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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XXIX - "S. Benedicto"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 4, Serpa,
Abril de 1903, Volume V, pp. 60 a 64 (série de 8 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

S. Benedito - o Santo Negro - O Santo Mouro
cantodapaz.com.br/-sao-benedito-santo-mouro
S.
Benedicto
"Havia
uma viuva rica que tinha uma filha, e desejava casal-a. Para
isso ia todos os dias á egreja a rezar por muitas horas
diante da imagem de S. Benedicto, advogado dos casamentos
d'aquella terra.
O
sacristão começou a reparar na grande devoção
da viuva e pensou logo em ser pedido ao santo para casamento.

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Um
dia foi collocar-se detraz do santo para escutar a supplica
da viuva e ouve:
-S. Benedicto, dá um bom marido a minha filha e casa-a
depressa.
O sacristão diz de traz do santo, em voz sumida:
- Casa-a com o sacristão.
- Oh santo bemdito! Muito agradecida! Um anno inteiro has-de
ter a lampada accesa por minha conta.
No
dia immediato mandou chamar o sacristão e offereceu-lhe
a filha em casamento, o que elle acceitou ás mãos
ambas.
No
dia em que a filha fazia um anno de casada, entra a viuva
egreja adentro, chega ao altar do santo e diz-lhe em voz alta:
"Santo
Benedicto,
Santo Marau
o que tu precisavas
Era umas azas de pau.
"Santo Benedito,
Santo Pandilha,
Como tens a cara
Assim deste marido
A minha filha".
O
sacristão tinha jogado a fortuna da viuva.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.
"E
lá foi tudo p'ró galheiro
" "Foi
tudo por água abaixo
"

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