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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XLV - "o príncipe porquinho"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 9, Serpa,
Setembro de 1903, Volume V, pp. 140 a 144 (série de
4 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]
 
O Príncipe Porco e a Primeira Noiva, Paula Rego, 2006
O Príncipe Porco Casa com a Terceira Irmã, Paula
Rego, 2006
(outra versão)
mariatrapo.blogspot
 
O Príncipe e a Sedução do Príncipe
de Paula Rego
www.casadashistoriaspaularego
alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar
O
príncipe porquinho
"Era
d'uma vez um rei e uma rainha, e a rainha teve um filho, mas
do feitio d'um porquinho, e ficaram os paes muito desgostosos.
Mandaram-n'o crear fóra do palacio, ás escondidas,
e a fim de tempos o principe porquinho casou com a filha d'um
alfaiate, e esta, uma noite, quando o principe porquinho dormia,
tirou-lhe a pelle e lançou-a n'uma fugueira.
E
diz lhe o principe porquinho:
Agora,
se me quizeres vêr,
Sapatos de ferro has de romper.
E
desappareceu. E ella mandou fazer uns sapatinhos de ferro
e foi a correr mundo em procura do principe.
Um
dia ella chegou a casa da Lua e perguntou-lhe pelo principe
porquinho.
A
Lua disse que quem sabia d'elle era o Vento, e que tosse da
parte d'ella ter com o Vento e para signal deu-lhe uma noz
que tinha dentro uma roca d'oiro.
Ella
foi a casa do Vento e o Vento disse-lhe que quem sabia do
principe porquinho era o Sol, que fosse da parte d'elle ter
com o Sol, e para signal deu lhe uma castanha que tinha dentro
uma gallinha com pintos d'oiro.
Ella
foi a casa do Sol e o Sol disse-lhe onde estava o principe
porquinho e ensinou-lhe o caminho do palacio onde elle estava,
e deu-lhe uma boleta que tinha dentro uma dobadoira d'oiro.
Ella
chegou defronte do palacio e pôz-se a trabalhar com
a dobadoira.
As
criadas do palacio foram dizer á rainha que estava
ali uma menina a dobar oiro fino n'uma dobadoira d'oiro.
A
rainha mandou-lhe a dizer se queria vender a dobadoira e ella
disse:
- Dou-a de graça se me deixarem ir ao quarto do príncipe.
E
tirou os pintainhos d'oiro da cesta e pôz-se-lhes a
dar de comer.
As
criadas foram dizer á rainha. A rainha quiz comprar
os pintainhos, e ella:
- Dou-os de graça com a dobadoira se me deixarem ir
ao quarto do principe.
E
tirou a noz e pôz-se a fiar na rouca d'oiro. A rainha
quiz comprar tudo, dubadoira, roca, gallinhas e pintos, e
ella disse:
- Dou tudo, tudo, de graça, se me deixarem ir ao quarto
do principe.
A
rainha, a poder de tanto, disse que sim, e ella foi.
Entrou
no quarto, e a poder de muitas lagrimas e de muitos pedidos
fez as pazes com o principe, que já não era
um principe porquinho, mas um principe de verdade, e viveram
muito felizes.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES
Ver
Também:
UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
repositorio.utad.pt/bitstream/10348/70/4/msc_cdsfernandes_anexo.pdf
Universidade
de Évora - Minerva
minerva.uevora.pt/publicar/conto-corvo.htm
Casa
de Sarmento - Universidade do Minho
csarmento.uminho.pt/docs/ndat/rg/RG100_09.pdf
Provérbios
Portugueses e Brasileiros:
hkocher.info/minha_pagina/port/port
Alguns
exemplos in TRADIÇÃO - SERPA
PROOVERBIOS & DITOS
(Continuados
da pago 80)
CDLXXXII
O
que faz o ladrão é a occasião.
CDLXXXIII
O
mundo é uma bola: tanto anda como desanda.
CDLXXXIV
Sardinha
que o gato leva, gualdida vae ella.
CDLXXXV
Nós
é coisa atada.
CDLXXXVI
Não
anda, que está coxo d'uma banda.
CDLXXXVII
Ninguém
faça mal á espera que lhe venha bem.
CDLXXXVIII
Não
vás a boda nem a baptisado para onde não fores
convidado.
CDLXXXIX
Não ha divida que se não pague, se o devedor
não morre.
(Continua)
(Da tradição oral, em Serra)
M. DIAS NUNES
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