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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XXXI - "O gigante"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 4, Serpa,
Abril de 1903, Volume V, pp. 60 a 64 (série de 8 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

livrariaresposta.com.br
O
gigante
(e o Colhereiro)
"Era
uma vez um colhereiro e tinha tres filhas e foi buscar madeira
a um carvalho; appareceu-lhe um gigante e deu lhe muito dinheiro
e disse-lhe que a primeira pessoa que encontrasse em casa
que lh'a havia de levar.

www.sebiexpress.ch/expressinho.htm
Encontrou
a filha mais velha, levou-a ao gigante e este levou-a para
um palacio e poz-lhe um cordão ao pescoço e
disse-lhe que abrisse todas as portas menos uma. O gigante
foi para uma caçada e ella foi logo abrir a porta prohibida
e viu dentro da casa muita gente morta; fez-se-lhe logo o
cordão todo negro.
Tornou
a fechar a porta e quando o gigante veio, viu-lhe logo o cordão
negro, matou-a e metteu-a na tal casa.
Quando
o homem foi outra vez a buscar madeira appareceu-lhe o gigante
e deu-lhe outra bolsa com dinheiro. O homem perguntou-lhe
pela filha.
- Está muito triste; devia trazer-lhe a outra filha
para a restrahir.
O
homem levou a segunda filha, e a esta succedeu o mesmo que
á mais velha, foi morta pelo gigante.
Depois
foi a filha mais moça; mas essa quando o gigante se
foi embora e lhe disse que abrisse todas as portas menos aquella,
tirou o cordão do pescoço. Viu lá muita
gente morta e muita gente ferida e esteve curando as irmans
que ainda não estavam mortas.
O
gigante demorou-se muitos dias na caçada e as irmans
iam melhorando; estavam já quasi boas quando regressou
o gigante. Não lhe viu o cordão negro e ficou
contente.
- Bem, temos mulher, disse o gigante, - e foi para outra caçada
e ao voltar, tambem não lhe viu o cordão negro.
Começou a gostar muito d'ella, a fazer-lhe todas as
vontades e um dia ella pediu-lhe para ir levar um pote d'assucar
a casa do pae.
Ella
metteu a irmã mais velha no pote, e lá foi o
gigante com o pote ás costas, e ella foi para o mirante
e dizia-lhe de lá:
- Eu bem te vejo, - e elle olhava para traz e ria-se para
ella.
Chegou
lá a casa do pae entregou o pote de assucar e veio-se
embora.
Passado
tempo levou segundo pote d'assucar em que ia a segunda irmã.
E depois ella, a mais nova, mandou fazer uma boneca, vestiu
a com o seu fato e pô-la lá no mirante - e pediu
ao gigante que fosse levar um pote de macarrão ao pae;
metteu-se dentro do pote e ia dizendo lá dentro:
- Eu bem te vejo.

em: www.josepardal.com/site/blog/
O
gigante olhava para o mirante, via a boneca e julgava que
era ella. Entregou o pote de macarrão e veio a correr.
Quando cá chegou foi ao mirante e encontrou-se com
a boneca. Zangado, foi a casa do homem buscar a filha mais
moça para casar com ella, mas o pae e as filhas já
tinham abalado para fóra da terra com medo do gigante.
E
conto acabado, dinheiro ganhado.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.
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Ver também:
O
COLHEREIRO
Adolfo Coelho "Contos Populares Portugueses"
truca.pt/raposa_textos/historia_100_colhereiro

virtualandmemories.blogspot.com/2009/08/artes...
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