CONTOS & LENDAS
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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 



CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XLVI - "O Mouco"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 10, Serpa, Outubro de 1903, Volume V, pp. 160

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


mal-entendidos… que podem dar pancadaria…
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O Mouco

Era d'uma vez um homem que era mouco, estava n'uma herdade, e, vendo vir outro homem, disse:

Alem vem um homem que me hade perguntar d'onde eu sou, e eu digo-lhe:
De Barcellos.

Hade-me perguntar por onde é o caminho, e eu digo-lhe:
Alem por aquelles outeiros abaixo.

Hade-me perguntar que fundura tem este poço e eu digo lhe:
Este pau até ao nó.

Chegou o homem e disse:
- Guarde-o Deus, camarada.
- De Barcellos, disse o mouco.
- Não lhe digo isso, digo-lhe que o guarde Deus.
- Além por aquelles oiteiros abaixo.
- Olhe que lhe metto este pau pela bocca.
- Este pau até ao nó.

O homem, zangado com as respostas, deitou a bater no mouco e deixou-o como um S. Lazaro.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES


astrothon.com/PinturaSanLazaroResucitado

astrothon.com/Planetas/SubPlanetas

VER LENDAS de LÁZARO:
http://www.astrothon.com/Planetas/SubPlanetas1189801624It006

São Lázaro, o amigo de Jesus

«São Lázaro, o amigo de Jesus, teve a sorte de ser o protagonista de um dos milagres maiores de Jesus Cristo, já que foi ressuscitado pelo Senhor depois de quatro dias de haver falecido.

O Evangelho conta que Lázaro era irmão de Marta e Maria, residindo a família em Betânia, próximo de Jerusalém.

Doente de mal da pele, corre na região a notícia da morte de Lázaro, amigo de Jesus.

Nessa ocasião, Jesus, acompanhado dos apóstolos pregava ao povo às margens do rio Jordão.

Ao ter notícia da morte do amigo, Jesus desloca-se, com os apóstolos, para Betânia. A viagem demorada fez com que Jesus e os discípulos só lá chegassem quatro dias após Lázaro ser sepultado, estando o corpo em franca decomposição.

Conta São João (Evangelho XI e XII, II) que, ao chegar a Betânia, Jesus, sempre acompanhado dos apóstolos e de enorme massa popular, dirige-se ao túmulo de Lázaro e, diante de todos, inclusive de Marta e Maria, mandou abrir a laje e, em voz forte e segura, ordenou: "Lázaro, levanta-te e caminha".

Diz a lenda que Lázaro se levantou da catacumba e, ainda envolto nas faixas mortuárias, o rosto coberto com o véu funerário, caminhou.

Grande milagre o da ressurreição de Lázaro, concorrendo para engrandecer mais ainda a figura de Jesus, mas acendendo maiores ódios nos fariseus.

A lenda registra Lázaro, mais tarde, residindo na Provença com as duas irmãs. Lá está em Marselha, em veneração, a cabeça de São Lázaro, santificado como verdadeiro mártir, ele que chegou a primeiro bispo da cidade. Em outra versão Lázaro e suas irmãs vão para Chipre onde ele se torna bispo de Kition ou Lamaka. As suas supostas relíquias teriam sido transladadas para Constantinopla e varias igrejas e capelas foram erigidas em sua honra na Síria.

A Basílica de São Lázaro, santo padroeiro de Lanarka, construída em 890 DC era um templo cristão do quinto século no qual existia um sarcófago com a com a inscrição: "Lazarus, o amigo de Cristo". Isto reforça a tradição que ele viveu sua "segunda vida ressuscitado" em Kition, Lanarka.

Da análise dessas duas passagens da lenda parece haver confusão de nomes. Talvez duas criaturas sofrendo do mesmo mal, recebendo a segunda, por semelhança, o mesmo nome da primeira e, por extensão, dado o nome de Lázaro a todo portador da moléstia maldita.

A devoção a Lázaro era muito comum na igreja antiga. Na Idade Média São Lázaro tornou-se o padroeiro dos leprosos pela associação errada feita com seu homônimo narrado na parábola de Lucas - Lázaro e do Rico.

Conta a parábola: Um nababo esbanjava o dinheiro em luxo e banquetes. Enquanto isso, um pobre infeliz, coberto de chagas, - Lázaro, impedido de apanhar as migalhas dos festins, é enxotado por todos, que se repugnam do aspecto deplorável da figura chaguenta. Só os cães dele se aproximam, lambendo-lhe as feridas. (Daí a crença popular de que qualquer ferida, lambida por um cão, fecha sem mais remédio).

A morte, porém, pôs termo aos males do infeliz. Afirma a lenda evangélica que recebeu compensação, a alma subiu aos céus, ao seio de Abraão, aos páramos de Deus.

Os tesouros do nababo não impediam que ele morresse e descesse ao inferno.

De lá, registra textualmente a parábola, teria o rico, abraçado pelo fogo do inferno, rogado:

- Abraão, tende piedade de mim, manda que Lázaro com a ponta do seu dedo molhe a minha língua, porque sofro terrivelmente no meio destas chamas.»

 

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