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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
LX - "Palmas verdes"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno VI, Nº 2, Serpa,
Fevereiro de 1904, Volume VI, pp. 28 a 31 (série de
4 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

oglobo.globo.com/blogs/arquivos_1939-camacomdossel
Palmas
verdes
"Era
de uma vez um conde e uma condessa e o rei sympathisava muito
com a condessa, mas ella era muito honrada.
Um
dia mandou o conde em serviço a outra terra, e ao conde
pareceu-lhe isto historia, porque nos outros dias já
tinha ido elle, em vez de outros, ao mesmo serviço.
E não foi e escondeu-se.
A'
noite a condessa foi-se deitar e depois de a apanhar dormida
debaixo dos cortinados, que eram de damasco ás parras
verdes, foi elle o conde e deitou com um peneiro farinha á
roda da cama, e sahiu.
Foi
o rei e a condessa estava a dormir e não o sentiu.
Apartou os cortinados, esteve a olhar para a condessa e depois
sahiu.
No
outro dia veio o conde e vê pégadas de homem
na farinha; e a condessa a dormir.
Elle
não disse nada; mas d'ahi em deante os seus dias eram
muito tristes e os d'ella ainda mais, porque o conde nunca
mais quiz comer com ella e nem mesmo queria dirigir lhe a
palavra.
Um
dia contaram ao rei como elles viviam e o rei convidou os
dois para irem jantar a palacio.
Elle
disse que ia, mas ella não, porque estava doente.
O
rei teimou e obrigou os a ir. Foram; jantaram, e quando foi
ás saudes deitaram todos os tres as saudes, sendo assim;
a primeira foi a da condessa:
Já
fui querida e estimada,
Agora não o sou nem serei,
Porque ou porque não,
Isso é que eu não sei.
O
conde:
Eu
na minha vinha entrei,
Rasto de ladrão achei,
Se provou ou não das uvas,
Isso é que eu não sei.
O
Rei:
Eu
é que fui o ladrão,
Eu na tua vinha entrei,
Parras verdes levantei,
Com esta me cortem as guelas
Se nas uvas eu toquei.
(Elvas)
A. THOMAZ PIRES

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