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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XLIX - "Abre-te flor de liz"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 11, Serpa,
Novembro de 1903, Volume V, pp. 172 a 176 (série de
7 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

em: bengalas.blogspot.com/
Abre-te
flor de liz
"Era
d'uma vez dois compadres, um pobre e outro rico.
O
compadre pobre, um dia, foi ao campo e junto de umas pedras
viu uns ladrões carregados de muitas riquezas, e escondeu-se.
E
ouviu dizer a um d'elles: Abre-te, flor de liz. E viu uma
das pedras abrir-se e entrarem todos os ladrões pelo
buraco e fechar-se depois a pedra.
Passado
algum tempo abriu-se outra vez a pedra e sahiram todos os
ladrões, deixando lá as riquezas, e fechou-se
a pedra á voz de um d'elles: Fecha-te, flor de liz.
Deixou-os
afastar e quando já os não via chegou elle á
pedra e disse: Abre-te flor de liz. A pedra abriu-se, elle
entrou pelo buraco e disse: Fecha-te flor de liz.
A
pedra fechou-se e elle foi lá baixo e encontrou grandes
riquezas.
Encheu-se
de todo o dinheiro que poude carregar, e dando ordem á
pedra para se abrir e depois para se fechar, veio para sua
casa já feito um grande senhor.
Passados
dias contou tudo ao compadre rico, e este pediu-lhe por tudo
quanto havia que lhe dissesse onde era o sitio da pedra. O
compadre disse lhe e elle foi lá sósinho: Abre
te flor de liz! e a pedra abriu-se; elle desceu e disse: Fecha.te
flor de liz! e a pedra fechou-se.
Foi
lá baixo e encheu-se de riquezas, mas quando quiz sahir
não se lembrou do nome da pedra, e tudo era: Abre-te
couve! Abre-te, coentro! Abre-ta alface!
E a pedra moita.
La
ficou, e depois vieram os ladrões, deram com elle e
mataram-n'o.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES
Ver
Ali-Baba e os 40 ladrões (das Mil e Uma Noites):

wikipedia.org/wiki/Ali_Baba
donatien.files.wordpress.com/2007/05/alibaba


Também In - eb1-deixa-resto.rcts.pt/html/contostradiconis
HISTÓRIA
DO COMPADRE RICO E DO COMPADRE POBRE
Moravam
numa aldeia dois compadres. Um era pobre e o outro rico, mas
muito miserável. Naquela terra era uso todos quantos
matavam porco dar um lombo ao abade. O compadre rico, que
queria matar porco sem ter de dar o lombo, lamentou-se ao
pobre, dizendo mal de tal uso. Este deu-lhe de conselho que
matasse o porco e o dependurasse no quintal, recolhendo-o
de madrugada, para depois dizer que lho tinham roubado.
Ficou muito contente com aquela ideia e seguiu à risca
o que o compadre pobre lhe tinha dito. Depois deitou-se com
tenção de ir de madrugada ao quintal buscar
o porco. Mas o compadre pobre, que era espertalhão,
foi lá de noite e roubou-lho. No dia seguinte, quando
o rico deu pela falta do porco, correu a casa do compadre
pobre e muito aflito contou-lhe o acontecido. Este, fazendo-se
desentendido, dizia-lhe: "Assim, compadre! Bravo! Muito
bem, muito bem! Assim é que há-de dizer para
se esquivar de dar o lombo ao abade!"
O rico cada vez teimava mais ser certo terem-lhe roubado o
porco; e o pobre cada vez se ria mais, até que aquele
saiu desesperado, porque o não entendiam.
O que roubou o porco ficou muito contente e disse à
mulher: "Olha, mulher, desta maneira também havemos
de arranjar vinho. Tu hás-de ir a correr e a chorar
para casa do compadre, fingindo que eu te quero bater; levas
um odre debaixo do fato, e quando sentires a minha voz, foges
para a adega do compadre e enquanto eu estou falando com ele,
enches o odre de vinho e foges pela outra porta para casa."
A mulher, fingindo-se muito aflita, correu para casa do compadre,
pedindo que lhe acudisse, porque o marido a queria matar.
Nisto ouviu a voz do marido e correu para a adega do compadre,
e enquanto este diligenciava apaziguar-lhe a ira, enchia ela
o odre. Tinha-lhe esquecido, porém, um cordão
para o atar, mas tendo uma ideia gritou para o marido: "Ah!
Goela de odre sem nagalho!" O marido, que entendeu, respondeu-lhe:
"Ah, grande atrevida!... Que se lá vou abaixo,
com a fita do cabelo te hei-de afogar!" Ela, apenas isto
ouviu, desatou logo o cabelo, atou com a fita a boca do odre
e fugiu com ela para casa. Desta maneira tiveram porco e vinho
sem lhes custar nada, e enganaram o avarento do compadre.
In
- wook.pt/ficha/historia-do-compadre-pobre-e-do-compadre-rico

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