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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XLVI - "O Mouco"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 10, Serpa,
Outubro de 1903, Volume V, pp. 160
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

mal-entendidos
que podem dar pancadaria
files.cbecteologia.webnodemal_entendido
O
Mouco
Era
d'uma vez um homem que era mouco, estava n'uma herdade, e,
vendo vir outro homem, disse:
Alem
vem um homem que me hade perguntar d'onde eu sou, e eu digo-lhe:
De Barcellos.
Hade-me
perguntar por onde é o caminho, e eu digo-lhe:
Alem por aquelles outeiros abaixo.
Hade-me
perguntar que fundura tem este poço e eu digo lhe:
Este pau até ao nó.
Chegou
o homem e disse:
- Guarde-o Deus, camarada.
- De Barcellos, disse o mouco.
- Não lhe digo isso, digo-lhe que o guarde Deus.
- Além por aquelles oiteiros abaixo.
- Olhe que lhe metto este pau pela bocca.
- Este pau até ao nó.
O
homem, zangado com as respostas, deitou a bater no mouco e
deixou-o como um S. Lazaro.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES
 
astrothon.com/PinturaSanLazaroResucitado
astrothon.com/Planetas/SubPlanetas
VER
LENDAS de LÁZARO:
http://www.astrothon.com/Planetas/SubPlanetas1189801624It006
São
Lázaro, o amigo de Jesus
«São
Lázaro, o amigo de Jesus, teve a sorte de ser o protagonista
de um dos milagres maiores de Jesus Cristo, já que
foi ressuscitado pelo Senhor depois de quatro dias de haver
falecido.
O
Evangelho conta que Lázaro era irmão de Marta
e Maria, residindo a família em Betânia, próximo
de Jerusalém.
Doente
de mal da pele, corre na região a notícia da
morte de Lázaro, amigo de Jesus.
Nessa
ocasião, Jesus, acompanhado dos apóstolos pregava
ao povo às margens do rio Jordão.
Ao
ter notícia da morte do amigo, Jesus desloca-se, com
os apóstolos, para Betânia. A viagem demorada
fez com que Jesus e os discípulos só lá
chegassem quatro dias após Lázaro ser sepultado,
estando o corpo em franca decomposição.
Conta
São João (Evangelho XI e XII, II) que, ao chegar
a Betânia, Jesus, sempre acompanhado dos apóstolos
e de enorme massa popular, dirige-se ao túmulo de Lázaro
e, diante de todos, inclusive de Marta e Maria, mandou abrir
a laje e, em voz forte e segura, ordenou: "Lázaro,
levanta-te e caminha".
Diz
a lenda que Lázaro se levantou da catacumba e, ainda
envolto nas faixas mortuárias, o rosto coberto com
o véu funerário, caminhou.
Grande
milagre o da ressurreição de Lázaro,
concorrendo para engrandecer mais ainda a figura de Jesus,
mas acendendo maiores ódios nos fariseus.
A
lenda registra Lázaro, mais tarde, residindo na Provença
com as duas irmãs. Lá está em Marselha,
em veneração, a cabeça de São
Lázaro, santificado como verdadeiro mártir,
ele que chegou a primeiro bispo da cidade. Em outra versão
Lázaro e suas irmãs vão para Chipre onde
ele se torna bispo de Kition ou Lamaka. As suas supostas relíquias
teriam sido transladadas para Constantinopla e varias igrejas
e capelas foram erigidas em sua honra na Síria.
A
Basílica de São Lázaro, santo padroeiro
de Lanarka, construída em 890 DC era um templo cristão
do quinto século no qual existia um sarcófago
com a com a inscrição: "Lazarus, o amigo
de Cristo". Isto reforça a tradição
que ele viveu sua "segunda vida ressuscitado" em
Kition, Lanarka.
Da
análise dessas duas passagens da lenda parece haver
confusão de nomes. Talvez duas criaturas sofrendo do
mesmo mal, recebendo a segunda, por semelhança, o mesmo
nome da primeira e, por extensão, dado o nome de Lázaro
a todo portador da moléstia maldita.
A
devoção a Lázaro era muito comum na igreja
antiga. Na Idade Média São Lázaro tornou-se
o padroeiro dos leprosos pela associação errada
feita com seu homônimo narrado na parábola de
Lucas - Lázaro e do Rico.
Conta
a parábola: Um nababo esbanjava o dinheiro em luxo
e banquetes. Enquanto isso, um pobre infeliz, coberto de chagas,
- Lázaro, impedido de apanhar as migalhas dos festins,
é enxotado por todos, que se repugnam do aspecto deplorável
da figura chaguenta. Só os cães dele se aproximam,
lambendo-lhe as feridas. (Daí a crença popular
de que qualquer ferida, lambida por um cão, fecha sem
mais remédio).
A
morte, porém, pôs termo aos males do infeliz.
Afirma a lenda evangélica que recebeu compensação,
a alma subiu aos céus, ao seio de Abraão, aos
páramos de Deus.
Os
tesouros do nababo não impediam que ele morresse e
descesse ao inferno.
De
lá, registra textualmente a parábola, teria
o rico, abraçado pelo fogo do inferno, rogado:
-
Abraão, tende piedade de mim, manda que Lázaro
com a ponta do seu dedo molhe a minha língua, porque
sofro terrivelmente no meio destas chamas.»
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