GENTE DE MANTEIGAS


contacto © joraga ®.

Afinal quem é
PAULO LUÍS MARTINS?

Gente de Manteigas in G+, de José Paiva Tacanho

FIGURAS HISTÓRICAS
de MANTEIGAS in «ANTOLOGIA»,
de José Lucas Baptista Duarte
1985
PRESIDENTES de CÂMARA
de 1910 a 2017 e AQUI
AUTORES e LIVROS e AQUI
de Gente de Manteigas
in TOPONIMIA, e AQUI
de José David Lucas Batista
in CONTOS SERRANOS,
de Dr. João Isabel e AQUI
in POIOS e PROSA
de António Leitão (PDF?)
in AQUELE PROFUNDO VALE, de José Cleto Estrela e AQUI


D. ANA PORTUGAL SARAIVA FRAGOSO DE VASCONCELOS
(6 de Maio de 1808 - xxxx xx xx)

In ANTOLOGIA I - Depoimentos histórico-Etnográficos sobre MANTEIGAS e SAMEIRO, de José Lucas Baptista Duarte, 2ª ed., Câmara Municipal de Manteigas, 1985. Pp. 113 - 115.

"… Como domésticas e administradoras, merecem menção honrosa as mulheres de nossos avós. Muitas vezes eram dotadas dum tão clarividente tacto administrativo, que mais por suas virtudes pessoais do que por bens de fortuna material, conseguiram ver seus filhos doutorados, marcando na vida social invejadas posições.

Como protótipo de esposa exemplar, cito D. Ana Portugal Saraiva Fragoso de Vasconcelos, nascida em 6 de Maio de 1808. Esta ilustre Senhora, filha do desembargador Dr. João Teodoro e sobrinha do lente da Universidade Dr. Fernando, casou muito nova ainda com seu primo Dr. António Ribeiro Barbas Saraiva, um dos voluntários, quando estudante, do Corpo Militar Académico de Coimbra, na luta contra as napoleónicas hostes invasoras, e, mais tarde, fervoroso apóstolo dos flamejantes ideais de liberdade, como a quase totalidade dos manteiguenses ilustres de então.

Manteigas, o mais alto reduto defensor da liberdade, era mal visto pelos mandantes do absolutismo e, assim, numa pardacenta manhã, daquelas que parecem agoirar negros destinos, surge na quinta de Siqueiros um garboso oficial do Exército comandando tropas suficientes para aprisionar a Vila inteira. Levava por missão prender o Dr. Ribeiro Saraiva e outros seus patrícios e correligionários considerados perigosos, pela sua influência social, para os bons destinos do governo miguelista.

Depois de cercada a residência e de tomadas as medidas concernentes ao bom êxito da acção a executar, mandou que a sua ordenança batesse fortemente na férrea aldraba daquele solar fidalgo.

O som metálico produziu o efeito dum clarim de alvorada naquela vetusta residência. Todos despertaram - amos e criados - e não tardou a aperceberem-se da situação melindrosa em que se encontravam. O Dr. Saraiva propunha-se vir ao encontro do comandante da força; porém, não lho consentiu o conselho prudente de sua ilustre esposa. Procuraria antes garantir-lhe a fuga que não era cobardia em tão estranha situação.

Um creado de confiança, conhecedor de caminhos e atalhos, guiaria seu amo a ponto de salvação aonde pudesse tomar, sem perigo, o rumo de Inglaterra. E ela, esposa amantíssima, tornar-se-ia a administradora incansável da sua casa, para que o exílio de seu marido fosse quanto possível suavizado, e dedicaria, outrossim, todos os seus desvelados cuidados à criação e cultura de seus filhos.

Com a brevidade com que um general toma medidas na emergência dum combate, todos os planos relativos à vida futura daquele lar eram concebidos em instantes.

Depois de tudo preparado, é D. Ana Portugal que vem receber o jovem oficial no salão nobre do seu lar, e logo que posta ao facto de tão ingrata missão, fala de tal forma ao comandante, como esposa e como mãe, que este, de olhos marejados em lágrimas, mostrou ter no seu peito, não aquele seixo imposto pelo dever profissional, mas um coração de oiro reflorido de sentimentos.

Retirando-se mudo e cortezmente, ordenou aos seus subordinados que os postos de sentinela fossem reduzidos, reforçando estas a vigilância sob o pretexto de dar descanso aos soldados, que vinham de Iongada, do regimento distante. E horas depois, no momento destinado para as buscas domiciliárias, o Dr. Ribeiro Saraiva não foi encontrado, porque saíra afoitamente pelas traseiras desguarnecidas de sua casa, sob os olhares protectores de sua devotada esposa que soubera, diplomaticamente, livrar o seu marido das garras insaciáveis dos seus inimigos políticos."

Do E.B. N.º 49 (13-3-1932)

A cena acima descrita passou-se na Quinta de São Fernando onde, desde os anos 80 do Século XX, existe o CANIL da Quinta de Saõ Ferando - Manteigas, na Zona de Nossa Senhora de Fátima... - Fonte dos Namorados...

joraga@netcabo.pt e joraga200@gmail.com ou zeraga@gmail.com

Compatível com IE/Netscape na resolução 800x600
aminhaTEIAnaREDE www.joraga.nethttp://museuvirtual.activa-manteigas.com/index.php/places/patrimonio-arqueologico/casa-das-obras/