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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
LXII - "Assim o dizem"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno VI, Nº 3, Serpa,
Março de 1904, Volume VI, pp. 46 a 47 (série
de 3 contos)

"
fressura de porco"
em: mota_34.blogs.sapo.pt
Assim
o dizem
"Era
uma vez um homem e uma mulher e tinham uma comadre.
O
homem, um dia, foi á praça comprar uma fressura
de porco para a mulher lhe fazer uma cachola para o almoço.
Estava
a cachola ao lume, entra a comadre:
-
Ai, que bem que cheira o seu almoço! vamos a proval-o?
- Pois sim, comadre.
Mas
tanto provaram, tanto provaram, que o comeram todo.
E
disse a mulher:
- Ai, comadre! que hei-de dizer a meu marido!? Comemos o almoço
todo!
- Deixe, comadre, não se apoquente, que eu arranjo
isso bem; olhe, quando vier o compadre e lhe perguntar pelo
o almoço, a comadre diz-lhe:
- Que tal vens tu hoje da cabeça? Então não
almoçaste já? Até, por signal, que tambem
almoçou cá a nossa comadre!
E
depois entro eu e acabo de o convencer.
Veiu
o marido para o almoço e a mulher pespegou-lhe o recado
que a comadre lhe ensinára.
O
homem zangou-se muito e a mulher chamou a comadre:
- Então, não quer lá vêr? o meu
homem diz que ainda não almoçou!
- Ora essa! até eu almocei com vossemecês, e
o almoço era cachola. Boa vae ella!

(ensopado... sopa de cachola, mulhanga de porco
)
enciclopedia.com.pt/articles
O
homem fez que se conformou, pegou n'um palito, metteu o na
bocca e foi-se pôr á janella, com cara de poucos
amigos.
Passou
um conhecido e disse-lhe:
- Olá! Com que então já almoçaste!
- Assim o dizem
assim o dizem
- respondeu o homem.
(Elvas).
A THOMAZ PIRES.

Pobre camponês
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