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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
LXIV - "DORMITORIO"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno VI, Nº 3, Serpa,
Março de 1904, Volume VI, pp. 46 a 47 (série
de 3 contos)
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

portodoceu.terra.com.br/artesimbolismo/bdneve
DORMITORIO
(Sapatos
de Ferro heis de romper...)
"Era
d'uma vez uma princeza que tinha um vestido encarnado, e estavam
a cahir pastinhas de neve e dizia ella:
- Muito bem diz o branco no encarnado.
E
respondeu uma voz:
- Melhor diz vossa alteza nos braços do rei.
E
ella:
- Muito bem diz o branco no encarnado.
E
a voz:
- Se quereis ver o Dormitorio, oito pares de sapatos de ferro
heis de romper.
E a princeza arranjou os sapatos e foi correr mundo.
Chegou
a casa do Sol e perguntou onde parava o Dormitorio.
- Muito longe! Olhe, leve esta bolota para fazer chá
ao Dormitorio.

ipt.olhares.com/data/big
E
recebeu a bolota.
Foi
ter a casa da lua.
- Onde pára o Dormitorio?
- Muito longe! Olhe, leve esta castanha para fazer chá
ao Dormitorio.

olhares.aeiou.pt/o_ourico_e_a_castanha
Foi
ter a casa das estrellas.
- Onde pára o Dormitorio?
- Muito longe! Olhe, leve esta noz para fazer chá ao
Dormitorio.

aguarelas.blogs.sapo.pt/arquivo/nozes
E
foi andando, andando; chegou lá muito adiante e encontrou
uma casa.
Estava
lá uma preta que tinha dado veneno ao Dormitório
para elle morrer.
A
princeza fez o chá da bolota, deu-o ao Dormitorio e
elle poz-se melhor; deu-lhe o chá da castanha e estava
quasi bom, e depois deu-lhe o chá da noz e poz-se bom
de todo.

novahistorianet.blogspot/escravido-e-resistncia-no-brasil
Diz-lhe
agora o Dormitorio :
-Tu casas comigo e has-de dizer o que queres que se faça
á preta.
- Dos olhos um espelho, dos dentes um pente, e dos ossos uma
cadeira.
Assim
o fizeram; mas quando a princeza se foi ver ao espelho disse
o espelho:
- Ai, meus olhinhos! e partiu-se o espelho.
Quando
se foi pentear, disse o pente:
- Ai, meus dentinhos! e partiu-se o pente.
E
quando se ia a deitar na cama, subida na cadeira, disse a
cadeira:
- Ai, meus ossinhos! e partiu-se a cadeira.
Deus
louvado, conto acabado.
(Elvas).
A THOMAZ PIRES.
Ver
História
dos Sapatos de Ferro
csarmento.uminho.pt/docs/ndat/rg/RG100_09.pdf
Página
10 e 11



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