GENTE DE MANTEIGAS


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Afinal quem é
PAULO LUÍS MARTINS?

Gente de Manteigas in G+, de José Paiva Tacanho

FIGURAS HISTÓRICAS
de MANTEIGAS in «ANTOLOGIA»,
de José Lucas Baptista Duarte
1985
PRESIDENTES de CÂMARA
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de Gente de Manteigas
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FREI ANTÓNIO DA ESPECTAÇÃO (1651 06 13 - 1724 11 17)
(António Paes) -

In ANTOLOGIA I - Depoimentos histórico-Etnográficos sobre MANTEIGAS e SAMEIRO, de José Lucas Baptista Duarte, 2ª ed., Câmara Municipal de Manteigas, 1985. Pp. 90 - 91.

Resumo:
1651 06 13 - António Paes nasce em Manteigas, filho de pais fidalgos, D. Ana da Rosa e Tome Paes;
1668 07 01 - deu entrada no Convento dos Remédios, em Lisboa, com o nome de Frei António da Espectação;
1724 11 17 - Faleceu, contando 73 anos de idade

In citada ANTOLOGIA I...

«Se no século XVI os Grandes Homens de Portugal se registam por dezenas, muitos têm sido os nomes para atestarem, em todos os tempos, às gerações do porvir, o grau da sua civilização.

O século XVII, por exemplo, foi para a literatura portuguesa um século vulgar, inferior, cheio de defeitos, pobre de imaginação, subordinado quase totalmente aos errados triunfos duma escola literária. No entanto, viveram nesse mesmo século alguns dos nossos maiores estilistas, como António Vieira e Manuel Bernardes. E muitos outros, muitos que, como clássicos, encerram defeitos, mas que conseguiram passar à posteridade por outras razões que definem galhardamente o valor intrínseco das suas distintas personalidades.

De entre estes, orgulhosamente registamos agora o nome aureolado de virtude do ilustre filho desta terra, Frei António da Espectação.
António Paes, mais tarde Fr. António da Espectação, nasceu em Manteigas no dia 13 de Junho de 1651. Filho de pais fidalgos, D. Ana da Rosa e Tome Paes, soube aliar à nobreza do seu sangue uma nobreza maior - a nobreza da sua alma.

Repudiando os pergaminhos de família -- que a vaidade não é atributo de santos - tornou mais fidalgo ainda o seu nome, cobrindo-o de pergaminhos de virtude. Aos quinze anos incompletos - mocidade em botão - deu entrada no Convento dos Remédios, em Lisboa, e a 1 de Julho de 1668 professava o hábito da "austera e douta reforma dos CarmeIos". Em breves anos completou o estudo das ciências escolásticas, e não tardou a impor-se no seio da sua comunidade, não só com os seus raros exemplos de virtude, como pelos rasgos da sua inteligência, interpretando, com notável elevação, os profundos mistérios da Sagrada Escritura".

O seu triunfo - ascensão contínua - leva-o em breves anos aos altos cargos de professor, visitador ultramarino, prior do Deserto do Bussaco, conciliário e definidor e ainda mestre da sua "douta e austera" Ordem. Não perdeu, porém, o tempo que lhe sobrava das suas ocupações profissionais.

Amante das "boas letras", encontrava-se familiarizado com to das as modalidades da literatura clássica, e ali, decerto, colheu o gosto e a inspiração para as muitas obras que nos foram legadas pelo seu espírito, iluminado por uma erudita cultura.

As suas obras - e são muitas - têm um carácter essencialmente ascético, produto de aturadas horas de recolhimento e meditação.

Dizem que o seu estilo não é recomendável. Defeitos do século.
Não possuirá aquele fino requinte literário dos maiores da sua época - Vieira e Bernardes - mas em toda a sua vasta obra predominam lampejos de imaginação, existindo nela muitos trechos que abrigam, como vestes delicadas, invulgares pensamentos e muitos conceitos tão cheios de elevação literária e de virtude, que poderão ser reproduzidos ainda hoje, sem desprimor, mas bem ao contrário, valorizando sempre o plano que nivela o valor literário do século XVII.

Além dos muitos trabalhos por onde se encontra dispersa a luz da sua inteligência, citarei, por merecerem uma especial referência, a "Crónica Divina" e "História Sagrada", inteligente interpretação de muitos mistérios da Sagrada Escritura; "Josefina", panegírica e ascética; "Estrela d'Alva", um primoroso estudo da vida de Santa Teresa de Jesus ("Tereza... stella matutina quae clarior est coeteris" - "a estrela da manhã, a que é mais brilhante do que as outras".) cheio de beleza moral e de virtuosos conceitos.

Não cabe aqui um estudo completo da vasta obra do nosso ilustre patrício.

Abreviarei, por isso, as minhas considerações, mas, antes de concluir, quero afirmar que um suave perfume de virtude se evola de todas as suas palavras, e que um belo exemplo de sacrifício se observa em toda a sua vida de desterro e de solidão a que voluntariamente se lançou, fugindo das vaidades do mundo para melhor atingir os anseios sonhados pela sua devoção.

Isolou-se dos seus semelhantes, da própria família, talvez em obediência à convicção sentida e revelada em uma das suas máximas, de que "é impossível unirem-se as vontades de todos os homens".

Frei António Faleceu em 17 de Novembro de 1724, contando 73 anos de idade".»

Do "E. B." - N.º 9 (5-7-1925)»


Anexos 2017 02

Convento de carmelitas descalços - Lisboa
"O CONVENTO E IGREJA DO CARMO"

«O "CONVENTO E IGREJA DO CARMO" da "ORDEM DO CARMO" foi mandado edificar pelo "CONDESTÁVEL - D. NUNO ÁLVARES PEREIRA", e começou a ser construído em 1389, pouco depois de iniciada a construção do "MOSTEIRO DA BATALHA".
O conjunto do CONVENTO E IGREJA constitui um projecto dos maiores da arquitectura medieval portuguesa, e concilia princípios arquitectónicos de outros tempos monacais de ordens mendicantes com novidades experimentadas no estaleiro da BATALHA ao longo do primeiro quartel do século XV.»
Ver in
http://aps-ruasdelisboacomhistria.blogspot.pt/2014_05_01_archive.html

0UTROS CONTRIBUTOS - 2017...

Tomé Paes - Pai de Frei António da Espectação (António Paes)
1622 12 29 - baptizado em São Pedro de Manteigas
(Tio Hexavô (6ª grau) de Joaquim Pereira de Mattos (irmão de João de Matos Paes)
in - Figura 16 - Joaquim Pereira de Mattos (1853 02 27 - Nasceu em Manteigas) - o grande impulsionador da indústria de Lanifícios em Manteigas, que deu origem à Firma MATTOS CUNHA...
«O Concelho de Manteigas extinto em 26 de Junho 1896 e foi restaurado em 13 de Janeiro de 1898, devido à influência deste grande Senhor empreendedor...»

 

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