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as FEIRAS - a FEIRA de CASTRO VERDE
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A FEIRA DE CASTRO VERDE
breves NOTAS sobre a sua origem e importância.

Algumas NOTAS SOLTAS extraídas, com a devida vénia, do Livro:

"O TERMO DE CASTRO VERDE - Um Contributo para a sua História" Vol I,
de João José Alves da Costa
Edição: Câmara Municipal de Castro Verde, Somincor - Sociedade mineira de Neves Corvo S. A.
Fotografia de António Cunha, José Manuel Rodrigues, José Luís Jones, Luís Pavão

 

A FEIRA DE CASTRO VERDE e as OBRAS da "IGREJA DAS CHAGAS"


«"A instituição de feiras na área de Campo de Ourique foi preocupação dos monarcas portugueses desde muito cedo. Podemos dizer que tal objectivo foi imediatamente concretizado logo após a consolidação do cristianismo, a seguir à reconquista.

A importância que a exploração pecuária assumia nestas paragens, desde tempos muito remotos, levou à criação de grandes feiras anuais, ainda em plena Idade Média. Estão neste caso, como feiras mais antigas, as de Garvão e de Ourique.

Ourique teve carta de feira anual em 14 de Junho de 1288. Mandava D. Dinis que nessa sua vila a feira durasse um mês, de 15 de Abril a 15 de Maio.

Parece-nos hoje exagerado a duração da referida feira, no entanto tenhamos presente as dificuldades de transporte da época, quer para pessoas, quer para animais. Não esqueçamos, além disto, que uma feira era mais do que um sítio de meras transacções económicas. Ela era também um local e motivo de reunião entre familiares que se encontravam dispersos, bem como de confraternização entre os vizinhos dos concelhos limítrofes. Era, enfim, uma autêntica festa que proporcionava alguns dias de lazer.
Quanto à "feira de Castro", que tanta expansão e renome viria a ter, é de fundação mais recente que as já referidas.

Foi instituída no reinado de Filipe II (último ano do reinado - 1621), tendo ficado estabelecido que o dinheiro cobrado pelos terrados utilizados pelos feirantes, se destinasse à reconstrução da "Igreja das Chagas do Salvador", também conhecida por "Igreja da Senhora dos Remédios".

Esta obra de reconstrução prolongou-se por muito tempo, se é que não se trata de sucessivos reparos causados por intempéries."»


... A seguir, o Autor dá-nos conta de um documento - «um temo de 12 de Outubro de 1680, que nos dá já alguma ideia do que era, nessas épocas recuadas, a dimensão da "feira de Castro", quanto ao afluxo de pessoas vindas dos termos vizinhos.»

Vale a pena consultar a referida obra e ver as medidas que foi preciso tomar devido a um surto de "peste" que houve na região...

Depois, continua João Costa:

«De acordo com o que consta num treslado inserto no livro de vereações da Câmara, também no reinado de D. Pedro II, e datado de Abril de 1680, tudo leva a crer que esta feira tenha sido instituída no último ano do reinado de Filipe II, 1621, ano em que se copia uma "ordem de Sua Alteza que Deus guarde":»

«"hei por bem e vos mando que taxando o primeiro(?) com a assistência dos vereadores o justo e costumado preço dos terradigos, ponhais (em) pregão o rendi- mento da feira e terradigos e me aviseis do último lanço e tomeis contas ""do que tem rendido desde o ano de vinte e um até ao presente e orçareis o que importam as obras feitas e que estão por fazer e se se continua a obra e se (se) poderá fazer a procissão, não excedendo a despeza dos quatro mil réis apontados e juntamente informareis quanto poderá fazer de despeza um clérigo pela obrigação de dizer missa aos domingos e dias santos e com vossa carta tomareis os inclusos..."»

«As "obras feitas e por fazer", na igreja das Chagas, parecem ter sido em Castro uma réplica (humilde) às de "Santa Engrácia".»

«Vem o reinado de D. Maria I, portanto já em 1786, e ainda as obras não estão concluídas. É isso o que se pode deduzir de um acta desse ano, datada de 22 de Setembro.»
...
«A conservação da igreja da Senhora dos Remédios manter-se-à a cargo da Câmara até ao ano de 1834, graças ao rendimento obtido com os terrados da feira.»

...

Ficamos ainda a saber, no Cap. Seguinte desta obra de Alves da Costa que:

«... a exploração pecuária constitui, desde época remota, a principal actividade económica da região do Campo de Ourique.»

«Falamos da importância dos célebres "pastos comuns" do Campo de Ourique, para os quais convergiam normalmente gados, vindos inclusivamente da Serra da Estrela, de Espanha, do Algarve e até de alguns concelhos alentejanos mais desfavorecidos em pastagens, como era o caso do termo de Mértola. Esta tradição dava origem ao maior fenómeno de transumância jamais presenciado em Portugal.»

«De tal forma a Coroa portuguesa reconhecia a importância deste processo, que criou mesmo legislação específica, quanto a direitos e taxas a pagar pelos donos dos gados que todos os anos entravam nestas pastagens comunitárias.»

... Vale a pena ler a seguir extractos do "Regimento dos verdes e montado do Campo de Ourique" elaborado no reinado de D. Manuel I.... e reeditado, ... no reinado de D. Pedro II, em 1699.


...

Para saber mais é dar uma espreitadela ao capítulo seguinte, bem como, aliás, a toda a Obra, que além de boa informação está muito bem concebida e apresentada, mas agora, para se ficar com uma ideia das "VIAS DE TRANSUMÂNCIA":

"Uma das preocupações anuais que encontramos registada nos livros de vereação da antiga Câmara Municipal de Castro Verde é a da edilidade local marcar as "canadas", (corredores de terra deixados de pousio para passagem de gados estranhos ao termo). Tal cuidado é plenamente justificado, se atendermos aos efectivos pecuários que frequentavam periodicamente a região."
...


Havia, por assim dizer, 4 grandes auto-estradas para o gado, naquela época, duas mais a Sul e uma de Nascente, dando especial relevo à que vinha do Norte, para os grandes rebanhos que vinham «da Serra da Estrela, via Castelo Branco, Portalegre, Évora, Beja e daqui para o "Campo", por Messejana e Entradas (topónimo significativo).»

ENTRADAS, como o nome indica, seria uma espécie de posto fronteiriço, onde todo o gado vindo de fora era, devidamente controlado para o pagamento e, para evitar o surto de epidemias...

Como serrano à procura das minhas raízes, termino com uma citação do autor contando um episódio que eu ainda pude observar em Manteigas e nalgumas aldeias da Serra da Estrela:

«Sobre o gado caprino... Sabemos que cabradas vindas da Serra da Estrela frequentavam também regularmente estas paragens. Sabêmo-lo inclusivamente pelo testemunho directo de pessoas com quem falámos que ainda se lembram da forma original como os cabreiros vendiam o leite. Contaram-nos que ainda num passado relativamente recente essa prática se mantinha: à tarde os cabreiros metiam o gado pelas ruas da vila e das aldeias e conforme os fregueses consumidores apareciam, assim paravam o rebanho, junto das respectivas portas e aí ordenhavam o número de cabras necessário à satisfação do que era encomendado."

in Revista ALENTEJANA Ano I - 2ª série - Nº 3 Setembro / Outubro 1996 - com um suplemento especial - CASTRO VERDE - Uma Janela sobre a Planície:

«Toda a história de Castro Verde é, não só, marcada pela mineracão e pela actividade agro-pecuária, mas também pelo encontro de povos e de culturas que, ao longo dos milénios, escolheram esta região para se fixarem. História marcada também pela encruzilhada de caminhos e de estradas que, desde sempre, ligaram a costa ao interior, o sul ao norte, proporcionando a confluência de gentes e a abertura de espíritos.

Presenca marcante ao longo da história: turdetanos, romanos, árabes e, depois, os cristãos vindos do norte, todos eles aqui deixaram memórias, aqui se fixaram, aqui geraram filhos e pariram sonhos. Aqui, todos eles, sem excepção, deixaram um pouco daquilo que hoje somos.»

...

«A Lenda afirma que foi no concelho (de Castro Verde) em s. Pedro das Cabeças, a 3 quilómetros da vila de Castro Verde, que teve ligar a polémica "Batalha de Ourique", a 25 de Julho, dia de Santiago, de 1139, durante a qual D. Afonso henriques derrotou as forças de cinco reis árabes. Antes da Batalha, diz a lenda, Cristo teria aparecido a D. Afonso Henriques.»

Lembra-se ainda que a reconquista, só é definitiva, nesta região e Algarve, cerca de um século mais tarde...

«Em 1510 D. Manuel concedeu foral a Castro Verde e em 1573 D. Sebastião passa por Entradas e por Castro Verde, visitando S. Pedro das Cabeças, por ocasião da sua viagem ao Alentejo e Algarve.»

(Talvez se trate da viagem para embarcar para Alcácer Quibir - mas isso passa-se em 1575 - como se pode verificar in: "Monografia da vila de Almodôvar" de António josé Gonçalves, Edição: Associação Cultural e Desportiva da Juventude Almodovarense, 2000 - ver p. 71.)

«Toda a região actualmente conhecida por Campo Branco e zonas limítrofes, desde os barros de Beja até à charneca de Odmira constutuía desde tempos mais remotos os chamados "Campos de Ourique", zona de pastagens e para onde se deslocavam os grandes rebanhos vindos da região da Serra da Estrela, durante o inverno.»

Aqui fica a minha homenagem de oriundo da Serra da Estrela, Manteigas, neto e vizinho de pastores, aos "Campos de Ourique" por onde terão andado os meus antepassados...


 

 

 

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