CONTOS & LENDAS
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uma TEIA infindável de Contos & Lendas

 

12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 


CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XLVII - "Os sete veados"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 11, Serpa, Novembro de 1903, Volume V, pp. 172 a 176 (série de 7 contos)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


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Os sete veados

"ERA d'uma vez um homem e uma mulher que tinham sete filhos e ao fim de tempos deu-lhes Nosso Senhor uma filha, e os sete rapazes ficaram indignados pelo nascimento da irmã, e a ponto de abalarem de casa e irem a correr mundo.

A filha foi crescendo, crescendo, e um dia a mãe, zangando-se com ella, disse-lhe:
- Por tua causa andam sete moços como sete perolas por esse mundo passando trabalhos.

- A filha pediu á mãe que lhe dissesse o que queriam dizer aquellas palavras e ella contou-lhe o que se tinha passado; e disse a filha:
- Pois vou eu em procura dos meus irmãos.

Os paes não a queriam deixar ir; mas ella disse que queria ir tambem passar os trabalhos que os seus sete irmãos estavam passando por sua causa, e, pedindo, a benção aos paes, pôz-se a caminho.

Foi andando, andando; era quasi noite e encontrou uns casarões velhos onde se recolheu, e como era cuidadosa, pôz-se a arranjar as casas, a fazer as camas e a pôr tudo na ordem. N'isto sentiu rumor e vendo entrar sete homens muito mal trajados, teve um grande susto e escondeu-se. Os homens ao repararem no arranjo da casa admiraram-se e procurando quem tinha sido a arranjadeira encontraram a rapariga toda a tremer, anichada a um canto.

Metteram-n'a em confissão e ella contou tudo, e então conheceram os homens que estavam em frente da sua irmã, e começaram a tratal-a mal, excepto o irmão mais novo, que ao ouvir-lhe dizer que queria passar trabalhos juntamente com elles, teve muito dó e pediu aos irmãos que a consentissem na sua companhia.

Os irmãos cederam, mas de má vontade, e com a condição de lhes servir de criada e de todas as noites, ao voltarem das rusgas, lavar os pés a todos, e recommendaram muito á irmã que nunca fosse buscar agua a uma fonte que estava ao lado dos casarões, e que tomasse n'isto multo sentido. A irmã assim o prometteu.


Grutas do Poço Velho - Cascais
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Ora a razão porque os homens não queriam utilisar-se da agua d'essa fonte, era porque, quando elles sahiram de casa dos paes, arvoraram-se n'uma companhia de ladrões, e entre muitos roubos e assassinatos que fizeram, roubaram e mataram um gigante que vivia n'aquelles casarões, e no sitio em que o gigante foi morto, e em que se espalhou o sangue, appareceu a fonte, a tal de que não queriam servir-se.

Todas as noites a rapariga lavava os pés aos irmãos quando elles recolhiam, e lavava-Ih'os com agua quente; mas d'uma vez quiz pôr a agua ao lume e conheceu que não a havia no pote e ficou afflicta, mas disse comsigo:
- Ora vou buscal-a ali á fonte, elles não sabem se lhes lavo os pés com essa agua ou com outra.

Foi buscal-a e pôz a agua ao lume.

Vieram os irmãos, e, antes de cearem, a irmã foi lavar-lhes os pés" começando pelo mais velho. E assim que ella começou a lavar-lh'os, transforma-se o homem n'um veado e abalou.

Os outros perguntaram logo onde fora ella buscar a agua, e ella confessou.

Zangaram-se muito, ella ficou toda aterrada, e os irmãos, que quizeram todos correr a sorte do mais velho, obrigaram-n'a a lavar-lhes os pés na mesma agua.

Ella obedeceu a chorar, lavando os pés aos cinco irmãos mais velhos, que se transformaram logo em veados e desappareceram, e ao irmão mais novo não queria de modo nenhum lavar-lh'os, mas elle tanto teimou, tanto, que não teve mais remedio senão lavar-lh'os tambem, e transformando-se logo em veado, desappareceu como os outros.

E aqui ficou a pobre rapariga sósinha com a sua grande desgraça, e pensou em matar-se.


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Levou a noite inteira a chorar e a lamentar-se; mas de manhãzinha appareceu-lhe o irmão mais novo, transformado em veado, e esteve-a acariciando, mostrando ter muito dó d'ella; e todos os dias vinha o veadinho trazer-lhe de comer.

Passaram tempos, e um dia appareceu por ali um principe á caça, e vendo a me-nina agradou-se muito d'ella, porque era muito bonita, e ella agradou-se do principe, e todas as tardes o principe ia ter com a menina, até que por fim se dispôz a casar com ella e levou-a para o palacio.

Ella tinha contado tudo ao irmão mais novo, que levou a bem o casamento e lhe disse que á boquinha de todas as noites iria ao jardim do palacio para a vêr e para fallar com ella.

Fez-se o casamento com grande pompa; mas as pessoas da côrte não gostaram que o principe fosse casar com uma aventureira e puzeram-se a tramar contra a princeza, e logo que souberam que ella todos os dias, ao lusco-fusco, ia sósinha a certo ponto do jardim e ahi se demorava a conversar com alguem, avisaram o principe de que lhe era falsa.

O principe espreitou tres vezes e conheceu que era certa a desconfiança dos fidalgos.

De combinação com o rei seu pae, resolveu o principe que morresse enforcada.

Foi logo mettida n'uma torre e no dia seguinte mandou o rei deitar pregão de que a princeza ia a enforcar.

Reuniu-se muito povo de roda da forca esperando a princeza, e quando esta chegou sentiu-se ao longe um grande estrugido, e o rei disse:

- Esperem, esperem, que todos te em direito a gosar do espectaculo, e vem além gente a todo o escape.

Esperaram e viram vir sete veados; saltou o primeiro sobre a forca e transformou-se logo n'um homem; saltaram mais cinco sobre a forca e em homens se mudaram; e o ultimo veado, que era o mais pequeno, esse teve de saltar tres vezes para se desencantar.

A princeza gritou para os sete irmãos, que a rodearam, e tudo o irmão mais novo aclarou na presença de toda a côrte, e o motivo porque a irmã ia todos os dias ao jardim á hora do lusco-fusco.

Está o meu conto acabado, seja Deus louvado.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES

Remeter para "Branca de Neve e os Sete Anões":

http://marinaw.com.br/2003/03/

Nomes adoptados em Português - Brasileiro, no 1º filme da Walt Disney (22 de dezembro de 1937):

Dunga (Imberbe - Sem Barba - mudo), Dengoso (Teimoso), Soneca (Dorminhoco), Atchim (Constipado) Feliz, Zangado e Mestre

Nomes em inglês lançados pela Walt disney:
Biggy, Blabby, Dirty, Gabby, Gaspy, Gloomy, Hoppy, Hotsy, Jaunty, Jumpy, Nifty e Shifty. Atchim (no original, Sneezy) foi o último anão a receber seu nome, já que até dias antes da estréia o nome do personagem seria apenas Jumpy, mas o nome acabou sendo alterado de última hora para o nome que conhecemos até hoje.
http://planetadisney.blogspot.com/2007/12/especial-branca-de-neve-e-os-sete-anes.html

"Um dos maiores desafios de Branca de Neve era encontrar uma personalidade definida para cada um dos sete anões. Os irmãos Grimm haviam lhe conferido pouca definição na sua fábula original, e eles só ganharam nomes, pela primeira vez, numa antiga montagem teatral, onde foram batizados de Flick, Glick, Blick, Snick, Plick, Whick e Queen.
Finalmente, o nome Mestre (Doc, no original) foi escolhido para o líder do grupo porque passava a idéia de uma pessoa amigável numa posição de autoridade; Atchim (no original, Sneeze) foi inspirado no ator Billy Gilbert, que havia se tornado célebre por seu espirro hilário em vários filmes precedentes; Feliz (Happy, no original) era um contraponto perfeito para Zangado (Grumpy); Soneca (Sleepy) e Dengoso (Bashful) eram nomes que davam margem a inúmeras possibilidades de idéias simpáticas e engraçadas."

webcine.com.br/notaspro/npbranev


gpdesenhos.com.br/paginas/disney/osseteanoes

Em vídeo no Youtube
youtube.com/watch?v=22Qpq5IPNXM

 

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