CONTOS & LENDAS
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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 


CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XVII - "o passarinho verde"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 3, Serpa, Março de 1903, Volume V, pp. 40 a 47 (série de 12 contos)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


In - passarinhoverdeartesanato

o passarinho verde

"Era uma vez um rei e uma rainha e tinham uma filha que nunca quiz namorar; não tinha distracção nenhuma, mais que ir todos os dias ao mirante: um dia viu vir um bando de passarinhos onde vinha um passarinho verde, que, poisando no mi-rante começou a brincar com a princeza.

A princeza estava-se penteando e o passarinho roubou-lhe a fita do cabello e voou.

A princeza riu muito. No outro dia, ainda mais cedo, já ella estava no mirante, á espera do passarinho, que veio, poisou no mirante, pôz-se de brincadeira com a princeza, roubou-lhe o pente e fu-giu.

Ao terceiro dia roubou-lhe o lenço, e nunca mais appareceu em nenhum dia.

A princeza começou com um grande desgosto e nunca mais sahiu do quarto.

O rei mandou deitar um bando (brado?), que toda a pessoa que fizesse rir a princeza lhe dava uma tença.

Ninguem fazia rir a princeza; um dia foi lá um velho que andou á roda da cama da princeza a fazer-lhe graças para ella se rir, mas a princeza, já muito zangada, mandou pôr o velho fóra do quarto.

Quando o velho foi para casa, disse lhe a velha, que era a sua mulher:
- "Então, fizeste rir a princeza?"
- "Nem rir, nem chorar."
- "Então vou lá eu amanhã".

A velha no outro dia foi, e no caminho encontrou um muro com muitos buracos á roda.
- "Que diantre será aquillo?" disse a velha, "deixa-me ir a ver o que é aquella novidade, para levar á prmceza".

Chegou ao muro, assomou, olhou lá para baixo e viu vir um bando de passarinhos onde vinha um verde, a dizer:

"Fita, lenço e pente,
Quem me dera agora ver
Quem de mim está ausente;
Tres vezes trema o palacio,
E o palacio não tremeu."

A velha ouviu isto e foi-se embora. Chegou lá ao palacio, pediu licença para entrar e depois andava á roda da cama a dizer graças, e a princeza sem se rir, até que a velha se lembrou do muro e disse:
- "Real Senhora, vou-lhe contar uma coisa", e esteve-lhe a contar o que viu.

A princeza começou-se a rir e a dizer:
- "Conta, bôa velha".

Começaram logo a tocar os sinos com a alegria da princeza fallar.
Depois a princeza disse para a velha:
- "Leva-me lá, ao tal muro".
E foram lá.

Depois a princeza olhou para baixo e viu vir o bando dos passarinhos onde vinha o verde a dizer:

"Fita, lenço e pente,
Quem me dera agora ver
Quem de mim está ausente;
Tres vezes trema o palacio,
E o palacio não tremeu."
E a princesa morreu
Ou estará presente?"

- "Estou presente" disse a princeza.

Ouviu-se depois um estalo muito grande e o passarinho desencantou se e appareceu um principe que casou com a princeza, e a velha ficou no palacio.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.

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Ver atrás o outro conto desta série - 38 TPires15 - O SONHO:


joraga.net/contos

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Ver relacionando, uma possível LEITURA do Passarinho Verde:
gramadosite

A lenda do passarinho verde

Não importa se o passarinho é verde, amarelo ou rosa. Depois que ele passa, de repente, fica tudo azul! A expressão é tão antiga quanto sutil, mas geralmente quem viu passarinho verde está, digamos, "muito bem, obrigado", na vida afetiva.

Reza a lenda que, antigamente, românticos rapazes adestravam um periquito verde da espécie psitacídeo para que ele levasse no bico uma carta de amor para a mulher amada. O pássaro servia para burlar a vigilância dos pais ranzinzas da moça, que desfilava depois pela casa com aquela cara de quem viu passarinho verde...

Quando a pessoa parece deslumbrada, como se tivesse visto algo muito raro (como um passarinho verde, por exemplo!), todos ao redor já ficam se perguntando: o que teria acontecido de tão bom que a deixa tão feliz? Hummm... a gente sabe que tem gente por aí que já está sonhando com o passarinho verde só de pensar!

A fisionomia de quem viu o tal do passarinho verde é inconfundível: os olhos brilham, o sorriso brota fácil no rosto e a disposição para a vida - e até para a rotina - é incrível! O cuidado consigo mesmo e a auto-estima vão lá para cima. A cor verde significa esperança e boas notícias, como aquelas que o periquito levava no bico para as apaixonadas, nos tempos de amores proibidos.

Tudo bem que hoje em dia quase tudo é permitido, mas ainda tem muito passarinho verde solto por aí! Essa ave é rara e nem sempre sobrevoa o mesmo céu todos os dias. Por isso, atreva-se! a segurar o passarinho na gaiola para não deixar o tempo fechar na sua vida afetiva!

Que a satisfação nas relações amorosas reflete nas outras áreas da vida cotidiana ninguém pode negar. A insatisfação também. Então, não dá para vacilar. Sabe o ditado aquele: "Mais vale um pássaro na mão do que dois voando"? Pois é... tem passarinho verde pousando por aí? Saiba que ele pode ficar até mais verde se for bem cuidado! Use sua criatividade para alçar vôos mais altos...

 

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