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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XLVIII - "D. Buenos"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 11, Serpa,
Novembro de 1903, Volume V, pp. 172 a 176 (série de
7 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

Branca+Flor
D.
Buenos
"Era
uma vez uma menina muito bonita e essa menina pediu ao pae
para ir ao jardim.
O
pae disse-lhe que não fosse porque era já tarde,
mas ella teimou e foi.
Ao
depois perdeu-se no caminho e levou um dia e uma noite perdida.
Viu
uma luzinha lá muito ao longe e foi direita a ella.
Chegou
a uns pardieiros onde viviam duas velhas:
- Querem cá uma criadinha?
- Queremos.
E
ficou. No dia seguinte perguntou:
- O que vou eu agora a fazer?
- Olha, vaes agora ao campo a encher esta canastra de pennas
de passarinhos vivos.
Ella
foi com a canastra, sentou-se n'uma rocha e pôz-se a
chorar.
Appareceu-lhe
um principe e disse-lhe:
- Então o que é isso menina?
- São duas mulheres que querem que eu encha esta canastra
de pennas de passarinhos vivos.
- Isso arranja-se; toucou uma buzina, vieram os criados do
principe e passadas algumas horas encheu-se a canastra de
pennas de passarinhos vivos.
E
o principe disse á menina:
- Olha, se as duas feiticeiras te disserem que foi o D. Buenos,
diz-lhe assim:
Diabo
levem a vocês,
E os anjos levem a mim,
Se eu já hoje vi D. Buenos,
Ou D. Buenos viu a mim.
No
outro dia as duas velhas disseram á rapariga que fosse
ao campo com uma azada e que havia de trazel-a esfregada que
parecesse oiro.
Accudiu-lhe
outra vez o principe, e os criados esfregaram a azada que
ficou como se fosse d'oiro; e o principe disse á menina:
-
Olha que esta noite as tuas feiticeiras hão de querer
incendiar-te a cama, e tu não durmas; leva toda a noite
aos ais.
Pela
noite adiante, as camas que appareceram incendiadas foram
as das duas feiticeiras e ellas morreram no brazido.
Pela
manhãsinha appareceu o principe á menina e disse:
- Olha, eu vou pedir ao meu pae para me deixar casar comtigo,
tu ficas aqui esperando assentada na rocha em que te vi da
primeira vez, que eu venho buscar-te para ires para o palacio.
A
menina desatou a chorar e a dizer:
- Não me deixes aqui, porque te vaes esquecer de mim.
- Que estás a dizer?
- Vaes; logo que te deixes dormir em palacio, esquéces-te
de mim.
O
principe prometteu que não fecharia os olhos em quanto
a não viesse buscar.
Mas
ao chegar a palacio deu-lhe um grande somno e dormiu.
Esqueceu-se
logo da pobre menina, que se chamava Guiomar.
Passados
tempos havia tres dias de torneio no palacio do rei, e a Guiomar
conseguiu entrar no jardim.
No
torneio havia uma vaquinha que não queria andar e o
principe tudo era tocar lhe para que se mexesse, até
que uma menina do lado diz:
Anda,
anda, torneirinha,
Não queiras mais ateimar,
Não sejas como D. Buenos,
Que se esqueceu de Guiomar.
Q
principe pôz as mãos na cabeça, lembrou-se
da sua princeza, viu a menina e levou-a á presença
do rei e da côrte, dizendo que ali estava a prenda do
seu coração - e casou com ella.
Conto
acabado, dinheiro ganhado.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES
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Ver
também in.
"CENTRO DE ESTUDOS DOS POVOS E CULTURAS DE EXPRESSÃO
PORTUGUESA
Contos Populares Alentejanos recolhidos da tradição
oral, António
Thomaz Pires. Edição crítica e introdução
de Mário F. Lages
Lisboa, 1992, 157 p. (Estudos e Documentos, 4) ISBN 972-9045-01-1"
ucp.pt/site/resources/documents/CEPCEP/coleccao11
notas:
wikipedia-Brancaflor
"Brancaflor
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Brancaflor
(Francês: Blanchefleur) é o nome de várias
personagens das histórias do Ciclo Arturiano.
No
Romance do Graal de Chrétien de Troyes, Brancaflor
é a senhora do Castelo da Bela Guarida (Beaurepaire),
cujos habitantes vivem infelizes em virtude de estarem sitiados
pelas tropas do Rei Clamadeu. Perceval, pelo qual Brancaflor
se apaixona, consegue derrotar Clamadeu, libertar o castelo
e restituir a alegria aos seus habitantes.
Na
obra Parzival de Wolfram von Eschenbach, Brancaflor (ali chamada
Condwiramurs) torna-se mulher de Perceval, de quem tem dois
filhos: Kardeiz e Lohengrin.
Brancaflor
é também o nome da mãe de Tristão
na obra Tristão e Isolda."
Ver
Também - A Menina e a Preta -
cvc.instituto-camoes.pt/bdc/etnologia/revistalusitana

Ver ainda, também - Branca Flor - in
Contos Tradicionais Portugueses, Iniciativas Editoriais, Lisboa,
Edição especial para Livraria Figueirinha -
Porto - volume IV, pp. 965 - 976 (por D. Ana de Castro Osório).
Ver, no final, pp. 975 e 976:

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