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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
LXIII - "O Zé Pequenino"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno VI, Nº 3, Serpa,
Março de 1904, Volume VI, pp. 46 a 47 (série
de 3 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

GIGANTES, ANÕES E OLHARAPOS
Contos da Tradição Portuguesa
(compilação de Manuel J. Gandra)
cesdies.net/historia-e-geografia-mitica/fsp/Gigantes-anoes-olharapos
O
Zé Pequenino
"Eram
d'uma vez dois irmãos, e um chamava-se Zé Pequenino.
Foram
a correr mundo; andaram, andaram, e foram ter a casa d'um
gigante, e o gigante era casado e tinha tres filhas.
E
depois elles deitaram-se na cama das filhas do gigante, puzeram
na cabeça os capacetes d'ellas e deitaram as raparigas
no chão.
Lá
pela noite adeante disse a giganta para o gigante:
- Temos gallos em casa.
E
o marido disse:
- Ai, temos? Então espera.
E
foi buscar um alguidar e uma faca, e n'este intrementes os
rapazes safaram-se.
E
o gigante quando veiu matou as filhas, em vez de matar os
gallos, que eram os rapazes.
Elles,
os rapazes, foram andando, e o Zé Pequenino é
que levava os tres capacetes.
Passaram
á porta do rei, e a criada disse:
- Ai, real senhor, vae ali o Zé Pequenino com um capacete
mais lindo!
O
rei mandou-o chamar:
- Então, que queres pelo teu capacete?
- Um bocado de pão e murcella.

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E
o rei mandou-lhe dar a murcella e pão, e o Zé
Pequenino foi-se embora.
No
outro dia passou la com o segundo capacete e o rei comprou-lh'o
por um bocado de pão e chouriço; e no terceiro
dia o rei comprou o terceiro capacete por um bocado de pão
e farinheira.
E
depois o irmão do Zé Pequenino foi dizer á
rainha que o Zé Pequenino tinha dito que era capaz
de ir matar o gigante e a giganta.
A
rainha chamou o Zé Pequenino, que teimou que não
tinha dito nada.

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Mas
tanto embirrou a rainha que o Zé pequenino decidiu-se
a ir buscar o gigante e a giganta n'um trem de ferro.
Chegou
lá e disse que ia da parte do rei para virem ambos
a palacio, e que ali estava o trem para irem.
O
gigante e a giganta entraram para o carro e o Zé Pequenino
fechou o trem e morreram os gigantes.
Chegou
cá com elles e mandaram-n'os enterrar, e a rainha perguntou
ao Zé Peguenino o queria que se fizesse ao irmão,
e elle disse que o arrojassem ao rabo de um cavallo.
E
arrojaram-n'o.
Conto
acabado, dinheiro ganhado.
(Elvas).
A THOMAZ PIRES
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