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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
LIII - "Eu vi-te, Tu não me
viste"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno V, Nº 11, Serpa,
Novembro de 1903, Volume V, pp. 172 a 176 (série de
7 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

apaixonadosporletramento.blogspot
Eu
vi-te,
Tu não me viste
"Era
d'uma vez um rei e uma rainha que não tinham filhos
e viviam muito desgostosos por isso, mas um dia, a poder de
muitas promessas, teve a rainha uma filha muito bonita, mas
ao fim de tres annos, uma velha roubou a filha á rainha,
entregou-a a uma ama e metteu ambas n'uma torre, e todos os
dias ia levar-lhes de comer, e a comida que levava, ou de
carne ou de peixe, era sempre sem ossos e sem espinhas.

Torre de Londres
filosofodepijama.blogspot
Passaram
muitos annos e um dia a menina encontrou um ossinho no jantar.
Escondeu
o ossinho, e logo que poude poz-se, ás escondidas,
a furar com elle o sobrado por debaixo da cama.
Tanto
escarafunchou, tanto escarafunhou, que fez um buraco, e viu
lá em baixo um quarto todo illuminado e um principe
deitado na cama.

O geógrafo, de Vermeer
scielo.br/img/revistas/pp.gif
Dos
lencóes da sua cama fez a menina uma escada e foi lá
baixo.
O
principe tinha lá penna e papel, e ella depois de fazer
o seu nome, escreveu:
Eu
vi-te,
Tu não me viste.
E
foi se para o seu quarto pela escada dos lençóes.
O
principe quando no outro dia viu o papel escripto, ficou todo
admirado.
Na
segunda noite a menina fez o mesmo.
Na
terceira noite o principe fazia-se dormido e quando ella estava
a escrever, apanhou-a e disse-lhe:
Eu
apanhei te,
E não me fugiste.
E
apanhada ficou para toda a vida porque o principe, passados
tres dias, pediu licença ao pae e casou com ella.
(Elvas).
(Continua)
A. THOMAZ PIRES

Ariel (já sem a cauda de sereia) e o Príncipe
casaram
e foram felizes para sempre
em: asprincesasdisney.blog.dada.net
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