feira
as FEIRAS - a FEIRA de CASTRO VERDE
vista por um Cigano Castanho ANDARILHO de FEIRAS
viagens do Cigano Castanho e da Cigana Mariana ataravés do maravilhoso

por JORAGA o acrónimo de JOsé RAbaça GAspar e outros mais de 1001 deNÓMIOS...

contacto © joraga ® ver tb. em gilviteatro

 

AS FEIRAS

Breves NOTAS sobre as FEIRAS

UM PREÂMBULO

A Feira e o mercado são das actividades mais generalizadas da espécie humana.
Num certo grau de desenvolvimento material e cultural da humanidade a Feira é um dado universal a todas as comunidades. Como os homens e as comunidades não são auto-suficientes têm de trocar bens e converter valores. Mas para isso terão de produzir em excesso, quer dizer, terão de produzir mais do que o estritamente essencial à sua sobrevivência física. Produzindo em excesso podem trocar e podem vender.
Mas o acto que enquadra esta transferência exige regras muito precisas e com o progresso das regras é a própria sociedade que se vai constituindo e consolidando.
De facto o contrato implícito no acto de compra e venda - que são duas perspectivas de uma só relação de troca - é a matriz da civilização e o fundamento de toda a convivência social.
Para fazer esta experiência tão desqualificada - trocar, vender, comprar - nada é mais indicado que organizar uma Feira; mas uma Feira a sério, onde seja possível fazer trocas, vender e comprar coisas.
A Feira que estamos a realizar é também uma oportunidade para fomentar o convívio, acelerar e multiplicar os contactos interpessoais, para fazer a experiência dos mecanismos de mercado. Em suma, a Feira, e naturalmente também esta em que nos encontramos, permite activar toda a gama dos nossos interesses vitais.
Finalmente, a Feira mostra-nos também que a diversão e a recreação acompanham e pontuam os momentos mais fortes da vida em comunidade.
Nesta Feira, cada um adopta a posição e a perspectiva que mais lhe agrada. Só não pode ficar de fora.

José Gustavo - O Grupo de Filosofia - Escola Secundária João de Barros, Corroios.
Abril de 1995


A/s FEIRA/s
uma resenha histórica

O ressurgimento económico da Europa a partir do século XI contou com o papel desempenhado pelas FEIRAS internacionais, com destaque para as de Champagne, Veneza, Génova e Flandres. As trocas comerciais entre a Europa do Norte e do Mediterrâneo, desenvolvem ainda as técnicas comerciais e as práticas financeiras, que viriam a contribuir para o aparecimento das economias - mundo do século XVII, (pré-) capitalistas.
Com o apoio dos senhores laicos e eclesiásticos, e também dos monarcas, algumas FEIRAS apareceram expontaneamente por falta de comunicações fáceis e rápidas, outras associadas a festividades e cerimónias religiosas, nas imediações de santuários, ermidas ou centros de peregrinação. Locais não só de trocas comerciais, aproximaram as regiões e as pessoas, contribuindo para a divulgação de notícias, expansão da cultura e para o povoamento e fixação de gentes.
Na Península Ibérica, a economia mercantil vem do século VIII, integrada no sistema económico mercantil islâmico. Assim, os mercados portugueses do século XII - XIII, derivam essencialmente da continuidade das formas comerciais muçulmanas, revelando-se principalmente nas cidades do Centro e do Sul.
Nas cartas de foro dos séculos XII e XIII o termo "mercado" é muitas vezes substituído pelas palavras "açougue" e "fanga" ou "fangas" (de origem árabe).
Embora se continue a confundir, por vezes, "Feira" e "Mercado", era a periodicidade que os distinguia. As Feiras eram anuais ou mensais, e os Mercados realizavam-se diariamente ou semanalmente.
Em Portugal, a primeira menção de uma Feira, diferenciada de Mercado local, vem registada no Foral de Castelo Mendo de 1229 (há uma referência num artigo de A.J. Valério, Nov/Dez.94, in Alvito / Informação Municipal, à criação de uma Feira {ou mercado?} em Ponte de Lima, criada por D. Teresa, em 1125). O desenvolvimento das Feiras deve-se essencialmente aos privilégios concedidos: isenção do pagamento de direitos fiscais (Feiras francas), segurança dos feirantes durante e depois do período da Feira. Até meados do século XIII, as Feiras portuguesas encontram-se ainda num período de formação, sendo nos mercados locais que se exercia a actividade mecantil, e as Feiras deviam servir de centros distribuidores. Dos estatutos municipais fazia parte a concessão de uma Feira, embora as referências mais frequentes sejam feitas a "mercados".
A partir de D. Afonso III (1210? - 1279) o número de Feiras multiplica-se e alargam-se os provilégios jurídicos concedidos aos feirantes e suas mercadorias, aumentando também os lucros da Coroa.
Nos forais, aparece como privilégio a concessão de Feira, mas é através da "CARTA DE FEIRA" que se intitui, não tendo relação com o tipo de foral da povoação. Com D. Dinis (1261 - 1325) as regiões de Entre - Douro - e - Minho, a Beira e o Alentejo cobrem-se de Feiras, algumas francas, mas com D. Fernando (1367 - 1383) este impulso ao comércio interno esmoreceu, devido às guerras com Castela e posteriormente, à Revolução de 1383 /85.
Ao tempo de D. João I (1357 - 1533) os feirantes alcançam novos privilégios (como poderem andar armados e os seus animais não poderem ser tomados para cargas, nem para serviço d'el-Rei) e a "Carta de Feira" adquire nova modalidade.
A partir de meados do século XV há indícios de uma certa decadência, encontrando-se diversas queixas de alguns concelhos onde as Feiras quase se extinguiram. O comércio interno perdia naturalmente o seu carácter periódico e errante, e as Feiras deixam de ser os únicos centros de tráfico.
Com o comércio ultramarino do século XVI, esta decadência acentua-se, principalmente a partir de D. Manuel I (1469 - 1521). No entanto, no século XVIII, ainda foram instituídas algumas Feiras.
A Feira congregava mercadores de partes distantes, e a venda dos produtos fazia-se em tendas, fixas ou móveis, ou em bancos ou mesmo no chão. A área que ocupavam variava - a Praça Pública, os Rossios periféricos, os Arrabaldes extramuros. Os funcionários régios fiscalizavam os actos de compra e venda, assegurando a correcta transacção.

Fernanda Lourenço (Professora de História) na Escola Secundária João de Barros, Corroios, abril de 1995


 

 

 

E-Mail: joraga@netcabo.pt e joraga@netc.pt
pelo telefone 212 553 223 ou pelo Telmv. 917 632 524
e pelo CORREIO: Rua Almada Negreiros, 48 - 2855-405 CORROIOS.
visite ainda a minha TEIA na REDE além de joroga.net - joraga/alice/osrabaca/serradaesrela/gilvicente/cart2326/

Compatível com IE/Netscape na resolução 800x600
Joraga 2000 em viagem