CONTOS & LENDAS
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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XXXI - "O gigante"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 4, Serpa, Abril de 1903, Volume V, pp. 60 a 64 (série de 8 contos)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


livrariaresposta.com.br

O gigante
(e o Colhereiro)

"Era uma vez um colhereiro e tinha tres filhas e foi buscar madeira a um carvalho; appareceu-lhe um gigante e deu lhe muito dinheiro e disse-lhe que a primeira pessoa que encontrasse em casa que lh'a havia de levar.


www.sebiexpress.ch/expressinho.htm

Encontrou a filha mais velha, levou-a ao gigante e este levou-a para um palacio e poz-lhe um cordão ao pescoço e disse-lhe que abrisse todas as portas menos uma. O gigante foi para uma caçada e ella foi logo abrir a porta prohibida e viu dentro da casa muita gente morta; fez-se-lhe logo o cordão todo negro.

Tornou a fechar a porta e quando o gigante veio, viu-lhe logo o cordão negro, matou-a e metteu-a na tal casa.

Quando o homem foi outra vez a buscar madeira appareceu-lhe o gigante e deu-lhe outra bolsa com dinheiro. O homem perguntou-lhe pela filha.
- Está muito triste; devia trazer-lhe a outra filha para a restrahir.

O homem levou a segunda filha, e a esta succedeu o mesmo que á mais velha, foi morta pelo gigante.

Depois foi a filha mais moça; mas essa quando o gigante se foi embora e lhe disse que abrisse todas as portas menos aquella, tirou o cordão do pescoço. Viu lá muita gente morta e muita gente ferida e esteve curando as irmans que ainda não estavam mortas.

O gigante demorou-se muitos dias na caçada e as irmans iam melhorando; estavam já quasi boas quando regressou o gigante. Não lhe viu o cordão negro e ficou contente.
- Bem, temos mulher, disse o gigante, - e foi para outra caçada e ao voltar, tambem não lhe viu o cordão negro. Começou a gostar muito d'ella, a fazer-lhe todas as vontades e um dia ella pediu-lhe para ir levar um pote d'assucar a casa do pae.

Ella metteu a irmã mais velha no pote, e lá foi o gigante com o pote ás costas, e ella foi para o mirante e dizia-lhe de lá:
- Eu bem te vejo, - e elle olhava para traz e ria-se para ella.

Chegou lá a casa do pae entregou o pote de assucar e veio-se embora.

Passado tempo levou segundo pote d'assucar em que ia a segunda irmã. E depois ella, a mais nova, mandou fazer uma boneca, vestiu a com o seu fato e pô-la lá no mirante - e pediu ao gigante que fosse levar um pote de macarrão ao pae; metteu-se dentro do pote e ia dizendo lá dentro:
- Eu bem te vejo.


em: www.josepardal.com/site/blog/

O gigante olhava para o mirante, via a boneca e julgava que era ella. Entregou o pote de macarrão e veio a correr. Quando cá chegou foi ao mirante e encontrou-se com a boneca. Zangado, foi a casa do homem buscar a filha mais moça para casar com ella, mas o pae e as filhas já tinham abalado para fóra da terra com medo do gigante.

E conto acabado, dinheiro ganhado.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.

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Ver também:
O COLHEREIRO
Adolfo Coelho "Contos Populares Portugueses"
truca.pt/raposa_textos/historia_100_colhereiro


virtualandmemories.blogspot.com/2009/08/artes...

 

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