CONTOS & LENDAS
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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 


CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XIX - "Não me cortes o cabello Que meu pae me penteou."
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 3, Serpa, Março de 1903, Volume V, pp. 40 a 47 (série de 12 contos)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]

Não me cortes o cabello Que meu pae me penteou.

"Era uma vez um homem e uma mulher e tinham uma filha, e o homem e a mulher foram á missa, e a mãe disse para a filha que ficasse para guardar os figos e que não os deixasse apanhar dos passarinhos. A filha foi para a varanda a guardar os figos e deixou comer um e metade d'outro.

Quando veio a mãe, ella estava a chorar.

- Então quantos figos comeram os passaros?
- Comeram um e metade d'outro.
- Deixa estar que não m'as ficas perdendo.

Fez uma cova no quintal e disse para a filha que se mettesse ali dentro pois queria semear um batatal do tamanho d'ella. Ella metteu-se, e a mãe deitou-lhe terra para cima e ali ficou.

Veio depois o marido:
- Então a Maria?
- Foi para a mestra.

No outro dia:
- Então a Maria?
- Foi a um mandado.

Um dia o marido disse para um creado:
- Vae ao quintal colher herva para os cavallos.

O creado foi e começou a ceifar.

Chegou lá a um ponto e ouviu de debaixo da terra:

Não me cortes o cabello
Que meu pae me penteou,
A minha mãe me arrastou,
N'esta cova me deitou,
Por via d'um passarinho.

O creado foi a contar ao amo; o amo mandou cavar ali e appareceu-lhe a filha.

Perguntou-lhe quem a tinha ali mettido.

Ella confessou a verdade, e elle mandou atar a mãe da rapariga ao rabo d'um cavallo e correu com elle por montes e valles.

Está o meu conto acabado.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.

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Em filme de Margarida Gil, 2002
cinema.sapo

«"Não me cortes o cabelo que o meu pai me penteou" é uma colagem de dois contos tradicionais presentes na antologia de Contos Tradicionais Portugueses organizada por Carlos de Oliveira e José Gomes Ferreira; O primeiro com o mesmo nome e o segundo chamado "A dona Maria ".

A situação de partida é de uma extrema crueldade, própria aliás dos contos tradicionais. Uma mãe mata a própria filha que depois renasce em forma de fantasma para (não) casar com o príncipe.»

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Pode Ver este conto ilustrado e Ouvir em:
kids.sapo.pt/brincar/historias/contos

 

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