GENTE DE MANTEIGAS


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Gente de Manteigas in G+, de José Paiva Tacanho

FIGURAS HISTÓRICAS
de MANTEIGAS in «ANTOLOGIA»,
de José Lucas Baptista Duarte
1985
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de Gente de Manteigas
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DR. FERNANDO JOSÉ SARAIVA (1644 - 17??)

In ANTOLOGIA I - Depoimentos histórico-Etnográficos sobre MANTEIGAS e SAMEIRO, de José Lucas Baptista Duarte, 2ª ed., Câmara Municipal de Manteigas, 1985. Pp. 92 - 95.

Resumo: - Fernando Saraiva nasceu nesta última vila aí por 1644, e era filho de Domingos Saraiva, cavaleiro da Ordem de Cristo e 1º senhor de Pisaria, e de sua mulher D. Brites Alves de Paiva, senhora do vinculo e Capela de Santa Catarina, instituído pelo beneficiado Francisco de Paiva, na mesma vila de Santa Marinha, e sobrinha do reverendo Fernando Alves de Paiva, prior que foi na vila de Melo.

Texto da obra citada:

«"Com a morte de Carlos VI, imperador dos alemães, sucedida em 1740, desencadeou-se por toda a Europa, pelos anos que se seguiram, uma guerra de dissensões e discórdias, em virtude de sua filha D. Maria Tereza ser sua legítima herdeira e sucessora, como determinava o Tratado de 1732.
Querendo Luiz XV, rei de França, abater a casa de Áustria, sua antiga rival, conseguiu formar a liga ofensiva em que entraram os reis de Hespanha, das duas Cicilias, da Prússia e da Sardenha.
Na ocasião em que se dava a conjuração contra o rei de Portugal, em 1758, e cruamente punida pelo Ministro Marquês de Pombal, encontrava-se bastante acesa a luta entre as nações aliadas, luta que ficou conhecida na história pela "Guerra dos sete anos", e que havia de imortalizar o nome de Frederico II, cujas heróicas façanhas, mais tarde, o cognominaram de Frederico o Grande.

Desastres imprevistos fizeram de certo modo fracassar a acção dos franceses e hespanhois.
Á declaração de guerra feita pela Grã-Bretanha em Janeiro de 1760, correspondeu Carlos III, rei de Hespanha, com a sua. Talvez instigado pelo governo francês, o de Hespanha apresentava a D. Luiz da Cunha Manuel, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, uma pré-memória datada de 16 Março do mesmo ano, por intermédio do seu embaixador na corte de Lisboa, D. José Torrero, para estabelecerem mútuas obrigações, além de medidas indispensáveis para poderem conter o orgulho insuportável e a insolência da nação britânica, para assim fazer encolher as garras que ia deitando por toda a parte do mundo - constituindo-se em senhora despótica dos mares.


D. Luiz da Cunha

D. Luiz da Cunha, respondendo à urgente instância do governo hespanhol a 20 do dito mês, encarecia as alianças que Portugal tinha com a coroa da Grã-Bretanha sem nunca serem interrompidas; e alegando, nobremente, que não tendo a nação portuguesa recebido da sua aliada qualquer agravo criminoso, que se manteria a aliança defensiva com a Inglaterra; e que el-rei D. José não queria ver entrar os seus vassalos em mais calamidades do que aquelas que já tinham assolado a nacionalidade, tais como o terramoto de 1755 e a conjuração de 1758.

Insistindo a Hespanha no mesmo assunto, e mantendo a coroa portuguesa, pela boca do seu ministro D. Luiz da Cunha Manuel, os mesmos pontos, foi comunicado pelo embaixador daquela nacionalidade e pelo ministro da França que, "sem mais oficio", as tropas hespanholas, reunidas na fronteira, entrariam em Portugal.

Tomada tal resolução, logo o tenente-general e comandante em chefe do exército hespanhol, D. Nicolau de Carvajal J. Alencastre Vivero Noronha Sande de Saude Padilha e Montezmo, à frente de 40 mil homens, entrou em Portugal pela província de Trás-os-Montes.

As dificuldades e embaraços que surgiram ao governo de Lisboa, motivados pela decisão do governo de Hespanha, foram de certa gravidade, visto a desorganização do exército e o desmantelamento das praças e fortalezas em ruínas, e ainda a grande falta de armamento e apetrechos.

Nesta crise bastante melindrosa, o governo português não desanimou.

Confiado na justiça da causa e na fidelidade e valor dos naturais, e implorando, certamente, a protecção divina, com a assistência da Grã-Bretanha, sua aliada, com todo o arrojo se lançou à empresa.

Como acima tocamos, não só se fazia sentir a falta de tropas e apetrechos, como também era evidente a dificuldade de encontrar em Portugal um homem com envergadura moral que reunisse todas as qualidades e que se impusesse à investidura do alto comando do exército português e das tropas da Grã-Bretanha. Mas, para o Primeiro-ministro de D. José I, o então Conde de Oeiras, Sebastião José de Carvalho e Melo, que havia de ficar na história com o nome de Marquês de Pombal, todas as dificuldades se resolviam perante a sua força de vontade e suprema autoridade. E, nesta emergência, mandou falar e contratar para comando em chefe do exército português, com a patente de marechal-general, ao príncipe reinante de Schaumbourg Lippe, e trazer consigo outros oficiais que, como este, haviam sido educados na escola de Frederico o Grande.


(Wilhelm zu Schaumburg-Lippe, conde de Lippe)

Quando em Maio chegavam a Lisboa as tropas que a Grã-Bretanha enviava em socorro de Portugal, estava já feita a nomeação dos generais para as diferentes províncias: sendo o Marquês de Louriçal, para o Algarve; D. João de Lencastre, para o Minho; José Félix da Cunha, para a Beira, e o conde de Unhão, para o Alentejo; e para general das armas da corte e província da Extremadura, o Marquês de Tancos.

A invasão da província de Trás-os-Montes pelas tropas hespanholas na primavera de 1762, opuseram as portuguesas bastante resistência, obrigando aquelas a desviarem o seu objectivo para outro ponto; e, desistindo do primeiro intento, dirigiram-se à província da Beira.

Posto o cerco à Praça de Almeida, depois de alguma resistência, era abandonada ao inimigo pela guarnição, devido à pouca energia do seu governador que não cumpriu as instruções do marechal conde de Lippe, que lhe ordenara sustentasse a praça até que fosse socorrido pelas tropas que já iam a caminho.

As ordens ponderadas que o conde de Lippe expedia para o exército do seu comando, determinadas com a visão dos perigos e necessidades de momento, revelavam o prático e valente cabo-de-guerra.

A escolha de pessoas para o desempenho dos cargos do comando e de governadores de praças, era feito de entre aquelas que mais confiança merecessem e de reconhecida competência.

A designação do capitão-mor da vila de Manteigas, o doutor Fernando José Saraiva, feita pelo marechal general conde de Lippe para o "governo e comandante" das guarnições que, com soldo e pão, foram postas na Serrada Estrela, por esta ocasião, conforme consta da informação -dada por seu filho, o doutor João Teodoro Saraiva Fragoso de Vasconcelos Cardoso, para justificação da nobreza, para obter carta de Brazão que lhe foi passada em 7 de Outubro de 1773, obedecem, certamente, a uma-grande confiança que aquele marechal tinha no aludido capitão-mor.

Para não alongar demais este arrazoado, diremos que o resultado desta campanha foi deveras honroso para Portugal e para o exército e todos os seus chefes, uma glória, quando não uma vitória, em virtude da paz pedida em fins do ano de 1762 pelas tropas e governos inimigos, considerada como uma capitulação.

Como a nossa intenção era fazer realçar uma figura de bastante relevo e merecimento que se encontrava no olvido sepultada, e que havia desempenhado nesta conjuntura um papel deveras honroso, e de que os filhos da terra que lhe foi berço se podem orgulhar, não queremos terminar sem darmos mais algumas notícias da família do nosso valente soldado e filho ilustre de Manteigas.

Da família do doutor Fernando José Saraiva, temos elementos em nosso poder para a sua história, dos quais sabemos que era filho de João Saraiva, que foi familiar do Santo Ofício e capitão-mor da vila de Manteigas, e de sua mulher, D. Maria Josefa Cardoso de Gouveia, e sobrinho do padre-mestre D. Frei Manuel de Santo Tomaz, ermita calçado de Santo Agostinho, graduado em Teologia e que havia sido provincial da sua Ordem, académico da Real Academia da História Portuguesa, governador da prelazia de Moçambique e bispo eleito duma diocese ultramarina.

O doutor Fernando José Saraiva, que havia casado com D. Ana Maria Soares de Oliveira e Vasconcelos, de que houve três filhos, e dos quais logo havemos de falar, era neto paterno do capitão-mor de Manteigas Fernando Saraiva, natural da vila da Santa Marinha, e de sua mulher D. Helena Massana, que haviam casado em 1668 (?).

Este Fernando Saraiva nasceu nesta última vila aí por 1644, e era filho de Domingos Saraiva, cavaleiro da Ordem de Cristo e 1º senhor de Pisaria, e de sua mulher D. Brites Alves de Paiva, senhora do vinculo e Capela de Santa Catarina, instituído pelo beneficiado Francisco de Paiva, na mesma vila de Santa Marinha, e sobrinha do reverendo Fernando Alves de Paiva, prior que foi na vila de Melo.

De Domingos Saraiva, (dos Saraivas de Trancoso, Senhores da Póvoa de El-rei), e de sua mulher D. Brites, descendem os actuais Saraivas de Santa Marinha, Passos, etc.

Na casa do casal, em Santa Marinha, que foi o primeiro solar dos Saraivas, instituiu o reverendo licenciado João Saraiva, neto de Domingos Saraiva, nos fins do primeiro quartel do século XVIII a capela de S. Francisco cuja administração se encontra ainda na família.

Do Dr. Fernando José Saraiva e de sua mulher D. Ana Maria Soares de Oliveira e Vasconcelos, foram filhos, entre outros, o já acima referido Dr. João Teodoro Saraiva Fragoso de Vasconcelos Cardoso e o Dr. Fernando Saraiva Fragoso de Vasconcelos, lente da Universidade de Coimbra e comandante do Batalhão Académico com o posto de coronel, quando das invasões francesas, no fim da primeira década do século passado".»

Lisboa, Dezembro de 1925
JOSÉ M. DA CUNHA SARAIVA
Do E.B. N.º 23 (7-2-1926)


Ver nota sobre ALTARES na Igreja de Santa Maria - Manteigas

«Em meados do século XVIII esta Igreja possuía cinco altares:
o MOR, do Santíssimo Sacramento, de características barrocas, os altares laterais das Alamas e da Senhora da Conceição, da época do Renascimento e ainda dois oarticulares, o de São Miguel e o de Nossa Senhora da Apresentação, pertencentes à família do Capitão-Mor de Manteigas - Fernando José Saraiva e seus descendentes.»
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