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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
LVII - "As tres irmãs"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno VI, Nº 1, Serpa,
Janeiro de 1904, Volume VI, pp. 9 a 15 (série de 4
contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

molwick.com/pt/contos/r-cuentos-amor
As
tres irmãs
"Era
d'uma vez um homem pobre e que tinha tres filhos e tres filhas,
e um dia disse aos filhos que fossem correr mundo em busca
de trabalho, que elle não os podia sustentar.
Elles
assim fizeram. Chegaram lá a uma encruzilhada, onde
havia tres estradas, e cada um foi para seu lado.

fotos.sapo.pt
O
mais velho foi ter a um palacio, onde havia uma moura encantada,
e a poder de muitas artes poude desencantar a moura e fez-se
senhor do palacio e das terras, ficando rico.

cr1ciclo2.no.sapo.pt/images
O
do meio encontrou na estrada uma velhinha, que era Nossa Senhora,
e como a velhinha estava a fiar, pediu-lhe que o ensinasse.
A
velhinha assim fez e da roca ia sahindo fio de oiro e a poder
de tanto fiar e de tanto vender fio de oiro ficou o rapaz
pôdre de rico em poucos mezes.

em: alguresdedentrodemim.blogspot.com/
O
mais moço encontrou na estrada um velhinho, que era
o Padre Eterno, e offereceu-se-lhe para ser seu criado.
O
velhinho acceitou; levou-o para uma herdade e ensinou lhe
a cultivar as terras, e a poder de tempo e com boas colheitas,
por sua conta, chegou tambem a ser muito rico.
E
aqui estão os tres irmãos cada um com a sua
riqueza.
Um
dia tiveram os tres o mesmo pensamento, e foi mandarem ás
irmãs um presente.

Firmal: "Broche para segurar a roupa
Alfinete trabalhado
"
em: purl.pt/230/1/l-81263-p/l-81263-p_item1/P63.html
O
mais velho mandou á irmã mais velha um firmal
de prata; o do meio mandou á segunda irmã uma
toalha de fio de ouro; e o terceiro mandou á irmã
mais moça um annel de oiro, que tinha uma fava que
deitava luz.
As
irmãs ficaram doidas de alegria e espalhou-se logo
na terra a noticia dos presentes.

lembrafesta.com.br/loja/
Foi muito povo a vêr e o que mais espantava era o annel
que deitava luz.
As
duas irmans mais velhas começaram a ter inveja da mais
moça e resolveram atirar com o annel para o fundo do
mar logo que lh'o podessem furtar, e assim o fizeram.
Um
dia o rei determinou ir a vêr os presentes e mandou
dizer ao pae das raparigas que ia jantar com elle.
O
pae ficou todo assarapantado, as filhas mais velhas ficaram
todas contentes, e a mais moça ficou toda chorosa porque
havia tres dias que não sabia do annel e não
o podia apresentar ao rei.
Quem
fazia o serviço da cosinha era a filha mais moça
e o pae ordenou-lhe que apresentasse ao rei um jantar decente
e bem cosinhado.
Estava
a pobre da rapariga toda lavada em lagrimas a escamar um grande
peixe ao canto da chaminé, vae abrir a barriga do peixe
e salta-lhe de dentro o annel.

oglobo.globo.com/ciencia/mat/2008/02/07/cientistas_criam_peixe_
transparente_para_estudar_desenvolvimento_de_cancer
Ficou
estarrecida. Arrecadou o annel e continuou com o serviço,
agora já bastante contente e a cantar.
Veio
o rei e foi para a mesa com o homem e com as duas filhas mais
velhas, e no fim do jantar quiz vêr os presentes.
Viu
o firmal de prata, viu a toalha de fio de oiro e perguntou
depois pelo annel.
Responderam
logo as duas irmans mais velhas:
-O annel desappareceu.
Responde
a mais nova, vindo da cosinha:
- Desappareceu, mas Nosso Senhor mandou-m'o dentro da barriga
d'um peixe e eil-o aqui.
As
irmans ficaram desesperadas.
O
rei percebeu tudo e disse que quem estava tão bem com
Deus devia fazer feliz a pessoa com quem casasse e por isso
escolhia desde já a menina do annel para rainha.
E
casou com ella.
Deus
louvado, conto acabado.
(Elvas).
A. THOMAZ PIRES.
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Provérbios
& Dictos
(Continuado
de pag. 144 do volllme V)
CDXC
Você, é (de) estribaria.
CDXCI
O homem, para ser homem, deve ter feitos de alarve.
CDXCII
Feliz ao jogo, infeliz nos amores.
CDXCIII
Guardado está o boccado para quem o ha-de comer.
CDXCIV
O homem, para ser homem, deve cheirar a tabaco, vinho e alho.
CDXCV
Já morreu o afilhado por quem eramos compadres.
CDXCVI
Gato escaldado, de agua fria tem medo.
CDXCVII
Um burro carregado de livros é doutor.
CDXCVIII
Uns comem as ameixas, outros debota-se-lhes os dentes.
CDXCIX
Coitado de quem morre; quem cá fica logo se governa.
D
Por
cuidar morreu um burro.
DI
Por novas vos não canceis - que ellas serão
velhas, vós as sabereis.
DII
Quanto maior é a trovoada, mais depressa espalha.
(Da
Tradição de Serpa)
M. Dias Nunes
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