CONTOS & LENDAS
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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 


CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XLVIII - "D. Buenos"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 11, Serpa, Novembro de 1903, Volume V, pp. 172 a 176 (série de 7 contos)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


Branca+Flor

D. Buenos

"Era uma vez uma menina muito bonita e essa menina pediu ao pae para ir ao jardim.

O pae disse-lhe que não fosse porque era já tarde, mas ella teimou e foi.

Ao depois perdeu-se no caminho e levou um dia e uma noite perdida.

Viu uma luzinha lá muito ao longe e foi direita a ella.

Chegou a uns pardieiros onde viviam duas velhas:
- Querem cá uma criadinha?
- Queremos.

E ficou. No dia seguinte perguntou:
- O que vou eu agora a fazer?
- Olha, vaes agora ao campo a encher esta canastra de pennas de passarinhos vivos.

Ella foi com a canastra, sentou-se n'uma rocha e pôz-se a chorar.

Appareceu-lhe um principe e disse-lhe:
- Então o que é isso menina?
- São duas mulheres que querem que eu encha esta canastra de pennas de passarinhos vivos.
- Isso arranja-se; toucou uma buzina, vieram os criados do principe e passadas algumas horas encheu-se a canastra de pennas de passarinhos vivos.

E o principe disse á menina:
- Olha, se as duas feiticeiras te disserem que foi o D. Buenos, diz-lhe assim:

Diabo levem a vocês,
E os anjos levem a mim,
Se eu já hoje vi D. Buenos,
Ou D. Buenos viu a mim.

No outro dia as duas velhas disseram á rapariga que fosse ao campo com uma azada e que havia de trazel-a esfregada que parecesse oiro.

Accudiu-lhe outra vez o principe, e os criados esfregaram a azada que ficou como se fosse d'oiro; e o principe disse á menina:

- Olha que esta noite as tuas feiticeiras hão de querer incendiar-te a cama, e tu não durmas; leva toda a noite aos ais.

Pela noite adiante, as camas que appareceram incendiadas foram as das duas feiticeiras e ellas morreram no brazido.

Pela manhãsinha appareceu o principe á menina e disse:
- Olha, eu vou pedir ao meu pae para me deixar casar comtigo, tu ficas aqui esperando assentada na rocha em que te vi da primeira vez, que eu venho buscar-te para ires para o palacio.

A menina desatou a chorar e a dizer:
- Não me deixes aqui, porque te vaes esquecer de mim.
- Que estás a dizer?
- Vaes; logo que te deixes dormir em palacio, esquéces-te de mim.

O principe prometteu que não fecharia os olhos em quanto a não viesse buscar.

Mas ao chegar a palacio deu-lhe um grande somno e dormiu.

Esqueceu-se logo da pobre menina, que se chamava Guiomar.

Passados tempos havia tres dias de torneio no palacio do rei, e a Guiomar conseguiu entrar no jardim.

No torneio havia uma vaquinha que não queria andar e o principe tudo era tocar lhe para que se mexesse, até que uma menina do lado diz:

Anda, anda, torneirinha,
Não queiras mais ateimar,
Não sejas como D. Buenos,
Que se esqueceu de Guiomar.

Q principe pôz as mãos na cabeça, lembrou-se da sua princeza, viu a menina e levou-a á presença do rei e da côrte, dizendo que ali estava a prenda do seu coração - e casou com ella.

Conto acabado, dinheiro ganhado.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES

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Ver também in.
"CENTRO DE ESTUDOS DOS POVOS E CULTURAS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA
Contos Populares Alentejanos recolhidos da tradição oral, António
Thomaz Pires. Edição crítica e introdução de Mário F. Lages
Lisboa, 1992, 157 p. (Estudos e Documentos, 4) ISBN 972-9045-01-1"
ucp.pt/site/resources/documents/CEPCEP/coleccao11

notas:
wikipedia-Brancaflor
"Brancaflor
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Brancaflor (Francês: Blanchefleur) é o nome de várias personagens das histórias do Ciclo Arturiano.

No Romance do Graal de Chrétien de Troyes, Brancaflor é a senhora do Castelo da Bela Guarida (Beaurepaire), cujos habitantes vivem infelizes em virtude de estarem sitiados pelas tropas do Rei Clamadeu. Perceval, pelo qual Brancaflor se apaixona, consegue derrotar Clamadeu, libertar o castelo e restituir a alegria aos seus habitantes.

Na obra Parzival de Wolfram von Eschenbach, Brancaflor (ali chamada Condwiramurs) torna-se mulher de Perceval, de quem tem dois filhos: Kardeiz e Lohengrin.

Brancaflor é também o nome da mãe de Tristão na obra Tristão e Isolda."

Ver Também - A Menina e a Preta -
cvc.instituto-camoes.pt/bdc/etnologia/revistalusitana



Ver ainda, também - Branca Flor - in
Contos Tradicionais Portugueses, Iniciativas Editoriais, Lisboa, Edição especial para Livraria Figueirinha - Porto - volume IV, pp. 965 - 976 (por D. Ana de Castro Osório). Ver, no final, pp. 975 e 976:


 

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