CONTOS & LENDAS
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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 


CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XLIII - "O piolho"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 9, Serpa, Setembro de 1903, Volume V, pp. 140 a 144 (série de 4 contos)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


Estórias de Luzia Teresa - por Altimar Pimentel
http://books.google.pt/o+piolho+do+rei

O piolho

Era uma vez um rei que tinha uma filha, e o pae disse para a filha:
"Cata-me aqui um bocadinho".
E ella disse: "Os reis não teem piolhos". Mas sempre o catou e lá encontrou um, e disse:
"Piolho de rei não se mata".

Metteu o piolho numa gaiolla, e elle foi crescendo, crescendo, e já estava d"um grande tamanho, e o rei disse que se tinha de matar o piolho, e a filha disse que dos ossos se havia de fazer uma cadeirinha para ella subir para a cama e uma escada para o pae subir para o throno, e quem adivinhasse de que era feita a cadeira e mais a escada, que havia de casar com ella.

O pae disse que sim e mandou deitar um pregão para toda a gente que adivinhasse ir lá ao palacio.

Uma vez estava a princeza com uma das aias á janella e estava dizendo para a aia:
- Ora quem será capaz de adivinhar que dos ossos d'um piolho se fez uma cadeira e uma escada?

Ia passando por debaixo da janella um velho. Ouviu e correu logo para palacio.

Perguntaram-lhe de que era feita a cadeira e a escada, e elle respondeu a tudo.

Depois o pae não queria que a princeza casasse com o velho, mas ella quiz, para cumprir a sua palavra.

Casou e depois foi a correr mundo com o velho.

Já ia farta do velho e chegou lá a um poço e disse-lhe:
- Olha, vê lá que bonito é este poço.
Elle foi a olhar e ella deitou-o para dentro do poço, e poz se a dizer de cima:
- Já estou livre do espirito de pobre.
E o ecco respondeu, e ella imaginava que era o velho que lhe falava lá de baixo. Depois disse:
- Ainda não estou livre; vou-me a fingir muda.

Foi lá para umas montanhas.

De uma vez veio o rei á caça.
Esteve-lhe falando, perguntando quem era o pae, quem era a mãe e ella não lhe respondia.

E o rei disse:
- Já sei que és muda; agora levo-te para palacio, no fim de sete annos se falares caso comtigo, se não falares não caso.

Passaram os 7 annos e ella ainda não tinha falado.

O rei casou com outra, e era permittido a toda a gente fazer um doce para o casamento do rei.

A muda fez tambem o doce e disse:
- Já estou livre do espirito de pobre.

Como viu que não lhe respolldeu ninguem (já não ouvia o eco) disse:
- Já estou livre, já estou.

Vestiu-se ainda mais bonita que a noiva e pôz-se á porta do palacio a esperar os noivos.

Assim que a rainha chegou disse para a que se fazia muda:

Menina das montanhas!
Que fato, que danhas?

Respondendo a que se fazia muda:

Que senhora tão assanhada,
Assim que chega logo fala;
Ha sete annos estou eu aqui
E só hoje minha bocca abri.

Depois o rei, mandou a rainha embora para a sua terra e casou com a princeza que se fazia muda.

Está o meu conto dito, seja Deus bemdito.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES.

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