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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XIV - "Faze tu bem Não cates
a quem."
Por
A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 2, Serpa,
Fevereiro de 1903, Volume V, pp. 31 e 32
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

i.zdnet.com/blogs
"Faze
tu bem Não cates a quem."
"Era
uma vez um homem muito rico e não se assentava á
mesa sem lá ter um pobre. Um dia não apparecia
nenhum pobre e o diabo côxo do inferno foi bater á
porta e pediu uma esmola.
-
O' pobresinho, veio a boa hora, entre.
E
para se seguir o costume da casa, o criado foi lavar os pés
ao pobre; viu que elle tinha os pés redondos, e disse
para o amo - que visse com quem se assentava à mesa,
pois que o pobresinho tinha pés de cabra.
O
amo disse: - "Deixa, faze tu bem, não cates a
quem."
Veio
o pobresinho, comeu muito bem e depois de acabar de jantar
disse:
-
"Sempre lhe quero dizer que em se vendo n'alguma afflição
brade pelo diabo côxo do inferno."
Houve
depois muitas guerras e prenderam o homem; esteve na prizão
muitos annos, e lembrando se do tempo em que fazia tanto bem
aos pobres, recordou-se do diabo côxo do inferno. Bradou
por elle e appareceu-lhe logo, dizendo:
-
"Então ainda agora é que te lembraste de
mim? Monta-te ás minhas costas e dize: anda diabo para
diante, que eu te livro da prizão."
E
assim foi.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.
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Universidade
Católica Portuguesa
ucp.pt/site/resources/documents/CEPCEP/coleccao11
Contos
Populares Alentejanos recolhidos da tradição
oral, António
Thomaz Pires. Colectânea, edição crítica
e introdução de Mário F. Lages
2ª edição aumentada, Lisboa, 2004, 198
p. (Estudos e Documentos, 11)
ISBN 972-9045-01-1

purl.pt
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Uma
ideia de 1641 - VER:
Sinopse
Nesta obra, o estudante Cléofas descobre um Diabo Coxo
encerrado na redoma de um mágico e o liberta. Agradecido,
o diabinho leva seu libertador pelos ares, parando em muitas
cidades espanholas e mostrando o que ocorre em cada uma delas.
A ação ocorre toda em território espanhol,
embora o autor evoque também deuses da mitologia greco-romana.
Datado
de 1641, O Diabo Coxo (El Diablo Cojuelo), escrito por Luis
Vélez de Guevara (1579-1644) é um texto cômico
à primeira vista. Parece uma grande sátira contra
a sociedade da época. Na verdade, pode até sê-lo,
mas é antes de tudo uma crítica irônica
e mordaz contra os costumes sedimentados e estagnados pela
falsidade e hipocrisia de uma sociedade que não admite
aberturas, que cerceia novas experiências e saltos pioneiros
para formas inovadoras, com relação ao comportamento
moral e social.
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