CONTOS & LENDAS
A ARTE DE enCANTAR
na LITERATURA POPULAR PORTUGUESA

por JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros mais de 1001 deNÓMIOS...

contacto © joraga ®

LLL in MGiacometti

CONTOS & LENDAS

Serra da Estrela

ALENTEJO
uma TEIA infindável de Contos & Lendas

 

12 - TRADIÇÃO - SERPA - Revista de 1899 - 1904

CONTOS & LENDAS

 

 

 

 

 

 


CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
LIX - "As tres irmãs"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno VI, Nº 2, Serpa, Fevereiro de 1904, Volume VI, pp. 28 a 31 (série de 4 contos)

[Digitalizado por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada), procurando manter a grafia registada na época.]

natureinaction_patos

"Pato aqui, pato ali.
Filha de rei a guardar patos,
E' coisa que nunca vi."

O sabor dos Sabores

"Havia um rei que tinha tres filhas e um dia chamou-as e perguntou á mais velha:

- Por onde me queres tu, minha filha?
- Pela alma, respondeu ella.

E perguntou á segunda:
- E tu?
- Pelo coração.

E fez a mesma pergunta á terceira filha, que lhe respondeu:
"Eu quero tanto ao meu pae como ao sabor dos sabores".

O pae zangou-se com esta resposta, porque entendeu que não era querer-lhe bem, e mandou-a pôr fóra do palacio.

Ella arranjou as suas joias e o seu fato e foi a correr mundo.

Chegou lá a outro reino, foi a palacio do rei e perguntou se precisavam de uma creada; disseram lhe que sim e mandaram-na guardar patos.

Ella, quando ia para o campo, estendia no chão as suas joias e punha se a olhar pa-ra ellas muito triste.

Os patos, como viam luzir, começavam a picar, e ella punha-se com um pausinho a apontar e a dizer:

"Pato aqui, pato ali.
Filha de rei a guardar patos,
E' coisa que nunca vi."

Depois matava um e levava-o para o palacio, e todos os dias matava um.

O principe, admirado de tanta morte nos patos. foi espreital-a, e como lhe visse as joias e ouvisse as palavras, disse:

"Tato! temos princeza!"

E quando foi para palacio contou tudo ao pae, e disse que queria casar com a princeza.

Quando a rapariga chegou ao palacio foi mettida em confissão pelo rei, e ella contou tudo.

Perguntou-lhe o rei se queria casar com o principe, e ella disse que sim, mas que o pae d'ella havia de ser convidado para o casamento, e que a comida que o pae havia de comer ella é que a queria fazer.

Assim foi, e em todas as comidas não deitou sal.

O rei de tudo que começava a comer de nada gostava, e ficou sem jantar.

Diz-lhe agora a filha: "Vossa real magestade porque não comeu?"

E respondeu o rei: "Pois que gosto tem a comida sem sal?

- Então porque me pôz fóra do palacio por eu lhe dizer que lhe queria tanto como o sal, que é o sabor dos sabores?"


http://testesdeportugues.blogspot.com/2008/04/o-sabor-dos-sabores.html

O pae arrependeu-se muito do mal que tinha feito á filha, que não o tinha offendido; mas ficou muito contente por a ver casada com o principe.

Colori, colorado, está meu conto acabado.

(Elvas)
A. THOMAZ PIRES


Ver Também - O Sal e a Água - Teófilo Braga - Contos Tradicionais do Povo Português - (1883):


abrilemmaio.no.sapo.pt LF/CapaLF

o sabor dos sabores - por Miguel Castro Caldas, com Arlete, António Aires, César Almeida, Jaime, José Moreira.
abrilemmaio.no.sapo.pt/Textos-LF03-MCC

 

E-Mail: joraga@netcabo.pt e joraga@netc.pt
pelo telefone 212553223 ou pelos Telmv. 919777714 e 91 763 25 24
e pelo CORREIO: Avenida Amélia Rey Colaço, 5, r/c Esqº - 2855-500 CORROIOS.
visite ainda a minha TEIA na REDE além de joroga.net - joraga/alice/osrabaca/serradaesrela/gilvicente/cart2326/

Compatível com IE/Netscape na resolução 800x600
Joraga 2000 em viagem