CONTOS & LENDAS
A ARTE DE enCANTAR
na LITERATURA POPULAR PORTUGUESA

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uma TEIA infindável de Contos & Lendas

 

12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 


CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XXVII - "As Macacas"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 4, Serpa, Abril de 1903, Volume V, pp. 60 a 64 (série de 8 contos)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


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Ver criatividade com histórias e contos…
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As Macacas

"ERA d'uma vez um rei que tinha tres filhos e um d'elles era marranita ("pessoa que tem corcunda", in DLP, Porto Editora).


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Todos queriam casar, mas o pae disse que fossem correr mundo, e que, dos tres, casaria aquelle que trouxesse a bacia mais bonita.

Partiram e chegaram lá a um ponto onde havia tres estradas e cada um foi para seu lado.

O marranita foi andando, andando, e foi ter a um palacio. Vieram abrir-lhe a porta muitas macacas, e uma muito pequenina não o largou mais. Puzeram a mesa para o marranita comer, mas elle poz se a chorar. Diz-lhe a macaquinha:
- Então porque está a chorar?
- Ora meu pae quer que eu lhe leve a bacia mais bonita que houver.
- Não chore, aqui tem o caco das gallinhas.


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E quando elle se foi embora metteram-lhe o caco das gallinhas no alforge.

Chegou lá ao sitio e já vinham os outros irmãos com umas bacias muito bonitas, e o marranita muito triste porque só levava o caco das gallinhas.

Foram os tres para o palacio. Estava lá muita gente, muitos fidalgos.

O primeiro que se apresentou foi o mais velho, depois foi o outro e o terceiro foi o marranita.

Apresentaram as bacias, sendo a do mais velho de bronze e a do outro de prata, mas o marranita não se atrevia a apresentar o caco das gallinhas.


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O rei teimou com elle, zangou-se, e o marranita viu-se obrigado a saccar o caco das gallinhas que se transformou n'uma formosa bacia d'oiro.

O rei disse para os outros que quem casava era o marranita.

Elles responderam que não, pois ainda faltava a toalha.

Pois que fossem novamente correr mundo e que casaria quem trouxesse a melhor toalha.

O marranita correu logo ao tal palacio das macacas, e a macaquinha deu lhe a rodilha da chaminé.

Chegou o marranita ao sitio e já lá estavam os irmãos com toalhas muito ricas. Foi tirar a rodilha da chaminé para a mostrar aos irmãos e encontrou uma toalha côr da rosa.


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Foram para palacio. Todas as toalhas eram bonitas, mas a do marranita era a melhor.
- Não ha remedio, disse o rei, quem casa é o marranita.

E encarregou o de escolher noiva e de a apresentar em palacio dentro de tres dias.

O marranita correu logo a casa das macacas, para ellas lhe escolherem a Noiva.
-Vou eu, disse a macaquinha.


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Poz-se à porta um carro de cortiça e elle metteu-se dentro com a macaquinha, e as outras macacas e ursos tudo a tocar em instrumentos atraz do carro.

Chegaram ao tal sitio e estavam lá os irmãos e fizeram grande mangação d'elle.

Elle zangou-se, apeou-se do carro e foi beber agua á fonte; quando se voltou, já não viu os irmãos, mas viu tudo transformado: as macacas e os ursos eram princezas e principes e a rnacaquinha era a princeza mais bonita.

Os dois irmãos iam a caminho do palacio dizendo:
"Ora o rnarranita, a trazer uma companhia de macacas!"


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"Na azulejaria portuguesa, estas figuras esculpidas foram transformadas em um motivo decorativo muito utilizado não apenas no século XVII mas no seguinte também."
"Exemplo de uma Macacaria, "o casamento da galinha", existente no Palácio Fronteira, Lisboa. Todos os personagens representados, exceptuando a noiva, são macacos."

E riam muito; mas ficaram com grande inveja quando viram chegar o marranita com a sua noiva, no meio de muitos principes e princezas e n'um carro todo d'oiro, e serem recebidos pelo rei com grandes honras.

Casou o marranita, e acabou-se o conto das macacas.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.

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A remeter para o Corcunda de Notre Dame:
pt.wikipedia.org/wiki/Notre-Dame_de_Paris

 

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