CONTOS & LENDAS
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12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 



CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
XLIX - "Abre-te flor de liz"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 11, Serpa, Novembro de 1903, Volume V, pp. 172 a 176 (série de 7 contos)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


em: bengalas.blogspot.com/

Abre-te flor de liz

"Era d'uma vez dois compadres, um pobre e outro rico.

O compadre pobre, um dia, foi ao campo e junto de umas pedras viu uns ladrões carregados de muitas riquezas, e escondeu-se.

E ouviu dizer a um d'elles: Abre-te, flor de liz. E viu uma das pedras abrir-se e entrarem todos os ladrões pelo buraco e fechar-se depois a pedra.

Passado algum tempo abriu-se outra vez a pedra e sahiram todos os ladrões, deixando lá as riquezas, e fechou-se a pedra á voz de um d'elles: Fecha-te, flor de liz.

Deixou-os afastar e quando já os não via chegou elle á pedra e disse: Abre-te flor de liz. A pedra abriu-se, elle entrou pelo buraco e disse: Fecha-te flor de liz.

A pedra fechou-se e elle foi lá baixo e encontrou grandes riquezas.

Encheu-se de todo o dinheiro que poude carregar, e dando ordem á pedra para se abrir e depois para se fechar, veio para sua casa já feito um grande senhor.

Passados dias contou tudo ao compadre rico, e este pediu-lhe por tudo quanto havia que lhe dissesse onde era o sitio da pedra. O compadre disse lhe e elle foi lá sósinho: Abre te flor de liz! e a pedra abriu-se; elle desceu e disse: Fecha.te flor de liz! e a pedra fechou-se.

Foi lá baixo e encheu-se de riquezas, mas quando quiz sahir não se lembrou do nome da pedra, e tudo era: Abre-te couve! Abre-te, coentro! Abre-ta alface! …
E a pedra moita.

La ficou, e depois vieram os ladrões, deram com elle e mataram-n'o.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES

Ver Ali-Baba e os 40 ladrões (das Mil e Uma Noites):


wikipedia.org/wiki/Ali_Baba


donatien.files.wordpress.com/2007/05/alibaba



Também In - eb1-deixa-resto.rcts.pt/html/contostradiconis

HISTÓRIA DO COMPADRE RICO E DO COMPADRE POBRE

Moravam numa aldeia dois compadres. Um era pobre e o outro rico, mas muito miserável. Naquela terra era uso todos quantos matavam porco dar um lombo ao abade. O compadre rico, que queria matar porco sem ter de dar o lombo, lamentou-se ao pobre, dizendo mal de tal uso. Este deu-lhe de conselho que matasse o porco e o dependurasse no quintal, recolhendo-o de madrugada, para depois dizer que lho tinham roubado.
Ficou muito contente com aquela ideia e seguiu à risca o que o compadre pobre lhe tinha dito. Depois deitou-se com tenção de ir de madrugada ao quintal buscar o porco. Mas o compadre pobre, que era espertalhão, foi lá de noite e roubou-lho. No dia seguinte, quando o rico deu pela falta do porco, correu a casa do compadre pobre e muito aflito contou-lhe o acontecido. Este, fazendo-se desentendido, dizia-lhe: "Assim, compadre! Bravo! Muito bem, muito bem! Assim é que há-de dizer para se esquivar de dar o lombo ao abade!"
O rico cada vez teimava mais ser certo terem-lhe roubado o porco; e o pobre cada vez se ria mais, até que aquele saiu desesperado, porque o não entendiam.
O que roubou o porco ficou muito contente e disse à mulher: "Olha, mulher, desta maneira também havemos de arranjar vinho. Tu hás-de ir a correr e a chorar para casa do compadre, fingindo que eu te quero bater; levas um odre debaixo do fato, e quando sentires a minha voz, foges para a adega do compadre e enquanto eu estou falando com ele, enches o odre de vinho e foges pela outra porta para casa." A mulher, fingindo-se muito aflita, correu para casa do compadre, pedindo que lhe acudisse, porque o marido a queria matar. Nisto ouviu a voz do marido e correu para a adega do compadre, e enquanto este diligenciava apaziguar-lhe a ira, enchia ela o odre. Tinha-lhe esquecido, porém, um cordão para o atar, mas tendo uma ideia gritou para o marido: "Ah! Goela de odre sem nagalho!" O marido, que entendeu, respondeu-lhe: "Ah, grande atrevida!... Que se lá vou abaixo, com a fita do cabelo te hei-de afogar!" Ela, apenas isto ouviu, desatou logo o cabelo, atou com a fita a boca do odre e fugiu com ela para casa. Desta maneira tiveram porco e vinho sem lhes custar nada, e enganaram o avarento do compadre.

 

In - wook.pt/ficha/historia-do-compadre-pobre-e-do-compadre-rico

 

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