|
CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XXIV - "Eu pequei com um moço"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 3, Serpa,
Março de 1903, Volume V, pp. 40 a 47 (série
de 12 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

in - refoias.net/galeriaFotosAvulsas/monchiqueLinhoTear
Eu
pequei com um moço
"Era
uma vez um homem e uma mulher que trabalhavam n'um tear. A
mulher era muito beata, todos os dias se ia confessar. Um
dia o marido fez-se frade e foi-lhe ouvir a confissão.
E ella disse:
Accuso-me,
padre,
Que pequei com um moço,
Que pequei com um velho,
Que pequei com um frade.
E
depois a mulher quando foi para casa já encontrou o
marido mettido no tear. Foi-se despir para se metter tambem
no tear, e começa o marido:
Eu
pequei com um moço,
Eu pequei com um velho,
Eu pequei com um frade,
E dá-lhe que dá-lhe.

in - musicantiga-
FradesSecXV
A
mulher embatucou e ficou muito triste. Foi a casa de uma visinha
buscar um raminho de salsa, e veio de lá com o recado
ensinado. Quando voltou continuava o marido:
E
dá-lhe que dá-lhe,
Eu peguei com um moço,
Eu pequei com um velho,
Eu pequei com um frade.
E
ella:
Então
tu não foste moco?
Então tu não és velho?
E hoje não foste frade?
Ah! velho, velho, velho,
Que te metto n'um chinello!
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.
|