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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XXIII- "O compadre Fachica"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 3, Serpa,
Março de 1903, Volume V, pp. 40 a 47 (série
de 12 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]
in - cafe-portugal.blogspot
O
compadre Fachica
"Era
uma vez um preto e uma preta. Eram muito ricos, e o preto
morreu. Na frente da preta morava um sapateiro e assim que
o preto morreu o sapateiro quiz apanhar dinheiro á
preta. A' noite estava a preta sentada á chaminé
e ouviu gemer lá em cima.
- Quem é que 'tá ahi?
- Sô eu.
- Quem é tu?
- Sô o compadre Fachica.
- Entã que qués tu?
- Trinta mê rés ó vizinhe' sapatêr.
- Vá tu alma escançar, que ámanhã
vô pagar ó vezinllo sapatêr.
Pela
manhã foi a preta e disse:
- Entã, vézinhe sapatêr, mê Fachica
devia cá algum tinta mê rés?
- Devia, sim senhora, mas isso não é pressa.
- Pôs aqui tem. qu'ê na quer qu'o mê Fachica
'teja nas penas do prugatoire.
Na
outra noite foi outra vez o sapateiro para cima da chaminé
a gemer, e que queria que se levasse 30 mil réis ao
vizinho sapateiro. E a preta foi pagar no dia seguinte.

in - eb23-diogo-cao
Na
terceira noite a mesma dança, mas a preta, escamada,
brada para o alto da chaminé:
Tanto
tinta mê rés,
Tanto tinta mê rés,
O' tu alma vá p'r'ó cé'
O' vá p'r'ó infern'
Já nan pago más dinhêr'
O' vizinhe sapatêr'.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.
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