros para formas inovadoras, com relação ao comportamento moral e social.

 

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