CONTOS & LENDAS
A ARTE DE enCANTAR
na LITERATURA POPULAR PORTUGUESA

por JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros mais de 1001 deNÓMIOS...

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CONTOS & LENDAS

Serra da Estrela

ALENTEJO
uma TEIA infindável de Contos & Lendas

 

As DÉCIMAS ou a MAGIA DA POESIA POPULAR
Tentativas de joraga e outros de NÓMIOS

Uma Décima de Manuel de CASTRO

Uma Décima de Camões

  (O Touro e a Cobra)

 

1 Poesia Popular I A POESIA É POPULAR 1987.01 P. Gordo, Beja
2 Poesia Popular II A POESIA É POPULAR 1987.05 P. Gordo, Beja
3 As Décimas I AS DÉCIMAS SÃO APOESIA 1995, Amora, Seixal
4 As Décimas II ARQUITECTAR UMA DÉCIMA 1996.03 Amora, Seixal
5 As Décimas III FAZER VERSOS COM MESTRIA 1996.03 Amora, Seixal
6 As Décimas IV ATRAVÉS DESTA LINGUAGEM 1996.04 Amora, Seixal
7 As Décimas V DIGA LÁ SENHOR POETA antes de receber a resposta
8 As Décimas VI ESTA ARTE DE RIMAR antes de receber a resposta
9 A Inocêncio de Brito Mestre em X MESTRE INOCÊNCIO DE BRITO Do aprendiz para o Mestre
10 Hino a um POVO que faz Décimas Ó GENTES DO ALENTEJO Homenagem
1 Outros TEMAS: A Mariana MARIANA ALCOFORADO 1988, Penedo Gordo, Beja
2 À Moura Salúquia A MOURA VIVEU AMANDO 1995.05 P. Gordo, Beja
3 A Serpa DE SERPE, SERPENTE ALADA
4 À Família A FAMÍLIA É ESPIRAL
5 Mote alheio - viagem FPessoa NÃO EVOLUO, VIAJO
6 A A MAR O PLANETA EM QUE VIVEMOS
7
8
9
10
1 Décimas adaptadas: A DÉCIMA É COMO A FÉ in Décima Canárias 1992
2 SINTO GRANDE INSPIRAÇÃO in Décima Canárias 1992
3 É URGENTE CONGERGAR in Décima Canárias 1992
4 EU NÃO TENHO ORTOGRAFIA in Décima Canárias 1992
5 QUEM MO DEU? PORQUE É QUE O SEI? in Décima Canárias 1992
6 NATURAL COMO UMA FONTE in Décima Canárias 1992
7 A Décima como PONTE A MAGIA DUMA DÉCIMA As Décimas VII
8 a pedido: Décima de José Fialho DIGA LÁ, SENHOR POETA... Com Toda a sinceridade
9 Décima de Augusto Grande VOU INFORMAR O SENHOR Sou já velho e reformado
10

 

In: As DÉCIMAS ou a MAGIA DA POESIA POPULAR – inédito de JRG, com publicação parcial na Revista Arquivo de Beja, vols. VII/VIII, série III, de Agosto de 98, sob o Título: DÉCIMAS - Uma Linguagem Comum Ibero-Americana.

Décima de José Penedo – o que é uma DÉCIMA

ARQUITECTAR UMA DÉCIMA,
FAZER POESIA A PRECEITO,
É DAR RIGOR E DAR MÉTRICA
A UM PROFUNDO CONCEITO.

Partir de um MOTE que é dado
Ou então da fantasia
Que te enreda noite e dia
E só deve ser cantado
Com uma quadra em quadrado...
Dar a forma geométrica
À rima, ao ritmo e à métrica,
É trabalho rigoroso,
Subtil, minucioso,
ARQUITECTAR UMA DÉCIMA.

Depois do MOTE formado
Duma QUADRA que é QUADRADA
Com sua rima cruzada,
Vais juntar, ao MOTE dado
Ou ao que é por ti forjado
Um trabalho de cosmética
De uma arte milimétrica:
Construir quarenta versos
Quarenta pontos diversos
Dando-lhe rigor e métrica.

 

Mote próprio, ou mote alheio
É a base, o fundamento
Que lança o teu pensamento
A percorrer sem receio,
Duma mina, o rico veio...
É caminho bem estreito.
E conseguir esse feito
É domar a fantasia,
Saber com arte e mestria
FAZER POESIA A PRECEITO.

 

Para além deste rigor
Que pode não ser poesia,
Se não tem chama , alegria,
Tens de lá pôr toda a DOR
Que só pode vir do AMOR,
E com tal arte e tal jeito
Que os versos nascem a eito
Com prazer e sentimento
Dando base e fundamento
A UM PROFUNDO CONCEITO.

finda, resumo do que pode fazer de uma  DÉCIMA o CAMINHO PARA O MARAVILHOSO:(MARÇO DE 1996)

É formar de um quadrado
De uma QUADRA que é QUADRADA
Com sua rima CRUZADA,
Um círculo que gira alado
Com dez versos vezes quatro
Em espiral infinita
Que se torna, quando dita,
Do tamanho do Universo
Que cabe todo num verso
QUANDO A POESIA É BENDITA! (BEM DITA)

 

In: As DÉCIMAS ou a MAGIA DA POESIA POPULAR – inédito de JRG, com publicação parcial na Revista Arquivo de Beja, vols. VII/VIII, série III, de Agosto de 98, sob o Título: DÉCIMAS - Uma Linguagem Comum Ibero-Americana.

 

UMA DÉCIMA DE CAMÕES

 

 


 

 

 

 

 

 

 
Como exemplo, uma DÉCIMA de Luís Vaz de Camões: CANTIGA - MOTE ALHEIO.

MOTE ALHEIO

Campos bem-aventurados,
Tornai-vos agora tristes,
Que os dias em que me vistes
Alegre, já são passados.

Campos cheios de prazer,
Vós, que estais reverdecendo,
Já me alegrei com vos ver;
Agora venho a temer
Que entristeçais em me vendo,
E, pois a vista alegrais
Dos olhos desesperados,
Não quero que me vejais,
Pera que sempre sejais,
Campos bem aventurados.

Já me vistes ledo ser;
Mas depois que o falso Amor
Tão triste me fez viver,
Ledos folgo de vos ver,
Porque me dobreis a dor.
E se este gosto sobejo
De minha dor me sentistes,
Julgai quanto mais desejo
As horas que vos não vejo,
Que os dias em que me vistes.

 

Porém, se por acidente
Vos pesar de meu tormento,
Sabereis que Amor consente
Que tudo me descontente,
Senão descontentamento.
Por isso vós arvoredos,
Que já nos meus olhos vistes
Mais alegrias que medos,
Se mos quereis fazer ledos,
Tronai-vos agora tristes.

 

O tempo, que é desigual,
De secos, verdes vos tem;
Porque em vosso natural
Se muda o mal pera o bem,
Mas o meu pera mor mal.
Se perguntais, verdes prados,
Pelos tempos diferentes
Que de Amor me foram dados,
Tristes, aqui são presentes;
Alegres, Já são passados.

  Obras de Luís de Camões, pp. 743-744
Lello & Irmão - Editores, Porto, 1970

Em tudo Sinto Poesia – Décima de Manuel de Castro - Cuba

 

 

 

 

   

 

 

 

 

In: As DÉCIMAS ou a MAGIA DA POESIA POPULAR – inédito de JRG, com publicação parcial na Revista Arquivo de Beja, vols. VII/VIII, série III, de Agosto de 98, sob o Título: DÉCIMAS - Uma Linguagem Comum Ibero-Americana.

 

Uma DÉCIMA de MANUEL DE CASTRO da CUBA

MOTE

Fui nova, cortante enxada,
Desbravei, cavei o chão,
Fui sucata abandonada,
Ando agora num canhão!

 

Quase me lembro de ser
A pedra dum mineral
E lembro-me a luta fatal
Do braço p’ra me colher;
Levaram-me a derreter,
Fui em ferro transformada,
Fui depois à martelada
Numa bigorna estendida,
Deram-me a forma devida
Fui nova, cortante enxada.

Começava de manhã
Sempre em luta vigorosa,
Mesmo em terra pedregosa,
Cada vez com mais afã,
Reisti enquanto sã
A poder ser consertada,
Já rasinha e dilatada,
Deixei de ser ferramenta,
Fui p’ró canto ferrugenta,
Fui sucata abandonada.

 

Comprou-me um moço posssante,
Pôs-me um cabo de madeira
E lá vou na segunda-feira
Nos braços desse gigante;
Desde esse dia em diante
Foi a minha profissão
Desbravar terras de pão,
Relvas, vinhas olivais,
Vinte anos, talvez mais,
Desbravei, cavei o chão.

 

Passei anos sem valor
Com velhos ferros como eu,
Até que um dia apareceu
Lá por cassa um comprador;
Meteram-me num vapor,
Fui a nova fundição,
Por meu destino ou condão
Nunca mais cavei na terra,
Mandaram-me para a guerra,
Ando agora num canhão!

 

 

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