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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XVII - "o passarinho verde"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 3, Serpa,
Março de 1903, Volume V, pp. 40 a 47 (série
de 12 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

In - passarinhoverdeartesanato
o
passarinho verde
"Era
uma vez um rei e uma rainha e tinham uma filha que nunca quiz
namorar; não tinha distracção nenhuma,
mais que ir todos os dias ao mirante: um dia viu vir um bando
de passarinhos onde vinha um passarinho verde, que, poisando
no mi-rante começou a brincar com a princeza.
A
princeza estava-se penteando e o passarinho roubou-lhe a fita
do cabello e voou.
A
princeza riu muito. No outro dia, ainda mais cedo, já
ella estava no mirante, á espera do passarinho, que
veio, poisou no mirante, pôz-se de brincadeira com a
princeza, roubou-lhe o pente e fu-giu.
Ao
terceiro dia roubou-lhe o lenço, e nunca mais appareceu
em nenhum dia.
A
princeza começou com um grande desgosto e nunca mais
sahiu do quarto.
O
rei mandou deitar um bando (brado?), que toda a pessoa que
fizesse rir a princeza lhe dava uma tença.
Ninguem
fazia rir a princeza; um dia foi lá um velho que andou
á roda da cama da princeza a fazer-lhe graças
para ella se rir, mas a princeza, já muito zangada,
mandou pôr o velho fóra do quarto.
Quando
o velho foi para casa, disse lhe a velha, que era a sua mulher:
- "Então, fizeste rir a princeza?"
- "Nem rir, nem chorar."
- "Então vou lá eu amanhã".
A
velha no outro dia foi, e no caminho encontrou um muro com
muitos buracos á roda.
- "Que diantre será aquillo?" disse a velha,
"deixa-me ir a ver o que é aquella novidade, para
levar á prmceza".
Chegou
ao muro, assomou, olhou lá para baixo e viu vir um
bando de passarinhos onde vinha um verde, a dizer:
"Fita,
lenço e pente,
Quem me dera agora ver
Quem de mim está ausente;
Tres vezes trema o palacio,
E o palacio não tremeu."
A
velha ouviu isto e foi-se embora. Chegou lá ao palacio,
pediu licença para entrar e depois andava á
roda da cama a dizer graças, e a princeza sem se rir,
até que a velha se lembrou do muro e disse:
- "Real Senhora, vou-lhe contar uma coisa", e esteve-lhe
a contar o que viu.
A
princeza começou-se a rir e a dizer:
- "Conta, bôa velha".
Começaram
logo a tocar os sinos com a alegria da princeza fallar.
Depois a princeza disse para a velha:
- "Leva-me lá, ao tal muro".
E foram lá.
Depois
a princeza olhou para baixo e viu vir o bando dos passarinhos
onde vinha o verde a dizer:
"Fita,
lenço e pente,
Quem me dera agora ver
Quem de mim está ausente;
Tres vezes trema o palacio,
E o palacio não tremeu."
E a princesa morreu
Ou estará presente?"
-
"Estou presente" disse a princeza.
Ouviu-se
depois um estalo muito grande e o passarinho desencantou se
e appareceu um principe que casou com a princeza, e a velha
ficou no palacio.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.
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Ver
atrás o outro conto desta série - 38 TPires15
- O SONHO:

joraga.net/contos
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Ver
relacionando, uma possível LEITURA do Passarinho Verde:
gramadosite
A
lenda do passarinho verde
Não
importa se o passarinho é verde, amarelo ou rosa. Depois
que ele passa, de repente, fica tudo azul! A expressão
é tão antiga quanto sutil, mas geralmente quem
viu passarinho verde está, digamos, "muito bem,
obrigado", na vida afetiva.
Reza
a lenda que, antigamente, românticos rapazes adestravam
um periquito verde da espécie psitacídeo para
que ele levasse no bico uma carta de amor para a mulher amada.
O pássaro servia para burlar a vigilância dos
pais ranzinzas da moça, que desfilava depois pela casa
com aquela cara de quem viu passarinho verde...
Quando
a pessoa parece deslumbrada, como se tivesse visto algo muito
raro (como um passarinho verde, por exemplo!), todos ao redor
já ficam se perguntando: o que teria acontecido de
tão bom que a deixa tão feliz? Hummm... a gente
sabe que tem gente por aí que já está
sonhando com o passarinho verde só de pensar!
A
fisionomia de quem viu o tal do passarinho verde é
inconfundível: os olhos brilham, o sorriso brota fácil
no rosto e a disposição para a vida - e até
para a rotina - é incrível! O cuidado consigo
mesmo e a auto-estima vão lá para cima. A cor
verde significa esperança e boas notícias, como
aquelas que o periquito levava no bico para as apaixonadas,
nos tempos de amores proibidos.
Tudo
bem que hoje em dia quase tudo é permitido, mas ainda
tem muito passarinho verde solto por aí! Essa ave é
rara e nem sempre sobrevoa o mesmo céu todos os dias.
Por isso, atreva-se! a segurar o passarinho na gaiola para
não deixar o tempo fechar na sua vida afetiva!
Que
a satisfação nas relações amorosas
reflete nas outras áreas da vida cotidiana ninguém
pode negar. A insatisfação também. Então,
não dá para vacilar. Sabe o ditado aquele: "Mais
vale um pássaro na mão do que dois voando"?
Pois é... tem passarinho verde pousando por aí?
Saiba que ele pode ficar até mais verde se for bem
cuidado! Use sua criatividade para alçar vôos
mais altos...
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