CONTOS & LENDAS
A ARTE DE enCANTAR
na LITERATURA POPULAR PORTUGUESA

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CONTOS & LENDAS

Serra da Estrela

ALENTEJO
uma TEIA infindável de Contos & Lendas

 

12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 


CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
LVII - "As tres irmãs"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno VI, Nº 1, Serpa, Janeiro de 1904, Volume VI, pp. 9 a 15 (série de 4 contos)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]


molwick.com/pt/contos/r-cuentos-amor

As tres irmãs

"Era d'uma vez um homem pobre e que tinha tres filhos e tres filhas, e um dia disse aos filhos que fossem correr mundo em busca de trabalho, que elle não os podia sustentar.

Elles assim fizeram. Chegaram lá a uma encruzilhada, onde havia tres estradas, e cada um foi para seu lado.


fotos.sapo.pt

O mais velho foi ter a um palacio, onde havia uma moura encantada, e a poder de muitas artes poude desencantar a moura e fez-se senhor do palacio e das terras, ficando rico.


cr1ciclo2.no.sapo.pt/images

O do meio encontrou na estrada uma velhinha, que era Nossa Senhora, e como a velhinha estava a fiar, pediu-lhe que o ensinasse.

A velhinha assim fez e da roca ia sahindo fio de oiro e a poder de tanto fiar e de tanto vender fio de oiro ficou o rapaz pôdre de rico em poucos mezes.


em: alguresdedentrodemim.blogspot.com/

O mais moço encontrou na estrada um velhinho, que era o Padre Eterno, e offereceu-se-lhe para ser seu criado.

O velhinho acceitou; levou-o para uma herdade e ensinou lhe a cultivar as terras, e a poder de tempo e com boas colheitas, por sua conta, chegou tambem a ser muito rico.

E aqui estão os tres irmãos cada um com a sua riqueza.

Um dia tiveram os tres o mesmo pensamento, e foi mandarem ás irmãs um presente.


Firmal: "Broche para segurar a roupa… Alfinete trabalhado…"
em: purl.pt/230/1/l-81263-p/l-81263-p_item1/P63.html

O mais velho mandou á irmã mais velha um firmal de prata; o do meio mandou á segunda irmã uma toalha de fio de ouro; e o terceiro mandou á irmã mais moça um annel de oiro, que tinha uma fava que deitava luz.

As irmãs ficaram doidas de alegria e espalhou-se logo na terra a noticia dos presentes.


lembrafesta.com.br/loja/


Foi muito povo a vêr e o que mais espantava era o annel que deitava luz.

As duas irmans mais velhas começaram a ter inveja da mais moça e resolveram atirar com o annel para o fundo do mar logo que lh'o podessem furtar, e assim o fizeram.

Um dia o rei determinou ir a vêr os presentes e mandou dizer ao pae das raparigas que ia jantar com elle.

O pae ficou todo assarapantado, as filhas mais velhas ficaram todas contentes, e a mais moça ficou toda chorosa porque havia tres dias que não sabia do annel e não o podia apresentar ao rei.

Quem fazia o serviço da cosinha era a filha mais moça e o pae ordenou-lhe que apresentasse ao rei um jantar decente e bem cosinhado.

Estava a pobre da rapariga toda lavada em lagrimas a escamar um grande peixe ao canto da chaminé, vae abrir a barriga do peixe e salta-lhe de dentro o annel.


oglobo.globo.com/ciencia/mat/2008/02/07/cientistas_criam_peixe_
transparente_
para_estudar_desenvolvimento_de_cancer

Ficou estarrecida. Arrecadou o annel e continuou com o serviço, agora já bastante contente e a cantar.

Veio o rei e foi para a mesa com o homem e com as duas filhas mais velhas, e no fim do jantar quiz vêr os presentes.

Viu o firmal de prata, viu a toalha de fio de oiro e perguntou depois pelo annel.

Responderam logo as duas irmans mais velhas:
-O annel desappareceu.

Responde a mais nova, vindo da cosinha:
- Desappareceu, mas Nosso Senhor mandou-m'o dentro da barriga d'um peixe e eil-o aqui.

As irmans ficaram desesperadas.

O rei percebeu tudo e disse que quem estava tão bem com Deus devia fazer feliz a pessoa com quem casasse e por isso escolhia desde já a menina do annel para rainha.

E casou com ella.

Deus louvado, conto acabado.

(Elvas).
A. THOMAZ PIRES.

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http://lendasdeportugal.no.sapo.pt/

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Provérbios & Dictos

(Continuado de pag. 144 do volllme V)

CDXC
Você, é (de) estribaria.

CDXCI
O homem, para ser homem, deve ter feitos de alarve.

CDXCII
Feliz ao jogo, infeliz nos amores.

CDXCIII
Guardado está o boccado para quem o ha-de comer.

CDXCIV
O homem, para ser homem, deve cheirar a tabaco, vinho e alho.

CDXCV
Já morreu o afilhado por quem eramos compadres.

CDXCVI
Gato escaldado, de agua fria tem medo.

CDXCVII
Um burro carregado de livros é doutor.

CDXCVIII
Uns comem as ameixas, outros debota-se-lhes os dentes.

CDXCIX
Coitado de quem morre; quem cá fica logo se governa.

D

Por cuidar morreu um burro.

DI
Por novas vos não canceis - que ellas serão velhas, vós as sabereis.

DII
Quanto maior é a trovoada, mais depressa espalha.

(Da Tradição de Serpa)
M. Dias Nunes

 

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