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GIL VICENTE
Algumas NOTAS sobre a
São elementos, que parecem indispensáveis para
uma possível LEITURA ACTUAL de GV e dos seus AUTOS...
1 - GIL VICENTE - VIDA
O que se pode
dizer da vida deste Homem?!...
Como acontece com grande número de nomes ilustres da nossa Literatura
e da nossa História, pouco se sabe, ao certo, da vida de Gil
Vicente. Costuma ser divertido discutir-se se será o mesmo mestre
Vicente, ourives artista, que assina a célebre custódia de Belém.
Mais importante do que isso, será útil ter em conta alguns dados
mais importantes da época em que ele viveu, para o podermos
situar no espaço e no tempo.
Gil Vicente terá nascido entre 1460, 1465,
ou 1470.
Onde? Muitas terras reivindicam a sua naturalidade sob os
mais diversos pretextos. Em Guimarães? Na Beira? Na Covilhã?
Não é possível saber. Os do futebol teimam em considerar que
é de Barcelos, que já produziu outros fenómenos como o "galo"
e a Rosa Ramalho!
Claro que também pode ser de Lisboa, ou pode ser considerado
como um dos muitos portugueses, já naquele tempo!, oriundos
da província, que se vai tornar famoso junto da corte, em
Lisboa.
A Imprensa de Gutemberg data de 1450, e, embora só para muito
poucos, como agora, desde essa altura, só existe e tem valor
o que fica registado pela escrita!
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Viveu
em pleno a época áurea dos Descobrimentos, tendo ele próprio
a sua época áurea, no reinado de D. Manuel I, o rei Venturoso
e/ou Afortunado que não só realizou o sonho máximo dos Descobrimentos,
como pôde reinar em paz!!!, reinstalando o absolutismo que
havia de ser um dos factores que haviam de travar a dinâmica,
possivelmente utópica, lançada pela generosidade e genialidade
dos Homens de Quinhentos, do Renascimento, do Humanismo, de
toda uma Revolução no sistema e métodos do conhecimento e
da maneira de estar no Mundo!!!
Terá
morrido cerca de 1536, em Évora, onde possivelmente jaz, sepultado
no mosteiro de S. Francisco. Mais um dado incerto!!!
Morre entretanto, já afastado dos favores da Corte; e já com
a ansiada Inquisição, afanosamente pedida pelo seu pupilo
D. João III, que nascera com o seu nascimento para o teatro!,
a chegar com toda a sua corte de injustiças, julgamentos sumários,
arrogância, prepotência, abusos discricionários, crimes...
Mais um factor a travar a caminhada que a Humanidade tinha
encetado!!!
Viveu,
pois, nos reinados de D. João II (1455, rei de 1481 a 1495
- teria GV 35? 25 anos)!, a quem chama o "domado" (no sentido
de AMADO, estimado, querido); e viveu sobretudo na corte de
D. Manuel (1469 - rei de 1495 a 1521 - a plenitude da maturidade
de GV); e viveu ainda no reinado de D. João III, no nascimento
de quem vai representar o Auto da Visitação (1502 e rei de
1521 a 1557), mas durante o qual entra em declínio e é afastado
da corte!
De
qualquer maneira, estes são os dados suficientes para nos
permitir perceber que vive em cheio a transição da Idade Média
para o Renascimento com todo o seu cortejo de ambiguidades
e confusões!... viveu, em posição privilegiada a empolgante
aventura do auge dos Descobrimentos com o início do estabelecimento
da expansão colonial!
Assiste assim à reinstalação do poder absoluto em Portugal
após a esperançosa e eufórica experiência das Cortes com a
presença do Povo (vide Revolução de 1383/85); e, nos últimos
anos, vai viver a sinistra espera da chegada oficial da Inquisição
a Portugal, que é finalmente autorizada no ano da sua morte!!!
Com
isto, podemos talvez ver o Mestre Gil Vicente e a sua Obra,
com todas as suas marcas de uma Época de transição, como possivelmente
é a nossa e muitas outras.
Por
um lado, ainda vive, mesmo que já fortemente contestada e
rejeitada pelas elites, toda a ingenuidade, espontaneidade
e refinada malícia da Idade Média, com toda a sua iluminada
obscuridade teocêntrica e o seu predomínio do religioso e
das crendices, sustentada pela segurança da infalibilidade
do "Magister dixit" tanto para a Religião como para a Ciência;
com toda a magia das tradições sociais rurais, e espontaneidade
da linguagem popular "analfabeta"!?...
Vivendo, ao mesmo tempo, a passagem para o Renascimento, Classicismo,
Humanismo, com as suas referências mitológicas alargadas;
com o exercício do seu poder crítico sobre os problemas sociais
e religiosos. Podemos assistir, com ele, à transição possivelmente
perigosa e violenta da contestação da Ciência Dogmática do
princípio da Autoridade, para a grande aventura da Ciência
Experimental. Ou seja, ao aparecimento de um Novo Espírito
Científico, baseado na dúvida, na investigação e na prova.
|



|

É aliás, este novo espírito científico, que
anima, ainda hoje, passados quinhentos anos, os pioneiros do progresso
da Humanidade que, como diz Carl Sagan, obedece a duas regras fundamentais:
A primeira consiste em tomar consciência de
que não existem verdades absolutas ou sagradas. Todas as asserções
devem ser cuidadosamente examinadas com espírito crítico. Os argumentos
de Autoridade deixam de ter valor. Nada provam.
A segunda é complementar desta. Tudo aquilo que esteja em contradição
com os factos tem de ser rejeitado ou revisto. Não se pode confundir
aquilo que gostaríamos que fosse, com aquilo que é na realidade.
Como se verificou, muitas vezes, ao longo dos tempos, aquilo que
parecia óbvio e evidente, estava e está errado; e o insólito e inesperado,
é verdadeiro... É ver (um século mais tarde) a famosa frase de Galileu
(1564 - 1642): "E pur si muove". Mesmo que não tenha sido pronunciada
no célebre dia 21/22-06-1633, nem por isso deixa de ser uma terrível
verdade e um violento protesto, ainda actual, contra toda a forma
de autoritarismo e arrogância das Doutrinas e das Ciências instaladas
nos seus cómodos dogmatismos.
Enfim, Gil Vicente, fica na História da Literatura,
como o fundador do Teatro Português de nível literário. Fundador
e pioneiro e genial mestre em praticamente todas as vertentes, como
actor, encenador, e autor de valiosa, variada e contestada obra...
Inicia a sua obra de comediógrafo com o Monólogo do Vaqueiro ou
Auto da Visitação que ele próprio representou, dois dias após o
nascimento do que havia de ser o rei D. João III, e vai deixar-nos
pelo menos, mais de quatro dezenas de peças teatrais, coligidas
mais tarde por seu filho Luís, divididas em Autos, Mistérios religiosos,
Milagres, Moralidades e Tragicomédias...

2. - OBRAS DE GIL VICENTE
O elenco possível de 49 Obras, fora muitas outras
mencionadas, e alguns dados históricos para possível enquadramento
no CONTEXTO...
| Ano |
Gil Vicente (GV e nº obras 1-46?
49...) |
Dados da Época (DE) |
| 1438 |
DE |
D. Afonso V - sobe ao
trono |
| 1450 |
DE |
Aparecimento da IMPRENSA de
Gutemberg. |
| 1452 |
Europa |
n. Leonardo da Vinci - 1519
|
| 1459 |
Europa |
n. Maximiliano I - 1519
|
| 1460 |
GV |
65?70? Nascimento de Gil Vicente |
| 1467 |
Europa |
n. Erasmo de Roterdão - 1536
|
| 1469 |
Europa |
n. Juan del Encina - 1529
|
| 1469 |
Europa |
n. Nicolau Maquiavel - 1527
(ver "O Príncipe" |
| 1470 |
DE |
n. Garcia de Resende - 1536
|
| 1471 |
Europa |
n. Albrecht Dürer - 1528
|
| 1474 |
Europa |
n. Ludovico Ariosto - 1533
|
| 1475 |
Europa |
n. César Bórgia - 1507 |
| 1475 |
Europa |
n. Miguel Ângelo - 1564 |
| 1478 |
Europa |
n. Thomas Morus - 1535 (ver
"A Utopia" |
| 1481 |
DE |
Morte de , o Africano. Reina
D. João II. |
| |
DE |
n. Francisco de Sá de Miranda
- 1558 - o que introduziu as formas clássicas... |
| 1482 |
?DE |
n. Bernardim Ribeiro - 1552?
5? (ver "Menina e Moça" |
1483
/84 |
DE |
Lutas de D. João II com a nobreza.
Execução do Duque de Bragança em Évora, e D. Diogo, duque de
Viseu, irmão do futuro rei D. Manuel I, cunhado do rei, é apunhalado
pelo próprio rei. A rainha D. Leonor ( a Rainha Velha de Gil
Vicente) funda um Hospital em Caldas da Rainha (futuro das Misericórdias).
|
| 1487 |
DE |
Bartolomeu Dias Dobra o Cabo
da Boa Esperança. |
| 1489 |
DE |
Primeira impressão de um livro
em Lisboa. (?) |
| 1490 |
DE |
Morte do príncipe herdeiro
D. Afonso, filho de D. João II, que entretanto casara com D.
Isabel, filha dos reis católicos de Espanha. Foi um profundo
golpe para o rei e para o seu sonho de unificação ibérica...
que o vai levar a escolher D. Manuel I... |
| 1491 |
Europa |
n. Henrique VIII de Inglaterra
- 1547 |
| 1492 |
DE |
Cristóvão Colombo chega à América,
lançando a confusão da chegada à Índia pelo Ocidente... |
| 1494 |
DE |
Tratado de Tordesilhas que
divide o Mundo entre Portugal e Espanha, de pólo a pólo, por
um meridiano imaginário a 370 léguas a Ocidente do Arquipélago
de Cabo Verde. Hábil manobra dos enviados de D. João II que
detém conhecimentos únicos sobre a existência da América e do
Brasil... cartografia... e métodos de orientação...O Breviarium
Bracarense, fica a marcar o aparecimento da imprensa em Portugal...
|
| 1495 |
DE |
Aclamação de D. Manuel I
que dois anos depois casa com a viúva de seu primo (D. Afonso)
D. Isabel, pretendendo dar continuidade ao sonho Ibérico do
Príncipe Perfeito... |
| 1496 |
DE |
n. João de Barros - 1570 (ver
"Décadas" |
| 1497 |
DE |
Partida da Armada de Vasco
da Gama para a Índia... em Julho. |
| 1498 |
DE |
Chegada de Vasco da Gama a
Calecut. D. Leonor funda as Misericórdias. |
| 1500 |
DE |
Descoberta oficializada do
Brasil. D. Manuel casa com a infanta D. Maria de Castela. Diogo
de Gouveia é reitor na Universidade de Paris... |
| 1502 |
1 |
Monólogo do Vaqueiro
ou Auto da Visitação (c) |
| |
2 |
Auto Pastoril Castelhano
(c) |
| |
DE |
Aparecimento do segundo Diário
da segunda viagem de Vasco da Gama à Índia... |
| 1503 |
3 |
Auto dos Reis Magos
(c) |
| 1504 |
4 |
Auto de S. Martinho
(c) (nas Caldas) |
| 1506 |
5 |
Sermão feito à rainha D.
Leonor (c) |
| |
DE |
Concluída (por Gil V.?) a Custódia
de Belém com ouro trazido da Índia |
| 1507 |
DE |
Na Índia, Afonso de Albuquerque
conquista Ormuz |
| 1509 |
6 |
Auto da Índia (1519?)
(p) (No Paço de Almada) |
| |
7 |
Auto da Sibila Cassandra
(c) (1513) |
| |
DE |
Gil v. nomeado ourives da Rainha
D. Leonor... |
| |
DE |
Afonso de Albuquerque empreende
a formação do império português na Índia |
| 1510 |
8 |
Auto da Fé (bilingue)
(Almeirim) |
| |
9 |
Auto da Fama (1516???
1521???) (p) |
| 1510 |
Europa |
n. Lope de Rueda - 1565 (Dramaturgo
espanhol... ) |
| 1511 |
10 |
Auto dos Quatro Tempos
(c) |
| 1512 |
11 |
O Velho da Horta (p)
(Paço da Ribeira) |
| |
12 |
Auto dos Físicos (c)
(data ???) |
| |
DE |
Mais de 1200 portugueses embarcam
para a Índia e muitos por lá ficam... |
| 1513 |
DE |
Célebre embaixada de (Tristão
da Cunha c/ elefante) D. Manuel ao Papa Leão X... |
| |
13 |
Exortação da Guerra
(1513?) (p) |
| 1514 |
DE |
Construção da Torre de Belém...
|
| 1515 |
14 |
Quem tem Farelos (1505?)
(bilingue) |
| |
Europa |
n. Teresa de Ávila - 1582 (ver
"As moradas" |
| 1516 |
DE |
Cancioneiro Geral de Garcia
de Resende... |
| 1517 |
15 |
Auto da/s Barca/s do Inferno
(1512?) (p) (Paços da Ribeira) |
| 1518 |
16 |
Auto da/s Barca/s do Purgatório
(p) (Hospital de Todos os Santos) |
| |
17 |
Auto da Alma (1508?)
(p) |
| 1519 |
18 |
Auto da/s Barca/s da Glória
(c) (Almeirim) |
| |
DE |
Fernão Magalhães atravessa
o estreito que fica com o seu nome... |
| 1520 |
??? |
Obra da Geração Humana
|
| |
??? |
Auto de Deus Padre, Justiça
e Misericórdia |
| |
DE |
n. António Ribeiro Chiado -
1591 (continuador de Gil V. mas...) |
| 1521 |
DE |
Morte de D. Manuel e aclamação
de D. João III |
| |
19 |
Cortes de Júpiter (p)
|
| |
20 |
Auto dos Quatro Tempos |
| |
21 |
Comédia de Rubena (bilingue)
(Ver Diálogo Infantil in Teatro de Gil V. - A. J. Saraiva |
| |
DE |
Morte de D. Manuel I
e subida ao trono de D. João III |
| |
outras |
Romance à morte de D. Manuel
|
| |
outras |
Oração dos Grandes depois de
enterrado El-Rei |
| |
outras |
Romance à Aclamação de D. João
III |
| |
outras |
Palavras dos Senhores ao Beijar
da Mão |
| 1522 |
22 |
Pranto de Maria Parda
(p) |
| 1523 |
outras |
Trovas ao Conde de Vimioso
|
| |
23 |
Farsa de Inês Pereira
(p) (Convento de Tomar - D. João III) |
| |
24 |
Auto Pastoril Português
(Em Évora) |
| 1524 |
25 |
Frágua de Amor (bilingue)
|
| |
26 |
Comédia do Viúvo (1521?)
(c) |
| 1525 |
27 |
O Juiz da Beira (bilingue)
(Almeirim) |
| |
28 |
Farsa das Ciganas (1521?)
(c) |
| |
29 |
Tragicomédia de D. Duardos
(c) |
| |
DE |
Morte da 2Rainha Velha" D.
Leonor) |
| |
DE |
Nascimento de Camões (? a data
mais provável) |
| 1526 |
30 |
Templo de Apolo (bilingue)
|
| |
31 |
Auto da Feira (p) (1528?
repr. nos Paços da Ribeira) |
| 1527 |
32 |
Comédia sobre a Divisa da
Cidade de Coimbra (bil.) |
| |
33 |
Auto das Fadas (bil.)
(data???) |
| |
34 |
Nau de Amores (bil.)
(Chegada a Lisboa de d. Catarina mulher de D. João III) |
| |
35 |
Farsa dos Almocreves
(1526?) (p) |
| |
36 |
Tragicomédia - Pastoril
da Serra da Estrela (p) (Ao nascimento, em Coimbra, da Infanta
D. Maria, filha de D. João III a 15.10.1527 |
| |
37 |
AUTO DA HISTÓRIA DE DEUS
(em Almeirim) |
| |
38 |
Diálogo dos Judeus sobre
a Ressurreição (p) |
| 1528 |
39 |
Auto da Festa (p) (1526?)
|
| |
outras |
Trovas a D. João III |
| 1529 |
40 |
Triunfo do Inverno (c)
|
| |
41 |
O Clérigo da Beira (p)
(Almeirim) |
| 1530 |
DE |
Tremor de terra em Lisboa e
em 1531 |
| |
DE |
Pedido da Inquisição em Portugal
|
| 1531 |
outras |
Fala de Gil Vicente aos Frades
de S. Francisco em Santarém, defendendo os cristãos novos |
| |
outras |
Carta de Gil Vicente sobre
a atitude dos frades |
| |
42 |
Jubileu dos Amores (repres.
em Bruxelas em castelhano) |
| 1532 |
43 |
Auto da Lusitânia (bil.)
com Todo o Mundo e Ninguém... |
| 1533 |
44 |
Romagem de Agravos / ados
(p) (Évora) |
| |
|
Aderência do Paço (desaparecido?
cond. Inquisição) |
| |
|
Jubileu de Amor (desaparecido
cond. Inquisição) |
| |
|
Vida do Paço (desaparecido
cond. Inquisição) |
| |
45 |
Auto de Amadis de Gaula
(c) (Évora) |
| |
DE |
André de Gouveia é eleito Reitor
da Universidade de Paris... |
| 1534 |
46 |
Auto da Cananeia (p)
(Convento de Odivelas) |
| |
47 |
Auto da Mofina Mendes
(p) (antes era Auto dos Mistérios da Virgem) (1ª 1515)
|
| 1536 |
48 |
Floresta de Enganos
(bil.) (Évora) |
| |
DE |
Estabelecimento da Inquisição
em Portugal. |
| 1537? |
1540? |
Morte de Gil Vicente (?) |
| 1562 |
|
Copilação de todallas obras
de Gil Vicente - apesar da Inquisição, a viúva de D. João III
conseguiu que fosse publicada... (16 em Pot. + 11 Cast. 16 biling. |
| 1580 |
|
Perda da Nacionalidade e ?
morte de Luís de Camões... "Ao menos, morro com a Pátria" |
Alguns dos mui ilustres
CONTEMPORÂNEOS de GIL VICENTE
 
Leonardo da Vinci 1452-1519; Maximiliano
I 1459-1519; Erasmo de Roterdão c. 1467-1536
Nicolau Maquiavel 1469-1527; Albrecht Dürer 1471-1528; Ludovico
Ariosto 1474-1533
César Bórgia c. 1475-1507; Miguel Ângelo 1475-1564; Thomas Morus
1478-1535
Francisco Sá de Miranda 1481 (?)-1558; Rafael Sanzio 1483-1520;
Henrique VIII de Inglaterra 1491-1547
Bernardim Ribeiro c. 1482 (?)-1552 (?); João de Barros 1496 (?)-1570;
Benvenuto Cellini 1500-1571.

3. - ÉPOCA
Os primeiros reinados da 2ª Dinastia e os Reis
com quem Gil Vicente viveu.
Mais alguns dados históricos da ÉPOCA VICENTINA para uma possível
compreensão do que passava há 500 anos e como tentativa para tentar
perceber a nossa...

D. João I
viveu - 1357 a 1433
reinou -1385 a 1433
|
Décimo rei de
Portugal, dá início à segunda Dinastia, após a primeira série
que começara em Afonso Henriques e terminou com D. Fernando
e a crise de 1383/85.Viveu de 1357 a 1433. Reinou de (Cortes
de Coimbra) a 1433.Filho bastardo de El-rei D. Pedro e de Teresa
Lourenço. Em 1364, ainda menor de sete anos é investido como
Mestre de Avis, com a formação religiosa, militar e cultural
inerentes a esta função. Foi protagonista com Álvaro Pais, João
das Regras e Nuno Álvares Pereira da Crise de 1383/85. Aí as
lutas com Castela, o Cerco de cinco meses de Lisboa, a aclamação
como rei nas Cortes de Coimbra, a Batalha de Aljubarrota, o
casamento com D. Filipa de Lencastre, matriz fecunda da "ínclita
geração de altos infantes" donde sobressaem o futuro rei, D.
Duarte, D. Henrique, D. Fernando e D. Pedro, o das sete partidas...
|
|
D. Duarte
Viveu 1391 - 1438
Reinou 1433 a 1438
|
. Filho mais velho e herdeiro
de D. João I e D. Filipa de Lencastre, nasceu em 31 de Outubro
de 1391. Reinou breves cinco anos mas deu continuidade à obra
de seu pai e deixou o caminho preparado para o seu sucessor
como prova a Lei Mental publicada pelo seu filho D. Afonso V.
Deixou-nos obras literárias como "Ensinança de bem Cavalgar
Toda a Sela" e "Leal Conselheiro". Ficou marcado pelo envolvimento
nas desastrosas empresas de Ceuta e de Tânger, onde ficou o
seu irmão D. Fernando. Aconteceu, durante o seu reinado o escândalo
do Concílio de Basileia, a continuação do Cisma do Ocidente
com a existência do Papa de Roma e do de Avinhão e depois, até
à divisão da Igreja por três Papas... |
|
D. Afonso V
Viveu 1432 - 1481
Reinou 1438 - 1481.
|
Tendo nascido em 1432, foi
logo proclamado Rei com apenas seis anos e idade devido à morte
prematura do pai alanceado pelo desastre de Tânger e vítima
da peste endémica do Reino. Este período é marcado por uma grave
crise e pela guerra civil. Esta crise é acalmada durante a regência
sábia, de sete anos, de D. Pedro, em nome do rei menino, (1438
- 1445) logo é reacendida em 1446 indo culminar com o trágico
desfecho da Batalha de Alfarrobeira, em 1449, onde morre o tio
regente D. Pedro, pai de D. Isabel, com quem D. Pedro tinha
casado... Por sua vez, estes vêm a ser pais de infanta Santa
D. Joana, e de D. João II, que virá a ser o Príncipe Perfeito...
Reinado desastroso de quarenta e dois anos, é salvo, pela positiva,
pelo continuado trabalho do seu tio D. Henrique que continuava
a saga dos Descobrimentos, e por fortuitas vitórias em África
que lhe valeram o cognome de "Africano"... Deu-se, em 1453,
a queda de Constantinopla e o terror da ameaça do Grão-Turco...
Foi feliz na expedição a África e chegou a ser senhor de Ceuta,
de Alcácer-Seguer, Arzila e Tânger o que lhe deu o direito de
acrescentar ao título de "Rei de Portugal e dos Algarves", o
de "D'Aquém e d'Além - Mar em África". Apesar disto, este tumultuoso
reinado, é também o preâmbulo do século áureo da Cultura Portuguesa
da Renascença, que se vai manifestar nos reinados de D. João
II, D. Manuel, e mesmo D. João III, que haviam de produzir um
Gil Vicente, Pedro Nunes, Garcia de Orta, António Ferreira,
D. João de Castro, Luís de Camões... |
|
D. João II
Viveu 1455 - 1492
Reinou 1481 a 1492.
|
O Príncipe Perfeito , como
ficou conhecido na história, vai dar continuidade à grande Obra
de seus tios, os infantes D. Henrique e D. Pedro, desvirtuada
pelos desvarios aventureiristas de seu pai D. Afonso V, a ele
se deve o empenhamento de Portugal, como nação e Governo, no
grandioso empreendimento dos Descobrimentos, como um projecto
solidamente baseado em estudos rigorosos, escolas de investigação
e registos, e em dados científicos, continuada depois na exploração
sistemática, programada e rigorosamente orientada... como empresa
pioneira e genial, de interesse nacional e de toda a Humanidade,
na linha das grandes explorações actuais do Espaço e do Cosmos.
Reinado de grandes convulsões internas, vai ser preciso dominar
as ambições da Nobreza, saída da hipotética Revolução de 1383/85.
Senhor de uma excepcional Cultura, inteligência e sentido de
governo político, este rei, filho de primos..., tendo-se empenhado,
desde os dezasseis anos, nos negócios do reino, e sobretudo
no empreendimento dos Descobrimentos, que o seu pai, na sua
inércia, felizmente lhe confiava..., determinou o desenvolvimento
dos estudos da Geografia, Cosmografia, Astronomia e Matemática,
e outras áreas de Cultura até então obscuras universalmente...
Dispondo de um escol de experientes navegadores, pilotos, marinhagem,
técnicos e sábios nas ciências da Geografia e arte de marear,
cosmógrafos, cartógrafos, matemáticos e navegadores..., procurou,
por exemplo, localizar o famoso Prestes João que, depois de
grandes e impressionantes viagens, foi identificado como o Negus
da Abissínia por Pêro da Covilhã que, no regresso das suas viagens,
ali ficou cativo até à morte, mas só depois de ter feito chegar
a D. João II todas as informações que haviam de abrir os caminhos
para a Grande Viagem da Descoberta do Caminho Marítimo para
a Índia, que havia de permitir o Encontro da Humanidade na sua
diversidade de Culturas, Raças e Credos...A sua escola de pajens
- onde, além da educação nos serviços internos da Corte e de
intenso treino desportivo de futuros cavaleiros, com equitação,
manejo de armas, jogos de tavolado, caça de monte e falcoaria,
incluía aprendizagem de maneiras cortesãs, música, dança, com
especial interesse por estudos de cartografia, rudimentos de
astronomia para navegação pelas estrelas, prática de instrumentos
de bordo como astrolábios, leitura e traça de cartas e portulanos...
Era nesse tempo, e parece que poderá ser nos tempos de hoje,
considerada o modelo de ESCOLA inserida no âmago dos problemas
do Homem do Meio, tentando responder às principais questões
do seu tempo e virada para o Futuro...Lisboa era o centro vital
da Europa e do Mundo Civilizado. Era pioneira da Astronomia
Náutica, "Mestra" da construção naval e arte de navegar, com
grande prática de tabelas e de instrumentos náuticos, trato
de comércio e de convívio com povos bárbaros e exóticos - tudo
isto forçado ao mais rigoroso sigilo para evitar a concorrência
alheia...Mantinha contacto com sábios de todo o Mundo, e por
ironia, assim foi o rei que se estabeleceu como senhor absoluto
e promotor da tremenda Inquisição em Portugal...Deixou enfim,
tudo preparado para a Grande Viagem, cujos louros viriam coroar
o Rei Venturoso ou Afortunado ... |
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D. Manuel I
Viveu 1469 - 1521
Reinou 1495 a 1521
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D. Manuel I Nasceu em 1469
e reinou de 1495 a 1521. (Curioso binómio de 26 mais 26 anos
!). D. Manuel I, Duque de Beja, primo e cunhado de D. João II,
irmão do Duque de Viseu, assassinado pelo próprio rei para pôr
termo a mais uma conspiração, é considerado herdeiro do trono,
por ter morrido desastrosamente, da queda de um cavalo, o príncipe
D. Afonso, único filho varão de D. João II, que se casara entretanto
com D. Isabel, filha dos reis católicos de Espanha, os seus
adversários mais directos na saga dos Descobrimentos, sonhando
a realização da unificação da Península sob o comando de Portugal,
que abriria os caminhos do Mundo a descobrir... É este sonho
que D. Manuel vai prosseguir, casando logo com D. Isabel, a
viúva do seu primo, em 1497, que entretanto morre de parto,
antes que seja conhecido o êxito retumbante da gloriosa Viagem
de Vasco da Gama à Índia. Casa depois, em segundas núpcias,
com a Infanta D. Maria, irmã de D. Isabel, de quem terá dez
filhos, a começar pelo príncipe herdeiro que virá a ser D. João
III. É o nascimento deste que vai servir de pretexto a Gil Vicente
para dar a conhecer as possibilidades do seu génio como comediante
e homem de Teatro... D. Manuel casou ainda, no fim da vida,
com a infanta de Castela D. Leonor, de quem terá a filha D.
Maria, já no ano da sua morte, em 1521. E pode ser este o resumo
do reinado do Rei Venturoso ou Afortunado que, mercê das circunstâncias,
pôde reinar em regime de puro absolutismo, herdando uma Nobreza
dócil e temerosa, devido à intervenção dura e inflexível do
Príncipe Perfeito!, e herdando todas as condições e impulsos
já dados para as grandes realizações que permitiriam a grande
glória do seu reinado e o fulgor deslumbrante da sua Corte...
Este deslumbramento!, não terá afectado somente o rei e a sua
corte, mas com certeza o povo que governava e que somos... "Pertenço
a um género de portugueses / Que depois de estar a Índia descoberta
/ Ficaram sem trabalho." Isto veio a dizer Fernando Pessoa,
disfarçado de Álvaro de Campos, in Opiário, estância 27, que
termina assim: "A morte é certa./ Tenho pensado nisto muitas
vezes." Mas, já na estância 13, tinha dito o poeta que escrevia
no Canal de Suez: "Eu acho que não vale a pena ter / Ido ao
Oriente e visto a Índia e a China."; e na 14, "Por isso tomo
ópio. É um remédio. / Sou um convalescente do Momento. / Moro
no rés-do-chão do pensamento / E ver passar a Vida faz-me tédio."
...Será esta a leitura do Poeta da Mensagem do século XX, sobre
o grande Rei Venturoso ou Afortunado e os grandes acontecimentos
de Quinhentos? |
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D. João III
Viveu 1502 - 1557
reinou 1521 a 1557.
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D. João III Nasceu em 1502
e reinou de 1521 a 1557. Saudado logo a dois dias do seu nascimento
por Gil Vicente com o Monólogo do Vaqueiro ou Auto da Visitação,
no dia 7/8 de Junho de 1502, ainda nos Paços do Castelo de Lisboa,
na câmara da Rainha parturiente, perante o rei e toda a sua
corte, bem podemos dizer que, com o futuro D. João III, nascia
também o teatro português, como diz Hernâni Cidade e Carlos
Selvagem no 6º volume da Cultura Portuguesa. Coube a este rei
dar continuidade à epopeia dos Descobrimentos que vinha sendo
preparada desde o início da segunda Dinastia especialmente pelos
trabalhos desenvolvidos pelo Infante D. Henrique e por seu irmão
o Infante D. Pedro, os da ínclita geração, mas tratava-se agora
de consolidar o vasto império onde nunca o sol se punha, e pôr
cobro aos desmandos da cobiça, do desgoverno e dos abusos que
se cometiam longe das vistas e do poder imediato do Rei. Pode
dizer-se que o império e a expansão portuguesa atingiam o seu
auge, bem como a Cultura do Renascimento fazia florir os nomes
e as Obras mais ilustres e, afinal, todo este esplendor, já
estava minado pelo vírus da destruição. Estávamos no século
em que Rabelais, logo no seu início, concebera os homens em
seu triunfo olímpico, engendrando no seio das próprias deusas
os super-homens que imporiam ao mundo inteiro o império da sua
lei, inventando a abadia de Thélème, e em 1572, cantava Camões
nos seus Lusíadas a Ilha dos Amores onde Gama e os seus Argonautas,
depois de dominarem as forças da Natureza, fruíram a satisfação
dos apetites nos frutos abundantes, nas cores variadas, nos
encantos das Ninfas e descobriam a insaciável curiosidade da
inteligência, na visão da "Máquina do Mundo - o Cosmos mostrado
por Tétis em ante-Visão apontando assim o AMOR UNIVERSAL como
META e solução para os problemas da Humanidade. Mal floria a
Idade de Oiro, e já se viam os Sinais que a fariam murchar,
denunciados por Camões, Sá de Miranda, Gil Vicente, João de
Barros... D. João de Castro... Marcam o reinado deste
rei, o abandono das praças fortes do Norte de África por inúteis
e dispendiosas... O estabelecimento da Inquisição em Portugal
e a Vinda da Companhia de Jesus... Começa o descalabro do Império
do Oriente onde tinham sido enviados Governadores e Vice-Reis
íntegros e enérgicos como Vasco da Gama, Nuno da Cunha, D. João
de Castro... Expande-se a Colonização em África, Angola e Moçambique
e sobretudo a colonização do imenso território do Brasil desde
o Recife ao Rio da Prata... Este Rei veio a morrer sem herdeiro
directo, deixando como sucessor um neto de três anos: o "Desejado",
D. Sebastião, que levaria o reino ao desastre de Alcácer Quibir
e à perca da independência em 1580, quando Camões, na agonia,
se lamentava: "Ao menos, morro com a Pátria." |
4. - OS DESCOBRIMENTOS: Algumas
datas e nomes para referências...
1394 Infante D. Henrique (5º filho de D. João
I e Filipa de Lencastre. (04/03/1394 - 1460)
1411 Organiza a frota e toma parte importante na tomada de Ceuta
1419 Redescobrimento português de Porto Santo
1420 Madeira
1427 Diogo de Silves terá chegado aos Açores Ocidentais
1432 Descoberta e colonização metódica
dos Açores
1434 Gil Eanes chega ao Bojador, Serra Leoa
1441 O Infante envia Antão Gonçalves ao Rio do Ouro
1443 Pode dizer-se que é incentivada a descoberta da Costa de África
a Sul do Bojador, - Arguim - foz de Senegal - Rio do Ouro - Cabo
Verde... Cabo dos Mastros... (com o interregno de Alfar-robeira...
e intrigas da Corte...)
1448 Descoberta das Américas do Norte, Centro e Sul (prováveis)
1454 Bula de Nicolau V ao Infante "outorgando-lhe em exclusivo a
posse, ocupação e apropriação de todas as terras, portos, ilhas
e mares de África...
1460 Morte do Infante D. Henrique
1460? 1465? 1470 - Nascimento de Gil Vicente
1487 Bartolomeu Dias descobre a passagem do Sueste - Cabo da Boa
Esperança
1494 Tratado de Tordesilhas
1495 Descoberta das Américas... já confirmadas.
1498 Cristóvão Colombo, 3ª viagem, ao
Continente americano
1519 Fernão Magalhães realiza a Viagem de Circum - navegação
1536 Morte de Gil Vicente


5 - BIBLIOGRAFIA usada
| Autores |
Títulos |
Ed. |
SELVAGEM, Carlos e
CIDADE, Hernâni |
CULTURA PORTUGUESA |
Empresa Nacio-nal de Publicidade,
Ed. especial patrocinada pela Di-recção - Geral da Educação
Permanente, 1971, em especial os volumes: 2, 3, 4, 5 e 6, dos
18 da colecção. |
REMÉDIOS, Mendes dos
(Revisão, Prefácio e notas) |
OBRAS DE GIL VICENTE,
Tomo I, 1907, Tomo II, 1912, Tomo III, 1914, volumes XI, XV
e XVII |
da Colecção Subsídios para
o Estudo da História da Língua Portuguesa, Coimbra, França Amado,
Editor. |
| QUADROS, António |
(Introdução, organização e
biobibliografia) OBRA POÉTICA DE FERNANDO PESSOA, POESIAS DE
ÁLVARO DE CAMPOS |
Publicações Europa América,
Mem Martins, !985?, 86? |
| SOARES, Albano Monteiro |
(Estudo, Análise, Notas, Vocabulá-rio
e Questionários) FARSA DE INÊS PEREIRA DE GIL VI-CENTE
|
Porto Editora, Porto, 1976 |
| SARAIVA, António José |
GIL VICENTE E O FIM DO TEATRO
MEDIEVAL, Livraria Bertrand, 3ª ed., 1981, com prefácio de Paris
de Outubro de 1965 e cujo ensaio serviu de tese de doutoramento |
publicado em 1942 |
| SARAIVA, António José |
(Apresentação e leitura) TEATRO
DE GIL VICENTE |
Portugália Editora, 5ª Ed.
s/d. |
| SARAIVA, António José |
GIL VICENTE E O FIM DO TEATRO
MEDIEVAL |
Bertrand, (1942) 3ª ed., Lisboa
1983 |
| SARAIVA, António José |
A CULTURA EM PORTUGAL - teoria
e História - Livro II primeira Época: A Formação |
edição de GRADIVA - PUBLICAÇÕES,
Ldª , Março de 199 |
| KEIL, Luís |
AS ASSINATURAS DE VASCO DA
GAMA, UMA FALSA ASSINATURA DO NAVE-GADOR PORTUGUÊS, CRÍTICAS,
COMENTÁ-RIOS E DOCUMENTOS |
da Academia Nacional de Belas
Artes, Conservador do Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa,
1934.
Vários - Verbo Ed. ENCICLOPÉDIA LUSO BRASILEIRA DE CULTURA,
Ed. Verbo, especialmente nos temas Descobrimentos, Infante D.
Henrique... |
| CRUZ, Duarte Ivo |
INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO TEATRO
PORTUGUÊS |
Guimarães Editores, Lisboa,1983 |
Será longa a lista de dados para perceber plenamente
o CONTEXTO de um pequeno AUTO de Gil Vicente, mas não pretendem
ser senão algumas pistas de LEITURA, para perceber a sua OBRA, o
Renascimento, o que fomos e o que SOMOS COMO POVO.
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