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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XXV - "Canta, surron, canta"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 3, Serpa,
Março de 1903, Volume V, pp. 40 a 47 (série
de 12 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

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Canta,
surron, canta
"Era
urna vez uma hespanhola que tinha uma filha, e a filha foi
á fonte buscar uma bilha d'agua e deixou lá
um anelsinho de oiro; depois foi buscal-o. Encontrou lá
um pobresinho que a metteu n'um surrão. Depois o pobresinho
foi a pedir com o surrão ás costas. Chegava
ás portas e dizia:
Canta,
surron, canta,
Sinó te matarê.
Respondiam
lá de dentro do surrão:
Num
surron voy metida,
Num surron morirê,
Por um anelito d' oro,
Que nel pilar quedê.
-
Esmola ao pobresinho, dizia o homem.
Chegou
lá a uma venda, e a vendedeira, ouvindo o cante, mandou
entrar o pobresinho. Deu-lhe muito de comer e muito vinho
e o velho deixou-se dormir. A vendedeira foi descoser o surrão
e encontrou a menina, que contou tudo. O velho foi preso,
e a menina foi para casa da mãe.
Está
meu conto acabado e meu dinheiro ganhado.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.

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