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CONTOS POPULARES ALEMTEJANOS
(recolhidos da Tradição oral)
LXVII - "A desmazelada"
Por A. Thomaz Pires
Elvas
In Tradição II vol. Anno VI, Nº 5, Maio
de 1904, Volume VI, p. 79
[Digitalizado
por joraga (em finais de 2009), (para AA Cultural, Almada),
procurando manter a grafia registada na época.]

bestupid.files.wordpress.com/_preguica-copy
A
desmazelada
"Era
d'uma vez um homem que casou com uma mulher que não
sabia fazer nada, nem mesmo uma açorda.

(Açorda Alentejana:
"É fácil fazer, /dá pouco trabalho.
/É água a ferver, /coentros e alho.
Coentros e alho /E água a ferver /Dá pouco trabalho
/É fácil fazer.")
Ver muitas receitas - gastronomia:
tiarute.blogs.sapo.pt/arquivo/2005
Para a obrigar a fazer o comer, arranjou o homem um casaco
de mulher e disse para a companheira:
"Obriga
este casaco a fazer o almoço, que eu ás 8 horas
venho almocar."
A
mulher dizia para o casaco:
"Casaco faz o almoço, porque d'aqui a pouco vem
o teu dono."
E o casaco não se movia. Chegou o homem, e, como não
havia almoço feito disse para a mulher:
"Veste
lá o casaco, que lhe quero dar uma sova."
A
mulher vestiu o casaco, e o marido começou a zurzil-o,
e a mulher:
"Ai, marido, que me dóe! Ai, marido, que me doe!"
E
elle:
"Não é comtigo, é com o casaco;
e em eu vindo a casa, ao meio dia, o jantar ha de estar prompto,
diz isto ao casaco."

guiadicas.net/quais-sao-os-pratos-tradicionais-da-ceia-de-natal
Aconteceu
o mesmo; mas á terceira vez não foi preciso
bater no casaco, porque a ceia já estava feita.
Colori
colorado, conto acabado.
(Elvas).
A THOMAZ PIRES.
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