GENTE DE MANTEIGAS


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Afinal quem é
PAULO LUÍS MARTINS?

Gente de Manteigas in G+, de José Paiva Tacanho

FIGURAS HISTÓRICAS
de MANTEIGAS in «ANTOLOGIA»,
de José Lucas Baptista Duarte
1985
PRESIDENTES de CÂMARA
de 1910 a 2017 e AQUI
AUTORES e LIVROS e AQUI
de Gente de Manteigas
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de José David Lucas Batista
in CONTOS SERRANOS,
de Dr. João Isabel e AQUI
in POIOS e PROSA
de António Leitão (PDF?)
in AQUELE PROFUNDO VALE, de José Cleto Estrela e AQUI


MANUEL SILVA SANTOS - 1925 04 08 - 2010

Manuel da Silva Santos
Ao primo Zé cultor distinto das letras com um grande abraço.

APRESENTAÇÃO

«Desde a adolescência fui possuído do bichinho, quando ia despertando em mim a admiração por um tio que foi distinto jornalista e professor liceal, cuja beleza e harmonia de seus escritos, até de cartas familiares, de requintado estilo, faziam meu enlevo.

Meus estudos foram limitados, cedo tive de deitar mão de trabalho que não era assim tão delicado. Aos 15 anos embarquei para África. Ali enveredei "pela actividade comercial e, sem frequentar escolas superiores mas com muita força de vontade, procurei elevar o nível de meus conhecimentos literários.

No mato, onde não existia electricidade, em uma noite, à luz frouxa de um candeeiro colonial, li o volumoso romance policial "O Lápis amarelo" que me haviam emprestado e às 8 horas da manhã estava a pegar no serviço ao balcão de um estabelecimento. Com apego, obtive curso de Técnico Oficial de Contas, que me orgulho de ter desempenhado com fidelidade em Angola e Portugal.

A vida em si foi para mim uma universidade prática.

Na ânsia de me valorizar, oferecia-me para contacto com autoridades e organismos, orientando requerimentos, exposições, petições, projectos de financiamento, minutas de escrituras que os notários e Bancos achavam de teor apurado.

Depois de muito desânimo, advindo das contingências da vida e reveses da doença, no limiar da última etapa, eis que um lampejo me desperta para um sonho adormecido.

E aí estão meus pobres escritos em prosa e verso, num e noutro caso, memórias indeléveis de uma vida que é espelho de alegrias e agruras atinentes a qualquer um.

É singelo o estilo como me foi dado atingir, creio que acessível a grande parte de meus conterrâneos e se a tanto me é permitido aspirar, também a possíveis leitores de Angola ou do Brasil, fontes da maior parte de minhas histórias, repartidas por três continentes.

Espero sobretudo, que a experiência de vida aqui revelada, aproveite a meus filhos, netos e outros vindouros.

Manuel
Março de 2007

TRAÇOS - 2007

TRAÇOS um livro de 2007- ALGUMAS IMAGENS e ÍNDICE

 


Morro da Senhora da Graça
Benguela


Morro da Senhora da Graça
Benguela


Morro da Senhora da Graça
Benguela
- 1969


«Caminhando» - Lobito


Convívio Familiar 2004


Crianças - África


Manuel Rabaça Serra e cunhado Manuel da silva Santos


Família Serra Santos - Benguela - 1969


Apanhado desde o casamento em Manteigas até Benguela

ÍNDICE

PÓRTICO de José Martins Lopes, Amadora, Março de 2007 - 9
UM AMOROSO OLHAR INFANTIL -- 12
APRESENTAÇÃO -- 17

HISTÓRIAS DE SABOR ÁFRICO

PRISIONEIRO DE VALOR -- 23
SENHORA DA GRAÇA - EXPOSIÇÃO
DESAPONTAMENTO -- 25
NADA FALTOU PARA SER IGUAL -- 29
ALAMBAMENTO - 31
FESTAS - BAIRRISMO DESENFREADO - 33
CALDEIRADA! COM VINHO OU SEM -- 35
A CRUZ AJUDA SEMPRE! - 37
HERÓIS, O RENDER DA GUARDA -- 39
HISTÓRIA DE SAPATOS -- 41
OUTRA HISTÓRIA DE SAPATOS - 43
NEGÓCIO DE PANELAS - 45
OLHO VIGILANTE - 47
AÍ VEM O COMBÓIO -- 40
BENGUELA -- SENHORA DA GRAÇA -- 51
RETORNO À ORIGEM -- 53
AMARGA HISTORIA DE NATAL - 55
TERROR E ANGÚSTIA -- 59
PRECEITO COMPROMETIDO -- 61
SALADA DE ATUM - 63
SENHORA DA GRAÇA FOI PROVIDÊNCIA EM BENGUELA -- 65
SENHORA DA GRAÇA - ELO COM BENGUELA -- 69
RETRIBUIÇÃO QUE TARDOU -- 71
CONTO DE NATAL -- 75
A DIVISÃO DOS PÃES -- 77
POR SER CARNAVAL -- 79
ABRIL, CRAVOS E ABROLIIOS -- 83
DO TEMPO DA "OUTRA SENHORA" -- 87
NEGÓCIO DE JUDEU -- 89
RECORDANDO A SENHORA DA GRAÇA DE BENGUELA -- 91
BUSTO A JOAQUIM RABAÇA MOTA VEIGA -- 93
A CARTA FAZIA MESMO FALTA?!-- 99
SÓ METADE?! -- 103
ORDEM PARA MATAR! -- 105
GRITO DA ALMA -- 107
OBRA PARA VALER -- 109
CASA DO BOM CAFÉ -- 111
NUA E CRUA -- 113
LARÁPIOS OPORTUNISTAS -- 115
NATAIS DIFERENTES -- 119
LIVROU-ME DA MORTE -- 123
ALVO CORAÇÃO DE NEGRO -- 125
REMINISCÊNCIAS VENATÓRIAS -- 129
MATANDO, PARA SALVAR -- 133
CRIAÇÃO DE CROCODILOS -- 135
O VOO DA PACAÇA .-- 137
BISSONDES ASSASSINOS -- 139
SENHORA DA GRAÇA NOS TRÓPICOS -- 142

CRÓNICAS DE SABOR BRASÍLICO

EXCESSO -- 147
BRASIL - A IMPORTANTE DESCOBERTA -- 149
BRASIL - A REDESCOBERTA -- 153
CRUEL CASTIGO -- 157
NO BRASIL, BANDIDO HERÓI -- 158
AQUI, DO BRASIL -- 160
DE FÁTIMA...OU TALVEZ NÃO! -- 163
VÍTOR DAS MINHOCAS -- 165
KALUNGA -- 167
HUMILHADO POR UNS QUEIJOS -- 169

O PITORESCO DA VIDA

GRANDE FESTA DOS RABAÇAS -- 174
O CALDINIIO DE Grão-de-bico -- 176
POIO DO JUDEU - - CATEDRAL DA ESTRELA -- 178
TEMPO DE FESTAS - PAIXOES EXACERBADAS -- 182
EM MEMÓRIA DO PADRE GOMES NEVES -- 185
EXCLUIDO DA ORAÇÃO -- 187
DA VIDA E DA MORTE -- 189
ONDE EXISTE A SABEDORIA -- 191
HISTÓRIAS DE SAPATOS -- 192
MISERICÓRDIAS - POR QUE NÃO SOÇOBRAM ELAS -- 194
CIUME E VINGANÇA-- 197
Os LOUCOS DO TELEMÓVEL -- 199
POR SAPATOS E MEIO TOSTÃO -- 201
RASTROS DA FÉ -- 202
EU FUI A FRANÇA -- 206
ELAS ENTENDERAM A MENSAGEM -- 208
CONSULTA DE "GENIO... COLOGIA" - 21O
UM SORRISO POR PENITÊNCIA -- 213
HOMENAGEMAUMA GRANDE ABNEGAÇÃO -- 215

POESIA DE ÍNDOLE FAMILIAR

EMIGRANTES -- 222
CILADA -- 223
ESPELHO DA ALMA -- 224
UNGUENTO DA ALMA -- 25
14 ANOS --226
SAUDADE -- 227
DÉCIMO SEXTO ANIVERSÁRIO -- 228
BODAS DE OURO -- 229
86° ANIVERSÁRIO -- 230
BODAS DE PRATA -- 231
 N S I A -- 232
BODAS ARGÊNTEAS -- 233
PUNGENTE LEMBRANÇA -- 234
SAUDAÇÕES -- 235
RÉPLICA -- 236
BRINDE -- 237
GÉLIDA SOMBRA -- 238
REVIVER -- 239
QUANDO SE AMA -- 240
BODAS DE PRATA DE CONVÍVIO -- 241
ANGÚSTIA -- 243
A CAMINHO Dos CEM -- 244

POESIA DIVERSA

EM LOUVOR DA CRIANÇA -- 249
HINO NACIONAL -- 250
PADRE NOSSO DOS INCONFORMADOS -- 251
PADRE NOSSO DE ABRIL -- 252
GLOSANDO CAMÕES -- 253
NATAL DO MENINO DO HUAMBO -- 254
"UKANDA" AO MENINO JESUS -- 255
SÚPLICA DE NATAL DE SABOR ÁFRICO -- 256
ORAÇÃO NATALÍCIA DE SABOR ÁFRICO -- 257
CARTA AO PAI NATAL -- 258
DOIS ANJOS -- 260
PAZ EM ANGOLA - "LAETARE"! -- 261
NATAL AFRICANO -- 262
NATAL DE POBRES -- 264
AFRONTA -- 265
DADOR... DE FÉ E PÃO -- 266
DRAMA NA NOITE -- 267
DE LONGADA -- 268
NATAL FELIZ -- 269
CÂNTICO À SERRA DA ESTRELA -- 270

RASTROS DA FÉ - (pp. 203 - 205)
CAPELAS e IGREJAS (27 ou 31?)


RASTROS DA FÉ

Só aqui bem perto de Manteigas, não a mais de 20 quilómetros em linha recta, conheço um núcleo de umas dezenas de habitantes, que se lhe assemelhe: a Senhora do Desterro, junto ao que penso ser o primeiro aproveitamento hidroeléctrico do país.

Numa área confinada a uns 500 metros, sem se saber a que atribuir o fenómeno nem as datas em que houveram lugar as edificações, existem ali 2 igrejas de tamanho vulgar e cerca de 10 capelas, umas bem dimensionadas, outras simples oratórios rasteiros, onde os devotos só podem fazer suas preces frente à entrada.

Pensa-se que tenham resultado de promessas de embarcados na era das descobertas, qual deles dispondo consoante as posses ou o tamanho da aflição em que esteve envolvido...

Outro caso de destaque concebido também por portugueses no Brasil, ao tempo da colonização e evangelização, constatei-o daqui bem mais distante, em Ouro Preto, cidade de 45.000 habitantes, onde se contam umas 3 dezenas de casas de oração entre igrejas e capelas, uma delas dedicada a um Santo António dos Escravos que, racionalmente, tinha de ser preto. Privados, pela condição, de frequentarem as igrejas dos brancos, houve um que, por mérito, conquistou, não só a liberdade, como também a independência e poder económico para ombrear, com os brancos, a manifestação da mesma fé. Teve de inventar um Santo António da sua cor...

Mas é em Manteigas que se encontra o que julgo ser um singular e inigualável rastro de arraigada crença. Num raio de 10 quilómetros contam-se por 27, os templos e capelas existentes nas 4 freguesias do Concelho, muitas alcandoradas pelas encostas da Estrela, mais de metade votadas à Virgem, assim relacionadas:

1. Santa Maria - Igreja Matriz
2. São Pedro - Igreja Matriz
3. Senhora da Misericórdia - Igreja da Santa Casa
4. São João Baptista - Igreja Matriz de Sameiro
5. Senhora da Anunciação - Matriz de Vale de Amoreira
6. Senhor do Calvário - Largo Pe. Joaquim Dias Parente
7. Senhora da Graça - Centro Paroquial de S. Pedro
8. Senhora dos Verdes - Amieiros Verdes
9. Senhora da Estrela - Penhas Douradas
10. Senhora do Carmo - Covão da Ponte
11. Senhora de Lourdes - Termas
12. Senhora da Conceição - Beiral
13. Senhora de Fátima - Sicó
14. Coração de Jesus - Patronato
15. Senhora da Saúde-Boa Vista (transferida das Caldas)
16. Senhora da Piedade - Santa Casa da Misericórdia
17. Imaculada Conceição - Casa de Cristo Rei
18. Imaculado Coração de Maria - Encosta poente
19, São Domingos - Bairro deste nome
20. S. Sebastião, com cruzeiro luminoso - Encosta poente
21. São Lourenço (a mais antiga) - Encosta nascente
22.Santo André - à beira do Zêzere
23. Santo António - na Lapa
24. São Gabriel - na fábrica têxtil
25. São Marcos - Cemitério
26. Santa Luzia e Santo Estêvão - Caminho S. Luzia
27. Santa Eufêmia - Sameiro

Há umas 5 décadas, para abertura da rua Comendador Francisco Esteves de Carvalho, foi demolida a (28) capela de Santo Amaro, de imagem muito antiga, todos estes anos arrecadada, mas a Câmara teve a iniciativa brilhante de a expor em oratório, no adro de São Pedro. Uma primeira construção foi de desagrado geral, que alguém manifestou com raiva, partindo a vitrina, mas sofreu remodelação que se impunha, já no ano decorrente e será agora mais apreciada. A moldura se em granito, talvez estivesse mais adequada ao meio ambiente condizente com as janelas da contígua igreja, onde foi inspirado e com apurada visão, o estilo do arco.

Existiu uma, no ermo da serra, em ambiente muito agreste, que as intempéries terão desmoronado, dedicada a (29) Santo António da Argenteira, na Nave que ficou com este nome.

Uma outra, da (30) Senhora da Ajuda, na quinta que foi do Padre José Baylão Pinheiro, desactivada há cerca de 4 décadas e a imagem transitou para a Santa Casa da Misericórdia.

(31) A do Imaculado Coração de Maria, na colina sobranceira à Igreja de São Pedro, construída e oferecida à paróquia por um benfeitor em 1979, tem prevista uma evocação luminosa a azul. O projecto, inédito, do arquitecto José Amândio Matos, quebrou a tradição, envolvendo graciosamente 0 majestoso monumento antes erigido (1971) à mesma Senhora, cujo chão foi então benzido.

Todavia, a capela em si ainda não foi aberta ao culto, certamente por razões eclesiásticas, mas têm-se realizado até ali as devotas procissões de velas que, obviamente, se confinam à área benzida do monumento.

Talvez a maioria dos residentes não se tenha apercebido deste elevado número de casas de oração que nos rodeiam e bem revelam, ao longo dos tempos, a expressiva religiosidade que sempre acompanhou o nosso povo.

Junho / 2005

 

Pode VER / LER em PDF


Nossa Senhora do Desterro - São Romão


Santo António - Ouro Preto


Igreja de Santa Maria - anos 40


Igreja de São Pedro (antiga)


Igreja da Misericórdia


Igreja de São João Baptista - Sameiro


Igreja da Senhora da Anunciação - Matriz de Vale de Amoreira


Capela de Nossa Senhora da Ajuda - Padre José Baylão Pinheiro


Capela do Imaculado Coração de Maria (de Nossa Senhora de Fátima?)


Capela de Nossa Senhora do Carmo - Castanheira - Covão da Ponte


Capela de Nossa Senhora dos Verdes - anos 40


Capela de Nossa Senhora da Estrela - Penhas Douradas


Capela de Nossa Senhora de Fátima


Capela de Nossa Senhora da Saúde


Capela de Santo André


Capela de Santo António


Capela de São Domingos


Capela do Senhor do Calvário


Capela de São Gabriel


Capela de São Lourenço


Capela de São Sebastião


Capela de Santa Luzia

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